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27 dezembro, 2012

Uma tarde na praia


Conchita! Eis o nome da minha tia-yaya.
Taí alguém que sempre perambulou na minha cachola, desde que soube de sua existência... alguém com esse nome, teria que ser especial. Somente por esses dias que  descobri que o nome verdadeiro da bichinha era Concepció... gostava mais de Conchita.
Quando fomos para Barcelona, naquela primeiríssima vez, quando ainda o lançamento dos aviões eram por estilingues gigantes, eu a conheci. Falante, baixinha, cabelinhos enrolados, curtos e bem penteados. Um apartamento pequeno, entulhado de coisas,  escuro... e ela lá... sozinha e feliz por nos ver, mas que eu não entendia nada porque  ela falava muito rápido, como quem não tem tempo a perder, e em soprano.
Ela, como a minha yaya, devia ser linda e a única pedra no sapato (das suas) era o pai, um homem rude chamado Arcádio. Eita homem bravo. Aliado a isso (o pai) ainda existiam os costumes daquela época, quando uma jovem manceba tinha que arrumar seu bofe pra casar antes dos 25 anos, ou ficava pra titia. 
Estou falando da década de 30. Uma época desgraçada e dita, por aqueles que a viveram, como sendo a pior década do século XX, pois começou com uma Grande Depressão e terminou em muitas guerras. Nesse período, subiram ao poder Mussolini, na Itália; Stalin , na Rússia; Salazar, em Portugal; Franco, na Espanha e o Hitler, na Alemanha, com a sua ideia de raça pura. Loucos alucinados... acabaram com a alegrias e estruturas de muitas famílias. 
O mundo não facilitava a vida de ninguém... e nem o pai, então o melhor era casar logo pra sair de casa.
Sabe-se lá como Conchita conheceu Doceteo (fala sério: só não perde pra Epimeteu!). Do jeito que o homem tinha lábia devia ficar falando pra ela : "Sou Doce e todo Teo"  ............ :P ............. o que se sabe é que se casaram ainda antes que minha yaya, que era mais velha que ela.
O pai delas gostava muito mais de Doceteo do que do  meu avô, apesar dele ser galego. 
Ele trabalhava com mármore e era muito controlado com o dinheiro; já meu vô Enrique nunca teve emprego fixo por muito tempo e, da mesma forma como ganhava dinheiro, tão facilmente o perdia, porque era um verdadeiro gastão. 
Naquela época um emprego era para sempre. Meu bisavô Arcádio, por exemplo, entrou numa marcenaria quando ainda era um garoto e saiu de lá quando morreu de pressão alta. Aliás, Jordi, o primeiro filho de Conchita, nasceu no dia da morte do avô Arcádio. Era costume usar o luto fechado, mas tentando poupar Conchita de saber da morte do pai nesse dia, as mulheres não foram de preto; entretanto, ela acabou descobrindo mesmo assim por causa da cor das meias que elas usavam. Que triste... por mais pedra no sapato que fosse esse homem, era o pai dela... uma mesma data de alegria e de tristeza.
Depois de Jordi, o casal teve outros filhos: Carmem, Juanito e Lluís.
Jordi está morto, Carmem está viva, Juanito sumiu na Legião Estrangeira e não deu mais notícias, e Lluís casou com uma mulher do sul da Espanha... sumiu também.
Uma família desestruturada, onde a mãe apanhava do pai e todos passavam necessidades.
Doceteo, na verdade, era um homem muito sem vergonha e muquirana. O galego dormia com um facão embaixo do travesseiro com medo que alguém o pegasse durante o sono... vivia dizendo que era viúvo para ser consolado por outras mulheres e devia gastar muito do seu dinheiro com elas. Juanito se mandou ainda cedo para a Legião Estrangeira para se ver livre dos maus tratos do pai.
Mas o troco divino viria a cavalo, ou cavalo-marinho, se preferirem; afinal, foi numa tarde de sol à beira mar que a vida de Conchita mudaria para sempre.
Doceteo, aquele filho-duma-mãe, almoçou num restaurante e, pelos médicos, deve ter se fartado.... aí, foi para a praia e acabou dormindo estendido feito um lagarto. Só que, aquele dia, estava não somente quente, como escaldante... e seus intestinos cozinharam.
Primeira pessoa na vida que ouvi dizer que teve seus intestinos cozidos... o que sei é que o cabra sofreu demais. Não sei quantos dias durou sua agonia mas, com a morte dele, quem foi 'dessa' para a 'melhor' foi a situação psico-financeira-emocional-apaixonante de Conchita.
Apesar de estar mais velha, ela não estava acabadinha. Colocava um vestido bem decotado e lá ia buscar a pensão do morto no banco. Lluís, o caixa, gostava tanto das cruzadas de pernas dela que acabaram se casando apesar dele ser uns 10 anos mais novo que ela.
Neste casamento ela foi feliz, muito feliz, enquanto durou... o novo marido morreu primeiro que ela. Quando a conheci, ela já era viúva de novo.
O mais interessante é que conheci, na primeira dessa última vez que estive na Espanha, outra senhorinha que muito me lembrou Conchita. 
Seu nome: Angelina.

10 dezembro, 2012

A Outra Princesinha!!!


Saudade é uma coisa incrível.
Ela me faz pensar no meu irmão, na minha cunhada, na minha sobrinha tão pequenininha e saber que, agora, está chegando a outra... certeza que será tão linda quanto a irmãzinha.
Ao mesmo tempo que ela me distancia deles, é ela que me mostra a 'cola' afetiva que nos une... eternamente, eu acho... porque nem a morte é maior do que a danada da saudade.
Ela poderia ser sinônimo de Família... porque quando penso neles, sinto saudades.
Ela poderia ser também o tempo Presente que vivemos... porque, quando olho pra trás, sinto a falta da convivência de tanta gente.
Ela poderia se chamar Retrato... porque sinto um aperto no coração, algumas vezes, quando vejo carinhas tão pequenininhas que vão crescendo rápido, e as fotografias nem acompanham.
Ela, a saudade, está em tudo... é uma roupinha, um brinquedo, um desenho.
Queria somente que soubessem que eu sei: sou só uma pessoa longe... mas uma pessoa que pensa muito, com carinho, em vocês todos.

13 novembro, 2012

A força de uma vontade.




O que pode acontecer na história de uma pessoa que foi entregue por uma cegonha disléxica? Tudo.


E foi tudo que aconteceu na vida de Hans 'Joan' Gamper.
Florbela, a cegonha, se atrapalhou toda e entregou o eminente personagem catalão pra família errada... e ele nasceu suiço, pra depois morar na França. Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, Hans rodou, rodou e acabou em Barcelona... seu destino desde sempre: Hans estava de partida para África e passou em Barcelona para visitar um tio... só que ele acabou apaixonado pela cidade do Gaudí. Da noite para o dia, abandonou muitas coisas e se instalou no bairro de Sant Gervasi de Cassoles.
Só que a Catalunya tem um quê de frescura e, provavelmente por isso, ele não foi parar no clube da cidade, o coitadinho do Espanyol, então resolveu fundar um outro... imagina só qual seria: o Barça... coisa pouca, né? Como era de se esperar, seu início não poderia ser normal: Hans colocou um anúncio num jornal ... !!! ... e vieram uma meia dúzia de estrangeiros, entre suíços, britânicos e madrilenhos, em resposta.
Imagina se o Real Madri pudesse imaginar que seus próprios desgarrados fundariam o time mais pedra-no-sapato do mundo?


