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17 maio, 2012

Uma Mãe Feliz!!!


Dia das Mães é todo dia... nenhuma mãe consegue deixar de ser, mesmo que o filho se esqueça ela.
Este 13 de Maio seria meio que especial: teríamos Manu (mãe fresca de uma), Rose (mãe fresca dois), eu (mãe véia de três)... e minha mãe que já é yaya (e yaya é mãe duas vezes), e Magda (que não é mãe de ninguém, mas já era considerada como uma tia-yaya de todos).
Seria... porque eu não estava lá.
Fiquei duas noites mal dormidas imaginando como seria legal ter todas juntas no almoço de domingo. Não deu... paciência, mas como era domingo ia dormir até mais tarde.
Durante a semana sou uma das primeiras a levantar da cama [cara de Madre Teresa de Calcutá aqui]... tá bom... eu confesso: é mentira: sou uma das últimas a sair da cama... mas eu ainda levanto de madrugada pra ver se os filhos estão cobertos. Esse assunto já se estendeu demais... o que importa é que é Dia das Mães e eu não ia acordar cedo.
Pois é... não ia. Acordei lá pelas 7 da manhã com a campainha... era o guardinha: as cachorras tinham escapado porque o portão ficou aberto a noite inteira. Afff
Depois disso o Tico veio pedir pro Marids preparar o meu café da manhã, enquanto ele me distraia (só pra eu não perceber nada). Todos acordaram com a campainha.
Ele tenta me colocar pra dormir... nada tão difícil.
Dali a pouco ele some e aparece cada um carregando uma coisa. Cacá, uma bandeja com pãezinhos; Bibi, um caderninho de presente; Marids, com a bandeja dos copos. Tico não trouxe nada porque ele tinha feito a parte dele.
Comemos todos na cama. O bom é que a gente ri bastante quando se junta e faz bagunça.
Resto do dia: Pintamos o calçamento do fundo da casa. Só Marids e eu... filhos ficaram jogando joguinhos.
Hora do almoço: Marids caprichou e fez um risoto de camarão, com lentilha, tomate... um monte de coisa, que parecia uma paellinha. Começa a comer e joga tudo no lixo... acho que os camarões estavam estragados.  Ai, que dó!
Fomos pro restaurante. Fila. Comemos salmão com molho de kiwi, prefiro molho de maracujá, e pudim de leite condensado. Hummmm! Pagamos e saimos.
O resto da tarde não teve muita graça... ficamos pipocando de loja em loja pra comprar o resto da tinta que faltava... numa loja não tinha a cor, na outra não nos atendia, voltamos pra primeira e compramos lá mesmo... acabamos de pintar a calçada e fomos pra sogra.
Chegamos atrasados, mas tudo bem... tem dia que dá vontade de ficar é em casa mesmo, né? Ôh, tempinho de chuva!
Bom mesmo é ver os bichinhos crescerem... lembro do primeiro ventinho que bateu, de leve, na cabeça da Cacá e os cabelinhos dela esvoaçaram. Lembro das risadinhas como motorzinho do Bibi... ninguém conseguia não rir depois que ele começava. Lembro do Tiquinho assistindo Teletubs (ai, ninguém merece), mas como ele adorava! Lembro de todos pedindo colo, e cuidando de mim quando eu ficava doente. Lembro de cuidar deles quando eles nem ficavam doentes... hihihi.
Lembro de como eu chorava nas apresentações da escola (todas... independente do tema), de segurar a mão de cada um deles no dentista e de como doía em mim, a vacina que eles tomava. Lembro mais das alegrias que passamos juntos porque as coisas tristes procuro nem pensar... como a dorzinha que cada um já teve... inevitável!
Amo tanto, tanto, tanto vocês, meus bichinhos.
Já contei quando o Tico nem tinha nascido e eu estava numa fila de supermercado, com os outros dois dentro do carrinho junto com as compras? Pois é... eles eram pequenininhos e pareciam gêmeos (a diferença entre eles é pouca); aí, uma senhora, bem dona de casa mesmo, que estava atrás de mim na fila viu a Cacá e o Bibi e praticamente gritou (ela foi mesmo muito espontânea): "QUE MACAQUINHOS MAIS LINDINHOS!!!"
Eu levei um susto tão grande, mas comecei a rir! Percebi que ela devia chamar assim os filhos dela, quando eles eram pequenos, e aquilo era uma forma meio carinhosa (e torta) de falar dos meus bichinhos. Agora... eu fiquei imaginando se nós fôssemos da cor negra (ou raça, não sei como dizer... um grupo diz que somos todos da raça humana; logo, os negros não são de outra raça... mas dizem que não se pode dizer que eles são da 'cor' negra, afinal eles não são pintados... sei lá!). O fato é que a mulher podia ter se enrascado. O Lemão mesmo quase foi processado porque um dia num supermercado (durante muito tempo nossos passeios eram só lá... :P), o Tico (dentro do carrinho de novo também) disse assim: "Olha, papai... uma família de negros!" Não que era pejorativo ou qualquer coisa assim... é que ele nunca tinha reparado em uma avó, mãe e filho negros, ou juntos... como saber? Ele era pequeno e constatou uma cena. Pra quê? Foi um auê! Chamaram até a polícia, mas o delegado percebeu que não tinha nada a ver.
Acho que depois disso que eu comecei a dar apelidos mais constantemente a eles (e a outros, mas só dou apelidos pra quem eu gosto). A Cacá virou, caláro, "Macaquinha", "Escarola", Caquinha", "Shakira"... o Bi nunca aceitou muito, mas eu gostava de chamá-lo de "Fred" (Fred Flinstone, basta olhar o pé dele... e por tabela, a namorada dele (que ele está empenhado em arrumar) vai ser a "Vilma"... hahahaha. O Tico é "Tuim", por causa de "Vituim", "Tiquinho", "Tico-Tico".
Amo vocês três, seus porqueiras... mais que tudo nessa vida.
NADA é melhor que ser mãe! (Por sinal, gosto que me chamem de 'Mamãe')
Beijos, Fiinhos... e cuidem-se! Vocês sabem já cozinhar muitas coisas boas, mas vivem se esquecendo de colocar blusa quando eu estou com frio... :D

