Este dia de hoje, 09 de abril de 2019 seria milagroso não fosse a minha memória... afinal, são quase dois anos sem escrever aqui... seria milagre se eu me lembrasse das coisas que eu tenho pra eternizar.
Se o blog fosse do Henrique, seria muito provável que ele se lembraria, por alguns motivos listados abaixo:
- ele é novinho
- ele faz um depósito de imagens pra não esquecer
- tem o cabelo e a barba de Jesus e, agora que ele furou a palma da mão lavando um copo (que ele quebrou), acho que consegue realizar milagres... estou até dando um copo de água pra ele quando não tem vinho em casa, mas ele é tímido.
Bom... do que eu lembro
A casa na Suiça do Cinho e da Manuelita é pequena mas tem 3 andares; quase não tem frente, mas tem quintal no fundo que dá até pra plantar uva; tem garagem, mas é do outro lado da rua... diferente, né?
Eu lembro que o lavabo da casa ficava bem na entrada, quase de frente pra porta da cozinha que tinha a janela pra rua e, pro Vitor olhar o espelho, subiu na tampa do vaso, que era de acrílico, eu acho... e ela quebrou. Oh, peste do Vitor, e do meu irmão. Este último fez um escarceu... ainda bem que não estávamos e, Londres, senão ele teria quebrado uma legítima louça inglesa. Isso foi na véspera da nossa viagem de volta pra Espanha, então implorei pro meu pai ir comprar e trocar a budega da tampa pra mim. Acho que nunca paguei essa dívida, mas também não sei se ele comprou.
Lembro da Manu dizer: "... mas vocês já vão? Só uma semana aqui?" _ desculpa, Manu, mas meu irmão não tem o trato de anfitrionismo que se é esperado de alguém da família.
Aliás, parente é uma daquelas pessoas que menos tem dó da gente. Eu sei que já fiz das minhas também...
Uma vez, lá em Barbacena do Norte de Barcelos, estávamos pernoitando num mosteiro.
Era nossa primeira viagem pras Oropas depois que meus pais vieram pro Brasil, e nosso guia turístico era um primo (todo mundo lá é primo, parece turco) e padre. Dá pra entender porque no nosso "hotel" tinha que rezar.
E sei que eu fui dormir, devia ter uns 12 anos, mas já era muito vaidosa: na Europa e com espinhas... nem pensar! Passei uma meleca verde no rosto, só que minha mãe bateu na porta bem baixinho pra falar comigo. Agora, imagina a emoção de ver um fantasma 3D de uma menina num convento de padres... e brava, porque estava me atrapalhando e eu queria ir dormir logo. Nem preciso contar o resto... filho é assim.
D. Mãe, desculpa.
Dali pegamos um voo pra Barcelona again, mas com um intuito muito mais familiar que só ir ver s Sagrada Família: minha missão era Gisclareny.
Que coisa bucólica.
Uma cidade fantasma, com casas (bem boas até) muito espaçadas, e mais um tanto de entulho de casas arruinadas mais espalhadas ainda.
No que se pode dizer que era a porção principal, tinha um conjunto com a igreja, a prefeitura, a casa do prefeito e da amante. Acabou. Ah, e o cemitério, que era pequeno mas concentrado... muitos Tor ali. Sério.
Fomos nós, os brasileiros, a Pilar e o filho Jordi, com a filha Mar e a Magda.
A Mar e o Vitor viraram amigos de infância (uma característica do meu filho em ter amigos para sempre em todos os cantos do mundo); a mulherada falou até dar calo na língua... e olha que foram histórias de família. Aí se espera de tudo: brigas, romance, traição, morte. Mas a natureza chama e não tinha nem banheiro de rodoviária, que dirá um restaurante limpinho... miramos no cemitério.
Íamos em duplas: Pilar e Mar, Vitor e eu. E toca ficar de cócoras pro xixi sair naquele friozinho de arrepiar até os cabelinhos de baixo. Pro Vitor tudo bem, a anatomia ajuda, mas eu, uma verdadeira dama, não estou acostumada, sabe? Demorou tanto que a Pilar veio ver se eu ainda estava viva, e se falando de cemitério cheio de parentes, é uma grande coisa. O problema é que a visita dela só me deixou mais atrapalhada e acabei dando uma escorregadinha nas pedras, cai sentada nuns matinhos, mas depois disso, liberei pra acabar logo. O problema é que era matinhos tipo urtiga: a Pilar disse que esbarrou e ficou com os dedos inchados... IMAGINA EU!!!! :O
Deus ajuda a quem cedo madruga: três dias depois, estava quase sarado.
Muito interessante foi um mirante na cidade, que tinha um mural com a história da cidade... não tem ninguém lá, mas tem mural explicativo... e contava que, nos áureos tempos, existiam escolas, 3 hospitais, não sei quantas casas... era uma metrópole. Provavelmente, na época do meu avô Enric devia ser uma potência em declínio vertiginoso.
Meu primo conta que meu avô acabou levando um monte de gente, na base da lábia (que nisso ele era bom) pra Barcelona, e acabou conhecendo minha yaya lá, quando ela tinha um caminho pra casa dela que passava na frente da loja que meu avô trabalhava.
Que fofo.
Numa outra história, conto o que ainda me resta de lembranças desses 'causos' que me contaram a família catalã no pé de uma cruz no meio da praça vazia de lá.


