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17 março, 2010

... praticamente uma Jacques Cousteau


O nome da ilha em que paramos eu já não me lembro mais (alguém tem fosfosol aí?. Caramba... quem lembra do nome "fosfosol" acho que é porque não precisa dele... isso é um remédio pra memória do tempo da maria-castanha. rs... Rose, se você ler isso, algum dia, me acode e diz o nome do lugar!), mas que era um lugar liiiindo, isso não tem como esquecer. O restaurante ficava mais no alto e, somente por isso, já tinha o seu devido valor: podia-se ver um barco, tipo escuna de turistas, cheios do que? De turistas, caláro... mas este foi o último que chegou. Tinham outros 3 ou 4 já apoitados parados ancorados. Um casal com filhos, todos estrangeiros; sim, porque não existem brasileiros de cor de leite tão branco assim... a Rose ainda disse que ouviu eles enrolarem a língua falando algum idioma esquisito. Teve um barquinho que quase bateu no nosso (olha eu tomando posse aí de novo, companheiros posseiros), mas quase colidiu mesmo... e todas as embarcações estavam paradas (???), quero dizer, ancorados... o médico diz, pra qualquer coisa que a gente venha a ter, que é stress... pra marinheiro, o vilão é o vento! Corre, Marcos... É! Marinheiro é pra essas coisas... exercícios na terra e no mar. Ele me deu outras dicas de mergulho livre que eu pude treinar de verdade, em água salgada mesmo... estou me sentindo, praticamente, uma profissional do mar... nasci pra isso... pena que acabou :(  O mais legal que eu me lembro foi buscar, a uns 3 m de profundidade, uma estrelinha vermelha... magrinha, super bonita.
No meio das pedras, praticamente na beiradinha da praia, o Marcos ainda nos levou pra ver uma caverna. Que medo! Ela é minúscula... mas completamente alheia ao resto da realidade... um silêncio que podia até dar receio de encontrar algum bicho bem ruim descansando lá dentro... a entrada era meio difícil de entrar, tinha que se segurar e passar por um 'buraco'... duas 'salas' mais altas, de uns 3 ou 4 metros (com 1m de água... que emoção!), muita vegetação pendente... era uma caverninha meio aberta, gelada, sossedaga. Só sosseguei quando levei os meus três bichinhos lá pra conhecê-la. A D. Mont não foi nem amarrada. Aff!
Dessa praia maravilhosa, eu acho que vou levar um ensinamento super interessante... foi a Rose que contou, durante o almoço... foram uns amigos dela que contaram (ai, isto esta me cheirando telefone sem fio): lá estavam eles numa loja de brinquedos, ou perto, sei lá... e dois irmãozinhos (um menino e uma menina) brigando por causa de algum brinquedo, quando chega o pai e sentencia: "Ah... vocês não vão parar, né? Então, tá... dois minutos abraçados..." (!!!) O castigo era esse: abraço! Sem dor, nem contra-indicação... só fiquei me perguntando se essas crianças não vão crescer achando abraço uma coisa ruim... acho que não! Mas eita castiguinho da chapuleta, né? Parece que os dois ficaram abraçados, cada um olhando pra um lado diferente, no maior tédio... mas quando acabou, acho que um nem queria mais conversa com o outro. hihihi. A briga parou! Deu certo, né?
As conchinhas que meus filhos ganharam do dono (?) do restaurante estão na minha estante da sala... pra lembrar pra sempre daquelas férias tão legais.

17 de Março de 2.010

15 março, 2010

Cai fora, garota.


