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28 novembro, 2022

Limpeza profunda



Dias passados na casa dos nossos amigos, e eu ainda não tinha desentalado o meu inglês... foi difícil pra mim porque eu me sentia muito cobrada, além de sentir vergonha. É aquela coisa da vergonha alheia, mas eu sou a alheia também. 
A gente só ia até o Green Kitchen comer salada ceaser, então faltava interação. Pra resolver isso, a Patrícia sugeriu algo bem pontual: pegar lixo na pracinha! Pode parecer estranho mas é a vizinhança que mantém os arredores limpos.
Elá fui eu pra frente da Green Kitchen (sempre ela). Eu me indentifiquei, mostrei minha casa (do Gabriel) e disse que queria ajudar; eles ficaram super contentes de terem uma brasileira mas também não me esperaram muito, não. Foi cada um pro seu lado e eu fiquei com a organizadora, a Siobhán. Ela foi super gentil, entregou um saco azul gigante, um par de luvinhas e um bastão. Lá fui eu, com o saco mais leve que a minha consciência.
Se eu tivesse um grilo falante, ele provavelmente diria: "Minina, volta pra casa, teus rebentos precisam de ti, Cacá está maluca, Bibi está sozinho e Vituim... bom, ele deve ser o único feliz, porque nem nossos anfitriões estavam"
Na verdade, eu só fiquei mesmo rodando em volta da pracinha e da igreja (* tem que entender que eu não sabia onde era o limite da operação, porque eles falaram que era daqui até ali, e de lá até o outro lado, senão a gente entraria na jurisdição do lixo alheio); numa outra ocasião, eu tinha entrado pra ver, e era igual como qualquer outra. Só que eu percebi que o povo chegava, deixava o saco bem cheio de sujeira, dava aquela risadinha de comemoração e saia de novo, e o meu saco vazio de tudo. Como eu não queria 'perder' o jogo do lixo, resolvi dar uma roubadinha: primeiro, comecei a colocar algo mais vultuoso que só os saquinhos que eu encontrava, e comecei a por algumas pedras; só que aí eu percebi que eu ia ficar carregando peso. Bom, o que foi, foi, mas tinha que mudar de estratégia. Não pensei duas vezes: fui até em casa e pedi algum lixinho pra colocar no meu saco. E que saco, a Patrícia não me deixou roubar muito, e o Lemão ficou do lado dela.
Apesar de usar indevidamente a minha inteligência, fui a que tinha o saco mais vazio no final.
Por outro lado, a Siobhán tirou minha foto, publicou no facebook do grupo e ainda me passou seu número de telefone. Disse que eu era a mais animada da turma (por que será, ne?)
As duas meninas que sairam na foto comigo deram o maior trabalho pra Siobhán.
Uma delas era moradora do bairro, com certeza, a outra não tenho certeza; mas deve existir uma lei moral de ajudar na faxina do bairro, e a mãe obrigou as duas a irem catar lixo. 
Que programão. 
Elas não estavam nada felizes e, por isso, sumiram. Mas, às vezes, o destino dá uma rasteira em nós, os pais dessas crias sem coração, e uma emergência fez com que as meninas tivessem que voltar pra casa com urgência.Caláro que o desespero ficou só com a minha nova amiga irlandesa porque ela ficou na maior gastura, rodando feito peão de rodeio pra ver se a energia das bichinhas atraiam ela pra algum lugar; mas elas apareceram, com a paz dos anjos que não se descabelam nem no juizo final. Elas foram tranquilas pra casa, e a Siobhán voltou a catar lixo.
Aborrescente é a mesma coisinha em qualquer lugar do mundo.
Eu ter ficado ali feito uma boba rodando e matutando em como arrumar mais lixo, só pra não ter aquela sensação de não estar usando todo o potencial do saco azul (o desperdício aqui é tido como uma grande infelicidade humana), fez eu ter a certeza que meu lugar não era ali: em algum momento teríamos mesmo que partir. 
Partimos aquela tarde em busca de casa, aluguel, sala de home office, qualquer coisa.

22 novembro, 2022

Você é quem sabe.





O dia que chegamos na Irlanda foi completamente fora do controle. Começou, claro, na alfândega, ou melhor, na imigração. Pegamos a fila dos europeus (sou ou não sou, nem sei mais) e combinamos que falaríamos que iríamos para estudar inglês (pra que falar o que o Gabriel nos orientou, né? Ele disse que era pra falar que íamos ficar na casa dele e que eu sendo espanhola, podia ir pra morar, e ele era meu marido, que tínhamos dinheiro, empresa... mas era conversa demais, então resolvemos fazer do nosso jeito...) Isso mesmo... fizemos e entramos pelo cano: a primeira pergunta que o cara fez foi saber ONDE iríamos estudar inglês. Affff
Aí começou a confusão e já fomos direto para o plano E, de Enrolação. 
Ele podia não estar de bom humor, mas depois de nós, o dia dele deve ter ficado insuportável porque ele começou a se irritar e nos mandou pra fila de não europeus (eu estava muito desesperada pra ficar indignada, então fiquei só depois). O problema é que a gente já estava no guichê, e pra pegar a outra fila, tinha que ir lá pro fim... minha cara de inconformidade deu vez pra cara de pau mesmo e furei a outra fila. O outro cabra, muito mais relax, disse que era impossível fazer o que queríamos, mas também não nos mandou embora, deixou a gente entrar na Irlanda mas teríamos que ir atrás da documentação do Lemão depois, lá na Polícia Federal deles. Que fofo.