Hans-Max Gamper Haessig ficou conhecido por 'Joan' Gamper, o seu nome catalanizado, foi homenageado com a carteirinha de N°1 do clube... tem até um troféu e uma rua da cidade com o seu nome; mas tudo isso são recompensas depois de muito calvário.
Um bando de estrangeiros protestantes, recrutando milhares de sócios e ainda um clube com nome da principal cidade catalã... para a ditadura de Primo Rivera eram uma corja de aliciadores religiosos que queriam roubar fiéis católicos; ou, no mínimo, estavam instigando a independência da Catalunya, afinal o escudo do time era o mesmo da cidade, num clamor claro de sentimento patriótico. Ditadores tem uma visão distorcida da realidade, sejam eles americanos, africanos ou europeus... independe do país.
As cores blaugranas, uma das suas grandes identidades,  aconetceu meio sem-querer. Joan Gamper queria que fossem os mesmos vermelho e azul do primeiro clube dele, mas o desenhista não tinha o vermelho disponível, e assim ficou aquele roxinho mesmo.
Outra curiosidade que só os catalãos podem achar graça é a forma como carinhosamente também são chamados: os les culés (ou 'os cus'). Culpa da arquitetura do primeiro estádio que, nos dias de jogos, só se viam os reguinhos dos torcedores sentados nos muros das arquibancadas.......... :P
Por essas e outras, Joan Gamper só se ferrou na cidade que escolheu como a de seu coração. Que dó e que sorte!
Sorte porque, com tudo isso (e como todo bom sanguinho catalão), a teimosia deve ter sido um impulso milagroso quando, depois de deixar o time como jogador, virou presidente do clube, em plena pré-guerra, pré-ditadura, pré-caos total.
[Pausa explicativa:
A guerra civil espanhola foi uma das mais sangrentas de toda a Europa. O país estava tão arrasado que nem participou da Primeira Guerra Mundial por total falta de condições humanas]
Sua contribuição foi imensa: uma gestão de sucesso e o clube independente financeiramente; conseguiu construir o primeiro estádio próprio (o Carrer Industria) e ajudou na idealização de um outro muito maior (o Les Corts), quando o quadro de sócios passou de algumas centenas para mais de 10.000. Um feito!
O maior azar de sua vida foi, igualmente, o clube que amava.
Os catalães e os bascos sempre foram a pedra no sapato da Espanha, pois queriam suas independências. Eles se consideram (ainda hoje) um povo engolido pela força. Assim, quando Primo Rivera, num golpe de Estado, teve o poder de decisão de vida e morte dos seus concidadãos (como todo bom ditador), decidiu que a unidade espanhola deveria ser demonstrada com todo fervor, e a nada que ferisse essa autonomia seria tolerado. A primeira coisa foi a proibição, por completo, da língua catalã e qualquer outra manifestação da cultura regional.
O que Primo Rivera nunca imaginara era que essa atitude autoritária acabaria por direcionar todo o nacionalismo catalão para dentro do campo de futebol da cidade, transformando-o numa ilha de alívio para o povo ... porque ali, sim, o catalão corria solto, para desespero das autoridades nacionais; ou seja, esse clube era um pervertido... e além de tudo, campeão!!!
Nessa época o clube começou a ganhar menos e o Real Madri muito mais. Os árbitros apitavam com o apito das autoridades políticas.
A primeira grande manifestação do povo dentro das dependências do clube foi numa apresentação da banda da Real Marinha Britânica: os torcedores viaram o hino espanhol, com todo o ódio contido pela repressão cultural da política nacional.
Não deu outra... tudo recaiu nas costas de quem? De Joan Gamper, seu presidente na época, e o seu castigo foi maior que ele poderia suportar: o exílio forçado no seu país de origem. Culpa de Florbela.
Joan se suicidou em seu país natal, cinco anos após sua expulsão da Espanha.
A versão oficial diz que foi o Grande Crack da Bolsa de 29, que o deixou endividado e em grandes dificuldades econômicas; mas eu prefiro acreditar nas más línguas, nos seus mais próximos, que testemunharam uma depressão mais profunda que a de dinheiro e que não teria tido mesmo outro fim que não fosse dar fim à sua própria vida.
A célebre frase, e hoje escrita nas arquibancadas do novo estádio, o Camp Nou: Més que un club, foi primeiramente dita no discurso de posse da presidência do clube por Narcís Carreras e deixava muito clara a expressão política do Barça e de todos os barceloneses e catalães, porque tinha uma dimensão muito maior que somente um clube de futebol. O clube resumia um sentimento nacionalista pela Catalunya; mas foi outro ditador, o Franco, que acabou facilitando o vínculo desse sentimento ao clube, que se expandiu por toda  Catalunya, devido à continuidade da repressão cultural, política e econômica imposta por Primo Rivera.
Que sorte e que desgraça, Joan.

Catalunya... enfim!!!


Já faz tanto tempo que tudo aconteceu, eu nem me lembro mais de data nenhuma...
Vou começar pela minha primeira vez (claro, né... dã!) em Barcelona. Digo primeira embora não tenha sido... mas é como se fosse, porque na primeira, de verdade, eu tinha só 14 anos... e essa já é uma outra história!
Onde mesmo eu tinha parado?
Ah, sim... nossa aventura para sairmos de Portugal pela fila dos preferenciais. Verdade... que coisa boa irmos atrás dos nossos direitos, né?
Chegamos com, pelo menos, uma hora de atraso fora a uma hora a mais  pra percorrer todo aquele avião da rabeira até a ponta da frente. Se, naquela época, eu soubesse o que fiquei sabendo a pouco tempo, ficaria mais feliz por estar no fiofó do avião: segundo um estudo (mentira que eles derrubaram um grandão no deserto pra isso...), a primeira classe seria a primeira a morrer; as primeiras filerias da segunda classe, só teriam pernas e braços quebrados, mas a sobrevivência, mais uma vez, é do povão, ou seja... nós! Bom, isso se não houvesse uma explosão, porque daí ia todo mundo mesmo pro beleléu.
Enquanto isso, os meus primos que nos pegariam no aeroporto, comeram, beberam, colocaram a conversa em dia, fizeram um tour pelo aeroporto... e nada da gente. Por sorte eles não desistiram e foram embora.
Quando vimos o portão de desembarque ali, bem aberto à nossa frente, fomos feito boiada... bem tipo: salvem-se, quem puder.
Quem saiu primeiro? Euzinha aqui que vos fala escreve,of course.
Tinha um mundo de gente esperando o outro mundo que saia... fazia tanto tempo que a gente não via nenhum familiar... como eles seriam? Estariam mais gordos, magros, ricos? Dali a pouco só escuto minha mãe, discretíssima como ela só: "AAAAHHHHH... OOOOiiiiiiii". 
Olhei pra ela e ela correndo, em slow-motion, com os cabelos ao vento se atirando nos braços da prima. Pergunta se ela viu que tinha um cordão de 3 polegadas no meio das duas, tipo separando quem chega de quem espera !!? Não, né?


A foto está tremida (e é a única do momento histórico) por dois motivos:
1- porque eu ainda tinha vergonha de que eles pensassem que eu tirava foto feito cameraman, tipo: tirava foto, quadro  a quadro, pra montar um filme depois; e
2- a máquina da minha mãe era uma porcaria (desculpa, viu, mãe... mas ela tem um tantinho de preguiça).