... ele abriu a porta do carro, enquanto ela dava alguns passos pra trás. Não sei dizer o que passava na cabeça daquele idiota, mas a raiva já não era mais contida. Os cabelos dela eram curtos, sem movimentos, de um loiro que parecia tingido por um balde de água oxigenada, porque os que estavam mais abaixo eram mais amarronzados... eram cabelos de água e sabão... e olhe lá... mas foram eles, perto da nuca, que foram puxados com força pela mão bruta do rapaz... e ela acabou caindo na calçada. Provavelmente a pelezinha curtida do sol deve ter doído com a arranhada no cimento... ela devia ter a idade do Tiquinho, e pedia dinheiro no semáforo.
Ela era frágil, e completamente desprovida de defesa. Se ela era boa gente? Não sei. Provavelmente não... mas ainda era uma menininha. Apesar de deitada no chão, com aquele bruta-montes segurando sua nuca e com o dedo da outra mão quase encostando no seu nariz, em nítido gesto de dominância e violência... ainda assim, ela tinha uma força! Devia já estar acostumada a ser tratada assim. Ela não chorava, nem gritava, só discutia com ele... ou se desculpava. E ele, no alto de sua completa arrogância e superioridade, agia com o orgulho de ser poderoso.
Por quantas violências como aquela ela não devia passar durante o seu dia?
Por que ele não se rebelava com quem a levava pra lá, pra ser pedinte? Ele era covarde.
Eu?
Eu só estava passando do outro lado da avenida... juro que a minha vontade foi gritar... foi descer do carro e segurá-lo, mas eu não fiz nada... como o cara do carro de trás do agressor... também olhava incrédulo, mas só olhava... assim como toda a fila de carro atrás deles, esperando o sinal abrir.
Eu me senti conivente com aquela situação... não fiz nada.

15 de Março de 2.010

11 março, 2010

Subimos o mundo... e depois descemos


Superada a noite bem mal dormida, fomos ao primeiro passeio programado pelos nossos anfitriãos (leia-se Rose e Marcos): a escalada do morro do ai-meu-deus-do-céu, mentira... era Morro do Pão de Açúcar (carioca tem uma criatividade pra dar nome em montanha, né?!!). Os aspirantes a alpinistas do dia: Anfitriãos (não vale... eles já sabiam todo o caminho e os inúmeros perigos também), pai, maridum, Cacazinha, e eu. Heroína do dia: a Dona Mont... foi ela que ficou com os meus dois manjubinhas na praia (e não era qualquer praia... era a única ainda pertencente a um caiçara... ele era pescador de peixes e de almas, hehe, ele era pastor também...  as outras todas já tinham sido vendidas. Na dele mesmo chegaram a oferecer R$ 2.000.000,00... "É muitcho dinheiro, seu moço, qui eu sei... mas aí ele si ancaba e eu vou aviver di quê? Aqui pelo menos a gente num tem dinheiro, mas tamem num tem pobrema..." Esse homem tá certo, né?).
Bom... todos munidos de tênis e câmera fotográfica? Então vamos lá... começando a se embrenhar na mata. "Mas ocêis vão subir o morro, num é?... Então, é pru outro lado... a trilha começa atráis da casa..." Cara de tacho geral. Vorta tudo de novo (Nossa... já tô inté proseando igual). A mata começou bem... aí começou a subir... subir... olha o galho aí, gente... de repente... um cara, com cara de meio-mal, vindo em sentido contrário: "Vocêix vão subirrr? Sabia que vocêix não extão nem na metade do caminho? Depoix vai piorarrr muito. Bom, eu extava com um casal, max ela não aguentou... tava grávida... eu fui até lá encima, mas já vou avisando... não sei se vocêix vão aguentarr, não tô desanimando, não, max... " Carioca filho-da-@*tWQ!%. Continuamos subindo... Cacá... olha pra fr.... tarde demais, um galho assassino no caminho e um galo agora na testa da bichinha pra cantar de noite. O clima era quente e úmido, e o desgramado do carioca tinha razão... piorou mesmo! Já não dava pra desistir... faltava menos pra cima que pra baixo. De tempos em tempos, parávamos pra beber água (tinha cantil, tá pensando o quê?) até que ela acabou... na subida! Eita florestinha... parecia que a gente não ia chegar vivo lá em cima de tanto que suava. Umas escorradelas daqui, outras puxadas ali, algumas piadinhas infames do tipo "...perco a filha mas não perco a piada"... mas, enfim... chegamos. AAAIIIIIiiii... QUE SUSTO! Era um lazarento de um casal, novinho até, parados um pouquinho antes do topo. Bom, nem vou pensar o que eles estão fazendo ali (provavelmente esperando que a família buscapé saísse primeiro do topo pra eles curtirem sozinhos...) ...ah, vai esperando, meu filho, que a vista lá de cima era simplesmente indescritível. Dava vontade de ficar olhando, olhando... os barquinhos lá embaixo, pequenininhos; as pessoinhas, então! Gritamos (e depois nos contaram que ouviram a gente... menos a minha mãe, né?), dava pra ver a diferença de cor na água por causa dos bancos de areia próximos às praias, dava pra ver toda a imensidão da mata do outro lado do morro, dava pra ver a entrada do Saco... o céu... o mar... tão bonito. Pai, tira foto... não vai dar, não... ele guardou a câmera embaixo do braço (ai, credo) e entrou umidade (oi?) dentro dela... agora ela não quer mais funcionar... mas a Rose trouxe (e quando ela me mandar as fotos de lá, coloco aqui)
Vamos descer!
Tudo bem, casalzinho... podem ir. E toca fazer o caminho inverso... tá certo que pra descer todo santo ajuda, mas sabia que eu achei pior? A gente escorrega muito mais, e dá vontade de dar aquela dispinguelada e descer a mil... não faz isso, não, maluca... senão você não pára nem na praia... eu achei até que já tinha passado pelo galho assassino umas duas vezes, mas só na terceira foi verdade... como o mato se parece, né? Já na praia, a bóia do pescador, que foi nosso cozinheiro também, estava uma de-lí-cia. Fome? Imagina... foi a melhor comida em séculos que eu comia.
Minha mãe estava ótima (só que comida pelos borrachudos) e meus bichinhos? Nem sentiram falta... ficaram de snoker olhando os peixinhos e conchas na beiradinha. :)

