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08 junho, 2017

Pode deixar... tô ligada.



Chegando no terminal de Milão, não tínhamos tanto tempo assim de sobra, então fui até a plataforma indicada e, antes de entrar no vagão, tomei minhas precauções: perguntei pra umas 3 pessoas que estavam entrando se aquele trem ia pra Genebra.
"Sí. Ginevra"
Mas entramos mesmo só depois que mostrei a minha passagem pra um casal que entrava e ele me garantiu que estava tudo certo. Pelo menos se estiverem me enganando, já tenho alguém pra jogar pra fora pela janela.
Fomos até nossos assentos. Estavam vagos. O trem estava vago. Ainda confirmei mais uma vez... até o Vítor já estava me convencendo que o trem era aquele mesmo.
Não estávamos na janela... uma pena. Mas ninguém estava sentando do nosso lado.
O esquema das poltronas era bem legal: cada lado do trem tinha mesinhas dobráveis com 4 poltronas, e as nossas eram as 2 do corredor.


Até que veio um senhorzinho e sentou na janela.
Ele ficou caladinho até o trem andar, aí desatou em falar. Acabamos nos rearranjando, e o Vitor nem quis ficar na janelona, o negócio dele era montar e desmontar o seu brinquedinho Lego que comprei no aeroporto da Holanda.
O velhinho era italiano casado com uma espanhola.
Eles moravam em Andaluzia e seu nome era Ricardo.
(Marido, não leia... mas viajei com o Ricardão... kkk)
Ele tinha passado na Itália pra ver alguma papelada e estava agora indo visitar o filho que morava na Suiça. Ele foi bem agradável.
A paisagem, ainda dentro do perímetro urbano, era bem feinha, mas conforme ia passando o norte da Itália, iam aparecendo os campos, com aqueles fardos gigantes de alguma colheita. 
Na fronteira com a França, entraram alguns policiais, e como foi avisado pelo sistema de comunicação, estava com os passaportes em mãos; mas eles nem ligaram pra gente.
Daí a paisagem ficou, realmente, deslumbrante. Passamos pelos Alpes e vimos cidadezinhas completamente cinematográficas, pensei como seria morar lá, a beira daqueles lagos. Nesse trajeto um passageiro me chamou a atenção, e não era porque era bonito ou charmoso, era porque era uma pessoa muito branca. Não albina, somente muito claro, muito louro, até os cílios eram louros.
Um bom tempo depois, chegamos na divisa com a Suiça, e entraram de novo policiais de fronteira.
Esses bem mais mal-encarados e, passando por nós, perguntou, balançando a cabeça, se estávamos com o velhinho. Disse que não. Aí, ele queria ver nossos documentos (não do velhinho). Foi um tal de procurar passaporte, escolher o brasileiro (porque tinha o espanhol), e tira coisa da bolsa, e põe coisa na bolsa, e o homem ficando impaciente.
Perguntou, em francês, qual nossa nacionalidade.
"Brasilianos", respondi em italiano.
Aí, ele tentou falar com um inglês, inteligível. Por fim, foi embora.
Com a viagem chegando ao fim, estávamos muito falantes e o velhinho já se sentia da família.
"Põe o dedinho aqui", disse, indicando a parte de dentro da mesinha.
O Vitor colocou e o homem fechou, pegando o dedo dele.
Fiquei sem reação. Percebi que não foi por querer, foi aquela brincadeira besta que dá errado: o homem pensou que ele ia tirar e o Vitor achou que ele não ia fechar.
Eu ri, o homem ficou sem graça, e o Vitor com o dedo dolorido.
Acabou a viagem e o Cinho já nos esperava na estação.
Agora, vamos pra casa dele.

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