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17 setembro, 2010

Queimadura de primeiro grau



Olha situação:
Domingão, 05 de Setembro, 3h da tarde, maridum e eu sentadinhos esperando a vez de sermos chamados pelo médico.
Sim, eu estava segurando uma vasilha e dentro dela tinha leite e, sim, eu estava com as duas mãos lá dentro. O segurança da portaria me olhava desconfiado. As outras pessoas na espera pareciam que cochivavam... aposto que muitas delas queriam saber o que tinha acontecido e qual era aquele remedinho caseiro maravilhoso que me fazia pagar o maior mico, mas aliviava minha dor.
Sim, eu queimei as mãos porque eu piquei muita pimenta. Eu faço geléia de pimenta e, da última vez que eu fiz geléia pro Marcos, esqueci de levar... brilhante idéia: como meus pais estavam por aqui, resolvi fazer uma rapidinha pra eles levarem. Fala sério... uma receita só pra quem já vai ter que picar pimenta não é nada... vou fazer duas que assim fica uma pro Phalalávius que eu já prometi a um tempão.
Lava todas, tira o cabinho, tira as sementes e pica beeeeem miudinho. Se passar no processador vira pasta, e isso eu não admito na minha geléia. No meio do processo, eu já senti um quentinho, mas tava gostosinho. Continua, Maria.
Quando botei tudo no fogo, eu já não aguentava mais. Foi me dando uma queimação que só de olhar, já doía.
"Lemããão, me socorre que eu tô morrendo... tô sentindo ardor de pimenta até no cérebro" (tá certo que eu ia dizer outra palavra que começava com c também, mas achei mais apropriado 'cérebro' mesmo). Ele, caláro, não acreditou em mim. Eu dizia, tentando ser forte, que eu ria pra não chorar, e aí ele ria também (ai, que ódio). Não consegui nem almoçar. Ele? Foi dormir. Quando eu ameacei ir pro hospital, ele correu na farmácia e comprou remédio pra queimadura. Passei. Quase morri. Ele: "Aguenta um pouco até o remédio fazer efeito". Tentei, mas não deu, não. Corri pra pia do banheiro e tirei tudinho. Enrolamos mais um pouquinho, aí ele teve a brilhante idéia de passar hipoglós... "Uai, é de assadura, né? Então vai funcionar. Passa aí." Passei. Quase morri de novo, com a diferença que, quando fui tirar na pia, não saia de jeito nenhum. Foi aí que fomo pro hospital... ele, eu, o leite e minhas mãos pintadas de branco (sei que por causa disso ninguém acreditava que era leite o que tinha lá dentro... essa história de leite se deu quando eu pesquisava receitas sobre a geléia e uma especialista falou: "tem gente que bebe litros de água... não adianta nada... o que corta o ardor da pimenta é leite"). Obrigada... o mico foi enorme... descobri depois que o leite era subjetivo... o que adiantava mesmo era a temperatura geladinha do leite. Afff.
A grande solução que me deram lá foi passar sulfa (?) na mão toda. Passei. Até que quando eles passaram, deu um geladinho... eita, coisa boa, mas depois não deu pra aguentar... quase morri de novo novamente. Corre pro chuveiro das doentes arrancar aquilo da mão. Fomos pra casa sem ter o que fazer pra me acalmar. Sei que aquele plantonista ficou chateado em não me ajudar "Sempre cuidei de queimadura de fora pra dentro, nunca o contrário"... Tadinho deu dó... de mim, né? "Acho que vou ter que dormir no carro", respondi. O ar condicionado era a única coisa que aplacava meu fogo (oi?).
Sim, o médico e o enfermeiro riram de mim.
Sim, eu fiquei com vontade de chorar (quase escorreu uma lagriminha pelo canto do olho).
Sim, a solução veio de casa: meu marido comprou xilocaína (sei lá se precisa de receita). O medo já me dominava, mas passei.
ALELUIA!!!
Dormi feito um anjo.

17 de Setembro de 2.010

mas ainda faço a receita de novo porque, no auge da queimação, queimou a geléia também.

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