11 de Março de 2.010

02 março, 2010

Uma Mulher Maravilha


A Tia Rose... acho que eu já disse isso, mas repito: a Tia Rose é a tia! (Marcos, lê isso não... mas aqui você não leva nem o Oscar de coadjuvante. hihihi)... mas também, fala sério, né? Quem brinca de tabuleiro com a molecada? A Tia Rose. Quem leva no Parque da Mônica? A Tia Rose. Quem leva os rebentos no Hopi-Hari? Adivinha: a Tia Rose... e o melhor: quem vai junto naquele monstro da montanha-russa? Com certeza, você já sabe quem é (tudo bem, mãe... sei que você leva no cinema e no Mc Donald’s). E não é somente o apoio material... ela escuta os bichinhos e dá muita atenção. Eles adoram, né? Na viagem até a cachoeira, lá nas nossas férias, achei que teríamos mais dois sobreviventes do Lost no barco: duas cadelinhas (só não mais magras e famintas por falta de osso aparente) de uns índios (??? Será que eram os da época do Cabral ainda?); sim, porque, não seria nenhuma surpresa mais duas lá no zoológico lar deles. No princípio era o Verbo, e o Verbo eram somente os dois... mas depois veio o Pim-Pim (cão), a Mel e o Thor (kalopsítas), o pardal (tem nome esse? Deve ser Laranjinha), os peixes, a moréia... não exatamente nessa ordem (ah... esqueci da estadia do Roof) e ela consegue dar conta de tudo! E ainda se formar na faculdade... rsrsrs. E ainda cuidar do meu irmão... kkkk Super heroína. Tudo bem, tudo bem... nem tudo é perfeito: numa excursão quando ela era menorzinha (atenção: a mãe já não queria deixar ir), a bichinha leva o maior escorregão numa corredeira de água (era um rio, né?) que teve até traumatismo craniano (levinho, ainda bem... mas deve ter contribuído pra fazer ela casar com o Marcos. kkkkkkkkk... oh, maldade!).
Tia Rose... que bom ter você nessa família. Saiba que nós te admiramos muito e gostamos demais de você... pelo que você é e por tudo que você faz, que sempre leva um pouco do teu coração. O Marcos pode até levar a fama de Capitão, mas sem tripulação (e você é ela todinha! Como consegue dar conta???), fica tudo tão mais difícil, né? Além do mais, você tem a vantagem de poder fazer um motim sozinha :) 
Parabéns, nesse seu dia... e tudo de melhor nessa vida porque você merece.
Beijos com carinho de todos nós aqui.

02 de Março de 2.010

01 março, 2010

O anjo do pau carunchento...