Fomos direto para o hostal da amiga da minha querida prima louquinha como minha mãe. Na verdade, fomos 'quase' direto porque ela se perdeu (acho que o gps interno dela deve ter a mesma carga genética daquele do meu irmão Marcos) e, quando chegamos, meu primo já disse que estava lá há um tempão...... :P ....... eles foram embora... mereciam.
Quem nos recebeu lá foi o Pepe.
Lembro dele ao telefone e FALANDO EM CATALÃO, talvez não devesse ser nenhuma novidade já que estávamos na capital da Catalunya; mas, para mim foi absolutamente incrível... a língua que eu escutava quando criança e que, pra mim, parecia que somente os velhos sabiam falá-l, de repente, um cara normal falando no telefone. E eu entendendo tudo... talvez a primeira impressão que ele teve de mim pode não ter sido tão boa. Tipo: "oh, gente louca... vai ficar olhando, é?"
Meu avô não se importava em ser chamado de 'yayo' (avô, em catalão) mas a yaya fazia questão. Minha mãe faz questão... e eu vou fazer também. Barcelona não parecia, assim, um mundo tão estranho... era familiar... era como se fosse um lugar que há muito não víamos, mas conhecíamos.
O dia que eu fui buscar a minha passagem para o paraíso cidadania espanhola, eu estava feliz; mas, como todo bom espanhol que se preze, o homem do consulado tratou a gente mal pra caramba. Pra variar, quem foi comigo nessa barca-furada foi minha mãe.
Primeiro que ali só tinha gente com nariz empinado e a existência deles já era um favor para a humanidade.
Fui bem vestidinha pra causar uma boa impressão.
Depois de muitos "sim, senhora" pra cá, "gracias" pra lá, fomos parar num xilindró numa salinha com um velho gordo que tinha a cara do Frank Tagliano, do Lilyhammer.
De repente, ele me encara e pergunta amigavelmente (na medida do possível):
"Você já foi pra Espanha?"
"Ah, sim... e lá é tudo muito bonito.", achei que o cara de concha até podia ser legal.
"Pra onde mais você foi?"
"Portugal, França...", tipo: ah... muitos lugares. Cara legal... puxando conversa assim...
"E qual o lugar que você mais gostou?"
"Barcelona. É tudo tão diferente lá, tão maravilhoso..." Pronto! Aqui eu já estava totalmente amiga de infância dele...
"Barcelona não é tão maravilhosa assim".
" ? " Como é que é? Fica aí puxando conversa pra tirar uma com a minha cara, homidusinferno? Ai, que ódio... mas eu devia saber mesmo que esses africanos não poderiam falar bem da Catalunya mesmo. 'Africanos' é a forma que os catalães chamam quem não são catalães, e não é por causa da cor, não... é por causa do início da Guerra Civil Espanhola. Outro dia eu conto essa história.
Mas, afinal, eu estava ali... onde tantas coisas tinham acontecido.
Em vários momentos, nessa primeira viagem, eu parava só pra ficar escutando algumas pessoas falando, como no dia que estávamos no trem para a montanha de Montserrat: duas meninas, um pouco mais velhas que a Cacazinha, vestidas de góticas, ou qualquer outro disfarce emotivo (só que feios) falando pelos cotovelos, falando alto como todos da idade, mas tudo em catalão! Que doideira.
O hostal era muito parecido com o que eu lembrava do apartamento do Tio Pere e da pensão da minha prima (ela já fez muitas coisas, eu acho): o elevador era só pra quem subia... pra descer, tinha que ser pela escada, que serpenteava o fosso do elevador, todo bonitinho, metálico e cheio de cabos. Que medo.
Rose e Marcos ficaram com a suíte grande, mas sem cortinas; Manu, Maurício e Rafa, o dormitório grande, mas sem banheiro, e eu com o quarto minúsculo... sem cortinas e sem banheiro. Tinha outra suíte, ocupada por alguéns.
Deu repente, deu um tilt em todo mundo... AAAAIIIIII, VAMOS EMBORA DAQUI.
Montse, a amiga da prima e dona do hostal, vivia no andar de baixo com o Pepe e deu um jeito nas cortinas do quarto do Marcos, mas não conseguiu colocar um banheiro no quarto do Cinho. Decidimos ficar hospedados lá mesmo, afinal era o aniversário da anfitriã e ela estava comemorando com a família e amigos... tiramos a bichinha umas duas vezes da festinha dela.
Depois que Manu e Rafa voltaram para a Terra da Branca de Neve, Cinhozite e eu mudamos para um quarto MA.RA.VI.LHO.SO!!! O problema é que a boiada durou só uma noite... na seguinte fomos remanejados para outros dois quartos minúsculos... de novo.

ho fotos disponíveis 

1- O MEU liiindo fosso de ventilação. Esta foto foi tirada do hallzinho, logo depois da porta maldita (vocês ainda saberão porquê).
2- Euzinha (morta de tanto andar), no meu quarto Nº1, do hostal.
3- A minha janelinha pro fosso.
4- O meu magnífico quarto Nº2, com detalhes no teto e uma varanda pra rua Baillen.
5- A varandinha !
6- Eu fui boazinha e só tirei a foto depois que a minha vizinha de hostal (sim, a varanda dela é irmã de coração da minha), saiu pra tirar a camisola. Peguei a bichinha preparando seu "esmozar", ou café da manhã... (e engolindo-o, depois de se sentir vigiada, tadinha)
* O quarto N°3 não tenho fotos disponíveis, porque tirei da máquina do meu irmão Cinhozite e ele ainda não me entregou... tudo bem, as do Marcos (que eu pedi a quinhentos anos também não chegaram ainda)  ... :P ... *

26 outubro, 2012

Mas o que é que ela tem que eu não tenho?



Quem quer saber de Tereza Cristina, a Rainha da alface,
que junto com o chef internacional foram para o enlace?
Ficou mais rica, mais fina, mais feliz... dormia num ofurô
e nunca mais se lembrou do Zoiudim e do Crô.

Eita, dupla!

Entretanto, Zoiudim tinha pra si que era um vencedor
e algo de Tereza Cristina ele se achava merecedor.
Revirou seus armários, e encontrou seus gibis velhos e empoeirados
Faria algo, com certeza... pois a ganância era um de seus pecados.

Foi o Supla?

Não. Zoiudim resolveu chamar outro amigo do peito
que, assim como ele, tinha muito defeito.
O nome do dito cujo era Cascão
não me perguntem se ele tomava banho, ou não.

E o Crô?
 
Crô, cada vez mais mesquinho e humano
resolveu se enrolar num pano
Seu sotaque francês era de mentirinha
"Me chama, que eu falo a maior ladainha!"
 
Por isso, por sua vez, aderiu ao plano infalível
(Ainda que pelo que pregava parecia inconcebível)
"Faço justiça a qualquer custo... (meu ego precisa de um cafuné!)"
mas quando falavam mal de Tereza Cristina, isso ele não lembrava, né?
 
Que horror!
 
Reuniram-se Zoiudim, Crô e Cascão
e resolveram por o plano em ação.
Numa emboscada, já por Tereza Cristina esperada,
reclamaram para o Papa, o Fantasminha Camarada.
 
Não adiantou Tereza Cristina dizer que tudo aquilo era um absurdo
... mesmo porque o Companheiro Camarada se fazia de surdo...
[Cá pra nós, não era tudo tão maluco... afinal, pobre do Zoiudim...
pelo tanto de alface que carregou, teria merecido até mais um pouquim.]
 
O que mais tranquilizava a latifundiária Tereza Cristina
era que agora poderia ir sossegada para a Argentina ou Palestina.
Provavelmente ela esqueceria deles mais rápido, do que eles... dela.
Tereza Cristina... seguia sua vida feliz de Cinderela.

