RSS

11 julho, 2022

As coisas só terminam quando acabam






Pois é, gente... as coisas chegam ao fim.
Para os desgraceiros de plantão que acharam que esse blog já tinha batido com as dez, podem esquecer... estamos firmes e fortes feito prego na areia.
Cheguei à conclusão que o que passou, passou. Chegamos ao fim de uma era de hitorinhas antigas contadas por mãozinhas esquecidas, ou seja, eu e, de agora em diante, tudo coisas fresquinhas do cotidiano, que nem legume na barraquinha de verdura. E eu nem tinha me ligado que tomate é fruta.
Vou ver se acabo,então de uma vez com as postagens antigas para seguir em frente
(sim, eu sei, sou apegada, fazer o que?), mas também sou adiantada porque já fiz o que faria depois e postei as antigas que estavam entralacadas em mim.

10 julho, 2022

O começo de tudo


A minha yaya sempre foi meio maluquinha (ai, que saudades): ela passava as horas fazendo crochê e assistia Sílvio Santos todo santo domingo. ‘Ah-há, Ih-hi, Lombardi... vai pro trono ou não vai?’ (Se bem que esse daí acho que era o Chacrinha, junto com o ‘Quem quer abacaxi?’ e ‘Teresinha’... até hoje não sei quem era a Teresinha que ele tanto chamava.)
Eu gosto de ouvir o catalão porque me faz lembrar dela e do meu avô; quando ela era viva e eu pequena, ela falava em catalão e eu respondia em português, porque ela não sabia falar porutguês... e descobrimos que, lá na Espanha, ela só falava em português (coisa que aqui ela jurava de pé junto que não conseguia), porque dizia que já havia se acostumado e não conseguia mais falar catalão. E as poses pra fotos?... affff. Até aqui, desavisados leitores, vocês até podem pensar se tratar de uma pessoa completamente normal, mas não era. 
Ela tinha uma história que, um dia, um raio entrou pelo cabo de um ferro de passar roupa que estava ligado na tomada e saiu pela janela (se a dita história não foi bem assim, eu não sei, mas é o que eu me lembro... acredite, se quiser!) e aí, toda a vez que chovia, ela já começaca a ficar preocupada. Um dia, minha mãe conta que ela tinha saído da casa da minha mãe, que fica até hoje em cima de um morro, para a casa dela, que ficava no morro seguinte, só que no meio do caminho caiu o mundo, um baita de um pé d'agua, com tantos  raios e trovões que não teve jeito: minha mãe pegou um taxi e foi àprocura da minha yaya.
Eu imagino a felicidade da D. Mont que saiu por aí perguntando se alguém tinha visto uma senhora descabelada e nervosa dando piti por aí. Ela acabou encontrando. Estava dentro da casa de uma mulher que ficou com dó dela (mas acho que se arrependeu depois): minha yaya estava debaixo das cobertas, deitada na cama da mulher, tremendo e esperando a chuva passar. 
Já que estou falando dela, preciso dizer que ela salvou minha vida. Um dia fomos as três mulheres (hehe... eu devia ter uns 2 ou 3 anos, eu acho) pegar o trem pra Mogi; mas eu acabei caindo no vão que fica entre o vagão e a plataforma. Minha sorte é que a minha yaya estava me segurando pela mão e não me largou... eu fiquei com a minha roupa todinha suja e ainda perdi uma pulseirinha. A única coisa que eu me lembro é da minha mãe se descabelando e xingando todo mundo dentro do trem, que ninguém se levantou pra ajudar e que eu podia ter morrido, e eu morrendo de vergonha porque, além de tudo, estava imunda.