Este ser tão sublime que hoje é um bem-sucedido homem de negócios já aprontou tanto... mas tanto, quando era pequeno, que agora já pode se dedicar a ser gente grande de verdade. Teve uma fasesinha brava que ele resolvia fazer de tudo que era errado nessa vida, uma atrás da outra. Um dia, enquanto minha mãe dava mamadeira pro Cinho, ele resolveu brincar com isqueiro bem atrás de onde ela estava sentada... tudo bem, mãe... dá pra entender seu stress... tudo começou com aquele cheirinho de que tem alguma coisa queimando, aí veio uma fumacinha, até que meu pai levanta mulher e filho com um único braço, e vira herói apagando a poltrona com o outro. Ele? Vixe... já tava looonge. Deve ter apanhado! Teve uma outra vez que o vizinho veio correndo dizer que o fusquinha do meu pai tinha batido, de ré e sozinho (aff...) num tronco de árvore. “Puxa, que sorte que o senhor teve, hein? Parou na árvore antes de descer a rua...” tipo, rumo ao infinito e além. Meu pai chegou com os bofes pra fora... com certeza foi uma tentativa de assalt... ops!... era ele, o ser inclemente, ao volante... tão pequeno que ninguém viu quem era o motorista. Deve ter apanhado nessa também! Isso sem contar as inúmeras vezes que meus pais foram chamados pra passar carão na escola: ele fez xixi num copo (embora o réu tenha jurado inocência) e deu pra uma amiguinha beber (oh, muito amiga, né?)... ou porque trancaram (ele e sua pequena gang) o bedéu num quartinho embaixo da escada... ou talvez por causa de guerra no banheiro. Um verdadeiro anjo...
Se tudo isso não bastasse, tinha eu. Por que ele não me esquecia? Lembro de uma época em que TODOS os dias que eu voltava da escola, lá estavam as coisas do meu guarda-roupa em cima da minha cama... ele já tinha até decorado o que tinha lá dentro... e mesmo assim, não parava. Oh, moleque capeta... Fora isso tinha um pequeno detalhe: eu estudava de manhã e ele, à tarde. Minha mãe o levava pra escola, mas quem ia buscar???? Eu, né?! Todo santo dia, duas vezes por dia, pegando quase uma hora de ônibus pra ir e mais o mesmo tanto pra voltar (eu vou pro céu definitivamente) e o desgramado reclamava que tinha fome... sempre a mesma coisa. Ele levava dinheiro pro lanche que, normalmente, era um enroladinho ou coxinha com refrigerante (tudo saudável nessa vida) e... tudo bem que o terminal do ônibus era inundado por cheiro de comida que vinha daquele monte de lanchonetes suspeitíssimas e barraquinhas de churrasquinho de cachorro, ainda mais no finalzinho da tarde... hum!!! até eu ficava com vontade... mas não tinha dinheiro, né? Que eu fazia? Simples:
“Marcos, segura essa bolacha que nem sanduíche e fecha os olhos... não vale ver... sente o cheiro do hamburguer...[pausa] tá sentindo?”
“Tô!”
“Agora, sem abrir os olhos, morde essa bolacha e sente o gosto do hamburguer...[pausa] tá sentindo?”
“Tô!”
kkkkkkkkkkkk A isto se chama o poder da mente e da persuasão... já peguei outros passageiros de boca aberta (de tanto rir), mas funciona. Fala, aí, irmão... não funcionava?
Bom, tinha o caso da vizinha também... ele com uns 4 e ela com uns 7 anos... e resolveram se perder no mundo atrás de muita aventura, bala e brinquedos. Como tudo custava dinheiro (turquinhos esses dois, né?) eles atravessaram, sozinhos, a maior avenida da cidade... e nem morreram atropelados! Foram ao banco, mas o caixa não quis dar dinheiro (ué... por que será, né? E NEM PERGUNTA CADA TUA MÃE??? Ai, se fosse comigo...). Cada uma das duas mães achando que os rebentos estavam na casa da outra... até que começou a escurecer. Foi um auê. Pais se dividiram em buscas nada programadas, mães enfartaram: uma corria pelas ruas com as mãos puxando os cabelos , e a outra tentando descascar o reboco das paredes com os dentes... e o resto do povo, ou xingava os dois, ou rezava... ou ambas as coisas. Apanharam! Alguma dúvida?
Mas tudo bem... passou. Ele já apanhou tanto que eu acho que deve ter colocado os parafusos no lugar (hehehe, trio de casa... preparem-se!!!)

Parabéns pra você e que tudo dê muito certo porque é o que eu mais desejo: amor, saúde e sucesso.
Beijos, Marcos - Martelo.


01 de Março de 2.010