08 maio, 2012

Tem coisas que não se explicam...


Ir a Portugal e não sair com alguma história verídica de português, não poderia acontecer!
Reuni poucas... mesmo porque tive pouco contato direto com o povo nativo.
Quando chegamos a Barcelos, meu pai ainda estava calmo... acho que ele fica meio nervoso no meio de tanto português.
 Lembro que, no dia do meu casamento (será que já contei isso antes?), contei uma piada de português pra ele, que era assim:
"Pai, sabe por que aqueles ônibus de dois andares não deram certo em Portugal?"
"Não"
E como ele não perguntou o porquê, eu disse: "Porque a turma subia no poste pra dar sinal". hahahahahaha. Ele também não riu.
Bom, mas em Barcelos, existiam os portais das freguesias todos enfeitados por causa da quaresma e como estávamos meus irmãos, meu pai e eu juntos resolvemos que tirar uma foto do pai com os filhos embaixo do portal da Pousa (a freguesia dele) seria uma grande recordação daquele dia.
O Marcos, então, ficou escolhendo, dentre os transeuntes que passavam (caraca... será que isso é pleonasmo? Transeunte já é um passante, né?), quem poderia bater uma foto para nós.
"Vixe... aquele tiozinho não vai conseguir", realmente era um ser bem encurvadinho... devia tremer tudo.
"Vamos deixar passar esse também", porque a gente tinha medo de alguns com cara de suspeito... Eis, que, de repente... 
"Ah, olha aquelas duas moças... vou pedir pra elas". E foi.
Elas estavam do outro lado da rua e eu via o quanto ele gesticulava e mostrava a gente e o portal da Pousa. Elas, universitárias provavelmente, pareciam entender tudinho. Sorriam e prestaram bastante atenção no botão que tinham que apertar.

