RSS
Mostrando postagens com marcador tortura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tortura. Mostrar todas as postagens

29 junho, 2016

Nada é impossível!



Superei muitas coisas nessas viagens que fiz: o banco apertado, por horas, do avião (nada de glamour como eu pensava quando era pequena), o inglês arretado (o meu, claro), os tombos (fica quieto,Vitor!), as comidas boas, as pessoas estranhas (mas interessantíssimas) que esbarramos pelo caminho, as histórias... Viajar é bom, mas voltar pra contar é melhor.
Quando me vi, estava lá eu em Barcelona, com aquele sotaquinho familiar e um monte de coisas, fora do meu controle, acontecendo. Eu era uma turista! Enfim, uma definição de mim mesma para chamar de minha.




Vi uma moça tirando foto na frente da loja de vestidos tipicamente flamencos (nada a ver com Catalunya, mas que se dane... turista, pode!), quando íamos tomar café da manhã, ou o 'esmozar'.




Algumas pessoas me marcaram de uma forma impressionante, e uma delas foi o meu irmão Cinho. Affffff..... quando você tem a oportunidade de ver a irmã gêmea do Mister Bean? EU VI !!! Ela era atendente de uma lojinha de bugigangas que ninguém compra (tipo bússula velha numa loja empoeirada para turistas), bem na esquina da Plaza de Catalunya, onde tudo acontece, com o começo das Ramblas, onde tudo acontecia segundo a minha yaya. Lá era o point. Mas o meu irmão não quis fazer uma pose dentro da loja para eu tirar uma foto dela por trás. Que chato ele, não?
Por outro lado, tirei a foto da costureira d'Os Incríveis, a Edna:






Ao vivo, parecia até mais.
Mas nessas viagens nem tudo são emoções felizes. Na mesma esquina da loja de quinquilharias da irmã do Mr. Bean, na calçada, estavam dois imigrantes que poderiam ser árabes ou turcos, algemados ao lado de policiais esperando para serem deportados.
Nessas situações, não há despedidas de quem fica, não se pega pertences escondidos em algum casebre no fundo da periferia. Só se perde uma vida.
De início, tanto meu irmão e eu não havíamos percebido e ficamos esperando o resto da família até bem perto deles. Quando vi, um deles nos olhava com aquela sensação de que nós éramos bem quistos lá, ainda que não oriundos de lá (falávamos em português), mas éramos felizes e com uma vida boa. Diferente da dele.
Outro episódio muito triste foi na despedida do nosso primo Josép, nas ramblas também, quando estávamos somente o Vitor e eu.
Vínhamos conversando todos nós, mais a Pilar, que nos acompanhava.
Estava frio e já escuro, com uma quase garoa fina e, no chão, encolhido com a cabeça no meio das pernas, um garoto que devia ter uns 20 anos, chorando copiosamente. Provavelmente ele era pedinte mal-sucedido, por ser um turista-mochileiro-sem-grana... essa foi a impressão que eu tive. E fiquei de coração apertado. Será que a família dele sabia o que ele estava passando? Parecia um choro de 'o que eu vim fazer aqui e por quê?'.