Naquela época achei que a culpa era minha por ter sujado a roupa, mas ela gritava porque ninguém veio ajudar, e o trem ia partir e eu morrer. Poderia ter sido o triste fim desta Policarpa Quaresma... Obrigada, yaya. 
Lembro que quando a gente ia ao dentista, em Mogi na Dra. Alguma coisa Brasil, na volta era inevitável uma paradinha num prédio que tinha uma doceria meio escondidinha e onde eu sempre pedia um pedação de torta de morango, daquelas bem basiquinhas com massa podre, creme de baunilha e gelatina com pedaços de morango. Eita, coisa boa. Às vezes ainda peço essa torta porque me traz a lembrança dessas andaças :) Meu vô Enrique era muito bravo em tudo, até na sua bravura: ele foi um guerreiro na guerra contra o Franco: salvou muita gente que estava marcado para morrer só porque era contra o regime. Ele foi soldado de fronteira e deixava o povo fugir, até que o denunciaram... aí o perseguido era ele, of course. Numa das suas rotas de fuga, ele passou pelas ilhas Canárias (devo ter parente lá) e seu objetivo era a Venezuela, mas acabou no porto de Santos mesmo. Uma das unhas da mão esquerda dele tinha uma fenda enorme que ele me contou que fez na prisão e que doeu muito, mas não entrou em detalhes. E eu acho que puxei a unha do meu polegar da mão esquerda dele: é quadradinha igual. (A Cacá é toda feliz porque tem uma orelha pontudinha igual a do SÔrmindo... ela tem a quem puxar, afinal) .
Mas meu avô era um verdadeiro mulherengo, e a minha yaya disse que o que o disvirtuou foi ter entrado para os Mossos d'Esquadra, uma polícia independente de Barcelona, eu acho que a mais antiga da Europa!!!
Esse uniforme fazia as mocinhas ficarem apaixonadas, nem importava se era casado ou não.
Eu, sinceramente, acho que tenho muitos tios e tias por aí. E a minha yaya já ficou tão irritada com ele que num determinado momento da vida dela, ela proibiu o meu avô de ver ela pelada.
Quando eles se mudaram para a última casa deles (eles já eram velhinhos) e que tenho orgulho de dizer que é minha agora, era só ela entrar no banho que ele tentava ver se conseguia espiar pela janela. A minha yaya ria, quando contava isso.
Os pais da minha yaya eram mais pobres que do meu avô.
Ele era guarda florestal, numa épocada vida dele, e a minha bisavó andava quilometros para visitar a casa da minha yaya e os netos dela. Pois, no dia que minha bisyaya ia visitar minha yaya, meu tio com uns 12 anos de idade, não tomava café, esperava que ela chegasse e ainda desse pãozinho na boca dele.
Teve uma ocasião que minha yaya queria cortar o cabelo curto, isso antes de se casar, e pedia pro pai dela que nunca deixava. Um dia, ela resolveu fazer sem a permissão dele.
Quando ele viu, ele disse que ficou bonito, mas que tinha sobrado umas pontinhas, que ele ia levá-lapara o barbeiro dele só pra acertar, mas quando chegou lá, o homem virou o demo: mandou raspar careca.
Estamos falando dos anos 30.
Minha yaya pegou os cabelinhos do chão e costurou numa boina de croche dela, mas é claro que todos percebiam e os meninos ficavam tirando sarro dela na rua.
Ela mesma nunca me contou dos pais, só lembro da Conchita, a irmã dela.