Primeira foto: ela desligou a máquina, ao invés de tirar a foto... toca o Marcos ir lá explicar de novo... agora elas entenderam.
Primeira foto, pela segunda vez: fizemos pose e esperamos. Esperamos... um bucado; mas parece que deu certo. Outra! Elas queriam tirar outra só pra garantir. Tá bom.
Segunda foto: foi a outra.
O Marcos foi lá e viu: elas esqueceram do portal. Ele explicou de novo, e gesticulou de novo. Pelo que nós pudemos entender, de onde estávamos, a foto não tinha sido boa, ficamos paradinhos.
"E aí, Marcos? Não ficou legal?"
"Ai, a coisa ali tá difícil!"
Terceira foto: Elas deram zoom pra enquadrar bem a gente. Não era assim exatamente que o Marcos pediu... e, pra ajudar, ainda passou um carro.
Lá foi o Marcos de novo. Nem nos mexemos dessa vez.
"Agora, vai!", acho que ele jurava isso pra si mesmo. Um dos dois da ponta ainda convenceu o outro a abrir os braços, para uma pose nova: a foto merecia, né?
Quarta foto: SAIU A POUSA!!! Aleluia.
Mas o Marcos, perfeccionista... queria que pegasse o portal todo.
Os braços já doiam, o sorriso já amarelava... e será que a foto deu certo? Pela cara do Marcos, não.
Quinta foto: Elas bateram e nós saímos correndo... atravessamos a rua e agradecemos muito. Vimos só depois que elas não pegaram o portal inteiro de novo... mas tudo bem, né? Tá bom assim.


Quando encontramos o resto da família, fomos contar a dificuldade de entendimento entre os povos de língua portuguesa... eita, povo que não sabe falar português, credo!
Foi aí que deu fome (!!! de novo?) nas grávidas e Rafa [Jisuis... parece que tem um saco sem fundo dentro daquela barriguinha. :( Que inveja!] e foram comprar sorvete na lojinha do lado da nossa lanchonete. Dali a pouco, vieram as três soltando os bofes pra fora de tanto rir... ai, minha urticária: conta logo!
Elas tentaram, mas não entendi nadica de nada... só que homem que cuida da loja do sorvete é um senhor assim... não muito velho, nem novo... mas com certeza, um tanto desinformado; foi aí que a Rose assumiu o controle e falou:
"Nós fomos lá comprar sorvete, e aí a gente estava escolhendo o sabor. Não tem aqueles cartazes que ficam pregados na parede? Então, a gente estava lá escolhendo. A Manu disse que queria de limão, mas na dúvida, Rafa completou dizendo que tinha de todos os sabores... até que ela mesmo viu, no cartaz da marca de sorvete, que tinha até endereço no facebook: 'Olha tem até facebook!', ela disse. O homem que nunca ouviu falar desse sabor soltou rapidinho: 'Não, desse daí não tem... facebook não tem, não!'. 
Mas o pior ainda estava por vir: todas se entreolharam, mas se contiveram; entretanto a Manu, que é sempre tão discreta, olhou bem pra cara do homem, encarou mesmo, tentou segurar mas não se aguentou e soltou uma risada gargalhada que podia se ouvir do outro lado do Atlântico. Daí... quem segurou, né?" 
Ah, suas malvadas... tadinho do homem... [kkkkkkkkkkkkk]


