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25 setembro, 2012

Uma pessoa... chique.



Eu poderia dizer que sou uma pessoa refinada, cheinha de predicativos, talentosa, emancipada para meu tempo (onde?). Alguém assim... como diria... chique; sim, sou uma pessoa chique.
Já apareci em revista especializada... nem sei quantos milhões de tiragens, mas a cidade só gritava um nome: Carminha Sig Bergamin... tá bom... o dito cujo TINHA que aparecer na mesma revista que eu... afff. Isso foi na primeira, na segunda, na terceira revista... até que eu reparei que nunca viria nenhum projeto dali porque aquilo era somente um cutucador de ego: Só quem era do meio (ou seja, MEUS CONCORRENTES) viam a meleca da revista.
Mas tudo bem... inflou muito meu ego e esvaziou o meu bolso (meu, nada... esvaziou do Marids)
Agora... depois que eu saí na televisão................. gente, pára tudo: ninguém mais podia comigo e eu virei a Senhora Carminha, a Magnânima... porque continuei muito humilde (cof, cof... ai, esse pigarro na garganta...).
Era um programa de socialite, lançando um bar na cidade.
Muito holofote, câmeras, minha bota nova e um cinto que eu nunca mais usei na vida (ainda tá lá no guarda-roupa... difícil mandar embora uma peça que você usou só uma vez na vida. A impressão que eu tenho é que o próximo evento que eu vou usar esse cinto vai ser no dia seguinte que eu mandá-lo embora. Devia mandar logo pra sair na TV de novo, né?), as pessoas me cercando... ai, que vida de glamour!
Falei no microfone, olhando para o entrevistador... contei da chopeira, do espaço do salão pras 500 mesas, do telão, do espaço vip, espaço kids... de repente, eu percebi, no olhar do entrevistador, que eu falei demais e pronto! Acabou tudo que eu tinha pra falar numa só piscada e me dei conta que eu não tinha feito um preâmbulo à altura da minha baixeza para finalizar a matéria. Não sei como ficou.
Sim, ó súditos de Carminha, a Magnânina... eu mesma não me assisti: estava trabalhando.
Pensei assim: "Tudo bem... depois assisto no horário alternativo". Não tinha horário alternativo praquele programa de socialite.
Pensei depois assim: "Tudo bem... depois pego a fita (sou da época de chamar CDs de fita, e velha é a vovozinha) com os proprietários". Pois é... fiquei com vergonha de pedir, e não pedi.
Águas passadas não movem moinhos.
Não vou remexer o passado................. (ai, que eu queria ver aquela fita)
Deixa pra lá.
O auge mesmo foi quando nos entrevistaram pra uma revista (dessas que são distribuídas gratuitamente nos consultórios e condomínios) e EU NEM PAGUEI! Não é o máximo?
Pois é... fui reconhecida. Vieram me nos entrevistar (sim, o meu Marids também) acerca do Aquífero Guarani. Coisa chique!
Um dia eu estava na sala de espera de um consultório e vi um velhinho que pegou, displicentemente no início, a revista que eu sabia que tinha a minha matéria lá dentro.
Pensei: "Será que vou ser reconhecida ou o médico vai me chamar antes dele chegar na página 31?"
Dito e feito: Dali um tempinho só vi o homem subir o olhar da revista PARA MIM. E ele olhava como quem olha uma Lady Di.
Dei uma risadinha, tipo: "Vai querer autógrafo também?". Tentei ser bem discreta, como sempre, mas senti uma palpitação... por sorte eu ia fazer esteira no cardiologista.
Foi aí que me dei conta que nunca mais eu poderia andar novamente com o vestido da foto. Imagina se alguém me vê com o mesmo vestido? Vão pensar que eu sou uma pé-rapada!
Vestido, pulseiras, salto alto e perfume (o meu de dia é o Tommy Girl, de noite um Dior)... afinal uma mulher que não use perfume é, praticamente, uma mulher pelada. Inconcebível.
Até mesmo quando eu levo meus pequenos tombos, só faço isso em locais chiques.