Mas veja só: afinal, era a IRLANDA.
Que ficar chateado o quê... vamos aproveitar! Como estamos com fome, vontade de fazer xixi, e sem dinheirinho deles pra pegar ônibus, vamos comer alguma coisinha, arrumar uns troquinhos, ir no banheiro, pegar o ônibs e chegar na casa do Gabriel. Desarrumar as malas, descansar e aproveitar a casa só nossa. É a glória!
Claro que se desse tudo certinho nem ia ter graça, então acho que tem alguns dias que o sol nasce e elege algum grupinho pra deixar a vida emocionante. Certamente não fomos somente nós dois, mas começou a dar tudo errado.
Andamos camelamente até encontrar um banheiro, que ficava bem longe de umas cadeirinhas onde arrumamos pra sentar e comer. Nosso senso de muquiranice já veio ligado porque nada melhor que perder dinheiro logo que se chega num país diferente, e ainda mais em euros. Bom, vamos pro  mercadinho no aeroporto. Cadê o bom senso?
Tinha bastante opção de comida, e parecia que não era tão caro porque tinha muita gente pegando, comendo, pagando. O que faltou mesmo foi o inglês, ainda que sobrasse timidez de falar errado.
O carinha do caixa ficou um pouco aperreado, mas que se dane, não dá pra alegrar todo mundo.
O número do ônibus era o 18, lembro como se fosse hoje. 
Toca procurar o número 18: pelo google maps, dava um lugar; mas as placas do aeroporto indicavam outro... vamos pelas placas, esse GPS brasileiro na Irlanda... hehehe. E andamos, viu? Olha que esse número 18 devia ser escrito deitado, parecendo o símbolo do infinito, porque era do outro lado do mundo, e as nossas mochilas eram pesadas.
Por fim, o ponto do ônibus 18. Mas não era o NOSSO ônibus 18, porque aqueles ali iam somente para hotéis. Andamos muito de barriguinha cheia e paciência vazia, e resolvemos ir pelo google mesmo. Volta tudo pro começo.
E no fim, eu descobri: são dois números 18. Um pra ir pra cidade que era o google; e o outro, do aeroporto, não sei pra quê... acho que pros trouxas mesmo.
Achamos o dito cujo, mas não deu pra pegar... tinha que ser somente com moedas do dinheirinho deles, e nos centavos certinhos. Jisuis.......... que o ânimo começou a fraquejar. 
Volta pro aeroporto, compra qualquer bobagem e pega moedas, volta pro ônibus 18 (outro, que aquele já foi embora), paga com moeda e entra, senta e outra aventura que rapidamente se apossou de nossas cabeças: onde descer?
Google maps já funcionou uma vez, vamos por ele mesmo. Time que ganha não se mexe.
Era longe, mas já era esperado. Os aeroportos sempre são longe de tudo.
Tínhamos que fazer baldeação, então descemos no centro e ficamos encantados. 
Afinal, era Dublin.
Dublin do filme, da obra do Magazine, dos vickings ruivos com cara de bravo, que comiam batata e andavam com o machado do Thor por aí. A cidade estava meio estranha, meio vazia, mas com muita gente nas calçadas indo tudo pro mesmo lugar.
Que povo estranho! Parecia até aquelas seitas, ou zumbizisse bizarra que faz todo mundo agir igual. Depois fiquei sabendo que é o futebol deles, meio futebol nosso com o americano... esqueci o nome... pra ser bem sincera, acho que nem fiquei sabendo do nome.
Ficamos meio timidozinhos, e acho que eu ainda mais, porque eu estava com medo.
Bom... vamos pra casa do Gabriel, e aí arrumamos um lugar pra comer.
Chegamos no ponto certinho, depois de ficar acompanhando o percurso pelo celular, com aquele medo estranho de errar.
Encontramos a casa, e tinha mesmo o parquinho na frente, a igreja mais pro lado e conseguimos achar a casa com a entrada igualzinha da foto que o Gabriel mandou pra gente. Ufa! Mas aí vinha outro mistério a ser resolvido: tínhamos que achar uma vizinha brasileira, muito amiga da Patrícia, a Karen, que ia dar a chave da casa deles (do Gabriel) pra gente, mas como chegamos na hora que o Caetano (filhinho bebe dela) ia dormir, não podíamos tocar a campainha da casa dela, então ela ia deixar o porch(*) destrancado e poderíamos pegar o chaveiro amarelo na prateleira de entrada.  E........... eu sei o quanto eles foram legais com a gente, e que nos receberam e tentaram nos tratar da mellhor maneira que eles podiam, mas que foi um baque, isso foi. Parecia tudo errado.
Achamos a casa da vizinha, o porch aberta e parecia que estávamos fazendo alguma coisa errada, porque a casa não era nossa, e o medo de entrar na casa errada?
Desde que havíamos pisado em solo irlandês, foi um susto depois do outro; e quando achamos que o pior já havia passado, veio a casa do Gabriel.
Ela era antiga, mas não era só antiga: era velha, mofada, cheia de carpete vermelho, não era feia, era estranha. E, pelo que a Patrícia me falou depois, o pai do senhorio deles morreu e levaram a mãe não sei pra onde, mas as coisas dos velhinhos ficaram, e eles não poderiam se desfazer. Muita sujeirinha de séculos que a Patrícia não conseguiria acabar, nem se quisesse, mas acho que ela não se importava. Bem no alto do primeiro lance das escadas, logo que se entra na casa, lá estava ele: um quadro de Jesus, com olhar melancólico... acho que ele ficou assim depois que o Gabriel&Cia mudou pra lá.
Gente do céu... vamos comer.
Rodamos um pouco, já estava esfriando mais um pouquinho e achamos um pátio de food truck. Eram uns 3 carrinhos: bebida, comida frita e a outra de hambuguer e fritas.
O Lemão ficou com alergia nossa estadia toda, e não era nem só por causa da casa, descobrimos depois que é a época de uma alergia geral por causa do pólen de não sei que matinho que é crônico numa grande parte da população, sejam nativos ou não. Nem me pergunte como, mas eu não fiquei com essa alergia.
Nossa rotina era sempre a mesma: a gente acordava logo depois do Gabriel usar o banheiro e sair para o trabalho, e ele só voltaria lá pelas 17h, quando sentaríamos para beber alguma coisa, jogar conversa fora e irmos dormir. Quando saíamos do quarto, eu brincava com a Clarinha até a hora dela ir pra escola, aí tomávamos café e trabalho até de noite. Nosso almoço era quase sempre salada ceaser na Green Kitchen. Nesse meio tempo, oboviamente, dava pra perceber que a Patrícia não estava feliz com a gente lá, e ela dava sinais: não era pra usar a esponja da cozinha desse lado, era pra limpar o reservatório do aspirador depois de usar, pra lavar roupa tem que tomar cuidado porque tem que ligar a tomada não sei de que jeito ...... era tudo coisa que eu sabia fazer muito bem, ou seja, limpeza de casa. 

Talvez devéssemos ter saído logo de lá, mas não foi assim.
E o que eu fiz de muito errado é que eu levei uns 10 presentinhos, embrulhados com papel de presente pra Clarinha, e dava um por dia. 
Ela não gostou e no mesmo dia que ela disse que era pra gente não fazer mais isso por causa do desperdício de papel e consumismo desenfreado, foi o mesmo dia que o Gabriel me pegou de jeito antes de sair pro trabalho (naquele dia, eu acho que ele esperou a gente levantar pra falar, ainda que chegasse atrasado no trabalho). Disse que era pra eu ajudar a Patrícia, e não atrapalhar ela de manhã, que ela já fazia coisa demais, trabalhava demais e se eu ficasse brincando com a Clara toda manhã, ela sempre ia sair atrasada de casa. Ele foi grosseiro, rude e sem clemência.
Nós estávamos numa situação de fragilidade emocional, morando de favor, tentando agradar e engolindo aquela educação fajuta que eles davam pra Clarinha. A menina não podia se aborrecer: se ela queria continuar pintando, tinha que pintar, se ela não queria comer, ela não comia, eles não faziam ela chorar. Era uma história de que todos temos traumas gerados por causa da nossa criança interior, mas acho que eles leram só criança; então ela não teria traumas de infância.
Você entendeu? Não? Nem eu.
Eu fiquei tão machucada com a bronca, que o Lemão me arrancou da casa, fomos pro parquinho, e lá eu chorei muito.
A única coisa que eu sei é que a gente ficou mais isolado depois disso: não saíamos do quarto antes que as duas saissem de casa pra escolinha... e elas continuavam sainda atrasadas mesmo sem a gente ajudar; almoçávamos tarde, só quando elas chegavam da escola e muitas vezes íamos passear ou resolver qualquer pendência de tarde.
A Patrícia quase pediu pra sairmos do quarto de manhã porque a Clarinha queria brincar, mas ela nem finalizou o pensamento, dizendo que se a gente quisesse, a gente podia sair mais cedo e brincar um pouco porque a Clarinha estava com saudades.
Pois é, minha filha... vai torcer fralda de coco pra salvar o meio ambiente porque eu... never more.
Foi bom termos que arrumar coisa pra fazer de tarde porque aí saímos para comprar um monitor de vídeo de um cara que morava num bairro quase não comunista, e o cabra era ainda espanhol.
Eu disse comunista porque foi o país que mais tinha casas iguais que eu já imaginei ver no mundo ocidental. Todas as casas são iguais, na periferia, pelo menos. São bairros e bairros de uma mesma tipologia. Ou eram todas térreas, ou sobrados, ou edifícios conjugados, mas um monte igual. Podiam ter térreas e sobrados, mas todas as térreas tinham a mesma planta, assim como os sobrados também.
Nos primeiros dias que estávamos na Irlanda, o Gabriel fez um pequeno tour com a gente, e descobrimos algumas coisas bem peculiares: não se come nada sem batata frita, e as variações de comidas de boteco são asinhas de frango, costeletas de porco, ou hamburguers.
Uma coisa que muito me impressionou foi ver um naná.
Estávamos andando perto do centro, num canal que tinha uma linha de vegetação muito bonita ao longo de todo o riozinho. Existia uma cerca separando a área gramada da calçada, e sentado nesse gramado, de costas para a cerca: o naná(**).
Ele estava todo de preto, inclusive um capuz. A pele era branca e os olhos muito claros, acho que azuis. Uma cara de atormentado, meio drogado, com uma energia maléfica e acho que tinha um capuz dentro do outro, o que fazia um volume maior atrás da cabeça: Era a encarnação do Woldemort de nariz. Fiquei tentada a tirar uma foto, mas o Gabriel disse pra não olhar e não fazer nada.
Eu já tinha ouvido falar dos naná, mas aquela visão me deixou apreensiva. O Gabriel disse que estando em 3, e ele sozinho, ele não faria nada, apesar de sermos estrangeiros.
Outra coisa muito louca, e essa foi a última coisa ruim que eu vou falar da Irlanda, é sobre os moleques pré-adolescentes que andavam em bandos. Esses eram encrenca pura.
Se você cruzasse com algum deles, não olhe, não faça nada, só se afaste.
O que o Gabriel falou é que, por lei, não se pode fazer nada com eles, mas eles podem atacar as pessoas e até machucar. Os pais são chamados pela justiça, mas pouco é feito.