Depois dessa pérola, outras histórias me afloraram... como não poderia deixar de ser.
Como aquela que aconteceu com a Manu na Feira de Barcelos.
Ela, já cansada de tanto andar por entre as barracas escolhendo roupinha de bebê, foi perguntada por uma vendedora muito gentil:
"Olhe, sente-se um pouco para descansar a barriga", mostrando uma cadeira.
Antes mesmo que ela pudesse agradecer, a outra portuguesa, com certeza, já foi se intrometendo:
"... e lá alguém pode tirar a barriga pra descansar?", incrédula, "Pois que se sente ela toda! Aí é que resulta!" Esse 'aí é que resulta' foi o golpe de misericórdia. Depois esse povo vê a gente rindo e acha que os brasileiros riem à toa...
Ah, tá bom... pode não ter tido tanta graça agora, mas na hora, eu não conseguia me conter. Acho que era o clima.
Por sinal, por falar em clima, acho que ele fez mal pra Manu (já reparou que tudo era ela?)
Estávamos almoçando no Restaurante do Arantes, e de lá eu olhava uma reportagem na televisão: era a irmã Lúcia.
"Mas quem é essa?", Manuelita curiosamente perguntou.
"A irmã Lúcia.", vendo sua cara assim, como dizer? Continuando sem saber quem era a irmã Lúcia, complementei: "... é uma daquelas crianças que viu a Nossa Senhora de Fátima."
"Ah, é verdade", minha mãe explicando, "era a Lúcia, o Jacinto e Francisco"
"Ué... mas ela não era criança, não?" 
"É, Manu... mas ela cresceu, né?"
Pior do que a pergunta foi a cara dela: com comida na boca, tentando segurar a risada, e um tanto encabulada. Tudo ao mesmo tempo. Por sorte, ela não engasgou.
Ai, Manu. Tudo bem, tudo bem... perdoamos você.
 :P
Foi aí que ela contou uma boa de uma amiga dela, conversando com o motorista do carro em que estava:
"O senhor pode parar aqui?"
"Posso", só que ele não parou.
"... mas o senhor não parou!"
"Mas a senhora não me pediu pra parar, só me perguntou se eu podia parar ali".
Ai, Jisuis.
Mas não pense que somente a Manu passou por poucas e boas em terras lusitanas: o Marcos também foi alvo preferencial.
No duty-free de Lisboa, ele viu um livro de receitas típicas portuguesas, e tinha em vários idiomas... só não tinha em português mesmo... mas como eu não me aguentei e já contei essa história, não vou contar de novo,né?
Ou, então, quando ele estava no hotel super legal Suave-Mar (pra ver que é em todo lugar mesmo que essas coisas podem nos acometer).
Marcos e o garçon do bar de lá.
"Se eu quiser pedir alguma coisa daqui do bar lá no quarto [olha as lombrigas do rapaz], qual o número que eu ligo?"
E a resposta do dito:
"Ora, como eu sei? Nunca tive que ligar pra mim mesmo!"
[???!!!]
Pai... você sabe que a gente gosta muito de você, né?
Não liga, não, pra esse povo que conta as histórias da Terrinha... mas parece que os portugueses fazem de propósito!!! hihihi
:P

Xauzim, Portugal.



Estávamos todos meio largados nas poltronas à espera do nosso avião. Cansamos fisica e psicologicamente, afinal aquelas subidas e descidas traumáticas do ônibus tinham deixado todo mundo, até os homens, meio quietos. Não conseguimos poltronas na frente exatamente do nosso portão, mas tudo bem... não tinha muito o que fazer... não ia comprar nada no duty-free agora mesmo... Marcos e eu fomos numa banca de revistas comprar revista de bebê pra Rose.
Ele até que se interessou por um livro de receitas. Vimos em várias línguas, mas não em português.
"Moça...", perguntou gentilmente o meu irmão para uma rapariga meio estressada com o movimento de um monte de gente que não tem nada pra fazer, "tem deste livro em português?". Ele perguntou em português... e ela respondeu, em português também. "Tem... tá ali", e apontou pra onde tínhamos acabado de vir.
"Não... ali não tem"
"Tem sim, pode ir lá que lá tem".
Fomos e constatamos o óbvio: não tinha.
Voltamos para a gaija, e o Marcos disse em português com o auxílio de mímica... vai ver que ela não entende muito bem o português, né?
"Ali... óh... não tem...", agora foi a vez dele apontar pra lá.
"Mas tem", ela disse.
"Não tem", ele disse.
"Então tinha", sentenciou ela.
"Será que não tem lá pra dentro?" (Tipo, no estoque)
"É ali que tem, senão tem... tinha"
Meu irmão, quase calmo, veio embora batendo o pé... corri atrás porque ele estava até me esquecendo.
Chegando perto das poltronas, a constatação: uma serpente humana sem fim se fazia em frente ao nosso portão. Fomos para o fim dela, e rápido, porque não a cobra não parava de crescer.
Tive tempo... fiquei pensando: aposto que estavam todos escondidos, tipo em algum jogo... e foi só a gente sair que todo mundo resolveu furar a fila que a gente não tinha nem começado.
Aí... começou o que eu chamo de "a Grande Revolta"