Essa história de cair em calçada no centro da cidade acabou no dia que eu queria impressionar uns garotos bonitinhos que estavam dentro de uma loja pra se proteger da chuva e eu,  toda bela e formosa de guarda-chuva, tropecei num elefante e fui parar estatelada no chão molhado feito um ovo frito. Gentesinha insignificante que, ao invés de me acudir, ficaram dando gargalhada.
Isso foi lá nos idos de Barbacena do Norte... faz tempo.
Mas também teve aquela vez, quando eu já morava na Casa da Árvore (não em cima de uma, é só porque a vizinha odiava a Sete Copas que eu amava... ela fazia sombra na piscina dela, lembra?) Pois é... estava eu com um vestido esvoaçante cor de rosa com preto e branco (baiano é o acarajé) quando, num soprar de uma ventania ... coisa raríssima por aqui ...  eu fui pro chão. Primeiro mirei no vestido na altura do joelho pra ver se não tinha feito nenhum furinho, depois sacudi a poeira e vi, do outro lado da outra calçada, um cara falando comigo... não entendi, não entendi... quando ele já estava a uns 20 metros é que eu fiquei sabendo o que ele queria: se eu queria ajuda pra levantar. Que fófis, né? (Surda é a senhora mãe do seu pai).
Tudo bem... foi na calçada, mas eu estava de longo e salto alto!
Também estatelei no shopping quando estava indo comprar brinquedo na Rihappy com o Nº 3... mas também... quando que eu imaginei que ia ter os alpes suiços embaixo de uma lona amarela que encapava o piso arrancado? Tem dó. (O barulho foi tão grande que metade do shopping parou e uma mulher veio me dizer que um monte de nós , mulheres, claro, caiam feito plumas em nuvens de algodão. Concordei, que uma diva só pode concordar com outra, né?). Tadinho... o Tiquinho tentava me animar, e depois desse dia ele atravessava as ruas segurando minha mãe, dizendo assim: "Mamãe, segura em mim. Todo mundo vai achar que você está tomando conta de mim, mas é que é só pra você não cair, tá?" ... ai, Jisuis... que bonzinho... sempre me dando apoio moral.
Foi assim também, aliás, exatamente, que eu caí no aeroporto de Schinpol, na Holanda, que sou chique.
A maior discussão era: comprar ou não Mc Donald's.
"Ai, mamãe, quero ver se tem o mesmo sabor..." e como a gente ia morrer ali umas 8 horas (depois conto da viagem), achei que eu podia aliviar a parte dele e deixei.
Nessa hora, acho que recebi uma mensagem dos-além: tropecei numa vaca branquinha cheia de manchas pretas com um chapeuzinho de holandeza, e fui beijar o chão do Papa João Paulo II.
Sorte que eu segurava só 3 malas na mão. Imagina se fez barulho? Nem vou responder.
Pra não dizer que só falei das flores, esse fim de semana fui de gazela urulante para bigorna do coiote em segundos... mas foi no shopping. O mesmo, por sinal, e na parte velha que tinha o piso novo.
Interessante que eu olhava o piso, agora de madeira encerada, e pensei: "Ficou bonito. Agora, pelo menos, não caio mais." , e mais rápido eu tivesse pensado isso, mais rápido teria ido pro chão.
Que sacola!
Estatelei legal. Eu fui indo, indo, o chão se aproximava devagar e a bolsa de couro azul da minha mão voava displicentemente para bem longe de mim. O sentimento foi de Mifu.
Quando dei por mim, estava de joelhos e mal conseguia andar.
Fred, meu fiinho mais velho Nº2 e minha mãe me acudiram.
Deu um ataque de riso em nós duas (nem ela bate bem da cachola, tadinha) e meu filho, nervoso só porque o mundo me viu em posição de napoleão (não me lembro, mas pra ter parado de joelhos... sei lá) e queria ir embora rapidinho. O problema é que, normalmente, eu não sinto dor nas minhas quedas mas desta vez vi estrelinhas e não podia andar.
Meio manquetolamente fui embora, mas sem perder a pose, é caláro, né?

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