E se eu passei uma ideia de que o Gabriel pudesse parecer uma pessoa horrível, pelo que eu falei, devo aqui dizer o quanto ele me ajudou também.
Ele me ensinou, com muita paciência, a montar um curriculo, o que falar com os recrutadores, o que responder nos emails e a ter uma posição mais confiável. Ele me incentivou a falar inglês e eu sou extremamente grata a ele por isso.

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(*)PORCH - é aquele hall minúsculo antes da entrada da casa propriamente dita. Tem uns 80 cm, no caso dessas casas, até a porta de entrada. Normalmente é onde se tira o casaco e os sapatos e, no caso do Gabriel, é tudo isso e mais uma infinidade de pequenas coisas amontoadas.
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(**)NANÁ - é daqueles cabras drogados, os 'nóias' daqui. São os inúteis para a própria sociedade, mas não suportam estrangeiros. Eles batem, e batem muito; então, não ande sozinho e desvie deles.

03 outubro, 2022

Sonho de ser estrangeira




Eu acho que de tanto o meu avô falar que era descendente dos vikings, por causa do nome Servat (ele era Enric Tor Servat), eu sempre tive uma quedinha pelos paises gelados da peste, tipo Dinamarca... aquele povo indiscritivelmente diferente de tudo que eu podia pensar na vida, e de repente... a Irlanda virou uma possibilidade de viver no exterior. Nunca tinha pensado na Irlanda porque sempre foi mais distante, imaginativamente falando, que a Dinamarca... era um país idílico, inexistente. Foi aí que eu assisti o filme 'Casa comigo': uma mocinha fica sabendo de uma tradição irlandesa que somente no dia 29 de fevereiro, as mulheres podem pedir seus noivos em casamento. Ela achou uma ótima opção e lá foi ela, dos Estados Unidos pra Dublin, já que o rebento estava em terras eólicas (pensa num canto do mundo que corre o vento). Ela contrata um cabra pra servir de guia que, por falta de dinheiro em cash na sua vida aceita o convite. Eles acabam se apaixonando, mas ela casa com o chatão, descobre que ele é chatão, e volta pra casar com o guia. Mas o lugar que termina o filme são os Cliffs of Moher. E é lá que eu quero ir de qualquer jeito.

*PAUSA PRA FOFOCA*
Quando eu estava trabalhando pro Magazine Luiza, a própria ficou encantada por um remelento que nem era arquiteto porque ele fez uma reforma que ficou simplesmente maravilhosa, num galpão para ser o QG administrativo de Franca. Só que eu descobri que ele chupou, até as corzinha das almofadas, de um projeto de Dublin............ ai se essa mulher descobre que o remelento não teve nem a pachorra de mudar alguma coisinha. Eita falta de imaginação.
*FIM DA FOFOCA*

E tem um amigo,o Gabriel da Rê (que não é mais da Rê porque depois de casarem, e ela perder a aposentaria vitalícia por ser filha de milico, eles se separaram), que estava morando em Dublin, olha que coisa! E nos chamou para vir para a Irlanda!! E morar uns tempos na casa dele!!!

Viemos.

CHAPTER 1 - SPAIN

Chegamos pela Espanha, dando aquela passadinha básica por Barcelona e encontrando os primos velhos (menos a Magda que estava de covid, e a Montse, provavelmente covídica também); fomos comer paella, num restaurante à beira mar: Jordi, Esther e Pilar mãe. O papo foi bom, e depois eles nos levaram para o Ibis que ficava fora de Barcelona, num bairro workplace (como diria um corretor em Madri): Ripollet; só que eles ficaram falando tão mal do lugar que, pra gente que era bom, já não estava mais depois disso. Na verdade, eu tinha achado um lugar muito bom,pertinho da Sagrada Famìlia, mas o AirBnB cancelou de última hora e tive que pegar esse outro. A parte boa é que conhecemos um lado da Espanha que não teria sido possível se não fosse esse problema: vivemos uns dias na periferia de Barcelona, e fizemos amizade com a turma da padaria que íamos, do outro lado da carretera.

A paella foi bem no dia do meu aniversário e no dia seguinte, no casamento da Amanda, pisamos em solo irlandês. Um verdadeiro sonho pra mim... e era viver lá, falar inglês, era pra morar!!! 


CHAPTER 2 - IRELAND

Como tudo que eu faço, as coisas se atropelam.

O Gabriel mora em Dublin com a mulher, Patrícia e a filhinha Clara. Já chamei a Patrícia de Adriana (ainda bem que não na frente dela) porque era a anterior do Gabriel. Mas tem uma explicação psicológica: o que eu chamo de 'a teoria do esparadrapo frouxo na boca': um dia que eu errei, e conversando com o Lemão chamei a atual pelo nome da ex, o Lemão foi tão enfático em nunca, nunquinha, chamar ela assim de novo, que entrou de um jeito no meu cérebro, que no último dia de Irlanda, acabou saindo (e olha que eu me policiei tanto).

Ela, sempre a Patrícia, nunca a Adriana, não estava nem um pouco feliz de termos ido pra lá. Primeiro, porque os dois conversavam por whatsapp, combinaram e ele não deve ter pedido muito a opinião dela para nos receber lá com toda a amizade que ele tinha pelo meu marido Oscarito. Segundo que quando eu comprei as passagens, nem combinamos com eles, e eles iam sair de viagem (o que foi bom, porque chegamos com a casa vazia para nós)... sim, sim, foi uma falha grande. Terceiro que eles tem uma filha pequena, que gira tudo em torno dela (e vivenciamos isso demais). Quarto que a mãe dela viria um mês depois de nós para ficar por 3 meses. Pasmem! Se acha que é pouco, ainda viria o pior: a filhinha se apegou a mim, porque eu brincava muito com ela, e acho que a mãe ficou enciumada. O resultado foi uma grande bronca vinda do Gabriel, por conta do que a Patrícia falou pra ele, que me deu uma desestruturada. Quando eu falo desestruturada, quero dizer, sair da casa deles. Só não saímos porque literalmente não tínhamos para onde ir.
Segundo o que ele falava pra gente é que ficaríamos na casa deles por ns 3 meses, e que eles já sabiam e estavam preparados pra isso. ( # eles uma ova, só ele, o Gabriel, porque ela não estava preparada; e nem nós, que quando ele falou isso, deu o maior desespero na gente, e foi aí que a idéia de sair da Irlanda brotou # )

E depois de um mês exatamente, dia 10 de agosto, estávamos partindo da Irlanda com muitas gratas lembranças de  um povo amistoso e gentil, mas o divórcio foi inevitável. 