O Zoiudo voltava para sua vidinha de sempre
achando que tinha ganho um grande presente.
 
Crô, coitado, era o mais perdido dos três
pensando ser um bispo de jogo xadrez.
 
Do Cascão, acho melhor não falar nada, não...
a vida já se incumbiu de lhe dar um sopetão.
 
E quanto ao chef internacional?
Ele se mostrou uma pessoa sensacional.
Pois mesmo tendo como tirar do Zoiudim a sua primaridade
não deixou que a ingratidão do sisudo estragasse sua caridade.
(Mal uso do seguro-desemprego dá cadeia de verdade
não adianta culpar um ou outro, ou toda a humanidade)
 

25 setembro, 2012

Tá entendido ???


Sou brava, dou uma sova nos meus fios duas vezes por dia, e por isso eu quero avisar de uma vez por todas que vou escrever das minhas duas viagens de uma só vez... os apelos eram muitos pra eu explicar tudo didaticamente, mas sou rebelde.

As duas viagens que eu digo é a continuação da viagem de Portugaile, enfatizando toda a história de vida do meu pai... e agora a tão esperada vida da minha mãe, em Barcelona.
Depois da Espanha, voltei pra casa.

BUT existiu a outra viagem que aconteceu agora e foi o batizado da Lilóvsky em Roma (ai, como sou fresca), a visita à casa do meu irmão Cinhozite em Genebra (ai, como ele é fresco) e a derradeira visita ao povo onde meu avô nasceu e cresceu: Gisclareny, com toda a família catalã.

Tem hora que as histórias podem se misturar... ou não (como diria Caê)... porque ainda não escrevi, então não sei como vai ficar.

O jeito é começar!

Uma pessoa... chique.



Eu poderia dizer que sou uma pessoa refinada, cheinha de predicativos, talentosa, emancipada para meu tempo (onde?). Alguém assim... como diria... chique; sim, sou uma pessoa chique.
Já apareci em revista especializada... nem sei quantos milhões de tiragens, mas a cidade só gritava um nome: Carminha Sig Bergamin... tá bom... o dito cujo TINHA que aparecer na mesma revista que eu... afff. Isso foi na primeira, na segunda, na terceira revista... até que eu reparei que nunca viria nenhum projeto dali porque aquilo era somente um cutucador de ego: Só quem era do meio (ou seja, MEUS CONCORRENTES) viam a meleca da revista.
Mas tudo bem... inflou muito meu ego e esvaziou o meu bolso (meu, nada... esvaziou do Marids)
Agora... depois que eu saí na televisão................. gente, pára tudo: ninguém mais podia comigo e eu virei a Senhora Carminha, a Magnânima... porque continuei muito humilde (cof, cof... ai, esse pigarro na garganta...).
Era um programa de socialite, lançando um bar na cidade.
Muito holofote, câmeras, minha bota nova e um cinto que eu nunca mais usei na vida (ainda tá lá no guarda-roupa... difícil mandar embora uma peça que você usou só uma vez na vida. A impressão que eu tenho é que o próximo evento que eu vou usar esse cinto vai ser no dia seguinte que eu mandá-lo embora. Devia mandar logo pra sair na TV de novo, né?), as pessoas me cercando... ai, que vida de glamour!
Falei no microfone, olhando para o entrevistador... contei da chopeira, do espaço do salão pras 500 mesas, do telão, do espaço vip, espaço kids... de repente, eu percebi, no olhar do entrevistador, que eu falei demais e pronto! Acabou tudo que eu tinha pra falar numa só piscada e me dei conta que eu não tinha feito um preâmbulo à altura da minha baixeza para finalizar a matéria. Não sei como ficou.
Sim, ó súditos de Carminha, a Magnânina... eu mesma não me assisti: estava trabalhando.
Pensei assim: "Tudo bem... depois assisto no horário alternativo". Não tinha horário alternativo praquele programa de socialite.
Pensei depois assim: "Tudo bem... depois pego a fita (sou da época de chamar CDs de fita, e velha é a vovozinha) com os proprietários". Pois é... fiquei com vergonha de pedir, e não pedi.
Águas passadas não movem moinhos.
Não vou remexer o passado................. (ai, que eu queria ver aquela fita)
Deixa pra lá.
O auge mesmo foi quando nos entrevistaram pra uma revista (dessas que são distribuídas gratuitamente nos consultórios e condomínios) e EU NEM PAGUEI! Não é o máximo?
Pois é... fui reconhecida. Vieram me nos entrevistar (sim, o meu Marids também) acerca do Aquífero Guarani. Coisa chique!
Um dia eu estava na sala de espera de um consultório e vi um velhinho que pegou, displicentemente no início, a revista que eu sabia que tinha a minha matéria lá dentro.
Pensei: "Será que vou ser reconhecida ou o médico vai me chamar antes dele chegar na página 31?"
Dito e feito: Dali um tempinho só vi o homem subir o olhar da revista PARA MIM. E ele olhava como quem olha uma Lady Di.
Dei uma risadinha, tipo: "Vai querer autógrafo também?". Tentei ser bem discreta, como sempre, mas senti uma palpitação... por sorte eu ia fazer esteira no cardiologista.
Foi aí que me dei conta que nunca mais eu poderia andar novamente com o vestido da foto. Imagina se alguém me vê com o mesmo vestido? Vão pensar que eu sou uma pé-rapada!
Vestido, pulseiras, salto alto e perfume (o meu de dia é o Tommy Girl, de noite um Dior)... afinal uma mulher que não use perfume é, praticamente, uma mulher pelada. Inconcebível.
Até mesmo quando eu levo meus pequenos tombos, só faço isso em locais chiques.
Essa história de cair em calçada no centro da cidade acabou no dia que eu queria impressionar uns garotos bonitinhos que estavam dentro de uma loja pra se proteger da chuva e eu,  toda bela e formosa de guarda-chuva, tropecei num elefante e fui parar estatelada no chão molhado feito um ovo frito. Gentesinha insignificante que, ao invés de me acudir, ficaram dando gargalhada.
Isso foi lá nos idos de Barbacena do Norte... faz tempo.
Mas também teve aquela vez, quando eu já morava na Casa da Árvore (não em cima de uma, é só porque a vizinha odiava a Sete Copas que eu amava... ela fazia sombra na piscina dela, lembra?) Pois é... estava eu com um vestido esvoaçante cor de rosa com preto e branco (baiano é o acarajé) quando, num soprar de uma ventania ... coisa raríssima por aqui ...  eu fui pro chão. Primeiro mirei no vestido na altura do joelho pra ver se não tinha feito nenhum furinho, depois sacudi a poeira e vi, do outro lado da outra calçada, um cara falando comigo... não entendi, não entendi... quando ele já estava a uns 20 metros é que eu fiquei sabendo o que ele queria: se eu queria ajuda pra levantar. Que fófis, né? (Surda é a senhora mãe do seu pai).
Tudo bem... foi na calçada, mas eu estava de longo e salto alto!
Também estatelei no shopping quando estava indo comprar brinquedo na Rihappy com o Nº 3... mas também... quando que eu imaginei que ia ter os alpes suiços embaixo de uma lona amarela que encapava o piso arrancado? Tem dó. (O barulho foi tão grande que metade do shopping parou e uma mulher veio me dizer que um monte de nós , mulheres, claro, caiam feito plumas em nuvens de algodão. Concordei, que uma diva só pode concordar com outra, né?). Tadinho... o Tiquinho tentava me animar, e depois desse dia ele atravessava as ruas segurando minha mãe, dizendo assim: "Mamãe, segura em mim. Todo mundo vai achar que você está tomando conta de mim, mas é que é só pra você não cair, tá?" ... ai, Jisuis... que bonzinho... sempre me dando apoio moral.
Foi assim também, aliás, exatamente, que eu caí no aeroporto de Schinpol, na Holanda, que sou chique.
A maior discussão era: comprar ou não Mc Donald's.
"Ai, mamãe, quero ver se tem o mesmo sabor..." e como a gente ia morrer ali umas 8 horas (depois conto da viagem), achei que eu podia aliviar a parte dele e deixei.
Nessa hora, acho que recebi uma mensagem dos-além: tropecei numa vaca branquinha cheia de manchas pretas com um chapeuzinho de holandeza, e fui beijar o chão do Papa João Paulo II.
Sorte que eu segurava só 3 malas na mão. Imagina se fez barulho? Nem vou responder.
Pra não dizer que só falei das flores, esse fim de semana fui de gazela urulante para bigorna do coiote em segundos... mas foi no shopping. O mesmo, por sinal, e na parte velha que tinha o piso novo.
Interessante que eu olhava o piso, agora de madeira encerada, e pensei: "Ficou bonito. Agora, pelo menos, não caio mais." , e mais rápido eu tivesse pensado isso, mais rápido teria ido pro chão.
Que sacola!
Estatelei legal. Eu fui indo, indo, o chão se aproximava devagar e a bolsa de couro azul da minha mão voava displicentemente para bem longe de mim. O sentimento foi de Mifu.
Quando dei por mim, estava de joelhos e mal conseguia andar.
Fred, meu fiinho mais velho Nº2 e minha mãe me acudiram.
Deu um ataque de riso em nós duas (nem ela bate bem da cachola, tadinha) e meu filho, nervoso só porque o mundo me viu em posição de napoleão (não me lembro, mas pra ter parado de joelhos... sei lá) e queria ir embora rapidinho. O problema é que, normalmente, eu não sinto dor nas minhas quedas mas desta vez vi estrelinhas e não podia andar.
Meio manquetolamente fui embora, mas sem perder a pose, é caláro, né?

