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08 junho, 2017

Férias de verão - 2012



Eu não contei antes sobre as minhas férias de verão, porque não tive tempo. Aconteceram tantas coisas e eram tantas coisas pra contar, que eu precisava estar inspirada e de fôlego renovado (tudo bem que demorou meros 5 anos pra isso acontecer e ainda me pergunto se superei tudo).
Bom, tudo começou com uma prova de esperteza minha de dar inveja ao Soneca, o da Branca de Neve... deve ser um parente distante meu, aliás... Adivinhem ONDE eu fui buscar uma pousada? Na internet.
Opções de pesquisa: apartamento (ou casa), com cozinha, para 5 pessoas, praia do Una, São Sebastião, Toque-Toque Pequeno... caramba... tudo muuuuito caro. BUT, como quem procurava era EU, eu achei um apartamento, maneirinho, bonitinho (tudo branquinho), novo e distante 750m da praia. Tinha tanta opção (laguinho, montanhas, trilhas, cachoeiras, bicicletas, pescaria, surf, etc), pensei: "Achei o lugar".
Fomos para a Praia de Juquehy. litoral norte de São Paulo.
A cidade é feia pra dedéu, ou pelo menos era, naquela época: uma rua principal com algumas saídas para a praia que eram todas de paralelelípedo mais ou menos assentado, em eterna reforma, e o resto era só aquele areião batido, cheio de buracos.
O meu Bãrids já torceu o nariz... mas só se eles me enganaram.
Chegamos, aos sacolejos, na 'pousada' sem nome, na Alameda Galo da Campina, 100.
Na verdade, era um prédio horizontal de dois pavimentos onde um proprietário colocou para locação na temporada.
Mas a nossa habitação, essa sim, era uma graça... igualzinha como na propaganda.



Entramos pela micro sala em conceito aberto com a cozinha, toda equipada e limpinha; de um lado a escada pro quarto no mezanino, e do outro lado, o banheiro e o outro quarto com televisão. Não era nem um pouco ruim... do lado de fora, a vegetação da mata atlântica, com um riozinho sinuoso, uma área de churras e a piscina. Perfeito.
Ficaríamos 1 semana, mas só pra garantir e não deixar os rebentos com fome, trouxe comida pra 1 mês.
Quando a gente começou a descarregar o carro, os vizinhos acharam que eram moradores novos.
Rapidinho descobrimos todas as atenções: o laguinho se formava em cada poça depois que chovia, porque a gente descarregou o carro com aquela chuvinha fina; as montanhas, estávamos no seu sopé, longe de tudo e de todos (menos dos vizinhos); as trilhas, era o caminho para chegar em casa da praia e vice-versa;as cachoeiras... passa pra próxima... bicicletaria era uma oficina de bikes, entre o nosso descanso merecido e a diversão garantida; pescaria e surf, quando chegou nesses quesitos, já tínhamos desistido mesmo.
Arrumamos tudo, mais ou menos, mais menos que mais... e praia.
Demorou um tanto pra chegar, mas ela era legal... só que de tombo... Surf, né, tchonga?
Pra molecada foi maravilhoso, apesar do tempinho, que acabou melhorando. Até hoje eles lembram da praia, da barraquinha de crepe (nossa maior atração turística) e de um hamburguer do tamanho de uma cabeça que os esfomeados pediram. O Henrique pede até hoje... quer voltar lá. kkkk
Embaixo, a cama de casal com TV. O Lemão não sairia de lá por nada... se a TV tivesse alguma programação, que não tinha.
Eu fiquei com as crianças... imagina que eu vou largar meus filhos, ainda pequenos (15, 14 e 10 anos) sozinhos lá em cima? Nem que a vaca tussa (cof, cof)

Saldo do primeiro dia: Dormi num colchão de ar que deu cãimbra até no dedinho do pé.
No dia seguinte aquele sol prometia, nada poderia dar errado.
Foi nesse dia, na verdade, que descobrimos a creparia e o dono mais mal amado do mundo. Ele nos atendia com cara de quem chupou limão, e ai de quem mudasse de recheio depois de pedir (não estou dizendo depois dele ter começado a fazer, estou dizendo só depois de falar mesmo). 
Foi um dia calmo, até chegar no apê e descobrir que o vaso sanitário estava sem água.
Jisuis!!! 
Pensa num marido feliz pra consertar a caixa de descarga porque tudo que não dava era ficar sem descarga.

Saldo do segundo dia: Umas duas dúzias de baldes jogados na privada e do alto, que é para dar pressão e poder fazer aquela meleca toda ir buraco abaixo.
Bom, nada melhor que um dia após o outro. Já nem estávamos mais nos importando com os buracos, o carro indo a 5 km\h e nem a cara feia das pessoas do caminho para a praia, nem ligávamos mais pros cachorros soltos e da cara de ETs dos vizinhos (o que será que eles achavam da gente?). Uma grande decepção nem foi descobrir que os 750m da praia não era nem se pegasse a distância em linha reta, passando por cima da mata... só para ter uma ideia, dali até o Shopping Monjolo, já dava perto de 1 km..........:P........... o verdadeiro desespero bateu quando resolvemos alugar umas bikes, o que foi impossível porque o lugar era só uma bicicletaria. E toda vez que batia aquela fominha, lá ia a gente no carrancudo dos creques. 