17 setembro, 2010

Queimadura de primeiro grau



Olha situação:
Domingão, 05 de Setembro, 3h da tarde, maridum e eu sentadinhos esperando a vez de sermos chamados pelo médico.
Sim, eu estava segurando uma vasilha e dentro dela tinha leite e, sim, eu estava com as duas mãos lá dentro. O segurança da portaria me olhava desconfiado. As outras pessoas na espera pareciam que cochivavam... aposto que muitas delas queriam saber o que tinha acontecido e qual era aquele remedinho caseiro maravilhoso que me fazia pagar o maior mico, mas aliviava minha dor.
Sim, eu queimei as mãos porque eu piquei muita pimenta. Eu faço geléia de pimenta e, da última vez que eu fiz geléia pro Marcos, esqueci de levar... brilhante idéia: como meus pais estavam por aqui, resolvi fazer uma rapidinha pra eles levarem. Fala sério... uma receita só pra quem já vai ter que picar pimenta não é nada... vou fazer duas que assim fica uma pro Phalalávius que eu já prometi a um tempão.
Lava todas, tira o cabinho, tira as sementes e pica beeeeem miudinho. Se passar no processador vira pasta, e isso eu não admito na minha geléia. No meio do processo, eu já senti um quentinho, mas tava gostosinho. Continua, Maria.
Quando botei tudo no fogo, eu já não aguentava mais. Foi me dando uma queimação que só de olhar, já doía.
"Lemããão, me socorre que eu tô morrendo... tô sentindo ardor de pimenta até no cérebro" (tá certo que eu ia dizer outra palavra que começava com c também, mas achei mais apropriado 'cérebro' mesmo). Ele, caláro, não acreditou em mim. Eu dizia, tentando ser forte, que eu ria pra não chorar, e aí ele ria também (ai, que ódio). Não consegui nem almoçar. Ele? Foi dormir. Quando eu ameacei ir pro hospital, ele correu na farmácia e comprou remédio pra queimadura. Passei. Quase morri. Ele: "Aguenta um pouco até o remédio fazer efeito". Tentei, mas não deu, não. Corri pra pia do banheiro e tirei tudinho. Enrolamos mais um pouquinho, aí ele teve a brilhante idéia de passar hipoglós... "Uai, é de assadura, né? Então vai funcionar. Passa aí." Passei. Quase morri de novo, com a diferença que, quando fui tirar na pia, não saia de jeito nenhum. Foi aí que fomo pro hospital... ele, eu, o leite e minhas mãos pintadas de branco (sei que por causa disso ninguém acreditava que era leite o que tinha lá dentro... essa história de leite se deu quando eu pesquisava receitas sobre a geléia e uma especialista falou: "tem gente que bebe litros de água... não adianta nada... o que corta o ardor da pimenta é leite"). Obrigada... o mico foi enorme... descobri depois que o leite era subjetivo... o que adiantava mesmo era a temperatura geladinha do leite. Afff.
A grande solução que me deram lá foi passar sulfa (?) na mão toda. Passei. Até que quando eles passaram, deu um geladinho... eita, coisa boa, mas depois não deu pra aguentar... quase morri de novo novamente. Corre pro chuveiro das doentes arrancar aquilo da mão. Fomos pra casa sem ter o que fazer pra me acalmar. Sei que aquele plantonista ficou chateado em não me ajudar "Sempre cuidei de queimadura de fora pra dentro, nunca o contrário"... Tadinho deu dó... de mim, né? "Acho que vou ter que dormir no carro", respondi. O ar condicionado era a única coisa que aplacava meu fogo (oi?).
Sim, o médico e o enfermeiro riram de mim.
Sim, eu fiquei com vontade de chorar (quase escorreu uma lagriminha pelo canto do olho).
Sim, a solução veio de casa: meu marido comprou xilocaína (sei lá se precisa de receita). O medo já me dominava, mas passei.
ALELUIA!!!
Dormi feito um anjo.

17 de Setembro de 2.010

mas ainda faço a receita de novo porque, no auge da queimação, queimou a geléia também.

24 agosto, 2010

Poderes Paranormais !


Preciso confessar... quem sabe isso faça que eu me sinta melhor... talvez até faça os 'acontecimentos' pararem, porque isso me aflige já há muito tempo... desde a mais tenra idade, quando tudo começou.
Não vou mais enrolar...  vou dizer de uma vez:

OLÁ A TODOS. MEU NOME É CARMINHA E EU TENHO PODERES PARANORMAIS!

Pronto! Falei! Parece até que já me sinto diferente... mais leve, quem sabe. Tirei um peso de tantos anos (peraí, uns poucos anos, digamos) das costas. 
O meu primeiro "contato imediato" foi em sonho (pesadelo, com certeza)... ou eu poderia dizer que ELA foi mais rápida que a luz, porque somente eu a vi. Aquele ser maligno me persegue desde quando eu era somente uma pequena menina indefesa. Tenho tido visões, sensações... e sinto a presença DELA... em casa, no escritório, na casa dos outros, em qualquer lugar. O mundo não está mais seguro... precisamos combater o mal.
Essa criatura é mais marrom que a Marrom-Alcione.
ELA é veloz, e gosta das trevas.
ELA rasteja, anda pelo teto, ELA pode voar... e está sempre indo em sua direção... mesmo quando você não a vê, ou a sente.
ELA tem um milhão de pernas, e antenas, e ninguém sabe quantas delas é preciso pra trocar uma lâmpada... sim... ELA é a barata. Eca!
Devo dizer que eu achava que ELA era até uma amiguinha, e cantava pra todo mundo a musiquinha que eu tanto gostava, veja abaixo:

