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08 junho, 2017

Férias de verão - 2012



Eu não contei antes sobre as minhas férias de verão, porque não tive tempo. Aconteceram tantas coisas e eram tantas coisas pra contar, que eu precisava estar inspirada e de fôlego renovado (tudo bem que demorou meros 5 anos pra isso acontecer e ainda me pergunto se superei tudo).
Bom, tudo começou com uma prova de esperteza minha de dar inveja ao Soneca, o da Branca de Neve... deve ser um parente distante meu, aliás... Adivinhem ONDE eu fui buscar uma pousada? Na internet.
Opções de pesquisa: apartamento (ou casa), com cozinha, para 5 pessoas, praia do Una, São Sebastião, Toque-Toque Pequeno... caramba... tudo muuuuito caro. BUT, como quem procurava era EU, eu achei um apartamento, maneirinho, bonitinho (tudo branquinho), novo e distante 750m da praia. Tinha tanta opção (laguinho, montanhas, trilhas, cachoeiras, bicicletas, pescaria, surf, etc), pensei: "Achei o lugar".
Fomos para a Praia de Juquehy. litoral norte de São Paulo.
A cidade é feia pra dedéu, ou pelo menos era, naquela época: uma rua principal com algumas saídas para a praia que eram todas de paralelelípedo mais ou menos assentado, em eterna reforma, e o resto era só aquele areião batido, cheio de buracos.
O meu Bãrids já torceu o nariz... mas só se eles me enganaram.
Chegamos, aos sacolejos, na 'pousada' sem nome, na Alameda Galo da Campina, 100.
Na verdade, era um prédio horizontal de dois pavimentos onde um proprietário colocou para locação na temporada.
Mas a nossa habitação, essa sim, era uma graça... igualzinha como na propaganda.



Entramos pela micro sala em conceito aberto com a cozinha, toda equipada e limpinha; de um lado a escada pro quarto no mezanino, e do outro lado, o banheiro e o outro quarto com televisão. Não era nem um pouco ruim... do lado de fora, a vegetação da mata atlântica, com um riozinho sinuoso, uma área de churras e a piscina. Perfeito.
Ficaríamos 1 semana, mas só pra garantir e não deixar os rebentos com fome, trouxe comida pra 1 mês.
Quando a gente começou a descarregar o carro, os vizinhos acharam que eram moradores novos.
Rapidinho descobrimos todas as atenções: o laguinho se formava em cada poça depois que chovia, porque a gente descarregou o carro com aquela chuvinha fina; as montanhas, estávamos no seu sopé, longe de tudo e de todos (menos dos vizinhos); as trilhas, era o caminho para chegar em casa da praia e vice-versa;as cachoeiras... passa pra próxima... bicicletaria era uma oficina de bikes, entre o nosso descanso merecido e a diversão garantida; pescaria e surf, quando chegou nesses quesitos, já tínhamos desistido mesmo.
Arrumamos tudo, mais ou menos, mais menos que mais... e praia.
Demorou um tanto pra chegar, mas ela era legal... só que de tombo... Surf, né, tchonga?
Pra molecada foi maravilhoso, apesar do tempinho, que acabou melhorando. Até hoje eles lembram da praia, da barraquinha de crepe (nossa maior atração turística) e de um hamburguer do tamanho de uma cabeça que os esfomeados pediram. O Henrique pede até hoje... quer voltar lá. kkkk
Embaixo, a cama de casal com TV. O Lemão não sairia de lá por nada... se a TV tivesse alguma programação, que não tinha.
Eu fiquei com as crianças... imagina que eu vou largar meus filhos, ainda pequenos (15, 14 e 10 anos) sozinhos lá em cima? Nem que a vaca tussa (cof, cof)

Saldo do primeiro dia: Dormi num colchão de ar que deu cãimbra até no dedinho do pé.
No dia seguinte aquele sol prometia, nada poderia dar errado.
Foi nesse dia, na verdade, que descobrimos a creparia e o dono mais mal amado do mundo. Ele nos atendia com cara de quem chupou limão, e ai de quem mudasse de recheio depois de pedir (não estou dizendo depois dele ter começado a fazer, estou dizendo só depois de falar mesmo). 
Foi um dia calmo, até chegar no apê e descobrir que o vaso sanitário estava sem água.
Jisuis!!! 
Pensa num marido feliz pra consertar a caixa de descarga porque tudo que não dava era ficar sem descarga.

Saldo do segundo dia: Umas duas dúzias de baldes jogados na privada e do alto, que é para dar pressão e poder fazer aquela meleca toda ir buraco abaixo.
Bom, nada melhor que um dia após o outro. Já nem estávamos mais nos importando com os buracos, o carro indo a 5 km\h e nem a cara feia das pessoas do caminho para a praia, nem ligávamos mais pros cachorros soltos e da cara de ETs dos vizinhos (o que será que eles achavam da gente?). Uma grande decepção nem foi descobrir que os 750m da praia não era nem se pegasse a distância em linha reta, passando por cima da mata... só para ter uma ideia, dali até o Shopping Monjolo, já dava perto de 1 km..........:P........... o verdadeiro desespero bateu quando resolvemos alugar umas bikes, o que foi impossível porque o lugar era só uma bicicletaria. E toda vez que batia aquela fominha, lá ia a gente no carrancudo dos creques. 