Saldo do terceiro dia: No caminho tinha uma rodovia, e nem pensar em passeio natural... vamos quebrar as molas do carro, Bãrids. (Foi o que aconteceu: ele amassou a saia da frente quando despenquelou num buraco básico)
Fomos então ao shopping e era bonitinho mas não achei nada espetacular.
Chega de crepe por hoje, PELAMORDIDEUS!
Sim, meus rebentos comeram um hamburguer impossível de imaginar, e ainda sobrou fome pra ajudar a gente no nosso...eita, poço sem fundo.

Saldo do quarto dia: Pois é, dizem que alegria de pobre dura pouco, né? A nossa não foi pouca, não, foi bem curtida de sol. Foi aquele calor de rachar coco e não conseguir ficar na areia sem sombra. Solução: vamos comprar um guarda-sol no mercadinho que tem de tudo mesmo: carvão, esparadrapo, vela de 7 dias, cerveja, pão, remédio e guarda-sol.
Não tinha tantas opções assim, mas tinha um vermelhinho de joaninha... mas vai ser esse
mesmo, além de tudo, estava na promoção.
E toca pra praia...
Abrimos o mais novo item recém adquirido guarda-sol, que era pra ser de joaninha, mas deu pra entender o por quê da promoção: era de melancia.
Todo mundo sabe que eu não ligo para coisinhas diferentes,mas dessa vez, uma lombriga mexeu dentro de mim. Só o nosso guarda-sol se destacava naquela calmaria de outros guarda-sóis. Descobrimos que viramos ponto de referência na praia quando, enquanto saíamosdo mar, o guarda-sol saiu voando e um homem lutou pra pegar o bichinho e infincar no mesmo lugar, do tipo, o cara realmente se empenhou. Agradecemos, mas aí ele explicou que era importante pra ele também porque os filhos dele, caso se perdessem, tinham que esperar no guarda-sol de melancia.
Isso só nos fez ficar com aquela cara de samambaia: será que a gente ainda agradecia ou cobrava?

Saldo do quinto dia: Tantos dias num só lugar, já estávamos praticamente caiçaras. Tinha dado umas garoinhas, mas e daí, né? Alguém amanheceu com a garganta raspando, tinha poça de água em cada buraco da pousada até a praia, tinha a rodovia no meio do caminho, mas pra que se apressar pra praia? Vamos curtir a piscina e o riozinho da própria pousada.
Na piscina ficamos pouco, porque veio uma família estranha, com jeito esquisito e música sertaneja desespero. Vamos pro riozinho, e aí vimos que era uma valeta de concreto de uns 1,20m mais ou menos com um riozinho de meio metro. A valeta começava no pé da montanha e seguia embora, cortando o terreno. Samambaias e outros matinhos caiam que nem paisagem de filme... era bonito. Toca todo mundo dentro do rio pra uma aventura legal.
Já estávamos na metade do riozinho quando começaram os borrachudos, eita pernilongo do capeta... aquilo morde doído, e aí ainda chegou um cabra pra dizer pra gente que, quando chove na cabeceira, vem água muito forte.
O passeio do riozinho foi curto. Saímos depressa e fomos pra praia mesmo encarar o cara dos crepes pra mais uma batalha.

Saldo do sexto dia: A gente já ia embora no dia seguinte, uma semana já estava ótimo pra descompor as energias, e foi nesse dia que andamos um pouco mais pela praia e achamos um bar que tinha música ao vivo e um polvo simplesmente maravilhoso. Foi caro mas valeu muito a pena. O cara que tocava guitarra, improvisou um sax com uma garrafinha de água cortada no meio com um filme plástico, nem me pergunte como, mas o cara fazia miséria com aquilo lá. Foi simplesmente magnífica a nossa última noite.
Pena que ela não tenha terminado por aí.
Por ser a última noite, o Lemão não queria mais dormir sozinho lá embaixo e usou de seu poder pátreo para dormir com as crianças, na parte de cima.
Tá bom, ne? Fazer o quê? Meio a contragosto, fui para o saco de dormir.
Usávamos o saco de dormir,que já tinha travesseirinho e fechávamos ele todinho com um zíper, ou seja, a pessoa ficava mumificada dentro dele.
Eu tinha acabado de apagar a luz, mas ainda era claro e pude ver, claramente, o apocalipse acontecer em questão de segundos.
Vou explicar, mas saiba que isso já me causa pânico, só de lembrar.
Estava eu acabada de me ajeitar, puxando o último pedacinho de zíper e preparando os olhos para fechar, quando escuto um helicóptero voar sobre a minha cabeça.
Por causa do calor, meu marido semppre dormia de janela aberta, e ele me convenceu a fazer o mesmo, só que uma barata gigante, dessas bem criadas, lustrosas e todas cheias de si, veio voando como quem flutua num dirigível, mas muito mais rápido, potente e intimidador.
Aonde ela pousou, eu não vi, porque meus olhos foram ofuscados pelo meu grito. O problema era o sarcófago, não dava tem po de abrir e sair correndo; a solução: fui pulando da cama até a escada. Cheguei mais rápido que o Lemão. Podia até ter ganho salto em distância, pensando agora.
Dormi com as crianças.

Saldo do sétimo dia: Na Bíblia diz que o sétimo dia era para o homem descansar... nós, pelo contrário, fizemos a maior bagunça: praia de manhã, crepe de despedida e arrumar bagunça, deixar bagunça e voltar para casa.



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