 

(Só não sei o que esse japa está fazendo aí... meio estranho, né?)
Até que um dia, ELA me apareceu em sonhos: nós éramos pequenos, o Juca a eu, e meu pai trouxe pra casa um pedaço de cana de açúcar pra gente chupar... mas ele chegou tarde, e tivemos que deixar pro dia seguinte. E o medo dele acordar primeiro e chupar tudo sozinho? (Gulosa, eu??? Onde?). Quis dormir com aquela varetinha do lado da minha cama... mas foi só fechar os olhos e eu vi... ELA me apareceu em sonhos... e estava em cima da cana que eu tanto queria. Gritei. Meus pais vieram correndo. Fiz eles vasculharem o quarto todinho. Nada. Foi aí que eu percebi... aquilo era somente um sinal do além.
Eu pressinto desde então.
Uma vez eu ia tomar banho, e quando abri o box de acrílico fiquei apreensiva... senti algo. De repente... caiu uma coisa do alto... e passou raspando no meu nariz: uma barata. Eca!
Quando eu disse pra minha mãe... ela riu.
Mas numa outra vez, ela ficou brava: eu tinha que colocar os pratos na mesa, abri a porta do armário que parecia de vime (lembra, Mã, aquele que ia de fora a fora na parede onde hoje fica o fogão e a geladeira?) e, pressenti. Enfiei minha cabeça dentro do armário e olhei pra cima, em direção à porta. Lá estava ela: olhando pra mim. Minha mãe ficou brava porque teve que lavar todos os pratos. (Ainda bem que não fui eu... tinha um bucado)
De noite eu passava correndo pela porta da cozinha... o mal morava por ali. Um dia meu pai pediu água, ou café, sei lá, e lá fui eu... pé ante pé e tudo parecia calmo. Mas... entretanto, contudo, porém... uma bicha subiu pela minha perna, e o copo voou da minha mão. Sumi.
Pior foi o escândalo na padaria do Pepe. Estava eu lá toda felizinha, durante a tarde, pegando leite e esperando o pão que já ia sair, quando sinto algo na minha calça (Graças a Deus foi por fora... ou eu não sei dizer o que poderia ter acontecido)... era ELA novamente: a barata. Eca! Eu acho até que quem exagerou não fui eu, não. Foi o cara do caixa, com aquele mal humor característico de quem cuida de dinheiro (caixa de banco sofre do mesmo mal)... imagina se eu fui tão escandalosa assim... só falei, em soprano engasgado, algo como "SOCORRO... UMA BARATA. ECA!". Ela voou não sei pra onde... provavelmente pro mesmo lado dos leites.
Mas eu pude comprovar meus poderes na casa da Myrian, minha professora de faculdade, que eu ajudava numas pesquisas e por isso, toda semana, ia pra casa dela junto com a Érika (que tinha um Escort 3.0 novinho, era bonita, namorava o irmão da professora, e não gostava de mim. Eca!)
Tinha o banheiro social, que as visitas e o filho dela usava, ela disse que NUNCA aparecia nenhuma barata (Eca!) ali... mas era só EU chegar que as danadas resolviam dar o ar da graça. Eu já ia pro banheiro munida de todo o medo que eu tinha, e nunca tomei banho mais rápido do que lá. Vira e mexe, ela ficava lá, esperando a dita sair debaixo do trilho do box, enquanto eu trazia água quente pra espantá-la mais rápido do seu esconderijo quase que perfeito.
Teve o dia que éramos recém-casados e o Lemonito estava trabalhando do outro lado da cidade. Pois não é que apareceu uma na cozinha (diabos... a cozinha deve ser o portal). Que eu fiz? Chamar o Maridum no meio da noite, que estava trabalhando pra matar uma baratinha (ainda que gigante)? Que nada. Fechei a porta do corredor e estava colocando dez milhões de revistas embaixo da fresta da porta quando, na última, ELA aparece... quase sobe na minha mão.
Infelizmente, isso foi demais pra mim.
Ela me perseguia... porque numa cozinha com quatro portas (uma pra sala, uma por corredor_onde eu estava, uma pro corredor lateral da casa e a última pra uma areazinha de ventilação) e cerca de 18 m², como que ela ia parecer ALI ??? Não tive outra opção: peguei uma vassoura, liguei rapidinho pro Lemão e subi em cima da mesa do quarto que a gente fazia de escritório... aliás, quase em cima do computador. Ele veio, matou, me xingou e foi embora de novo trabalhar. Aquela noite, quando ele voltou, meus olhos estavam inchados de tanto chorar. Já sofri muita discriminação.
Tive uma empregada, a Lila, que era medrosa que nem eu. Ela era também paranormal: ela sentia o cheiro da bicha.
Um dia tivemos que sair correndo as duas.
Mas não a perdoei no dia em que saímos, o Lemão e eu, quase atropelando todo mundo porque ela ligou pra nós e, quando eu atendi, só escutei um grito da infame. Logo pensei o pior... ela estava em casa com os meus três filhos. No caminho, lembro que eu fui pedir, com um gesto de mão, passagem pra um carro para que pudéssemos dobrar logo à direita, e minha língua grudou no céu da boca, de tanto nervoso. Chegando lá... dei de cara com os três assistindo tv na sala. Corri pro quarto. Ela estava de pé, em cima da MINHA CAMA, dizendo que uma barata (Eca!) tinha passado em cima do pé dela. Aquele dia fiquei passada.
Realmente agora com a Iviana (Santa Ivi), minha fiel escudeira do lar, não tive mais problemas. Ela mata barata. Devo dizer que até de um jeito inusitado:
Hoje vieram buscar o sofá pra dar uma arrumadinha no dito cujo... e não é que, quando eles começaram a desmontá-lo apareceu UMA ??? Eu saí correndo, claro. Eles deviam ter medo também porque não se esforçaram muito em pisar nela... eu só escutava: "... ELA foi por aqui... não... mata ali... ai, que ela vai entrar no corredor..." Depois só um silêncio mortal. Mama mia, que aconteceu? Risos. (Risos?!) e lá vinha o corpo dela sendo chutado por um deles.
"Ela matou a barata (Eca!) com a mão!" (ECA!! ECA!! ECA!!!)
"Ai, Jisuis, Iviana... você matou a barata (Eca!) com a mão?"
"Ah, Carme, se ela entra pros quartos a gente não apanha ela nunca mais" (Verdade!) "... vou lavar a mão."
"... lava com álcool... e depois taca fogo" Ela riu... mas eu estava falando sério.
VIVA A IVI... (credo, que nojo... por que ela não usou o pé?)