Saldo do terceiro dia: No caminho tinha uma rodovia, e nem pensar em passeio natural... vamos quebrar as molas do carro, Bãrids. (Foi o que aconteceu: ele amassou a saia da frente quando despenquelou num buraco básico)
Fomos então ao shopping e era bonitinho mas não achei nada espetacular.
Chega de crepe por hoje, PELAMORDIDEUS!
Sim, meus rebentos comeram um hamburguer impossível de imaginar, e ainda sobrou fome pra ajudar a gente no nosso...eita, poço sem fundo.

Saldo do quarto dia: Pois é, dizem que alegria de pobre dura pouco, né? A nossa não foi pouca, não, foi bem curtida de sol. Foi aquele calor de rachar coco e não conseguir ficar na areia sem sombra. Solução: vamos comprar um guarda-sol no mercadinho que tem de tudo mesmo: carvão, esparadrapo, vela de 7 dias, cerveja, pão, remédio e guarda-sol.
Não tinha tantas opções assim, mas tinha um vermelhinho de joaninha... mas vai ser esse
mesmo, além de tudo, estava na promoção.
E toca pra praia...
Abrimos o mais novo item recém adquirido guarda-sol, que era pra ser de joaninha, mas deu pra entender o por quê da promoção: era de melancia.
Todo mundo sabe que eu não ligo para coisinhas diferentes,mas dessa vez, uma lombriga mexeu dentro de mim. Só o nosso guarda-sol se destacava naquela calmaria de outros guarda-sóis. Descobrimos que viramos ponto de referência na praia quando, enquanto saíamosdo mar, o guarda-sol saiu voando e um homem lutou pra pegar o bichinho e infincar no mesmo lugar, do tipo, o cara realmente se empenhou. Agradecemos, mas aí ele explicou que era importante pra ele também porque os filhos dele, caso se perdessem, tinham que esperar no guarda-sol de melancia.
Isso só nos fez ficar com aquela cara de samambaia: será que a gente ainda agradecia ou cobrava?

Saldo do quinto dia: Tantos dias num só lugar, já estávamos praticamente caiçaras. Tinha dado umas garoinhas, mas e daí, né? Alguém amanheceu com a garganta raspando, tinha poça de água em cada buraco da pousada até a praia, tinha a rodovia no meio do caminho, mas pra que se apressar pra praia? Vamos curtir a piscina e o riozinho da própria pousada.
Na piscina ficamos pouco, porque veio uma família estranha, com jeito esquisito e música sertaneja desespero. Vamos pro riozinho, e aí vimos que era uma valeta de concreto de uns 1,20m mais ou menos com um riozinho de meio metro. A valeta começava no pé da montanha e seguia embora, cortando o terreno. Samambaias e outros matinhos caiam que nem paisagem de filme... era bonito. Toca todo mundo dentro do rio pra uma aventura legal.
Já estávamos na metade do riozinho quando começaram os borrachudos, eita pernilongo do capeta... aquilo morde doído, e aí ainda chegou um cabra pra dizer pra gente que, quando chove na cabeceira, vem água muito forte.
O passeio do riozinho foi curto. Saímos depressa e fomos pra praia mesmo encarar o cara dos crepes pra mais uma batalha.

Saldo do sexto dia: A gente já ia embora no dia seguinte, uma semana já estava ótimo pra descompor as energias, e foi nesse dia que andamos um pouco mais pela praia e achamos um bar que tinha música ao vivo e um polvo simplesmente maravilhoso. Foi caro mas valeu muito a pena. O cara que tocava guitarra, improvisou um sax com uma garrafinha de água cortada no meio com um filme plástico, nem me pergunte como, mas o cara fazia miséria com aquilo lá. Foi simplesmente magnífica a nossa última noite.
Pena que ela não tenha terminado por aí.
Por ser a última noite, o Lemão não queria mais dormir sozinho lá embaixo e usou de seu poder pátreo para dormir com as crianças, na parte de cima.
Tá bom, ne? Fazer o quê? Meio a contragosto, fui para o saco de dormir.
Usávamos o saco de dormir,que já tinha travesseirinho e fechávamos ele todinho com um zíper, ou seja, a pessoa ficava mumificada dentro dele.
Eu tinha acabado de apagar a luz, mas ainda era claro e pude ver, claramente, o apocalipse acontecer em questão de segundos.
Vou explicar, mas saiba que isso já me causa pânico, só de lembrar.
Estava eu acabada de me ajeitar, puxando o último pedacinho de zíper e preparando os olhos para fechar, quando escuto um helicóptero voar sobre a minha cabeça.
Por causa do calor, meu marido semppre dormia de janela aberta, e ele me convenceu a fazer o mesmo, só que uma barata gigante, dessas bem criadas, lustrosas e todas cheias de si, veio voando como quem flutua num dirigível, mas muito mais rápido, potente e intimidador.
Aonde ela pousou, eu não vi, porque meus olhos foram ofuscados pelo meu grito. O problema era o sarcófago, não dava tem po de abrir e sair correndo; a solução: fui pulando da cama até a escada. Cheguei mais rápido que o Lemão. Podia até ter ganho salto em distância, pensando agora.
Dormi com as crianças.