Não conta pra ninguém, hein?




Meu bisavô, Felip e minha bisavó ..., tiveram três filhos: Pere, Josep e Enric, o meu avô materno. Eles viviam em Gysclareny, num dos pontos mais altos das montanhas dos Pirineus, divisa com a França... consequentemente, muito fria também.
Pere teve dois filhos: Lluis e Jordi.
Jordi se casou com Lolin, uma espanhola do sul da França que trabalhava numa loja de departamentos como caixa, era tipo um "El Corte Inglès", mas tinha outro nome. Não era à toa que minha yaya tanto gostava de lá; nessa época, em  São Paulo, acho só que tinha o Mappim e a Mesbla.
Ela era quase tudo de bom: falante, engraçada, loira, jovem, lindíssima... mas não era catalana. Jordi mandou, então, tudo às favas e eles se  casaram, mas não tiveram filhos.
Não é por nada, não, mas eu acho que foi praga do tio Pere, que não queria casamento fora da Catalunya...
A primeira impressão que tive dela não foi das melhores... ela tinha uma voz grave e lembrava muito a tia Iva (meu Deus... essa é outra tortinha) e parecia que estava constantemente embriagada... Na última vez que a vi foi a primeira da última vez que estive lá, vai fazendo cálculo ai, e ela continuava falando alto, com sua voz grossa, mas com uma amargura que a idade trás juntos com as rugas: ela estava doente, meio esclerosada e quase surda.
Morreu anos depois de seu marido Jordi, poucos dias antes do ano de 2013.
Ela começou a apresentar esclerose e ficava vegetativa por alguns períodos, como se ligando e desligando da tomada. De repente, falava e se movia, para depois voltar ao mesmo estado de antes.
Na última viagem, não pude ver Lolin porque ela se acidentou com a enfermeira. (Não pergunta porque também não entendi).
Ela foi pro hospital porque ela se engasgou num jantar e acabou ficando sem ar por algum tempo até que o socorro chegou e a levou para lá. Sua debilidade física e mental não suportou tamanha falta de vida, e ela se foi.
Jordi, seu marido, morrera de AVC. Pelo que sei foi tranquilo, pois quando se programava para ir visitar seu irmão doente LLuís, ele disse que não poderia ir aquele dia pois acordara vendo tudo dobrado: iria a um médico. Era o derrame, que o levou dois meses depois de sua manifestação. Jordi, meu primo, filho de Lluís, prometeu ao tio que cuidaria dela, da Lolin, até o fim... e assim o fez.
Lluís morreu de alzeimer, eu acho.
Nesse meio tempo, as desgraças aconteceram a rodo.
As vacas do marido de Maria Pilar se revezavam em morrer, cada dia, uma. Ela se casou e foi morar em Bellver porque a família do marido era da pecuária, e a mãe Pilar (esposa do Lluís, filho de Pere e Antonia, e pai de Maria Pilar e Jordi) me confidenciou que ela não achava que esse casamento ia durar... afinal, nunca imaginara a filha morando no interior e cuidando de vaca. Já Jordi e Esther, esses sim, tinham chances de serem felizes e ser o casamento perfeito, de tanto que combinavam. Pois é, esse não deu certo.
Esther me contou que ela e Jordi moravam próximos e faziam faculdade juntos, então ele dava carona para ela, e ela pagava pela carona; até o dia que ele disse que não precisava mais pagar pelas caronas. Casaram na Iglesia Santa Maria del Mar, da série da Netflix que eu assisti inteirinha.
É estranho como acabamos sabendo das coisas, mas um passarinho me contou que era porque ela era frígida, ainda assim, tiveram duas meninas: Alba e Mar. As duas outras netas da Pilar, filhas de Maria Pilar com o vaqueiro, não me lembro nem como chamavam.
Mar teve um problema seríssimo no cérebro, quando bebezinha, fez cirurgias por causa de tumor e chamaram até um padre pra dar extrema-unção, mas ela viveu por milagre, e até foi capa de revista da época, contando sua saga. Foi triste, e hoje eu imagino que ela leve uma vida normal, ou bem próxima disso.
Pere era o filho do meu bisavô Felip mais covarde.
Ele engravidou Antonia e se casou porque foi ameaçado pelos irmãos dela, e Pilar contou que ela era uma mulher triste, sempre fora, porque sabia que o marido não a queria.
Ele é tão covarde, que os filhos compraram uma loja num local muito bom e colocaram no nome do pai, como uma homenagem. Pois ele se mostrou com muita raiva porque tinha medo que o fisco viesse atrás dele, e encarou isso como uma afronta dos filhos que queriam ganhar dinheiro a custas dele.
O negócio do tio Pere e filhos, e do meu primo Jordi, sempre foi loja de roupas. Tiveram 3: D'acord , Avui e Tor's. Essa última, e o pomo da discórdia, em frente à Boqueria.
Josep, era o filho do meio, e o mais moderado. Ele foi o pai da Magda e tiveram uma boa vida.
Sei que, quando ele morreu, ela herdou uma pousada, mas ela tinha instrução e se deu bem na vida. Só que ela ficou órfã cedo também.
Hoje ela vive com Montse, e um dia ela me confidenciou que já tivera um namorado que quase se casou, mas ficou tão desolada e decepcionada, que nunca mais arrumou um outro amor. Eu sempre pensava que ela era lésbica, mas ela deu a entender que não.