CHAPTER 3 - SPAIN AGAIN

Hoje estamos em Roquetas de Mar, um lugar fofo que acabamos vindo depois de tentarmos ficar em Madrid, que era nossa primeira opção, mas infelizmente (ou não, como diria Caetano) não conseguimos alugar nada... de novo. Olha que eu vou te falar, viu? Eu já estava me sentindo uma desalojada, imigrante sem lenço nem documento.
Ah, mas já que meu problema não era lugar, mas dinheiro ... e muquirana é a vovozinha... fui caçar um lugar legal e barato: AirBnB > preço de até mil euros > espanha. Liguei os filtros, coloquei no mapa e fui escaneando todo o litoral, já que apareciam as acomodações com os preços. Comecei por Barcelona (sonha, minha filha), fui pra Madrid (pensa numa pessoa teimosa) e aí, vim descendo pelo litoral, até encontrar um apartamento lindinho com cozinha azul, em Roquetas de Mar, Andaluzia.
Fiquei sabendo depois pela Magda que era o pedaço de solo espanhol mais barato do país. Meu primo deve achar que somos bem pobres, ou muquiranas mesmo (espero que você, caro leitor, não esteja dando razão interna a ele........... 💀)

08 junho, 2017

Pode deixar... tô ligada.



Chegando no terminal de Milão, não tínhamos tanto tempo assim de sobra, então fui até a plataforma indicada e, antes de entrar no vagão, tomei minhas precauções: perguntei pra umas 3 pessoas que estavam entrando se aquele trem ia pra Genebra.
"Sí. Ginevra"
Mas entramos mesmo só depois que mostrei a minha passagem pra um casal que entrava e ele me garantiu que estava tudo certo. Pelo menos se estiverem me enganando, já tenho alguém pra jogar pra fora pela janela.
Fomos até nossos assentos. Estavam vagos. O trem estava vago. Ainda confirmei mais uma vez... até o Vítor já estava me convencendo que o trem era aquele mesmo.
Não estávamos na janela... uma pena. Mas ninguém estava sentando do nosso lado.
O esquema das poltronas era bem legal: cada lado do trem tinha mesinhas dobráveis com 4 poltronas, e as nossas eram as 2 do corredor.


Até que veio um senhorzinho e sentou na janela.
Ele ficou caladinho até o trem andar, aí desatou em falar. Acabamos nos rearranjando, e o Vitor nem quis ficar na janelona, o negócio dele era montar e desmontar o seu brinquedinho Lego que comprei no aeroporto da Holanda.
O velhinho era italiano casado com uma espanhola.
Eles moravam em Andaluzia e seu nome era Ricardo.
(Marido, não leia... mas viajei com o Ricardão... kkk)
Ele tinha passado na Itália pra ver alguma papelada e estava agora indo visitar o filho que morava na Suiça. Ele foi bem agradável.
A paisagem, ainda dentro do perímetro urbano, era bem feinha, mas conforme ia passando o norte da Itália, iam aparecendo os campos, com aqueles fardos gigantes de alguma colheita. 
Na fronteira com a França, entraram alguns policiais, e como foi avisado pelo sistema de comunicação, estava com os passaportes em mãos; mas eles nem ligaram pra gente.
Daí a paisagem ficou, realmente, deslumbrante. Passamos pelos Alpes e vimos cidadezinhas completamente cinematográficas, pensei como seria morar lá, a beira daqueles lagos. Nesse trajeto um passageiro me chamou a atenção, e não era porque era bonito ou charmoso, era porque era uma pessoa muito branca. Não albina, somente muito claro, muito louro, até os cílios eram louros.
Um bom tempo depois, chegamos na divisa com a Suiça, e entraram de novo policiais de fronteira.
Esses bem mais mal-encarados e, passando por nós, perguntou, balançando a cabeça, se estávamos com o velhinho. Disse que não. Aí, ele queria ver nossos documentos (não do velhinho). Foi um tal de procurar passaporte, escolher o brasileiro (porque tinha o espanhol), e tira coisa da bolsa, e põe coisa na bolsa, e o homem ficando impaciente.
Perguntou, em francês, qual nossa nacionalidade.
"Brasilianos", respondi em italiano.
Aí, ele tentou falar com um inglês, inteligível. Por fim, foi embora.
Com a viagem chegando ao fim, estávamos muito falantes e o velhinho já se sentia da família.
"Põe o dedinho aqui", disse, indicando a parte de dentro da mesinha.
O Vitor colocou e o homem fechou, pegando o dedo dele.
Fiquei sem reação. Percebi que não foi por querer, foi aquela brincadeira besta que dá errado: o homem pensou que ele ia tirar e o Vitor achou que ele não ia fechar.
Eu ri, o homem ficou sem graça, e o Vitor com o dedo dolorido.
Acabou a viagem e o Cinho já nos esperava na estação.
Agora, vamos pra casa dele.

07 junho, 2017

Porca Miséria !!!



Chegamos ao Maledetohel, depois de uma caminhada de bota os bofes pra fora... uma aguinha, um banhinho e depois mais comida italiana. Ai, que alegria.
Tocamos o interfone, entramos, pegamos o elevador, descemos as escadas, chegamos no portão dos quartos e tocamos, de novo, o interfone.
"blá, blá, blá,blá, blá, blá venire alla recepcione perque blá, blá, blá,blá, blá, blá " 
"oi?"
"blá, blá, blá,blá, blá, blá venire alla recepcione perque blá, blá, blá,blá, blá, blá " 
Afff, melhor ir na recepção.
Todo mundo espera aqui que eu já volto.
Volta pelo corredor, desce escadas, pega elevador, cruza todo o pátio interno, entra pelo corredor do outro lado, pega o elevador, desce escadas, e chego na recepção.

[Vou ligar a tecla SAP pra facilitar]