12 junho, 2012

Uma luluzinha apagou.



Tia Maria se foi.

17 maio, 2012

Uma Mãe Feliz!!!


Dia das Mães é todo dia... nenhuma mãe consegue deixar de ser, mesmo que o filho se esqueça ela.
Este 13 de Maio seria meio que especial: teríamos Manu (mãe fresca de uma), Rose (mãe fresca dois), eu (mãe véia de três)... e minha mãe que já é yaya (e yaya é mãe duas vezes), e Magda (que não é mãe de ninguém, mas já era considerada como uma tia-yaya de todos).
Seria... porque eu não estava lá.
Fiquei duas noites mal dormidas imaginando como seria legal ter todas juntas no almoço de domingo. Não deu... paciência, mas como era domingo ia dormir até mais tarde.
Durante a semana sou uma das primeiras a levantar da cama [cara de Madre Teresa de Calcutá aqui]... tá bom... eu confesso: é mentira: sou uma das últimas a sair da cama... mas eu ainda levanto de madrugada pra ver se os filhos estão cobertos. Esse assunto já se estendeu demais... o que importa é que é Dia das Mães e eu não ia acordar cedo.
Pois é... não ia. Acordei lá pelas 7 da manhã com a campainha... era o guardinha: as cachorras tinham escapado porque o portão ficou aberto a noite inteira. Afff
Depois disso o Tico veio pedir pro Marids preparar o meu café da manhã, enquanto ele me distraia (só pra eu não perceber nada). Todos acordaram com a campainha.
Ele tenta me colocar pra dormir... nada tão difícil.
Dali a pouco ele some e aparece cada um carregando uma coisa. Cacá, uma bandeja com pãezinhos; Bibi, um caderninho de presente; Marids, com a bandeja dos copos. Tico não trouxe nada porque ele tinha feito a parte dele.
Comemos todos na cama. O bom é que a gente ri bastante quando se junta e faz bagunça.
Resto do dia: Pintamos o calçamento do fundo da casa. Só Marids e eu... filhos ficaram jogando joguinhos.
Hora do almoço: Marids caprichou e fez um risoto de camarão, com lentilha, tomate... um monte de coisa, que parecia uma paellinha. Começa a comer e joga tudo no lixo... acho que os camarões estavam estragados.  Ai, que dó!
Fomos pro restaurante. Fila. Comemos salmão com molho de kiwi, prefiro molho de maracujá, e pudim de leite condensado. Hummmm! Pagamos e saimos.
O resto da tarde não teve muita graça... ficamos pipocando de loja em loja pra comprar o resto da tinta que faltava... numa loja não tinha a cor, na outra não nos atendia, voltamos pra primeira e compramos lá mesmo... acabamos de pintar a calçada e fomos pra sogra.
Chegamos atrasados, mas tudo bem... tem dia que dá vontade de ficar é em casa mesmo, né? Ôh, tempinho de chuva!
Bom mesmo é ver os bichinhos crescerem... lembro do primeiro ventinho que bateu, de leve, na cabeça da Cacá e os cabelinhos dela esvoaçaram. Lembro das risadinhas como motorzinho do Bibi... ninguém conseguia não rir depois que ele começava. Lembro do Tiquinho assistindo Teletubs (ai, ninguém merece), mas como ele adorava! Lembro de todos pedindo colo, e cuidando de mim quando eu ficava doente. Lembro de cuidar deles quando eles nem ficavam doentes... hihihi.
Lembro de como eu chorava nas apresentações da escola (todas... independente do tema), de segurar a mão de cada um deles no dentista e de como doía em mim, a vacina que eles tomava. Lembro mais das alegrias que passamos juntos porque as coisas tristes procuro nem pensar... como a dorzinha que cada um já teve... inevitável!
Amo tanto, tanto, tanto vocês, meus bichinhos.
Já contei quando o Tico nem tinha nascido e eu estava numa fila de supermercado, com os outros dois dentro do carrinho junto com as compras? Pois é... eles eram pequenininhos e pareciam gêmeos (a diferença entre eles é pouca); aí, uma senhora, bem dona de casa mesmo, que estava atrás de mim na fila viu a Cacá e o Bibi e praticamente gritou (ela foi mesmo muito espontânea): "QUE MACAQUINHOS MAIS LINDINHOS!!!"
Eu levei um susto tão grande, mas comecei a rir! Percebi que ela devia chamar assim os filhos dela, quando eles eram pequenos, e aquilo era uma forma meio carinhosa (e torta) de falar dos meus bichinhos. Agora... eu fiquei imaginando se nós fôssemos da cor negra (ou raça, não sei como dizer... um grupo diz que somos todos da raça humana; logo, os negros não são de outra raça... mas dizem que não se pode dizer que eles são da 'cor' negra, afinal eles não são pintados... sei lá!). O fato é que a mulher podia ter se enrascado. O Lemão mesmo quase foi processado porque um dia num supermercado (durante muito tempo nossos passeios eram só lá... :P), o Tico (dentro do carrinho de novo também) disse assim: "Olha, papai... uma família de negros!" Não que era pejorativo ou qualquer coisa assim... é que ele nunca tinha reparado em uma avó, mãe e filho negros, ou juntos... como saber? Ele era pequeno e constatou uma cena. Pra quê? Foi um auê! Chamaram até a polícia, mas o delegado percebeu que não tinha nada a ver.
Acho que depois disso que eu comecei a dar apelidos mais constantemente a eles (e a outros, mas só dou apelidos pra quem eu gosto). A Cacá virou, caláro, "Macaquinha", "Escarola", Caquinha", "Shakira"... o Bi nunca aceitou muito, mas eu gostava de chamá-lo de "Fred" (Fred Flinstone, basta olhar o pé dele... e por tabela, a namorada dele (que ele está empenhado em arrumar) vai ser a "Vilma"... hahahaha. O Tico é "Tuim", por causa de "Vituim", "Tiquinho", "Tico-Tico".
Amo vocês três, seus porqueiras... mais que tudo nessa vida.
NADA é melhor que ser mãe! (Por sinal, gosto que me chamem de 'Mamãe')
Beijos, Fiinhos... e cuidem-se! Vocês sabem já cozinhar muitas coisas boas, mas vivem se esquecendo de colocar blusa quando eu estou com frio... :D

08 maio, 2012

Tem coisas que não se explicam...