Sei que, quando fui visitá-la, na época do batizado da Lily, eu fiquei conversando muito com a mãe da Montse, a Lola.
Depois Montse me escreveu dizendo que a mãe agradecia ter me conhecido, porque todos a tratavam como uma 'yaya em série' e eu escutei ela de verdade, perguntando da vida dela, e dando atenção. Ela nunca esqueceu. Mas já morreu.
Elame contou que tinha tido uma outra filha que morreu, não sei por qual infortúnio, e o médico com receio dela entrar em depressão profunda e enlouquecer, sugeriu que fosse fazer caminhadas nas montanhas. Ela disse que foi por todos os Pirineus e outras montanhas ainda, que nunca mais parou e descobriu uma paixão. Mas, depois, ela ficou velhinha, e não pode mais andar.
Que saudades de Lola, gostaria de ter conversado mais com ela.
E o último filho de Felip, Enric, era tido por todos como o mais valente, o meu avô.
Ele teve dois filhos com a minha yaya, Angela.............. ai, que saudades doloridas dela: o meu tio Enric e a minha mãe Montserrat. Toda família catalana que se prezasse tinha que ter um Jordi e uma Montserrat.
O dia de San Jordi é espcial na Catalunya porque os homens dão flores às mulheres, e estas dão livros aos homens... gente desconhecida recebendo presentes, bancos com flores para alguma mulher levar, é desse jeito. Lindo, ne?
Um dia assistindo a novela da Globo "Salomé", apareceu uma mocinha com o cabelo comprido, mas com umas ondinhas achatadas no cabelo, tipo a image, e ele falou, todo saudoso, que ele conheceu a minha yaya com o cabelo todo assim. Ela sempre passava em frente à loja que ele trabalhava.
Ele fez de tudo um pouco, e chegou a ganhar dinheiro, mas o sogro dele costumava dizer abrindo uma das mãos com a palma pra cima, que todo o dinheiro que entrava por um lado, saia pelo outro; ou seja, não sabia gerenciar, só gastava.
Meu primo me contou que numa ocasião, quando Barcelona estava sitiada pelos inimigos franquistas, e já faltava alimento. Pois ele e os amigos doidos pegaram um trem, não sei de onde, com comida que os rebeldes haviam preparado, e passaram pela barreira de soldados embaixo de tiros. Foram recebidos como heróis.
Num outro feito, estavam ele e os amigos, não sei se os mesmos, mas certamente tão malucos como,  que descobriram que do outro lado do muro tinham soldados. Como eram poucos, começou a negociação: desse meu lado tem x soldados, do meu tem y e uma granada, mas do meu tem mais não sei o quê e, de conversa em conversa,seguiram os dois grupos em paz; provavelmente, ambos ficaram blefando.
Esse era o meu avô herói, mas tinha sempre o avô meio malandro na jogada.
Ele dizia que, pra arrumar uns poucos trocados, quando era cobrador de ônibus, ele fingia que esquecia de dar o troco, ou dava pela metade; se a pessoa reclamava, ele pedia desculpas, dizia que se enganara e dava o troco certo. Ele foi também avaliador de antiguidades, e nessa época foi que ele mais ganhou dinheiro.
Ele tinha uma técnica: enquanto os outros avaliadores davam o preço de mercado pelos móveis de pessoas que se mudavam e não levariam nada, ele olhava bem a casa, e se visse alguma coisa que interessasse a ele (um quadro, uma louça, ou outra coisa), ele não levantava a atenção para o que ele queria, ele começava a pagar mais pelos móveis.
As pessoas não costumam pensar direito numa negociação, e achavam que saiam ganhando com ele,mas foi assimque ele conseguiu um autêntico Picasso da primeira fase.
Picasso esse que era uma mulher pelada. A gravura ficou com meu tio que colocou num quadro, mas a tia Iva (sempre ela) ficou com ciúmes e rasgou a perereca da mocinha... ficou amputada. Nem sei onde anda a gravura... acho que a yaya disse que o vovô escondeu num pedaço da estante da sala dela.
Mas se desgraça pouca é bobagem, ainda tem mais: Pilar.
Descobri que ela vem de uma família de mulheres fortes e solitárias.
A avó dela casou com um homem queeu nem sei se ela gostava ou não, porque naquela época era assim. No começo, ele a tratava bem mas isso foi mudando com o tempo, e quando a filha dela nasceu, ela tomou uma decisão: nunca mais ter outro filho; na verdade, elateve uma filha, a mãe da Pilar.
O pai estava no bar, bebendo porque acho que era alcólatra, e mesmo sabendo que a filha nasceu, e por ser filha, voltou pra casa três dias depois.
A mãe da Pilar também não teve muita sorte, porque dizia que não teria a vida que a mãe teve, e jamais se casaria se fosse praficar sozinha. Conheceu o pai da Pilar, ficaram apaixonados e se casaram mas ele, apesar de ser um homem bom e trabalhador, gostava muito de jogo e assistia a todos. Num deles,caiu uma chuva torrencial, mas ele não desistiu de ver o jogo e depois disso, pegou uma pneumonia e morreu. Apesar de serem muito apaixonados e companheiros, ela ficou só.
Pilar se casou com Lluís e ele morreu de algum tipo de demência, porque ele esquecia quem ele mesmo era e se tornava violento, batendo em todo mundo com o que estivesse na mão. Um dia, nessas crises, ela disse que se não se lembrasse de tudo o que eles tinham passado, que batesse nela. Ele nunca bateu.