Saldo do sétimo dia: Na Bíblia diz que o sétimo dia era para o homem descansar... nós, pelo contrário, fizemos a maior bagunça: praia de manhã, crepe de despedida e arrumar bagunça, deixar bagunça e voltar para casa.



Vixe... esqueci.




O segredo da felicidade...
é ter uma péssima memória!

kkkkkk

"Nada é mais forte do que o momento de uma idéia". 
Quem disse isso foi Victor Hugo, mas não acho que exatamente como eu disse, talvez outras palavras.

Esta é a foto oficial da Formatura do meu irmão no Itamaraty.
Esta história está AQUI



Ou o Lula é muito econômico, ou ele gostou mesmo dessa gravata........... 


Ele (e a gravata) aqui, viúvo e prestando, historicamente, seu depoimento ao juiz Moro.

Pode deixar... tô ligada.



Chegando no terminal de Milão, não tínhamos tanto tempo assim de sobra, então fui até a plataforma indicada e, antes de entrar no vagão, tomei minhas precauções: perguntei pra umas 3 pessoas que estavam entrando se aquele trem ia pra Genebra.
"Sí. Ginevra"
Mas entramos mesmo só depois que mostrei a minha passagem pra um casal que entrava e ele me garantiu que estava tudo certo. Pelo menos se estiverem me enganando, já tenho alguém pra jogar pra fora pela janela.
Fomos até nossos assentos. Estavam vagos. O trem estava vago. Ainda confirmei mais uma vez... até o Vítor já estava me convencendo que o trem era aquele mesmo.
Não estávamos na janela... uma pena. Mas ninguém estava sentando do nosso lado.
O esquema das poltronas era bem legal: cada lado do trem tinha mesinhas dobráveis com 4 poltronas, e as nossas eram as 2 do corredor.


Até que veio um senhorzinho e sentou na janela.
Ele ficou caladinho até o trem andar, aí desatou em falar. Acabamos nos rearranjando, e o Vitor nem quis ficar na janelona, o negócio dele era montar e desmontar o seu brinquedinho Lego que comprei no aeroporto da Holanda.
O velhinho era italiano casado com uma espanhola.
Eles moravam em Andaluzia e seu nome era Ricardo.
(Marido, não leia... mas viajei com o Ricardão... kkk)
Ele tinha passado na Itália pra ver alguma papelada e estava agora indo visitar o filho que morava na Suiça. Ele foi bem agradável.
A paisagem, ainda dentro do perímetro urbano, era bem feinha, mas conforme ia passando o norte da Itália, iam aparecendo os campos, com aqueles fardos gigantes de alguma colheita. 
Na fronteira com a França, entraram alguns policiais, e como foi avisado pelo sistema de comunicação, estava com os passaportes em mãos; mas eles nem ligaram pra gente.
Daí a paisagem ficou, realmente, deslumbrante. Passamos pelos Alpes e vimos cidadezinhas completamente cinematográficas, pensei como seria morar lá, a beira daqueles lagos. Nesse trajeto um passageiro me chamou a atenção, e não era porque era bonito ou charmoso, era porque era uma pessoa muito branca. Não albina, somente muito claro, muito louro, até os cílios eram louros.
Um bom tempo depois, chegamos na divisa com a Suiça, e entraram de novo policiais de fronteira.
Esses bem mais mal-encarados e, passando por nós, perguntou, balançando a cabeça, se estávamos com o velhinho. Disse que não. Aí, ele queria ver nossos documentos (não do velhinho). Foi um tal de procurar passaporte, escolher o brasileiro (porque tinha o espanhol), e tira coisa da bolsa, e põe coisa na bolsa, e o homem ficando impaciente.
Perguntou, em francês, qual nossa nacionalidade.
"Brasilianos", respondi em italiano.
Aí, ele tentou falar com um inglês, inteligível. Por fim, foi embora.
Com a viagem chegando ao fim, estávamos muito falantes e o velhinho já se sentia da família.
"Põe o dedinho aqui", disse, indicando a parte de dentro da mesinha.
O Vitor colocou e o homem fechou, pegando o dedo dele.
Fiquei sem reação. Percebi que não foi por querer, foi aquela brincadeira besta que dá errado: o homem pensou que ele ia tirar e o Vitor achou que ele não ia fechar.
Eu ri, o homem ficou sem graça, e o Vitor com o dedo dolorido.
Acabou a viagem e o Cinho já nos esperava na estação.
Agora, vamos pra casa dele.

Não cabe mais, não?