24 de Agosto de 2.010

29 julho, 2010

Se eu fosse mais burra, seria mais feliz!


Bom... era só pra gente dar um pulinho no centro pra buscar as madeiras que o Lemão precisava pra acabar com as mesas do escritório (meu Maridum Queridum sabe marcenariar), só que o dito cujo daquele homem, que-só-precisa-ficar-atrás-do-balcão-escrevendo-o-que-você-precisa, escreveu só metade do pedido. Ai... difícil, né?
"Não, Maridum, não tem problema... as mesas eram pra ficar prontas o fim de semana passado, mas levamos os rebentos pra yaya... e essa semana esse remelento-filho-duma-mãe (que eu falo quase nunca palavrão) não trouxe as madeiras (numa madereira tem o quê? mamadeira??? Ah... uma má-madeira. Infame, eu sei)... não tem problema, semana que vem a gente não acaba porque vai buscar os fiinhos (as férias terminam um dia, né?), mas aí fica pra outra... que vem visita de São Carlos (eeeeeba.... essa é a melhor notícia do blog hoje), e a gente põe as visitas pra lixar. Tudo bem, então".
Já que estamos "solteiros", sem hora pra almoçar, nem nada... vamos comprar uma cozinha de ferro nas Casas Bahia, lá pro escritório? Vamos, sim... mas eu sou muquirana... vamos pesquisar preço. Affff. Foi um tal de conhecer umas prateleiras no Magazine Luiza, uns porta-copos nas ditas Casas Bahia e um monte de puxador branco, cromado, fininho e grossão do Ricardo Eletro.
Pois é... no fim da história, os meus tamancos tipo havaianês já estavam me envergando pra frente, mas eu mantinha minha pose... o Lemão quase nem percebeu as bolhas nos pés... até eu mostrar.
Olha lá (mãozinha abanando que nem rabo de cachorro feliz)... vamos no teatro hoje à noite?... 'Terça Insana'... você conhece? Não? Nem eu... mas é comédia. Oba.