01 julho, 2022

Como Iviana era besta!



Nas palavras do sábio Gilberto Gil: "Marmelada de banana, bananada de goibada, goiabada de marmelo..." e o Quarteto Fantástico virou o Sítio do Quebra-Pau Amarelo.
Por um lado, temos o Senhor Fantástico e do outro, O Coisa. Um não gostou nadica das declarações que o outro deu e resolveram que era melhor peruca voando pra um lado, cílio postiço voando pra outro! É, minina, pancadaria que ainda não aconteceu!
Mas e Iviana nessa história? 
Pois é, você não sabe, e nem eu...
De Iviana só se podia esperar assuntos sem interesse, aquela lenga-lenga, algumas vezes até mesmo desconcertantes, e certamente numa dessas mordidas de línguas que ela foi largada de vez. 

Tocha Humana
O quanto é grandioso pensar que uma chama de uma velinha pode virar um incêndio arrebatador por onde passa! Assim era ela: dona de uma beleza clara, acalentadora e enigmática. Parecia que precisava de ajuda, e foi aí que Iviana apareceu em sua vida: queria ajudar, dar conselhos, mas ela se intrometia mais do que ajudava; acho que ela queria ser notada.

Senhor Fantástico
Ele não era fantástico somente no nome, era também na inteligência, na astúcida, era o desbravador-mor. Foi em torno dele que todos do grupo se aglomeravam e obedeciam.
Era somente ele gritar, e até Tocha Humana apagava.
Iviana gostava dele, desde pequenininho, desde de lá de Barbacena do Norte quando ele chorava no bercinho do quarto dos pais, e ela chegava antes que qualquer um dos dois tivesse ainda levantado, só pra colocar a chupetinha na boca.

A Mulher Invisível
Com toda a certeza, essa era a mais temível do grupo. Ela era claramente uma mulher maravilha porque não havia nada que não pudesse fazer bem feito... e bem feito foi o que fez com Iviana. 
Bem feito que ela é uma faxineira.
Bem feito que Tochinha era somente uma velinha que podia ser apagada e acendida a seu bel prazer.
Bem feito que ela tinha a coisa do Coisa em suas mãos, porque assim ela teria predicativos que outros jamais teriam.
Bem feito que o Senhor Fantástico é tão senhor de si, crente na força do poder das palavras e tudo no universo que possa ser moldável, porque assim seria fácil manipular para que ele se tornasse seu aliado. E assim foi feito. Bem feito pra ele... sofre e não enxerga um palmo na frente do nariz.

O Coisa
Este sempre foi estranho, sempre foi rude, nunca media suas palavras; pelo contrário, o que nunca deixou de medir, na verdade, foi o dinheiro. Ele era bom nisso e conquistou tanto que acreditou que era mais que Iviana, esquecendo de perdoar apesar de Iviana ter ido ao pelourinho, quando ele era ainda só um rebento, apanhar no lugar dele. E foram muitas vezes.

Tantas lembranças...

Tochinha e a Mulher Invisível se tornaram inseparáveis, e formou um trio com a chegada da Medusa... um trio estranho... parecia que tinha algo no ar... Mas foi somente depois que Iviana entendeu que de toda a família de Medusa, ela era a mais autêntica: apesar de não dizer nada, seus olhos mostravam o frio cultivado em seu coração enquanto todas as outras somente fofocavam a maldade em suas costas. Hoje eu agradeceria Medusa e pediria desculpas por ter ido em suas bodas, uma vez que ela destilada desprezo ao longe.
A que doeu mais para Iviana foi Tochinha... essa queimou mesmo porque Iviana acreditou nela.
Da Mulher Maravilha, o que ela quer, ela consegue. Conseguiu fazer a própria mãe de Iviana gostar mais dela que da filha; e gostava tanto do que fazia, que quando a mãe escolhia a Invisível, ela ria de felicidade verdadeira vendo a tristeza estampada no rosto de Iviana.

Mudanças...

Como Iviana era besta! 
Mas tudo muda, talvez mais devagar do que Iviana gostasse... era melhor parar logo de pensar no grupo devil, mas Iviana continua besta... espero que por pouco tempo. 

Somente agradeço imensamente, muito, muito, terem permitido que eu ficasse perto dos filhos.