Desde que eu fiquei sabendo dos trens de alta velocidade da Europa, queria andar em um. E, por fim, veio a grande chance: Optei por irmos, o Vitor e eu, de trem da Itália até a Suiça. Meus pais foram um dia antes que nós, e foram de avião, levando nossas malas, já que vieram para o batizado só com malas de bordo... depois de saberem da possibilidade de irem de trem, ficaram todos com inveja. Era mais demorado, mas estaríamos no chão, e vivendo uma grande aventura.
Nosso trem sairia às 8h da manhã. Às 6h acordamos, tomamos o suco de blueberries e o resto da pizza de ontem. Que suco horroroso... com gosto de azeite rançoso. Afff
Chegamos de táxi à estação de trem de Roma. Já conhecíamos tudo por lá, mas como chegamos com 1 hora de antecedência (e o medo de perder o trem?), então ficamos perambulando por lá. Tadinho, acho que judiei do Tiquinho nessa viagem, e não digo que seja só a da Itália, acho que foi no geral: fiz ele andar demais, fiz ele acordar cedo demais, fiz ele esperar pelos transportes demais, fiz ele gastar demais... tudo foi um exagero. E se tinha uma hora que não passava, era essa; acho que todas as 7 horas da manhã do mundo são complicadas. Depois de ir e vir, e não ter nada aberto, e nem um pedacinho de chão limpo (penso que os romanos ainda pensam que estão na idade antiga, em matéria de limpeza), resolvemos parar e estacionar numas cadeirinhas mequetréficas em frente a uma televisão informativa dos horários dos trens.
Quando, finalmente, o relógio marcou 7h50, a televisãozinha avisou: EMBARQUE TREM NÚMERO TAL PARA GENEBRA LIBERADO NA PLATAFORMA XIS.
Catei o animalzinho pela mão e saímos apressados para lá, nem parecia que tinha tempo de sobra. Claro que eu já sabia onde eram as plataformas, já sabia qual era a minha, e já tinha visto todos aqueles trens irem e virem. Tinha alguns mais malacabadinhos, mas o nosso maravilhoso era realmente lindo... azul, branco, arredondado e pontudinho. Uma graça.
Uma coisa me chocou: o trem estava, praticamente, lotado. Afff Será que o trem sai em ponto às 8h e às 7h50 já é a última chamada?
Não sei o que me deu, não lembro direito qual a linha de raciocínio de uma mãe abandonada na Velha Europa com um rebento que mal saira dos cueiros mas somente entramos. Esses trens são como aqueles velhinhos que vão até Mogi: com comunicação interna; então, uma vez lá dentro, estava garantida nossa ida pra terra das vacas fofinhas.
E anda que anda, passamos de um vagão pra outro, e tudo lotado. Ah, nosso lugar vai estar ali nos esperando... porque, se estiver ocupado, jogo pra fora do trem. Afinal, sou uma mãe com uma criança.
Chegamos no vagão, e depois, nas poltronas que estavam, oboviamente, ocupadas. Como assim?

[Tecla SAP - ativar]

"Esse é o meu lugar", falei com dozinha porque eram uns velhinhos gordinhos.
"Não, esse lugar é meu" e, como todo bompapo com italianos, tivemos que repetir, cada um de nós, algumas vezes nossas falas.
"Não, veja aqui... tem o número da poltrona" entreguei, por fim, minhas passagens.
Que dozinha... eles viram mesmo que eu estava certa. "Má come é possibile?"
Já estávamos quase chamando o SAMU quando um passageiro, que só queria ajudar, viu que as poltronas eram aquelas... mas do trem que sairia depois desse.
"Como assim?"...............???
Se já não bastasse aquela situação das poltronas, o trem fechou as portas e arrancou rapidinho. Parecia que ele estava até com pressa.
Não, não... estou dormindo... pelamordideus, alguém me acorda. "Esse trem faz parada?"
"Non"
Gente, nós poderíamos ter parado em qualquer lugar do planeta... sei lá, a Rússia, por exemplo. "PRA ONDE VAI ESSE TREM?"
Pois então, ele ia pra Milão, nosso destino também. Ninguém pode imaginar o alívio que foi.
Mas o que fazer, o que farofa? (Era o Didi que falava assim).

Alguém falou pra procurarmos o funcionário que fura os tickets (parece coisa de Harry Potter), e lá fomos nós. Dei graças pelas nossas malas terem ido pra Genebra com meus pais.
Fomos andando pra frente daquela máquina.
Enfim... o dito cujo; ou melhor, A dita cuja.
Ela não falava nem o meu mau inglês, só italiano, parecia tímida e que não queria ajudar.
Depois vi que devia ser só timidez, e que ela queria me ajudar, sim.
Expliquei tudinho pra ela (mais ou menos), mostrei nossas passagens já compradas e não usadas e todo o meu desespero.
Ela disse que perguntaria ao chefe dela o que fazer, mas que eu procurasse um lugar vago pra sentar, ou poderíamos ficar no vagão restaurante.
"Vitor, vamos pra vagão restaurante?", já vislumbrei a aventura começando.
"Sim, vamos sim", ele topou na hora.
"Ótimo . Pra esse lado...", apontei pro início do trem.
"Não, mãe... acho que ela disse que era pro outro lado.", esse mulek não sabe italiano mesmo.
Fomos pro começo do trem, até chegarmos na cabine do piloto.
Pensei em bater, vai que o restaurante ainda tá fechado...
"Eu te disse, mãe". Affff, vamos pro outro lado, então.
Não sei se o restaurante é o último vagão porque não atravessamos. Acho que depois é a cozinha.
Vejam que lindo, tão aconchegante.