Minha mãe ficou revoltada porque eles eram da terceridade (ela e meu pai), e as grávidas eram grávidas... os maridos eram os maridos das grávidas... e nós, Rafa e eu, não éramos nada. Fomos as únicas que continuamos nas fila, o resto saiu atrás dos seus direitos de passar a perna em todo mundo.
E descobrimos, para o espanto geral da nação, que direito de furar a fila... só aqui no Brasil. Lá nas Oropas, os véinhos tem que ficar de pé mesmo. No Japão, por exemplo (que é Ásia, não Europa) deve ter fila preferencial pros jovens... hehehe... [lá é tudo mundo velhinho... tudo bem: piada besta].
Sei que, dali um tempinho, veio a minha mãe nos buscar: íamos todos furar fila. Que poder de convencimento desse povo brasileiro, né? Que maravilha!
Só que tudo tem um preço, né?
Existiam 3 esteiras de raio-X e uns 6 agentes de alfândega para a filona toda... só nós ficamos com QUATRO agentes e DUAS esteiras.
Em suma: revistaram até as calcinhas usadas.
O pente fino foi pra lá de piolho: meu pai quase foi preso porque o apito apitava quando ele passava... quase teve que ficar pelado; minha mãe jogou dois estojos, fechados, de fragrância dos States que ela ia dar de presente pra Pilar; nem sei quem mais saiu no prejuízo ali... acho que todos... cada um estava muito preocupado em xingar seu próprio agente.
Eu mesma estava desconsolada: ELES ME FIZERAM JOGAR MEU DEMAQUILANTE NO LIXO! Eu sei que a culpa foi minha... eu que esqueci, mas Putz-cutz-parutz, que raiva.
Sempre desejo uma semana de desinteria para os meus desafetos do dia-a-dia, mas pra eles desejei um ano inteirinho.
Acho que Rafa resumiu bem: como estávamos passando na frente de todo mundo, eles judiaram da gente.