Nove horas. Teatro lotado. Gente nova, tipo um pouco mais velho que adolescente... que legal! Brindamos a crescente cultura nacional.

Escuridão. "Avisamos que é estritamente proibido tirar foto ou limar sem prévia autorização do corpo pessoaartistateatro??? (sei lá... eles falaram um nome comprido para designar a si próprios). Desliguem seus celulares e bom espetáculo!!!"

Entra uma "velha"... começa a tirar sarro da terceira-idade. Olhamos um para outro, tipo quando o espetáculo vai virar comédia?

Entra "a outra"... começa a se vangloriar de ser "a outra da outra". Bom... um casal da nossa idade se levanta e vai embora.

Entra depois uma "garota que acredita no amor" fazendo par com um "cara que só queria saber de trair a esposa"; e depois é um porteiro que reclama pra um cara que não consegue se livrar dele; e depois é "a Carlota Joaquina", da Corte de Portugal, que se junta a dois policiais americanos; e depois uma quarentona que não quer ficar velha... e por aí vai.

"Marido, se você quiser ir embora a gente vai, tá?" e eu perguntei isso bem antes do terceiro quadro (a ordem acima não reproduz a realidade... aliás, nem me lebro se listei todos). Ficamos...

Uma adolescente-tardia estava sentada ao meu lado e ria, ria, ria... do quê, meu Deus, alguém pode me dizer onde está tanta graça????, essa garota estava me irritando. Ela na verdade só parou de rir quando entraram os policiais americanos que falavam inglês, tipo fucker and sucker... mas antes disso... bem antes... tinha um cara com câmera monstruosa de grande (num daqueles camarotesinhos laterais que mal dá pra ver o palco, mas que se vê bem a platéia) e toca que tira foto daqui, tira foto dali; e ele viu a dita mariposa apaixonada do meu lado tirar foto do seu celular... mas não deu outra... em um ou duas frações de minutos, ele dizia... bem nítido e sem nenhum torpor... do corredor da platéia, virado para o meu lado (bem ao meu lado, diga-se de passagem) que "NÃO PODE TIRAR FOTO DO ESPETÁCULO". Ela: "hãããã???". Ele, de novo: "NÃO PODE TIRAR FOTO DO ESPETÁCULO". Como ele iria repetir até que ela entendesse, ela resolveu entender logo.

Acabou a 'comédia' (teve mesmo???). O quadro que eu mais gostei, o último, foi de um cara, o mais velho da trupe, que fazia mímica daquela musiquinha infantil da "Velha a Fiar".




Legal.

"Marido, vamos embora que senão a gente ainda vai ficar sem carro"... sim, porque o cara do estacionamento disse que ficariam abertos até 15 minutos depois que acabasse a peça.
Ah... tudo bem. Então vamos comer, né? Procuramos um restaurante japonês lá no Boulevard... um já estava fechando e o outro parecia que não era legal. Vamos no da Presidente? Vamos. Chegando lá... um garçon puxando o banquinho do guardador de carro pra dentro. "Moço... já fechou?" "Fecha à meia noite, mas pode entrar... faltam ainda uns 17 minutos" Olhamos um pra cara do outro e toca outro rumo na vida: barzinho... restaurante já não deve ter mais. Andamos, andamos... "Ahhhh... lembrei de um", o Lemão falou. "Ufa! Pensei que ia ser miojo em casa mesmo", pensei.
Vinho com lasanha. Ôh, delícia. Nessas horas a gente pensa em quem? Na família. Na impossibilidade de ligar pras crianças (em casa, pelo menos, eles dormem cedo), vamos ligar pra Rose e pro Marcos? Vamos. Nossa, sei que a gente ligou pra falar alguma coisa de bar... mas acho que eu já estava bêbada porque não consigo me lembrar. hihihi só acho que atrapalhamos um filme que eles assistiam. Ôh, Rose... foi mal, hein?
29 de Julho de 2.010

13 abril, 2010

Vou morrer de emoção...