"Oi, a nossa chave não funciona..."
"Má voceis non eston mai naquele dormitório"
"Acho que não entendi nada. Repete tudo, por favor."
"Má voceis non eston mai naquele dormitório" Dessa vez, ele falou mais alto e devagar.
"Vixe... você pode falar de outro jeito... acho que estou entendendo errado"
Ele começou a gesticular, gritar, fazer mímica e, depois de muito tentar, acho que entendi: nossa reserva terminara ao meio dia, então eles colocaram em outro quarto; aliás bem ali, do lado da recepção... dava até pra ver a porta.
"E as nossas coisas?"
"Nói troxemo tutti"
"Peraí... eu falei ontem na recepção, pro meliante que acusou o Rodrigo de roubo, que ficaríamos mais um dia, e ele não falou que teríamos que mudar de quarto."
Va bene, pensei... mudamos, então, de quarto.
Toca a fazer todo o caminho de volta... ida e volta; isso depois de andar horrores naquele dia.
Bom... vamos ver o dito cujo.
Estava destrancado e, quando vimos, todas as nossas coisas estavam amontoadas dentro de grandes e pretos sacos de lixos, por sorte não eram usados.
Tudo, tudo que era nosso lá... roupa limpa, roupa suja, roupa dos meus pais, as nossas, o pente de cabelo, sapatos, mochilas, qualquer coisa que encontraram... tudo lá, do tipo junto e misturado.
Não teve jeito... tive um piti.
Cheguei pro recepcionista e falei que aquilo era um absurdo, como fizeram uma coisa dessas? Primeiro, mexeram nas nossas coisas sem autorização, e depois fizeram um 'nichixabi' total.
"Má sua reserva acabo... nói podia jogar tuas cosas na calçada..."
O quê ???? Não acredito que ele me falou aquilo.
Falei tanto que eu até parecia uma italiana, acho que era a convivência desses dias... era um tal de mão falar, boca xingar, saliva grudar na testa dele, sair frase em italiano, espanhol, inglês, portunhol; no final, acho que nem meus pais me entendiam... se eu fosse o casal sentado na recepção esperando sei lá o quê, acho que eu teria ido embora.
Fui pro quarto, quando eu percebi que ele ficou mudo.
Rearrumávamos as coisas, e víamos se não sentíamos falta de nada, quando o Vitor pediu pra ligar a televisão. Cade o raio do controle?
"Mãe, quando ele veio aqui, ele levou?"
"Ele não pode ter feito isso". Acho que minha cara deve ter se transformado porque até o Tiquinho estava desistindo de assistir.
Tadinho do italiano.
Pensando, hoje em dia, ele parecia um rapaz bom, talvez ele não fosse como o do outro dia... mas quando ele fez aquilo, virou pessoal.
"QUERO O CONTROLE DA TV", falei com fogo saindo dos olhos.
O erro dele foi querer dialogar comigo dizendo que as mulheres que arrumam o quarto não tinham encontrado o controle da TV do outro quarto.
"Quando você sai pra passear, você costuma levar o controle da sua televisão? Eu não saí pra ver o Coliseu levando o controle da TV dentro do meu bolso. Se elas não acharam, não é problema meu, não fui eu que saí daquele quarto por último. E o meu filho quer assistir televisão. EU QUERO O CONTROLE"
Ele ia reclamando muito enquanto eu saia com o controle que ele havia me dado... ainda voltei pra dizer que na saída eu não pagaria por ele... nem adiantava ele me cobrar.
"Isso non vale ni 10 dolares", esnobou ele.
"Nem que valese 100! eu não vou pagar"
Pra sorte dos meus pais, eles iam embora dali a pouco.
Fomos até a estação de trem, porque eles iriam de trem até o aeroporto.
Vi direitinho como fazia porque no dia seguinte seríamos nós que faríamos uma aventura intrépida: viajar de trem super rápido até Genebra, na casa do Cinho. Uh-huuu.
Estava estasiada com aquela possibilidade.
Meus pais se foram e nós também: pra Fontana de Trevi.
Descemos na Piazza Di Spagna e em 10 minutinhos era pra chegar... mas que nada. Foi um roda, roda que a gente se perdeu: o Tiquinho e eu.
Tiramos até foto numa fonte bem bonita... bem podia ser aquela, mas não era. e um bom italiano nos disse como chegar.
Chegamos mesmo, e foi outra surpresa às avessas: a Fontana de Trevi é linda, mas parece enterrada, porque ela fica numa rua abaixo do nível normal das outras ruas, tipo uma gracinha que fizeram só pra detonar com a gente no futuro, que é agora, e tem taaaanta gente que foi o 'ó' pra tirar foto e parecer que não tinha mas ninguém lá, somente o Vitor, eu e Fefê (Frederico Fellinni).
 
    Perdi a foto. 


31 janeiro, 2017

Tudo por um sonho...




A águia, poderia viver até os 70 anos, mas para chegar a essa idade, ela teria que tomar uma série e difícil decisão por volta dos 40 anos. Nessa idade, ela está com as unhas compridas e flexíveis, impossibilitando caçar suas presas para se alimentar; seu bico alongado e pontiagudo, já se torna curvo; suas asas estão apontando contra o peito, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar está se tornando uma tarefa difícil.
Então, a águia só teria duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar cerca de 150 dias.
Esse processo consistiria em voar até o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão. Após encontrar esse lugar, a águia começaria a bater o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Esperaria, então, nascer um novo bico, com o qual arrancaria suas unhas.
Quando as novas unhas começassem a nascer, ela passaria a arrancar as penas velhas; e somente depois de cinco meses, ela sairia para o voo da sua nova fase.
E poderia viver, então, por mais 30 anos...
Mas pra que se contentar com uma miséria de 70 anos? 
A lenda da fênix que ressurgia das cinzas foi inspirada, provavelmente, na lenda primeira da renovação premeditada da própria ave que é ela: a águia. 
Este animal mágico viveria por até 97.200 anos e, diziam as más línguas, que uma única lágrima sua poderia curar qualquer enfermidade ou doença... diziam mais: que as cinzas, nas quais ela renascia, tinham o poder de ressuscitar até morto! Vai ver que é por isso que o imperador romano Heliogábalo (203-222 d.C) decidiu comer carne de fênix a fim de alcançar a imortalidade... tem italiano pra tudo... como ele não achou carne de fênix (dã), comeu carne de ave-do-paraíso mesmo. 
Não funcionou... e foi assassinado pouco depois.
Aliás este episódio marcou não só a inocência, como também o 'jeitinho' italiano (e isso foi bem antes do 'jeitinho' brasileiro). 
A 23° edição da Bienal o Humor em Tolentino, bem na panturrilha do mapa em formato de bota, disse que os italianos mentem todos os dias; e mais... deu números: 25 mentiras por dia, em média. (Mentirinha... são somente 5 por dia!). Tem dia que mais, tem dia que menos. Vai ver que é por isso que eles já caíram em tanta lorota.
Roma é uma dessas cidades fascinantes, com muito menos glamour do que eu esperava e muito mais italianos... gentis, bobões... de tudo um pouco.
No dia seguinte ao batizado, estávamos livres para irmos por aí.
Eu já sabia de uma lanchonetezinha, andando uns 3 quarteirões por trás do Maledetotel, e comprava nosso breakfast ali mesmo, defronte uma praça aberta no meio do quarteirão. Entrava falando 'Ciao', e saia falando 'take away'.
Decidimos, caláro, ver o Coliseu Romano. 
A ida já foi uma festa, tinha monumentos,igrejas, lojinhas e bares antigos, junto a lojas de grife; meu ponto máximo foi o lugar que a Diane Lane, interpretando o papel da apaixonante Frances ('Sob o Sol da Toscana') parou, deu uma voltinha e seguiu seu caminho, bem na frente do Monumento a Vittorio Emanuelle II. Eu me senti, profundamente, naquele momento, em algum lugar considerável, no velho mundo.
Andamos uns 5 quilômetros (mentira... acho que foram só 2) até chegar ao nosso destino e me pareceu que o Coliseu era bem mais pequenininho que eu pensava... achei que toda aquela pompa romana caberia lá dentro. Devo ser megalomaníaca, porque quando falam que em tal espaço cabem 20 campos de futebol, eu imagino uma aquele descampado da savana africana, só que com grama verdinha; tipo a perder de vista. Quando falavam do tamanho do Coliseu, era a mesma coisa... 



Qual não foi nossa surpresa ao chegarmos ao dito Coliseu, que não era grande, mas que tinha a maior fila de todos os tempos!!!
S'Ormindo já queria desistir, nem que a vaca tossisse ele ia enfrentar aquilo tudo (cof, cof). Até que descobrimos que, se pagássemos para um guia turístico poderíamos furar a fila, ter umas aulinhas do que acontecia ali, e ainda nem precisava pagar a entrada (oi? tá louca?), tudo por uma ninharia... era só penhorar os molares do fundo; mas quem precisa de dentes ali? Fomos lá com a nossa guia oriunda italiana que sabia falar grego (mentira... ela falava espanhol com o grupo).
Ela contou tudo o que eu pesquisei depois e vi que estava certa. 