Bom... entramos.
Entrei como quem entra em qualquer avião (medão, é calaro, dessa porcaria cair). O comissário falando as coisas tipo: por favor, não obstruam a passagem de quem vem atrás... sejam breves... coloquem suas malas de mão nos compartimentos e fechem-nos quando lotados. Só que em inglês.
Eu entendi tudo, mas fiquei com dó dele... ninguém dava atenção pra rapazinho. Fiquei ali, como quem nunca tinha entrado num avião. "Ah, tá... thank you", mas quando se desanuviou aquele mar de gente (que tinham passado na nossa frente, pela segunda vez, enquanto estávamos lá expondo todas as nossas malas mais íntimas praquele povo com vontade de achar de tudo que a gente tinha trazido de errado pro avião), eu vi: o avião não tinha fim.
A empresa Jetnet, Netjet, sei lá... era bem popular [pra não dizer pobre], e não tinha área vip ou separação de classes [tá bom... vou mudar o status da empresa para 'bem democrática']; assim só se via um mar de poltronas, ocupadas por ordem de chegada na dita fila! Só que a impressão que me deu foi outra: "Esta me##*a vai cair!"
Fiquei em choque. Devo ter ficado com os olhões arregalados...
Um passageiro, logo nos primeiros assentos (nem vou chamar aquilo de poltrona mais) deve ter se sensibilizado e começou a me explicar, em inglês, tudo de novo, o que o comissário tinha acabado de me falar e que, no presente momento do monólogo do portuga bonzinho, ele (o comissário) já me empurrava pra andar... tipo, EU estava empacando a fila agora.
Minha reação foi balançar a cabeça em sinal afirmativo e, ainda sem olhar pro portuga, comecei a ir de encontro com o meu destino... fosse ele qual fosse... lá no fundo... bem no fundo da nave.
Por que sei que ele dizia a mesma coisa do comissário? Porque eu não conseguia tirar o olho do fundo do poço avião, mas ouvia tudo perfeitamente... como num sonho. E por que eu sei que o gaijo era portuga? Porque, depois que eu sai andando feito zumbi, ele se voltou pros amigos e numa gargalhada disse: "Ela naum intendeu nada, ó pá". Entedi, sim, portuga dosinferno.
Depois de tudo, tudinho, que a gente passou: nervoso, raiva, decepção... passamos fome.
Os outros comissários, todos novinhos, tinham cara de estrangeiros: brancos, tímidos e sem graça. A mocinha da comida não chegava nunca (a gente estava na rabeira, lembra?) e ainda tinha que pagar: o serviço não estava incluído; além de que nem preciso dizer que acabamos com o estoque de comida do avião. Depois de nós, ninguém mais comeu... mesmo porque estávamos pousando em Barcelona. Aleluia.
O bom é que a fome não me deixou pensar na viagem e na queda da aeronave, e as uma hora e meia de vôo passou rapidinho.

07 maio, 2012

Vai ver se eu tô na esquina... >:(


 
Voltei mais leve dessa viagem... de verdade... TIVE QUE LARGAR O DEMAQUILANTE DA IDA AGORA NA VOLTA... que revolta!