Bom... essa era a imagem que eu tinha de um vagão restaurante, porque na verdade era assim:

Sem um único lugar pra se sentar, somente mesinhas para comer em pé. Talvez a mocinha tenha me dito isso, mas não consegui entender.
Ah, não... vamos voltar e procurar um lugar desocupado.
Chegamos até a cabine do piloto de novo. 
Caramba, já estava ficando cansada.
Aí, veio a mocinha dizendo que encontrara dois lugares, mas eram separados, tinha algum problema? Claro que tinha... não ia fazer a viagem longe do Vitor.
"Ele não pode ficar no meu colo?"
"Non"... afff
Depois de tanto andar, desisti do glamour: vamos sentar no chão mesmo.
Já sabia que no final de cada vagão, tinha um conjunto com banheiros; e no seu começo, araras para guardar as bagagens. Arrumamos um canto, no corredor, na frente das malas (melhor que do banheiro, né?) até chegarmos, enfim, ao nosso destino.
Fiquei pensando em todo aquele Velho Mundo e as pessoas que viveram ali, e lembrei da história de Guillaume Le Gentil; na verdade seu nome era muito mais imponente: Guillaume Joseph Hyacinthe Jean-Baptiste Le Gentil de la Galaisière.
Ele não foi um homem modesto, era um astrônomo de renomado prestígio da corte francesa de Luís XVI, mas foi muito azarado; mas, tendo em vista que, historicamente, o seu adorado monarca foi o único rei francês executado (com guilhotina ou sem ela), começo a pensar que era o azar devia estar impregnado na respiração da aristocracia da época.
Bom, ele era tudo o que alguém poderia almejar: rico, próspero, casado, amante da copeira, e da filha da copeira, e contemporâneo de um cenário celeste que ocorre, somente, a cada 500 anos: ele presenciaria o raro e místico fenômeno do "Trânsito de Vênus", quando o planeta se alinha com o Sol e é uma oportunidade única para a medição do corpo celeste. Sua melhor visualização seria na colônia francesa na India.
Despediu-se da esposa, e das amantes, e partiu rumo à aventura de sua vida.
No meio do caminho (pra constatar que fofocas não são represadas sequer em alto-mar) ficou sabendo de uma guerra entre França e Inglaterra sobre os domínios da India... melhor ir pra outro lugar... seu destino inicial,  estava tomado pela Rainha.
Quando estava próximo, novamente, de seu novo destino, soube que a Inglaterra havia chego antes ali também e não seria nada bom desembarcar: "Vambora pras Ilhas Maurício, a todo vapor, que já está chegando o dia de Vênus", deve ter dito ele, ainda que não fosse barco a vapor.
Quase conseguiram, tadinho. No dia que seria o dia mais feliz de sua vida, Arlindo Orlando estava em alto-mar ainda, e a observação científica se tornou impossível.
Mas ainda não era hora de desistir.
Não sei porque cargas d'agua um evento que ocorre duas vezes por século, teria um novo trânsito dali a 8 anos. Acho que Zeus ficou com dó do gaijo francês, e resolveu dar outra chance.
"Voltar? Jamais sem sucesso"
Rumou, novamente, para aquele seu primeiro destino da India, agora já apaziguada e, tendo tempo de sobra, construiu um observatório superequipado. Agora nada o deteria.
Finalmente, no dia da segunda chance, tudo estava certo. Ele começou a checar seu equipamento, posicionou-se e mirou suas lentes para o alinhamento perfeito... já estava quase chegando o momento quando ele percebeu que ELA chegava. 
Ela: a NUVEM.
A maledeta simplesmente estacionou ali, bem na sua frente. Le Gentil pulou, dançou a dança dos índios na India, fez promessa, fez macumba, assoprou os céus, e quando finalmente ela se foi, 3 horas depois, foi também o momento que ele ansiava.

Desesperado, ele pegou um barco, como quem pega um táxi, e foi para um porto próximo. Não deu certo.
Agora, só numa outra encarnação.
Ganhou, isso sim, uma desinteriadosinfernos que o deixou de cama por um ano. Fracassado e ainda doente, resolveu voltar para casa. 
Como desgraça pouca é bobagem, um tufão quase fez seu navio naufragar na costa africana.
Le Gentil chegou a Paris 11 anos depois de sua partida, e tudo estava diferente: 
Depois de 10 anos desaparecido, sua mulher entrou com a papelada para que ele fosse declarado morto e ela se casou com outro; a copeira mudou de emprego e levou sua filha; a cadeira na Academia Real foi passado a outro cientista; e seus herdeiros acabaram com sua fortuna.
Essa desinteria que o acamou por 1 ano inteiro fez mais estrago que somente a dor de barriga.