O ruim é que eu queria o lugar pra mim, não queria dividir com aquele monte de gente que fica fazendo pose e não deixava eu tirar as minhas fotos, era um saculejo, um empurrão de cotovelos... aff... nem dava pra sentir a energia do lugar. Pensando bem, talvez tenha sido melhor assim... já penso demais em leão, acho que não preciso de mais inspiração.
Roma Antiga foi erguida sobre 7 morros de diferentes alturas; e, por pior que seja ter que acreditar, e isso não é mentira, o monte Velio, um prolongamento do monte Palatino ao monte Esquilino, foi completamente aniquilado. Diz-se que esse monte dava a todo o lugar o clima de 'sagrado' e foi desmantelado para a passagem da Via dei Imperio, do Duce (alcunha de Mussolini).
Aquela situação, realmente, pegou minha surpresa e arremessou na parede: fiquei pensando o que mais poderia ter acontecido, e veio a resposta: para abrir a grande avenida por onde poderiam passar toda a sua demonstração de força militar, existia uma fonte, que só não era mais antiga que a maçã que Eva deu pro Adão; parece que ela era linda, só que estava no lugar errado, porque era por onde o ego dele passaria arrancando tudo. Parece mentira de italiano, mas é verdade. 
Esses italianos já tiveram a Era da 'aquila romana', na antiguidade; da aquila do Duce (MaleDuce...hihihi), na modernidade e, para fechar com chave de ouro das malandragens políticas, a Era Berlusconi... tudo bem que esse não levava águia em insígnia alguma, mas suas garras eram tão fortes que podiam agarrar piranhas, gazelas e até vacas (blé)... mas, depois de uma deputada como Cicciolina, um presidente como Berlusconi não é nada.

PAUSA para Momento Mea Culpa
[O que é que eu estou dizendo??? Depois do Tiririca ter se desiludido como deputado (alguém acredita em palhaço triste?), a dupla Lula e Dilma pode surpreender ainda?]
DESPAUSA para Des Culpa

Bom, deixa pra lá... depois de rodar feito peão e se encantar com tudo, o que faríamos, o que farofa? Nossa guia-nada-boba engatou um pacote com outro guia, italianíssimo oriundo da Venezuela, que nos levaria aos arredores. Esse guia era uma piada... toda hora, ele parava de mostrar para atender o telefone com chamada internacional (da Venezuela, onde ficara sua mãe e filha) até que, numa determinada hora, parou de tocar. Caiu o sinal de Hugo Chávez e as nossas esperas por atenção.



Só andamos mais uns 300 quilômetros dentro da Via Sacra, passando pelas ruínas do Forum Romano, adentrando entre os palácios de nem sei quem morou lá; eram ruínas, passagens subterrâneas (agora desenterradas), mostrando toda a mentalidade de auto-preservação do poder a qualquer custo. Jardins, com toda simetria e prédios adjacentes, saunas, banheiros, salões, corredores por onde passaram escravos com comidas e todas as outras extravagâncias que os poderosos exigiam.
Numa dessas passagens subterrâneas, o guia nos mostrou o lugar onde Júlio César teria sido emboscado, esfaqueado e proclamado sua frase tão emblemática: "Até tu, Brutus?", e foi num corredor de serviçais. Mas depois que o ex-prefeito de Ferraz, o Dr. Jorge, foi pego junto com o irmão fugindo por um dos canos de infraestrutura de pluvial, vestidos de mulher... isso mostra o quanto o ser humano pode se rebaixar; e o quanto as pessoas podem emburrar, porque ele foi eleito prefeito numa outra ocasião novamente.
Mas, continuando... em Roma, nosso guia estacou, num determinado instante e perguntou: "Existem duas coisas aqui que não combinam como lugar, o que seria?"
Todo mundo parecia um grupo escolar em aflição, ficamos olhando em volta, mas ninguém falou nada.
Aí, ele comentou sobre uma arvorezinha, encima de um morrinho nada-a-ver de terra, e um pequeno palacete bem moderno, no meio daquele lugar.




A arvorinha no morrinho indicava um ponto geográfico onde arqueólogos destacavam um lugar a ser explorado no futuro, quando houvesse tecnologia que não agredisse o local; e a construção, era uma casa das casas do MaleDuce (não sei se moradia ou pra despachos), que protagonizou uma foto famosa, e se via mesmo, na portada, a águia nazista; seu subsolo pode conter restos de um mundo muito mais distante que a antiguidade, a Era paleozóica. Hoje em dia, funciona o Museo Palatino lá.
Mussolini queria entrar pra prosperidade, e o carcamano conseguiu.
Voltamos a pé, praticamente mortinhos da silva para o nosso Maledetotel... no dia seguinte, bem cedinho, meus pais voltariam pra Suiça; o Vitor e eu, ficaríamos um dia mais, para então, partirmos para a maior de nossas aventuras: o Trem para Milão!



11 novembro, 2016

Quem matou Odete Roitman?






Só quando chegamos de novo no Maledetotel é que ficamos sabendo o que tinha acontecido para que Rafa e Rodrigo não participassem do batizado e o porquê toda a demora do resto do povo de Aracaju: O sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel acusou o Rodrigo de roubar o quarto de um casal de hóspedes e levar o dinheiro. Pensa bem: "quem poderia roubar senão os brasileiros? ", pensou o recepcionista.

Depoimento 1: No dia anterior ao batizado, a tropa aracajuzense foi passear e gastar dim-dim porque ninguém é de ferro; mas Rafa passou mal e quis voltar para o hotel. Rodrigo a acompanhou e, como a chave do quarto ficara com S. Nilo, pediram uma sobressalente ao sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel que, de muita má vontade disse que usasse e trouxesse rapidamente pois era uma chave mestra reserva.
Naquela agonia de acabar com a cólica que arrancava a alma, Rafa tomou remédio, tomou banho, tomou passe, tomou conta da cama e foi deitar... só aí, uns tantinhos de tempos depois, é que Rodrigo levou a dita cuja pro sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel.
Acabou aqui o relato do acusado.

Depoimento 2: No dia seguinte de ter batido na quina do armário, ainda meio mancando, o sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel foi para seu trabalho sempre desafiador, conversando com hóspedes de todo o mundo (naquele dia mesmo, à noite, teria uma mulher do Equador que conversara com ele, poliglotamente, e ficaria uns dias em Roma). Um brasileiro chegou e veio com uma historinha de que precisava sacudir, quero dizer, acudir a namorada que passava mal. Ele achou estranho; entretanto, pela insistência e convencimento das quase lágrimas derrubadas pelo rapaz, ele forneceu a chave mestra reserva... não antes de passar todo um rosário de preocupações, como as mães fazem.
Certamente tudo fora muito bem arquitetado pois, saindo dali, engambelaram o circuito interno de TV e correram para o quarto das vítimas, que não estavam lá, por sorte... do contrário poderíamos não estar desvendando um roubo, mas um assassinato duplamente qualificado.
Os miliantes (Rodrigo e Rafa) furtaram o dinheiro do cofre (por sorte os passaportes não estavam ali) e, num prazo recorde: ela foi para o quarto, sem acordar o sistema interno de TV, que dormia profundamente nessa hora, e o líder do grupo voltou com a chave e a maior cara de pau para a recepção.
Acabou aqui o relato do sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel

Desvendando o caso: Era um dia como outro qualquer, o sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel subia no autobus e reclamava das dores causada pela surra que levara no dia anterior da saracusa italiana, a Máfia. Ele até era um bom rapaz: trabalhador, gentil, mas perdia a cabeça no seu 'acetosa' perna-de-pau (alazão, em italiano, óh, ignorantes). Se ele pudesse, pelo menos, recuperar o dinheiro investido... eles deram o recado: ele não passaria daquele dia se não levasse o dinheiro na bibóca das ruínas do czar romano José Gesoino. O que faria? O que farofa? 
Ele viu aquele casal de velhos turistas saindo do hotel... e nem largaram a chave com ele. Isso vai contra as regras do hotel. Em seguida, chegaram os brasileiros com jeito de quem não brigam com ninguém e pediram a chave. 
Um turbilhão de ideias passaram pela sua cabeça agitada de apostas frustradas: sim, ele entraria no quarto dos velhos, pegaria o dinheiro e jóias do cofre (os velhos perguntaram como colocar uma senha... então deve ter coisa de valor lá), e colocaria a culpa no casalzinho. Perfeito! Mas eles não podem demorar em devolver a chave mestra reserva, senão os velhinhos poderiam chegar e seu plano, e sua vida, estariam comprometidos.
Ele acompanhou o trajeto do casalzinho... [espera]... porca miseria, eles estão demorando com essa chave... [espera mais um pouco]... 'fancullo' (tradução: Vá tomar no ...)... que demora!... 
Finalmente a chave.
Ele esperou, então, o rapaz adentrar em seu quarto, saiu correndo, passou pela entrada do edifício, deu uma olhadinha lá fora pra ver se o casal vinha... se ele corresse bastante, mesmo que o casal chegasse, eles eram lentos. Daria tempo... abriu a porta com a chave mestra reserva, foi direto ao cofre que estava aberto (é... eles não conseguiram mesmo entender), não tinha jóias, mas tinha dinheiro. Pegou tudo, saiu correndo de volta para a recepção e ficou lá, com cara de paisagem.
Como as vítimas levaram a chave, totalmente contra as normas da empresa, não poderiam dizer que foi ele.
De noite o nervosismo ainda era tamanho, que ele teve que pedir ajuda a uma linda outra mulher brasileira, morena, alta, simpática, e ainda falava inglês e espanhol........ euzinha aqui!.............. Esse fora um dia de sorte para ele.
Ele voltou para sua casa, e pagou diretamente para o Zé Dirceu, na sua pizzaria sem levantar qualquer surpresa.
Acabou aqui o relato dos agentes Salsicha e Scooby-Doo que, além de desvendar o caso, tiraram o rosto falso do sem-vergonha-filho-duma-italiana-mal-falada-mãe-do-recepcionista-do-hotel, e todos puderam ver: Berlusconi em pessoa, que saiu esbravejando e rogando praga. Pediu somente que o colocassem numa prisão feminina.
Por sorte e muita conversa de bastidores internacionais, não houve qualquer resquício de carceragem ao nosso jovem mancebo e sua amada, mas eles perderam a cerimônia de batizado de Lilóvsky. Por sorte, esta não estava nem aí com ninguém.  

07 novembro, 2016

Um dia de Realeza



A história deste grande dia começou, na verdade, na noite anterior.
Na tarde do dia anterior, fomos até a Piazza di Spagna. Devia ter me informado melhor na época porque não sei o porquê da famosidade: É um largo com uma escadaria imponente, bem bonita, com gente jogada em seus degraus.
O que me marcou lá foi um lazarento de um vendedor de traquitanas, tipo tio Félix, só que ambulante. Já estava escurecendo e ele queria porque queria vender um chaveirinho pro Vitor, que oboviamente, ficava torrando as paciências porque queria, né?
Eu não sabia de fato o que era tão fascinante naquela porcaria e a peste do vendedor resolveu fazer um test-drive gratuito comigo mandando apertar um botãozinho e .......... BZZZZZZ ....... levei um choque da chapuleta. Ai, que ódio mortal. Queria mandar o chaveiro, o vendedor, meu pai que ficava rindo e o tranqueira do Vitor praquele lugar. Eu me recusei a comprar, mas meu pai comprou.
Sai de perto de mim com essa coisa, senão vou jogar lá no meio da Fontana di Trevi... e isso não era brincadeira.
Voltamos andando vagarosamente, porque nessa altura não dava nem pra levantar as mãos se alguém dissesse: "Assalto, mano in alto" (Perceba que assalto é igual em tudo que é lugar) porque não ia dar certo.
Fomos pegar as chaves na recepção. Fui só eu e o Vitor, porque meus pais foram economizando andadas e já me esperavam no alto da outra escada. Sim, tinha todo o percurso do Fusilli: sobe e desce e nunca aparece.
Quando cheguei na recepção, o italiano filho-de-uma-italiana estava numa dificuldade revigorada, tentando falar com uma mulher do Equador, que não falava italiano nem inglês.
Eu, como uma pessoa maravilhosa, vitaminada, linguisticamente desenvolta, respondi que "sí... io parlo spagnol".
Foi a alegria do ano novo. Mandei a chave pelo Vitor e peguei o telefone.
Aí foi aquela tradução simultânea: ela me falava em espanhol, eu passava pro italiano em inglês, que me respondia num outro idioma, pra eu reportar pra mulher em latim. Afff... uma confusão. Ela queria um quarto pra fevereiro, e quase que eu falei pra ela tinha que fazer pilates antes de vir pras pernas ficarem boas.
Só que não acabou por aí, o lazarento chechelento do italiano queria saber o nome do outro brasileiro que veio na comitiva canarinho.
Acho que foi a mão divina, porque não lembrei de jeito nenhum. Lembrei do S. Nilo, D. Gil, meu pai, da Rafa, mas nada do Rodrigo. Depois fiquei sabendo que ele estava armando uma cama de gato pra ele.
Bom... o Grande Dia chegou.
Toma lanchinho take away rápido, toma banho, passa perfume e espera o povo de Aracaju. Nada. Espera mais um pouquinho... já está ficando em cima da hora, e nada. Vambora, moçada porque agora a gente já vai ter que sair correndo.
A igrejinha, uma belezinha de igreja de não sei que século, era pequena, aconchegante ainda que bastante escura; tudo lindo, mas meus pés pareciam uma sardinha deformada naquele salto... pensa num passeio na parte antiga de Paraty de salto, só que com o agravante que aqueles paralelipípedos viram Júlio César.
Chegamos na dita cuja da igrejinha. Manuelita, Cinho, Lilóvsky, Imperador, Imperatriz e até o padre brasileiro estava lá... esperando a nós. Para meu espanto, não éramos os últimos e continuamos esperando por um tempão.
D. Gil e S. Nilo chegaram atrasados com a irmã e sobrinha de D. Gil. Reza a lenda que elas correram naquela peste de paralelepípedo com os salto na mão. Acredito, porque eu faria o mesmo.




Bom, correu o batizado conforme o manuscrito, e fomos pra casa imperial pro almoço.
Realmente sou uma pessoa chique, mas humilde de alma, porque me senti feito peixe fora d'água naquele lugar. A imperatriz pode até ser boa pessoa (quem sabe?) mas me senti engessada... sei lá, não era eu. Não éramos ninguém... duvido que alguém tenha sido si mesmo ali, acho que nem a própria realeza. 
A casa era boa, nada magnífica; mas o quintal... esse sim: deslumbrante. TINHA UM PEDAÇO DA MURALHA DE ADRIANO NO QUINTAL.
Pasmem, podem cair durinhos de inveja, mas eu passei a mão nas pedrinhas que algum escravo muito maltratado assentou sem amor algum. De qualquer forma, era um marco histórico, um divisor social e velho pra chuchu.
Tinha se ar melancólico, aquele musguinho verde bonito e podia-se sentir alguma energia antiga se tivesse tempo a perder com um pouco mais de calma... não era esse o caso.
Comemos uma comida boa e simples: O chef, brasileiro e novinho, quis nos homenagear fazendo comida tradicionalmente brasileira... ??? (imagina minha cara de 'será que eu entendi direito?'). Tudo bem, estava mesmo uma delícia.
Nesse mundo existe protocolo pra tudo, e todos tentamos fazer tudo certinho. Até demais.