Hoje enquanto tomava banho de manhã, pensei: "Ué... cadê Maridum? Não está aqui me azucrinando! Sumiu, né? Deve estar tomando café". Saí e, no corredor, dou de cara com quem no computador?? O próprio. Desde sábado ele não é mais o mesmo (ou foi domingo?)... ele foi num clube de xadrez (dia da inauguração teve até champagne francesa... e eu não fui...:( fiquei cuidando dos rebentos) e, depois disso, só quer saber desses joguinhos virtuais. Ainda bem que não se aposta dinheiro (nem esposa... ui) porque do jeito que ele anda perdendo... afff. Ele já foi campeão dos jogos abertos do ano de 1.900 e bolinha... mas agora, só pra você ter uma idéia, o primeiro nome dele era PATÃO aqui na internet... alguém tem moral de perder pra um Patão? Agora, pelo menos, ele mudou pra Jack Lemon... Bandeira da vitória? Só a quilómetros de anos-luz. Tá bom... é meio mentira... hoje mesmo ele ganhou; mas foi por minha causa, embora ele nunca admita (tá bom, você admitiu!_Sei que ele vai ler isto) e foi assim:
"Marido, vai jantar, vai. Sei que você está com fome."
"Calma... agora eu tô ganhando..." (Não acreditei)
Meu marido tinha somente o rei (ufa, né?), dois peões, uma torre e um bispo; mas o outro devia ser o patão novato da vez... um tal de Luis-Carlos (tadinho... e ainda colocou o nome) tinha o rei, um cavalo e um peão. E MESMO ASSIM A PARTIDA AINDA DUROU UNS 20 MINUTOS.
"Pelo amor de Deus, Marido, mata ele logo"
♪ ♫ ♪ ♫ "Xe-qui-to, xe-qui-to" ♪ ♫ ♪ ♫ (ele cantou no primeiro xeque)
Que bom... vai acabar logo, pensei eu.
O cara só tinha duas opções: ou mexia o rei ou o cavalo...  e ainda demorava uns dois minutos pra decidir.
Dali a pouco, meu marido: ♪ ♫ ♪ ♫ "Xe-qui-to, xe-qui-to" ♪ ♫ ♪ ♫
Depois de outros minutos, outro ♪ ♫ ♪ ♫ "Xe-qui-to, xe-qui-to" ♪ ♫ ♪ ♫
E depois mais uns outros quatros ♪ ♫ ♪ ♫ "Xe-qui-to, xe-qui-to" ♪ ♫ ♪ ♫
AAAAaaaaiiiiiii... aquilo já estava me irritando.
"Caramba... ele está me dando um xeque agora" Nem acreditei que, só com o rei e mais uma ou duas peças cada um, o cara ainda tinha esperança.
"Pára de dar sobrevida pra ele... MATA ELE LOGO... " quase gritei em fúria.
"Calma... pra que tanta pressa?"
"Quero escrever no meu blooooog"
"Ah, não... peraí que eu vou ganhar e, se ele pedir revanche, eu não vou dar... que nem um outro que ganhou de mim fez comigo. hehehe" ! hehehe
"Ah, tá bom, tá bom, mas joga logo aí"
"Nossa... agora ou eu perco o bispo ou o meu peão" (ele tinha TUDO isso)
"Ai, Marido, come o cavalo dele logo com o peão"
"???" [Maridum pensando] "Sabe que você tem razão... não tinha pensado nisso..."
Ele gasta os miolos com tantos cálculos que não vê o óbvio.
Depois de mais duas jogadas, o Luis-Carlos só tinha o rei... que ia da direita pra esquerda, e da esquerda pra direita... nossa! Quanta emoção.
"Ganhei... ganhei... uh-huuu"
" ! " (eu) "... então, tá... saí logo daí..."
"... mas peraí... ele vai pedir revanche..."
[espera, espera, espera]
"Não pediu, não! Vai jantar"
Ele foi.
:)

13 de Abril de 2.010

07 abril, 2010

... é comigo ??? Não vi nada, não !!!