Pensando nesse trágico incidente, olhei para as malas que estavam nas araras bem à nossa frente, e percebi que tinha uma, em especial, no alto, tão grande, mas tão grande que se ela caisse, provavelmente me mataria. 
"Vitor, aqui esta o endereço do tio Maurício, em Genebra. Se aquela mala cair de lá de cima" e mostrei a mala, enquanto passava o papelzinho pra ele, "dá um jeito de chegar lá, tá?"
Dali um tempo gigante, e de vários passeios até o vagão restaurante pra esticar as canelas, chegamos em Milão.

07 junho, 2017

Porca Miséria !!!



Chegamos ao Maledetohel, depois de uma caminhada de bota os bofes pra fora... uma aguinha, um banhinho e depois mais comida italiana. Ai, que alegria.
Tocamos o interfone, entramos, pegamos o elevador, descemos as escadas, chegamos no portão dos quartos e tocamos, de novo, o interfone.
"blá, blá, blá,blá, blá, blá venire alla recepcione perque blá, blá, blá,blá, blá, blá " 
"oi?"
"blá, blá, blá,blá, blá, blá venire alla recepcione perque blá, blá, blá,blá, blá, blá " 
Afff, melhor ir na recepção.
Todo mundo espera aqui que eu já volto.
Volta pelo corredor, desce escadas, pega elevador, cruza todo o pátio interno, entra pelo corredor do outro lado, pega o elevador, desce escadas, e chego na recepção.

[Vou ligar a tecla SAP pra facilitar]

"Oi, a nossa chave não funciona..."
"Má voceis non eston mai naquele dormitório"
"Acho que não entendi nada. Repete tudo, por favor."
"Má voceis non eston mai naquele dormitório" Dessa vez, ele falou mais alto e devagar.
"Vixe... você pode falar de outro jeito... acho que estou entendendo errado"
Ele começou a gesticular, gritar, fazer mímica e, depois de muito tentar, acho que entendi: nossa reserva terminara ao meio dia, então eles colocaram em outro quarto; aliás bem ali, do lado da recepção... dava até pra ver a porta.
"E as nossas coisas?"
"Nói troxemo tutti"
"Peraí... eu falei ontem na recepção, pro meliante que acusou o Rodrigo de roubo, que ficaríamos mais um dia, e ele não falou que teríamos que mudar de quarto."
Va bene, pensei... mudamos, então, de quarto.
Toca a fazer todo o caminho de volta... ida e volta; isso depois de andar horrores naquele dia.
Bom... vamos ver o dito cujo.
Estava destrancado e, quando vimos, todas as nossas coisas estavam amontoadas dentro de grandes e pretos sacos de lixos, por sorte não eram usados.
Tudo, tudo que era nosso lá... roupa limpa, roupa suja, roupa dos meus pais, as nossas, o pente de cabelo, sapatos, mochilas, qualquer coisa que encontraram... tudo lá, do tipo junto e misturado.
Não teve jeito... tive um piti.
Cheguei pro recepcionista e falei que aquilo era um absurdo, como fizeram uma coisa dessas? Primeiro, mexeram nas nossas coisas sem autorização, e depois fizeram um 'nichixabi' total.
"Má sua reserva acabo... nói podia jogar tuas cosas na calçada..."
O quê ???? Não acredito que ele me falou aquilo.
Falei tanto que eu até parecia uma italiana, acho que era a convivência desses dias... era um tal de mão falar, boca xingar, saliva grudar na testa dele, sair frase em italiano, espanhol, inglês, portunhol; no final, acho que nem meus pais me entendiam... se eu fosse o casal sentado na recepção esperando sei lá o quê, acho que eu teria ido embora.
Fui pro quarto, quando eu percebi que ele ficou mudo.
Rearrumávamos as coisas, e víamos se não sentíamos falta de nada, quando o Vitor pediu pra ligar a televisão. Cade o raio do controle?
"Mãe, quando ele veio aqui, ele levou?"
"Ele não pode ter feito isso". Acho que minha cara deve ter se transformado porque até o Tiquinho estava desistindo de assistir.
Tadinho do italiano.
Pensando, hoje em dia, ele parecia um rapaz bom, talvez ele não fosse como o do outro dia... mas quando ele fez aquilo, virou pessoal.
"QUERO O CONTROLE DA TV", falei com fogo saindo dos olhos.
O erro dele foi querer dialogar comigo dizendo que as mulheres que arrumam o quarto não tinham encontrado o controle da TV do outro quarto.
"Quando você sai pra passear, você costuma levar o controle da sua televisão? Eu não saí pra ver o Coliseu levando o controle da TV dentro do meu bolso. Se elas não acharam, não é problema meu, não fui eu que saí daquele quarto por último. E o meu filho quer assistir televisão. EU QUERO O CONTROLE"
Ele ia reclamando muito enquanto eu saia com o controle que ele havia me dado... ainda voltei pra dizer que na saída eu não pagaria por ele... nem adiantava ele me cobrar.
"Isso non vale ni 10 dolares", esnobou ele.
"Nem que valese 100! eu não vou pagar"
Pra sorte dos meus pais, eles iam embora dali a pouco.
Fomos até a estação de trem, porque eles iriam de trem até o aeroporto.
Vi direitinho como fazia porque no dia seguinte seríamos nós que faríamos uma aventura intrépida: viajar de trem super rápido até Genebra, na casa do Cinho. Uh-huuu.
Estava estasiada com aquela possibilidade.
Meus pais se foram e nós também: pra Fontana de Trevi.
Descemos na Piazza Di Spagna e em 10 minutinhos era pra chegar... mas que nada. Foi um roda, roda que a gente se perdeu: o Tiquinho e eu.
Tiramos até foto numa fonte bem bonita... bem podia ser aquela, mas não era. e um bom italiano nos disse como chegar.
Chegamos mesmo, e foi outra surpresa às avessas: a Fontana de Trevi é linda, mas parece enterrada, porque ela fica numa rua abaixo do nível normal das outras ruas, tipo uma gracinha que fizeram só pra detonar com a gente no futuro, que é agora, e tem taaaanta gente que foi o 'ó' pra tirar foto e parecer que não tinha mas ninguém lá, somente o Vitor, eu e Fefê (Frederico Fellinni).
 