Ir a Portugal e não sair com alguma história verídica de português, não poderia acontecer!
Reuni poucas... mesmo porque tive pouco contato direto com o povo nativo.
Quando chegamos a Barcelos, meu pai ainda estava calmo... acho que ele fica meio nervoso no meio de tanto português.
 Lembro que, no dia do meu casamento (será que já contei isso antes?), contei uma piada de português pra ele, que era assim:
"Pai, sabe por que aqueles ônibus de dois andares não deram certo em Portugal?"
"Não"
E como ele não perguntou o porquê, eu disse: "Porque a turma subia no poste pra dar sinal". hahahahahaha. Ele também não riu.
Bom, mas em Barcelos, existiam os portais das freguesias todos enfeitados por causa da quaresma e como estávamos meus irmãos, meu pai e eu juntos resolvemos que tirar uma foto do pai com os filhos embaixo do portal da Pousa (a freguesia dele) seria uma grande recordação daquele dia.
O Marcos, então, ficou escolhendo, dentre os transeuntes que passavam (caraca... será que isso é pleonasmo? Transeunte já é um passante, né?), quem poderia bater uma foto para nós.
"Vixe... aquele tiozinho não vai conseguir", realmente era um ser bem encurvadinho... devia tremer tudo.
"Vamos deixar passar esse também", porque a gente tinha medo de alguns com cara de suspeito... Eis, que, de repente... 
"Ah, olha aquelas duas moças... vou pedir pra elas". E foi.
Elas estavam do outro lado da rua e eu via o quanto ele gesticulava e mostrava a gente e o portal da Pousa. Elas, universitárias provavelmente, pareciam entender tudinho. Sorriam e prestaram bastante atenção no botão que tinham que apertar.

Primeira foto: ela desligou a máquina, ao invés de tirar a foto... toca o Marcos ir lá explicar de novo... agora elas entenderam.
Primeira foto, pela segunda vez: fizemos pose e esperamos. Esperamos... um bucado; mas parece que deu certo. Outra! Elas queriam tirar outra só pra garantir. Tá bom.
Segunda foto: foi a outra.
O Marcos foi lá e viu: elas esqueceram do portal. Ele explicou de novo, e gesticulou de novo. Pelo que nós pudemos entender, de onde estávamos, a foto não tinha sido boa, ficamos paradinhos.
"E aí, Marcos? Não ficou legal?"
"Ai, a coisa ali tá difícil!"
Terceira foto: Elas deram zoom pra enquadrar bem a gente. Não era assim exatamente que o Marcos pediu... e, pra ajudar, ainda passou um carro.
Lá foi o Marcos de novo. Nem nos mexemos dessa vez.
"Agora, vai!", acho que ele jurava isso pra si mesmo. Um dos dois da ponta ainda convenceu o outro a abrir os braços, para uma pose nova: a foto merecia, né?
Quarta foto: SAIU A POUSA!!! Aleluia.
Mas o Marcos, perfeccionista... queria que pegasse o portal todo.
Os braços já doiam, o sorriso já amarelava... e será que a foto deu certo? Pela cara do Marcos, não.
Quinta foto: Elas bateram e nós saímos correndo... atravessamos a rua e agradecemos muito. Vimos só depois que elas não pegaram o portal inteiro de novo... mas tudo bem, né? Tá bom assim.


Quando encontramos o resto da família, fomos contar a dificuldade de entendimento entre os povos de língua portuguesa... eita, povo que não sabe falar português, credo!
Foi aí que deu fome (!!! de novo?) nas grávidas e Rafa [Jisuis... parece que tem um saco sem fundo dentro daquela barriguinha. :( Que inveja!] e foram comprar sorvete na lojinha do lado da nossa lanchonete. Dali a pouco, vieram as três soltando os bofes pra fora de tanto rir... ai, minha urticária: conta logo!
Elas tentaram, mas não entendi nadica de nada... só que homem que cuida da loja do sorvete é um senhor assim... não muito velho, nem novo... mas com certeza, um tanto desinformado; foi aí que a Rose assumiu o controle e falou:
"Nós fomos lá comprar sorvete, e aí a gente estava escolhendo o sabor. Não tem aqueles cartazes que ficam pregados na parede? Então, a gente estava lá escolhendo. A Manu disse que queria de limão, mas na dúvida, Rafa completou dizendo que tinha de todos os sabores... até que ela mesmo viu, no cartaz da marca de sorvete, que tinha até endereço no facebook: 'Olha tem até facebook!', ela disse. O homem que nunca ouviu falar desse sabor soltou rapidinho: 'Não, desse daí não tem... facebook não tem, não!'. 
Mas o pior ainda estava por vir: todas se entreolharam, mas se contiveram; entretanto a Manu, que é sempre tão discreta, olhou bem pra cara do homem, encarou mesmo, tentou segurar mas não se aguentou e soltou uma risada gargalhada que podia se ouvir do outro lado do Atlântico. Daí... quem segurou, né?" 
Ah, suas malvadas... tadinho do homem... [kkkkkkkkkkkkk]


Depois dessa pérola, outras histórias me afloraram... como não poderia deixar de ser.
Como aquela que aconteceu com a Manu na Feira de Barcelos.
Ela, já cansada de tanto andar por entre as barracas escolhendo roupinha de bebê, foi perguntada por uma vendedora muito gentil:
"Olhe, sente-se um pouco para descansar a barriga", mostrando uma cadeira.
Antes mesmo que ela pudesse agradecer, a outra portuguesa, com certeza, já foi se intrometendo:
"... e lá alguém pode tirar a barriga pra descansar?", incrédula, "Pois que se sente ela toda! Aí é que resulta!" Esse 'aí é que resulta' foi o golpe de misericórdia. Depois esse povo vê a gente rindo e acha que os brasileiros riem à toa...
Ah, tá bom... pode não ter tido tanta graça agora, mas na hora, eu não conseguia me conter. Acho que era o clima.
Por sinal, por falar em clima, acho que ele fez mal pra Manu (já reparou que tudo era ela?)
Estávamos almoçando no Restaurante do Arantes, e de lá eu olhava uma reportagem na televisão: era a irmã Lúcia.
"Mas quem é essa?", Manuelita curiosamente perguntou.
"A irmã Lúcia.", vendo sua cara assim, como dizer? Continuando sem saber quem era a irmã Lúcia, complementei: "... é uma daquelas crianças que viu a Nossa Senhora de Fátima."
"Ah, é verdade", minha mãe explicando, "era a Lúcia, o Jacinto e Francisco"
"Ué... mas ela não era criança, não?" 
"É, Manu... mas ela cresceu, né?"
Pior do que a pergunta foi a cara dela: com comida na boca, tentando segurar a risada, e um tanto encabulada. Tudo ao mesmo tempo. Por sorte, ela não engasgou.
Ai, Manu. Tudo bem, tudo bem... perdoamos você.
 :P
Foi aí que ela contou uma boa de uma amiga dela, conversando com o motorista do carro em que estava:
"O senhor pode parar aqui?"
"Posso", só que ele não parou.
"... mas o senhor não parou!"
"Mas a senhora não me pediu pra parar, só me perguntou se eu podia parar ali".
Ai, Jisuis.
Mas não pense que somente a Manu passou por poucas e boas em terras lusitanas: o Marcos também foi alvo preferencial.
No duty-free de Lisboa, ele viu um livro de receitas típicas portuguesas, e tinha em vários idiomas... só não tinha em português mesmo... mas como eu não me aguentei e já contei essa história, não vou contar de novo,né?
Ou, então, quando ele estava no hotel super legal Suave-Mar (pra ver que é em todo lugar mesmo que essas coisas podem nos acometer).
Marcos e o garçon do bar de lá.
"Se eu quiser pedir alguma coisa daqui do bar lá no quarto [olha as lombrigas do rapaz], qual o número que eu ligo?"
E a resposta do dito:
"Ora, como eu sei? Nunca tive que ligar pra mim mesmo!"
[???!!!]
Pai... você sabe que a gente gosta muito de você, né?
Não liga, não, pra esse povo que conta as histórias da Terrinha... mas parece que os portugueses fazem de propósito!!! hihihi
:P