Apesar do que tudo indicava, não apareceu nenhum leão, nem nenhum outro bicho estranho (afora as A6, claro) pra nos atazanar... acho que aquela noite eu dormi de verdade. E hoje seria a nossa última noite daquelas férias parasidíacas (pra dizer a verdade, já tinha sido a última, a noite passada... mas tudo bem... vambora pra pousada do lado, que lá tem vaga. :)
Eita lugar liiiindo. Nada de broches na parede, nem de ficar tomando banho com a brisa notúrnica adentrando pela janela inexistente, e muito menos sem o Danado rondando nossas almas enquanto a gente dormia. Que nada... uma comida ma-ra-vi-lho-sa... com chef de cozinha e tudo... pousada 5 estrelas aquela.
Como eu sei dos meus leitores incrédulos, fiz um tour de 360° da porta da varandinha do quarto que ficaram meu marido e filhos... NÃO, EU NÃO FIQUEI NAQUELE QUARTO! (Explico depois... bateu uma deprê...)






Ai... melhor contar logo.
Fizemos a despedida na prainha do pastor-pescador... comidinha boa, gente bacana e um lugar pra gente descansar muito tranquilo. E aí veio a questão: ou a gente ficava na pousada do lado, ou voltava pra marina, e pra casa (snif!): a decisão foi a pousada vizinha. Perai... falta a injeção do Bibi. O Marcos nos levou até a vilinha e já eram mais de 18h... e a mulher não tinha voltado. Deve ter dado alguma coisa errada, com certeza... e agora? (Desespero de mãe) Agora a saída é ir até Paraty. Não lembro porquê o Marcos também queria ir até a marina, acho que pra abastecer, sei lá. Tudo bem... a gente vai até lá, abastece, dá a injeção e volta pra pousada. Beleza. Tchau, Família... voltamos logo, tá?
Fomos a Tia Rose, o Tio Marcos, o Bibi e eu.
No meio do caminho começou a chover (e eu a rezar o terço...), é uma sensação horrível de proa levantando (nós descemos pra cabine enquanto somente o Marcos se molhava lá em cima), o baque seco das ondas batendo no casco, por sorte eu não me lembrei de nenhum naufrágio naquela hora (só do raio do Titanic... a cena que mais me chocou foi a mãe botando os filhos pra dormir enquanto o navio ia a pique... que sentimento de amargura, credo!)... esquece o filme... não vai acontecer nada, vai dar tudo certo, a marina é logo ali... e afinal de contas, o capitão é o meu irmão... nada poderia dar errado. Graças a Deus, chegamos sãos e salvos. Bom, hora de limpar o barco. Ajudei no que pude, mas não deixei de dar minhas gafes... tipo jogar água salgada pra limpar o chão, e coisinhas assim (tem hora que é até bom não ter memória muito boa).
Depois de tudo, que pareceu interminável (o dia não acabava... "tenha cuidado ao pedir algo pra Deus... Ele pode te atender" hehe).
Fomos para o centro, o Marcos o Bibi e eu. O meu irmão não estava legal e também precisava comprar remédio. A farmácia de plantão era bem na entrada do Centro Histórico, compramos o remédio dele e ficamos sabendo que o cara  não aplicava injeção... mas perai... CADÊ A P&@%$$ QUE P%@@#!* DA RECEITA?. Ficou na outra bolsa... quando não consegui aplicar na vilinha, e só iríamos até Paraty e logo voltaríamos, deixei minha bolsa na pousada... AAAAAiiiii... e agora??? (Desespero de mãe) Meu irmão tentou me acalmar, dizendo que a gente daria um jeito... ele era a quem eu me agarrava naquele momento, e eu rezava pra que desse tudo certo. Quem, nessa cidade, pode aplicar uma injeção que é um medicamento controlado, numa criança, sem receita e sem documentos pra eu provar que eu era a mãe dele? Ninguém! Eu me sentia culpada. [Vai, maluca... puxa os cabelos, pula do viaduto, morde o dedo do pé] Bom... pensa... o hospital. Se alguém poderia me ajudar, seria lá. Fomos, então. Agora eu só teria que contar a história, esperar que alguém acreditasse em mim e implorar pedir que o médico aplicasse, ou autorizasse alguém a aplicar a injeção no Bi. Senta, espera... tem ainda bastante gente na frente. O Marcos? Ficou no carro. Estava falando com o sócio dele que, por um acaso, também estava em Paraty. Dali um tempo, o meu irmão me chama e disse que um dos amigos que estavam com o sócio dele era médico e ia aplicar a injeção. (Acho que vou chorar). O Marcos ficou no carro e nós dois fomos direto à Pizzaria da Cidade, procurar a mesa