    Perdi a foto. 


31 janeiro, 2017

Tudo por um sonho...




A águia, poderia viver até os 70 anos, mas para chegar a essa idade, ela teria que tomar uma série e difícil decisão por volta dos 40 anos. Nessa idade, ela está com as unhas compridas e flexíveis, impossibilitando caçar suas presas para se alimentar; seu bico alongado e pontiagudo, já se torna curvo; suas asas estão apontando contra o peito, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar está se tornando uma tarefa difícil.
Então, a águia só teria duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar cerca de 150 dias.
Esse processo consistiria em voar até o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão. Após encontrar esse lugar, a águia começaria a bater o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Esperaria, então, nascer um novo bico, com o qual arrancaria suas unhas.
Quando as novas unhas começassem a nascer, ela passaria a arrancar as penas velhas; e somente depois de cinco meses, ela sairia para o voo da sua nova fase.
E poderia viver, então, por mais 30 anos...
Mas pra que se contentar com uma miséria de 70 anos? 
A lenda da fênix que ressurgia das cinzas foi inspirada, provavelmente, na lenda primeira da renovação premeditada da própria ave que é ela: a águia. 
Este animal mágico viveria por até 97.200 anos e, diziam as más línguas, que uma única lágrima sua poderia curar qualquer enfermidade ou doença... diziam mais: que as cinzas, nas quais ela renascia, tinham o poder de ressuscitar até morto! Vai ver que é por isso que o imperador romano Heliogábalo (203-222 d.C) decidiu comer carne de fênix a fim de alcançar a imortalidade... tem italiano pra tudo... como ele não achou carne de fênix (dã), comeu carne de ave-do-paraíso mesmo. 
Não funcionou... e foi assassinado pouco depois.
Aliás este episódio marcou não só a inocência, como também o 'jeitinho' italiano (e isso foi bem antes do 'jeitinho' brasileiro). 
A 23° edição da Bienal o Humor em Tolentino, bem na panturrilha do mapa em formato de bota, disse que os italianos mentem todos os dias; e mais... deu números: 25 mentiras por dia, em média. (Mentirinha... são somente 5 por dia!). Tem dia que mais, tem dia que menos. Vai ver que é por isso que eles já caíram em tanta lorota.
Roma é uma dessas cidades fascinantes, com muito menos glamour do que eu esperava e muito mais italianos... gentis, bobões... de tudo um pouco.
No dia seguinte ao batizado, estávamos livres para irmos por aí.
Eu já sabia de uma lanchonetezinha, andando uns 3 quarteirões por trás do Maledetotel, e comprava nosso breakfast ali mesmo, defronte uma praça aberta no meio do quarteirão. Entrava falando 'Ciao', e saia falando 'take away'.
Decidimos, caláro, ver o Coliseu Romano. 
A ida já foi uma festa, tinha monumentos,igrejas, lojinhas e bares antigos, junto a lojas de grife; meu ponto máximo foi o lugar que a Diane Lane, interpretando o papel da apaixonante Frances ('Sob o Sol da Toscana') parou, deu uma voltinha e seguiu seu caminho, bem na frente do Monumento a Vittorio Emanuelle II. Eu me senti, profundamente, naquele momento, em algum lugar considerável, no velho mundo.
Andamos uns 5 quilômetros (mentira... acho que foram só 2) até chegar ao nosso destino e me pareceu que o Coliseu era bem mais pequenininho que eu pensava... achei que toda aquela pompa romana caberia lá dentro. Devo ser megalomaníaca, porque quando falam que em tal espaço cabem 20 campos de futebol, eu imagino uma aquele descampado da savana africana, só que com grama verdinha; tipo a perder de vista. Quando falavam do tamanho do Coliseu, era a mesma coisa... 



Qual não foi nossa surpresa ao chegarmos ao dito Coliseu, que não era grande, mas que tinha a maior fila de todos os tempos!!!
S'Ormindo já queria desistir, nem que a vaca tossisse ele ia enfrentar aquilo tudo (cof, cof). Até que descobrimos que, se pagássemos para um guia turístico poderíamos furar a fila, ter umas aulinhas do que acontecia ali, e ainda nem precisava pagar a entrada (oi? tá louca?), tudo por uma ninharia... era só penhorar os molares do fundo; mas quem precisa de dentes ali? Fomos lá com a nossa guia oriunda italiana que sabia falar grego (mentira... ela falava espanhol com o grupo).
Ela contou tudo o que eu pesquisei depois e vi que estava certa. 