Xauzim, Portugal.



Estávamos todos meio largados nas poltronas à espera do nosso avião. Cansamos fisica e psicologicamente, afinal aquelas subidas e descidas traumáticas do ônibus tinham deixado todo mundo, até os homens, meio quietos. Não conseguimos poltronas na frente exatamente do nosso portão, mas tudo bem... não tinha muito o que fazer... não ia comprar nada no duty-free agora mesmo... Marcos e eu fomos numa banca de revistas comprar revista de bebê pra Rose.
Ele até que se interessou por um livro de receitas. Vimos em várias línguas, mas não em português.
"Moça...", perguntou gentilmente o meu irmão para uma rapariga meio estressada com o movimento de um monte de gente que não tem nada pra fazer, "tem deste livro em português?". Ele perguntou em português... e ela respondeu, em português também. "Tem... tá ali", e apontou pra onde tínhamos acabado de vir.
"Não... ali não tem"
"Tem sim, pode ir lá que lá tem".
Fomos e constatamos o óbvio: não tinha.
Voltamos para a gaija, e o Marcos disse em português com o auxílio de mímica... vai ver que ela não entende muito bem o português, né?
"Ali... óh... não tem...", agora foi a vez dele apontar pra lá.
"Mas tem", ela disse.
"Não tem", ele disse.
"Então tinha", sentenciou ela.
"Será que não tem lá pra dentro?" (Tipo, no estoque)
"É ali que tem, senão tem... tinha"
Meu irmão, quase calmo, veio embora batendo o pé... corri atrás porque ele estava até me esquecendo.
Chegando perto das poltronas, a constatação: uma serpente humana sem fim se fazia em frente ao nosso portão. Fomos para o fim dela, e rápido, porque não a cobra não parava de crescer.
Tive tempo... fiquei pensando: aposto que estavam todos escondidos, tipo em algum jogo... e foi só a gente sair que todo mundo resolveu furar a fila que a gente não tinha nem começado.
Aí... começou o que eu chamo de "a Grande Revolta"

Minha mãe ficou revoltada porque eles eram da terceridade (ela e meu pai), e as grávidas eram grávidas... os maridos eram os maridos das grávidas... e nós, Rafa e eu, não éramos nada. Fomos as únicas que continuamos nas fila, o resto saiu atrás dos seus direitos de passar a perna em todo mundo.
E descobrimos, para o espanto geral da nação, que direito de furar a fila... só aqui no Brasil. Lá nas Oropas, os véinhos tem que ficar de pé mesmo. No Japão, por exemplo (que é Ásia, não Europa) deve ter fila preferencial pros jovens... hehehe... [lá é tudo mundo velhinho... tudo bem: piada besta].
Sei que, dali um tempinho, veio a minha mãe nos buscar: íamos todos furar fila. Que poder de convencimento desse povo brasileiro, né? Que maravilha!
Só que tudo tem um preço, né?
Existiam 3 esteiras de raio-X e uns 6 agentes de alfândega para a filona toda... só nós ficamos com QUATRO agentes e DUAS esteiras.
Em suma: revistaram até as calcinhas usadas.
O pente fino foi pra lá de piolho: meu pai quase foi preso porque o apito apitava quando ele passava... quase teve que ficar pelado; minha mãe jogou dois estojos, fechados, de fragrância dos States que ela ia dar de presente pra Pilar; nem sei quem mais saiu no prejuízo ali... acho que todos... cada um estava muito preocupado em xingar seu próprio agente.
Eu mesma estava desconsolada: ELES ME FIZERAM JOGAR MEU DEMAQUILANTE NO LIXO! Eu sei que a culpa foi minha... eu que esqueci, mas Putz-cutz-parutz, que raiva.
Sempre desejo uma semana de desinteria para os meus desafetos do dia-a-dia, mas pra eles desejei um ano inteirinho.
Acho que Rafa resumiu bem: como estávamos passando na frente de todo mundo, eles judiaram da gente.

Bom... entramos.
Entrei como quem entra em qualquer avião (medão, é calaro, dessa porcaria cair). O comissário falando as coisas tipo: por favor, não obstruam a passagem de quem vem atrás... sejam breves... coloquem suas malas de mão nos compartimentos e fechem-nos quando lotados. Só que em inglês.
Eu entendi tudo, mas fiquei com dó dele... ninguém dava atenção pra rapazinho. Fiquei ali, como quem nunca tinha entrado num avião. "Ah, tá... thank you", mas quando se desanuviou aquele mar de gente (que tinham passado na nossa frente, pela segunda vez, enquanto estávamos lá expondo todas as nossas malas mais íntimas praquele povo com vontade de achar de tudo que a gente tinha trazido de errado pro avião), eu vi: o avião não tinha fim.
A empresa Jetnet, Netjet, sei lá... era bem popular [pra não dizer pobre], e não tinha área vip ou separação de classes [tá bom... vou mudar o status da empresa para 'bem democrática']; assim só se via um mar de poltronas, ocupadas por ordem de chegada na dita fila! Só que a impressão que me deu foi outra: "Esta me##*a vai cair!"
Fiquei em choque. Devo ter ficado com os olhões arregalados...
Um passageiro, logo nos primeiros assentos (nem vou chamar aquilo de poltrona mais) deve ter se sensibilizado e começou a me explicar, em inglês, tudo de novo, o que o comissário tinha acabado de me falar e que, no presente momento do monólogo do portuga bonzinho, ele (o comissário) já me empurrava pra andar... tipo, EU estava empacando a fila agora.
Minha reação foi balançar a cabeça em sinal afirmativo e, ainda sem olhar pro portuga, comecei a ir de encontro com o meu destino... fosse ele qual fosse... lá no fundo... bem no fundo da nave.
Por que sei que ele dizia a mesma coisa do comissário? Porque eu não conseguia tirar o olho do fundo do poço avião, mas ouvia tudo perfeitamente... como num sonho. E por que eu sei que o gaijo era portuga? Porque, depois que eu sai andando feito zumbi, ele se voltou pros amigos e numa gargalhada disse: "Ela naum intendeu nada, ó pá". Entedi, sim, portuga dosinferno.
Depois de tudo, tudinho, que a gente passou: nervoso, raiva, decepção... passamos fome.
Os outros comissários, todos novinhos, tinham cara de estrangeiros: brancos, tímidos e sem graça. A mocinha da comida não chegava nunca (a gente estava na rabeira, lembra?) e ainda tinha que pagar: o serviço não estava incluído; além de que nem preciso dizer que acabamos com o estoque de comida do avião. Depois de nós, ninguém mais comeu... mesmo porque estávamos pousando em Barcelona. Aleluia.
O bom é que a fome não me deixou pensar na viagem e na queda da aeronave, e as uma hora e meia de vôo passou rapidinho.