em que eles estavam. Achamos, era a última. Somente quando eu cheguei lá e que eu percebi o lastimável que me encontrava (sem perceber, eu acho, uma das mulheres me deu uma olhada de cima até embaixo, sabe... daquele jeito que até torce o nariz?), mas também... veja a cena: uma mãe desesperada, quase chorando, com uma saída de banho com o biquini (que estava desde cedo) ainda por baixo, um filho numa mão e uma caixinha de remédio na outra... afff! Ninguém merece! Fiquei me sentindo diminuída, tímida, não dizendo nada com nada, e esperando que alguém me apresentasse  logo o médico, pra sumir rapidinho dali. Por sua vez, o rapaz estava também numa situação nada confortável, afinal aplicar um medicamento, daquele jeito e sem conhecer a doida? Tudo ficou mais tranquilo quando fui apresentada como a irmã do Marquinhos... eles moram no mesmo prédio, e o médico é amigo do meu irmão também... Graças a Deus! Foi ali mesmo, sobre a mesa, que ele começou a preparar a solução... seringa, agulhas, frascos... todos os outros clientes olhavam desconfiados (e até mesmo os funcionários), tipo... nossa, parece droga... será que eles vão fazer isso aqui dentro, na cara de todo mundo... e outras coisas nada cristãs. O Bi se recusou a baixar as calças ali, no salão. Onde ir, então??? Banheiro masculino, é claro. Mãe paga cada mico... eu fui, é claro. 
O banheiro cheirava xixi! Que nojo! Ficamos na área das pias, logo na entrada; mas com o cuidado de não obstruir a porta... se alguém entrasse e desse um "pequeno" empurrão em nós, a agulha chegaria no cérebro do meu filho. Enfim, acabou... voltamos. Agradeci tanto que já estava até me sentindo uma retirante que recebe uma nota de cem mil réis sem saber direito o porquê. Fomos embora com a sensação que fui alvo de comentários a noite inteira.
Problema resolvido, voltamos ao barco... carácoles... não avisamos o resto da família que não poderemos voltar por causa do mal tempo, e porque o Marcos estava com asma, praticamente sem respirar (ele teve que voltar pra fazer inalação). Depois de muito tempo (celular que não pega, pousada sem número na lista telefônica) conseguimos contato. Paz, enfim.
Dormimos aquela noite no barco... balancinho gostoso, parecia aconchego de mãe. :)
Graças a Deus e ao meu irmão, o Bi tomou a injeção... agradeço aos dois... e ao sócio e ao médico também. Muito obrigada.

07de Abril de 2.010

05 novembro, 2009

A Abigail da outra...



Esse texto não é meu, oboviamente, porque não gosto nem de cabelereira (nada pessoal), quanto mais depiladora; somente queria mostrar neste pequeno texto, uma passagem de Abigail... sua experiência, sua humildade, sua delicadeza ... (quantas Abigais nesse mundo já não se fu*)...

"Tenta sim. Vai ficar lindo."

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria "pornô ginecológica estética".

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o - quê? 

- Virilha.
- Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique.

Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura.

Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?
- É … é, isso.

Depilando a Abigail

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da "Abigail", nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu.

Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo super natural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.

O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pelinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporte". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra "pinça".

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê… Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?
- Sim… sonhei de novo com o fiofó de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu twin peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até aliviava minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?

Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A bruaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá…
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha!!!… como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei anti depilação cavada.


05 de Novembro de 2.009