Ficamos sabendo que, quando os anfitriãos servissem o licor, era pra levantar acampamento. O licor, ma-ra-vi-lho-sís-si-mo de laranja foi servido lá pelas 4 da tarde, e às 4 e meia acho que já estava todo mundo no táxi. Foi muito rápido.
O Henrique ficou triste em saber que a fêmea do labrador, que ele conhecera no Equador, morrera. Sobrou só o macho, que o Vítor ficou brincando.




04 novembro, 2016

Para Roma, com amor



É difícil ficar na casa dos outros, parece que a gente está sempre incomodando... ainda mais quando não se tem nenhuma tanta intimidade com a dona da casa.
Fomos até a casa da Magda, Montse e Lola para tomar um chazinho da tarde e jogar dominó.
Lola é a mãe da Montse, companheira da Magda.
Tivemos uma afeição gratuita logo de início. A Magda me contou que eu fui a primeira pessoa que a tratou não como sendo a vovozinha de todos, mas como pessoa. Na verdade, eu dei atenção a ela, e o que eu recebi em troca, além da afeição para sempre, foi a sua história: 
Ela teve duas filhas, a Montse e uma outra filha (que agora já não lembro o nome), mas que morreu novinha. Foi a abertura de um poço de desespero e angústia que todos nós já conhecemos e, como ela estava a beira de um abismo, o médico propôs que ela fosse fazer algo como remédio, tipo caminhada. Sim, que ela fizesse caminhadas.
Ela disse que começou a caminhar e nunca mais parara. Teve trekkings que duraram dias nas montanhas, e foi isso que a curou da sua dor.
Isso tudo ela me contou nessa última viagem à Espanha que eu ganhei do Cinho e da Manu, e ela estava toda emocionada, contando, só que os outros que estavam em outra conversa queriam fazer um brinde; não ia cortar a velhinha, né? Levei bronca do meu pai.
E não nos demoramos em Barcelona... larga os milhões de goiabada aí no apê da anfitriã e s'imbora que Roma nos aguarda.
Quando se abriram as portas da esperança do desembarque em Roma foi uma alegria. Todo mundo lá, menos quem eu conhecia.
O motorista do táxi, muito solícito, perguntou de onde éramos, se já conhecíamos a cidade. "Não. É a nossa primeira vez... Filho, olha lá o Coliseu!!!"
Realmente, ele ficava lá meio longinho, e o nosso guia-motorista se prontificou em dar uma voltinha para vermos melhor. Topei.
Devo confessar que fiquei um tantinho decepcionada porque achei que ele seria algo colossal ... afinal, tinha que ser um espaço que coubesse todas as atrocidades que são do seu escopo. Pensando bem, devia ser grande para a época.
Pega as trouxas e vamos fazer check-in no nosso hotel maravilhoso chamado Residenza Montecitorio, que D. Gil conseguiu por um precinho camarada bem no coração da velha Roma.
O hotel não tinha anúncio da sua existência em lugar algum, tínhamos o endereço e, pelo interfone, dissemos que tínhamos reserva, no mais alto estilo italiano macarrônico.
Bom, abriram.
Um corredor escuro, depois um pátio interno, não muito grande, e duas opções: esquerda ou direita?
Pra esquerda, parecia mais hotel do que pra direita, que dava num corredorzinho menor ainda que pro outro lado. Fomos pra direita. Pegamos o elevador...... minúsculo: cabia 3 pessoas magras e espremidas. O Vitor até que cabia apertadinho também, junto com meu pai, minha mãe e eu. Como tinham as malas, meu pai foi depois.
No ápice de onde poderíamos chegar, uma porta de vidro trancada, e um interfone.
Novamente, com o meu excelentíssimo italiano, disse que éramos nós, os hóspedes.
"Sì, sì, claro... ma è il otro lato" .................. ??? ...................
Toca descer tudo de novo e ir pelo corredorzinho macabro, depois de passar por uma porta aberta que parecia de uma casa de pessoas morantes, e não hospedadas. Que vontade de pedir desculpas pelo incômodo.
Uma coisa bem interessante que acontecia nesse lugar é que os andares pares tinham parada de elevador, mas os ímpares, não! Se seu objetico era o 3 (tipo o nosso), ou você descia no 2 e subia de escada meio lance, ou descia no 4, e descia meia lance. Meio lance de quinhentos degraus, diga-se de passagem.
Chegamos no 2 e subimos: pai, mãe, Tico, eu e as malas... muitas malas grandes, gordas e pesadas.
O animal detrás do balcão, acostumado com todo esse transtorno, fingia que nem sabia que tinha gente chegando, então nem precisava ajudar também.
Fizemos o check-in. Bom e o quarto?
"Sì, sì, claro... ma è il otro lato" .................. ??? ................... O QUÊ?????
Depois falam dos portugas......... Affff. 
Toca fazer o retorno: Agora descemos meio lance (COM AS MALAS), pegamos o elevador, andamos pelo corredorzinho macabro, passamos pelo morante, atravessamos o patio, subimos no elevador, espremidos. Uma parte das pessoas e das malas ficaram pro segundo turno; descemos no 6 e andamos, MALAS ABAIXO, meio lance de quinhentos degraus. Tivemos ainda que tocar o interfone para que ele tivesse certeza que, depois de uma meia hora, tínhamos chegado ao destino, aí ele abriu, achamos nosso quarto comunitário e entramos.
Que louco!
Um pedaço do Renascimento no quarto. Michelangelo deve ter dormido naquele quarto porque o cheiro era daquela época mesmo.



Claro que foi reformado, mas o mal gosto e cheiro continuou.
Vamos comer que a minha Linguine aqui estava morta... minha lombriga ganhou nome.
Eram umas ruinhas, calçadinhas, lojinhas, pizzinha... se tudo for pequenininho por aqui, os japoneses vão até revidar que a fama caia sobre os romanos. Hihihi
A pizza gigante era pequena, o precinho camarada era gigante... uma terra de disparates.
Dia seguinte, vamos nos adaptar. Fui comprar 'capuccino e snacks takeaway'.
Deu certo.
Andamos por ali, vimos cada lugar bonito, mas não podíamos esquecer o motivo da vinda: o batizado; e as comemorações já começavam: Fomos direto para um restaurante onde o imperador, que ia ser o padrinho, oferecia um almoço para os convidados. Éramos seis (mentira... hihihi. Esse era o nome da novela da minha yaya). Éramos um monte: Cinho, Manu, e a estrela do evento Lilóvsky, meu pai, minha mãe, S. Nilo, D. Gil, Rafa e Rodrigo. Além do malacabado e eu, e acho que mais um casal.
Pena que não me lembro do nome do restaurante. Belíssimo, chiqérrimo, de comida boa mas nada farto.
Lembro que nossa mesa foi no fundo do bar, onde tinha uma enorme mesa decorada, e separada do resto do restaurante por uma cortina de veludo vermelha. Bem ao estilo Al Capone. Certeza que algum mafioso comeu lá... espero que nenhum tenha morrido lá.
Vai saber... italiano é tudo doido.




Todos conhecidos: Imperador e Imperatriz, Manu com Lilóvsky, meu pai, minha mãe, um casal legal de brasileiros (ele trabalhava numa missão permanente da OMC, na Suiça), uma prima da Manu, uma tia da Manu, euzinha e meu malacabado sem o boné de lata, Rodrigo, Rafaella, D. Gil e S. Nilo. Quem tirava a foto foi o Cinho, e ele ficava de blefô pra pcortina de veludo vermelho sangue.
Quando chegamos no Maledetotel, fomos bater perna... a eternidade é grande pra descansar, né?
A imperatriz até que deu uma boa dica: " Peça desculpas porque você não fala italiano, mas que precisa de uma informação. Faça isso em italiano e depois pergunte em inglês mesmo". Fácil, não? O duro é quando o inglês está pior que o italiano.



Nas ruas de Roma, e o bunitim já com o boné de lata que o V'Ormindo comprou.