07 maio, 2012

Vai ver se eu tô na esquina... >:(


 
Voltei mais leve dessa viagem... de verdade... TIVE QUE LARGAR O DEMAQUILANTE DA IDA AGORA NA VOLTA... que revolta!


O que muito me chamou a atenção nesta viagem, em especial, era sempre a rodovia que ligava o norte do país à Lisboa: paredões de concreto divisava a rodovia dos quintais das casas; sim... quintais! Vez ou outra esses mourões eram entrecortados por vidros e se via lá dentro... ora casas, ora ruas, ora terrenos somente.
Bom... a viagem foi mais muda. Talvez porque ela fosse um ponto no calendário que nos avisava que nossa viagem chegara, praticamente, à metade; ou talvez porque o Cinho tivesse uma reunião de negócios que não poderia chegar atrasado na capital e aí, sim, como diria meu pai: "Cagarim cagou!" (expressão quase puritana para as necessidades fisiológicas de Cagarim... esse nome só perde para Epimeteu).
Foi o nosso maior momento 'tango-arrentino' [por favor, cortinas de veludo para um enforcamento magistral].
Chegamos a tempo de respirar... percebi que ninguém respirou desde nossa saída do hotel... e do almoço de negócios do Cinho. Ele chegou antes do seu convidado-mor... um funcionário mais graduado do Imperador.
Eles foram comer (e comeram bem, os danadinhos... foram meus pais, irmão, Manu e o outro casal)... e nós, mortais (Rose, Marcos, Rafa e eu)? Fomos fazer um passeio glamurosíssimo que eu queria demais: o Castelo de São Jorge [e olha que nem sou corintiana!].
Da primeira vez que estive lá eu era pequena mas foi deslumbrante... lembro de uma árvore com o tronco cortado (nem sei se de propósito, pelas mãos do homem, ou por força da natureza) mas meu pai cabia inteirinho escondido lá dentro. Lembro da vista geral da cidade, das muralhas, dos jardins entre terras arenosas, da ponte... só não me lembrava que o castelo mesmo era uma fortificação e não um palácio de verão... mal tem espaços fechados e não existem os 'cômodos' tradicionais. Ninguém podia dormir ali... mas quem quer dormir num lugar daquele, afinal?
Lindo, lindo, lindo. Castelinho de conto de fadas, com os muros altos e o acabamento em quadradinhos... tipo quando uma criança desenha castelo. Lindo.
Imaginei os templários (oi?) andando com seus cavalos árabes (não combina templários com árabes, mas o sonho é meu) e armaduras com lanças e escudos. Lindo.
Tentei 'pegar' a alma do lugar, mas não deu muito, não. Rose não estava animada... estava passando meio mal. Na descida até o bondinho, ela chamava mais atenção que as muralhas da China (se elas pudessem ser vistas dali... bem poderia.... elas podem ser vistas da lua, que é mais longe).
Bom... o segundo e fatídico passeio foi até o Aquário de Lisboa, o maior em alguma coisa que agora me esqueci, e pasmem: conheci o bacalhau. Devia ser português, não conversamos... na verdade, nos vimos de relance.
Falando em bacalhau, lembrei do Baka (Bakalhau), nosso amigo de São Carlos.
Ele era magro de doer (e, pensando agora, tinha também uma barbichinha... tal qual seu homônino marinho). Numa assembléia da faculdade, ou cerimônia de posse dos diretores do CAASO, nosso centro acadêmico, sei lá... que teve um pequeno 'incidente' com o, então, diretor da EESC-USP. Este foi uma das autoridades convidadas para o evento, e o malacabado do nosso amigo Baka, disse, ao anunciá-lo:
"... e agora para engrandecer nossa tribuna, o nosso diretor da escola, Prof. Marcius Cavalus...", a primeira reação de todo mundo foi se calar; afinal Cavalus era somente um pseudônimo dado ao diretor da escola por seus tratos com os estudantes.... :P .... até Marcius Cavalus se calou, e ficou olhando, pasmo, para a cara de pau dele.
"... não, Professor... veja bem...", tentou arrumar seu discurso, "Cavalus é somente um apelido carinhoso; veja bem... eu mesmo sou conhecido por Bakalhau porque sou magro..."
Não teve conversa... o restaurante veio abaixo. Ele era magro por isso se chamava Bakalhau; logo o outro era Cavalus porque seu comportamento era patada pra tudo que era lado. Os dois foram ficando vermelho, vermelho... todos esperavam que um deles explodisse; um de vergonha, pela gafe e o outro porque ficou (pela primeira vez na vida) sem reação.
Vimos tubarão, arraias, peixinhos, o bacalhau, e não vi tanta graça assim lá... foi legal, mas nada de Ohhhh. Por sorte, Rose melhorou... porque andamos para caramba!
Aeroporto.
Pra variar estávamos todos atrasados... enquanto um povo ia entregar os carros nas locadoras, o outro (Rose, Manu, Rafa e eu) nos perdíamos. Minha mãe sumiu... só podia ter ido com o outro grupo.

Veja a cena:
[Caclete 01]: Grupo dos Homens desembarcam Grupo das Loucas no portão de embarque e somem com os carros.
[Caclete 02]: Grupo das Loucas pensam (oi?) e chegam à conclusão que não seria aqui. Por que chegam a essa conclusão? No bilhete de embarque está escrito "Terminal 2", e estamos no Terminal 1.
[Caclete 03]: Grupo das Loucas pega malas, malinhas e barrigões e corre pro ônibus que dizia: Terminal 2. Sim... o terminal 2 era longe pra ca#&#! Espera, espera... cadê o desgramado do motorista? Não dá pra ver que tem pessoas no desespero aqui? Bom... estávamos com folga de uma meia hora.
[Caclete 04]: Ônibus anda... loucas desaflitas.
[Caclete 05]: Ônibus pára... loucas enlouquecidas: O TERMINAL 2 ERA DOMÉSTICO!!!
[Caclete 06]: Loucas sobem malas, malinhas e barrigões... tudo pra dentro do ônibus de novo!
[Caclete 07]: Ônibus anda... loucas aflitas.
[Caclete 08]: Ônibus pára... loucas saem correndo com malas, malinhas e barrigões. ALGUÉM PODE ME DIZER ONDE É A PO%%A DO TERMINAL 1?
[Caclete 09]: Ali... e apontam com o dedo; bem atrás de onde começamos tudo.

Enfim... e nem me lembro mesmo muito o como e nem mais o porquê, mas chegamos. Grupo dos Homens estavam ficando nervosinhos... mas depois que viram o que era ficar "nervosas de verdade", baixaram a guarda.
A questão toda foi tão traumatizante que sumiu de minha mente. Onde estou?
Última notícia do nosso vôo: Estava atrasado.