O ruim é que eu queria o lugar pra mim, não queria dividir com aquele monte de gente que fica fazendo pose e não deixava eu tirar as minhas fotos, era um saculejo, um empurrão de cotovelos... aff... nem dava pra sentir a energia do lugar. Pensando bem, talvez tenha sido melhor assim... já penso demais em leão, acho que não preciso de mais inspiração.
Roma Antiga foi erguida sobre 7 morros de diferentes alturas; e, por pior que seja ter que acreditar, e isso não é mentira, o monte Velio, um prolongamento do monte Palatino ao monte Esquilino, foi completamente aniquilado. Diz-se que esse monte dava a todo o lugar o clima de 'sagrado' e foi desmantelado para a passagem da Via dei Imperio, do Duce (alcunha de Mussolini).
Aquela situação, realmente, pegou minha surpresa e arremessou na parede: fiquei pensando o que mais poderia ter acontecido, e veio a resposta: para abrir a grande avenida por onde poderiam passar toda a sua demonstração de força militar, existia uma fonte, que só não era mais antiga que a maçã que Eva deu pro Adão; parece que ela era linda, só que estava no lugar errado, porque era por onde o ego dele passaria arrancando tudo. Parece mentira de italiano, mas é verdade. 
Esses italianos já tiveram a Era da 'aquila romana', na antiguidade; da aquila do Duce (MaleDuce...hihihi), na modernidade e, para fechar com chave de ouro das malandragens políticas, a Era Berlusconi... tudo bem que esse não levava águia em insígnia alguma, mas suas garras eram tão fortes que podiam agarrar piranhas, gazelas e até vacas (blé)... mas, depois de uma deputada como Cicciolina, um presidente como Berlusconi não é nada.

PAUSA para Momento Mea Culpa
[O que é que eu estou dizendo??? Depois do Tiririca ter se desiludido como deputado (alguém acredita em palhaço triste?), a dupla Lula e Dilma pode surpreender ainda?]
DESPAUSA para Des Culpa

Bom, deixa pra lá... depois de rodar feito peão e se encantar com tudo, o que faríamos, o que farofa? Nossa guia-nada-boba engatou um pacote com outro guia, italianíssimo oriundo da Venezuela, que nos levaria aos arredores. Esse guia era uma piada... toda hora, ele parava de mostrar para atender o telefone com chamada internacional (da Venezuela, onde ficara sua mãe e filha) até que, numa determinada hora, parou de tocar. Caiu o sinal de Hugo Chávez e as nossas esperas por atenção.



Só andamos mais uns 300 quilômetros dentro da Via Sacra, passando pelas ruínas do Forum Romano, adentrando entre os palácios de nem sei quem morou lá; eram ruínas, passagens subterrâneas (agora desenterradas), mostrando toda a mentalidade de auto-preservação do poder a qualquer custo. Jardins, com toda simetria e prédios adjacentes, saunas, banheiros, salões, corredores por onde passaram escravos com comidas e todas as outras extravagâncias que os poderosos exigiam.
Numa dessas passagens subterrâneas, o guia nos mostrou o lugar onde Júlio César teria sido emboscado, esfaqueado e proclamado sua frase tão emblemática: "Até tu, Brutus?", e foi num corredor de serviçais. Mas depois que o ex-prefeito de Ferraz, o Dr. Jorge, foi pego junto com o irmão fugindo por um dos canos de infraestrutura de pluvial, vestidos de mulher... isso mostra o quanto o ser humano pode se rebaixar; e o quanto as pessoas podem emburrar, porque ele foi eleito prefeito numa outra ocasião novamente.
Mas, continuando... em Roma, nosso guia estacou, num determinado instante e perguntou: "Existem duas coisas aqui que não combinam como lugar, o que seria?"
Todo mundo parecia um grupo escolar em aflição, ficamos olhando em volta, mas ninguém falou nada.
Aí, ele comentou sobre uma arvorezinha, encima de um morrinho nada-a-ver de terra, e um pequeno palacete bem moderno, no meio daquele lugar.




A arvorinha no morrinho indicava um ponto geográfico onde arqueólogos destacavam um lugar a ser explorado no futuro, quando houvesse tecnologia que não agredisse o local; e a construção, era uma casa das casas do MaleDuce (não sei se moradia ou pra despachos), que protagonizou uma foto famosa, e se via mesmo, na portada, a águia nazista; seu subsolo pode conter restos de um mundo muito mais distante que a antiguidade, a Era paleozóica. Hoje em dia, funciona o Museo Palatino lá.
Mussolini queria entrar pra prosperidade, e o carcamano conseguiu.
Voltamos a pé, praticamente mortinhos da silva para o nosso Maledetotel... no dia seguinte, bem cedinho, meus pais voltariam pra Suiça; o Vitor e eu, ficaríamos um dia mais, para então, partirmos para a maior de nossas aventuras: o Trem para Milão!