O que muito me chamou a atenção nesta viagem, em especial, era sempre a rodovia que ligava o norte do país à Lisboa: paredões de concreto divisava a rodovia dos quintais das casas; sim... quintais! Vez ou outra esses mourões eram entrecortados por vidros e se via lá dentro... ora casas, ora ruas, ora terrenos somente.
Bom... a viagem foi mais muda. Talvez porque ela fosse um ponto no calendário que nos avisava que nossa viagem chegara, praticamente, à metade; ou talvez porque o Cinho tivesse uma reunião de negócios que não poderia chegar atrasado na capital e aí, sim, como diria meu pai: "Cagarim cagou!" (expressão quase puritana para as necessidades fisiológicas de Cagarim... esse nome só perde para Epimeteu).
Foi o nosso maior momento 'tango-arrentino' [por favor, cortinas de veludo para um enforcamento magistral].
Chegamos a tempo de respirar... percebi que ninguém respirou desde nossa saída do hotel... e do almoço de negócios do Cinho. Ele chegou antes do seu convidado-mor... um funcionário mais graduado do Imperador.
Eles foram comer (e comeram bem, os danadinhos... foram meus pais, irmão, Manu e o outro casal)... e nós, mortais (Rose, Marcos, Rafa e eu)? Fomos fazer um passeio glamurosíssimo que eu queria demais: o Castelo de São Jorge [e olha que nem sou corintiana!].
Da primeira vez que estive lá eu era pequena mas foi deslumbrante... lembro de uma árvore com o tronco cortado (nem sei se de propósito, pelas mãos do homem, ou por força da natureza) mas meu pai cabia inteirinho escondido lá dentro. Lembro da vista geral da cidade, das muralhas, dos jardins entre terras arenosas, da ponte... só não me lembrava que o castelo mesmo era uma fortificação e não um palácio de verão... mal tem espaços fechados e não existem os 'cômodos' tradicionais. Ninguém podia dormir ali... mas quem quer dormir num lugar daquele, afinal?
Lindo, lindo, lindo. Castelinho de conto de fadas, com os muros altos e o acabamento em quadradinhos... tipo quando uma criança desenha castelo. Lindo.
Imaginei os templários (oi?) andando com seus cavalos árabes (não combina templários com árabes, mas o sonho é meu) e armaduras com lanças e escudos. Lindo.
Tentei 'pegar' a alma do lugar, mas não deu muito, não. Rose não estava animada... estava passando meio mal. Na descida até o bondinho, ela chamava mais atenção que as muralhas da China (se elas pudessem ser vistas dali... bem poderia.... elas podem ser vistas da lua, que é mais longe).
Bom... o segundo e fatídico passeio foi até o Aquário de Lisboa, o maior em alguma coisa que agora me esqueci, e pasmem: conheci o bacalhau. Devia ser português, não conversamos... na verdade, nos vimos de relance.
Falando em bacalhau, lembrei do Baka (Bakalhau), nosso amigo de São Carlos.
Ele era magro de doer (e, pensando agora, tinha também uma barbichinha... tal qual seu homônino marinho). Numa assembléia da faculdade, ou cerimônia de posse dos diretores do CAASO, nosso centro acadêmico, sei lá... que teve um pequeno 'incidente' com o, então, diretor da EESC-USP. Este foi uma das autoridades convidadas para o evento, e o malacabado do nosso amigo Baka, disse, ao anunciá-lo:
"... e agora para engrandecer nossa tribuna, o nosso diretor da escola, Prof. Marcius Cavalus...", a primeira reação de todo mundo foi se calar; afinal Cavalus era somente um pseudônimo dado ao diretor da escola por seus tratos com os estudantes.... :P .... até Marcius Cavalus se calou, e ficou olhando, pasmo, para a cara de pau dele.
"... não, Professor... veja bem...", tentou arrumar seu discurso, "Cavalus é somente um apelido carinhoso; veja bem... eu mesmo sou conhecido por Bakalhau porque sou magro..."
Não teve conversa... o restaurante veio abaixo. Ele era magro por isso se chamava Bakalhau; logo o outro era Cavalus porque seu comportamento era patada pra tudo que era lado. Os dois foram ficando vermelho, vermelho... todos esperavam que um deles explodisse; um de vergonha, pela gafe e o outro porque ficou (pela primeira vez na vida) sem reação.
Vimos tubarão, arraias, peixinhos, o bacalhau, e não vi tanta graça assim lá... foi legal, mas nada de Ohhhh. Por sorte, Rose melhorou... porque andamos para caramba!
Aeroporto.
Pra variar estávamos todos atrasados... enquanto um povo ia entregar os carros nas locadoras, o outro (Rose, Manu, Rafa e eu) nos perdíamos. Minha mãe sumiu... só podia ter ido com o outro grupo.

Veja a cena:
[Caclete 01]: Grupo dos Homens desembarcam Grupo das Loucas no portão de embarque e somem com os carros.
[Caclete 02]: Grupo das Loucas pensam (oi?) e chegam à conclusão que não seria aqui. Por que chegam a essa conclusão? No bilhete de embarque está escrito "Terminal 2", e estamos no Terminal 1.
[Caclete 03]: Grupo das Loucas pega malas, malinhas e barrigões e corre pro ônibus que dizia: Terminal 2. Sim... o terminal 2 era longe pra ca#&#! Espera, espera... cadê o desgramado do motorista? Não dá pra ver que tem pessoas no desespero aqui? Bom... estávamos com folga de uma meia hora.
[Caclete 04]: Ônibus anda... loucas desaflitas.
[Caclete 05]: Ônibus pára... loucas enlouquecidas: O TERMINAL 2 ERA DOMÉSTICO!!!
[Caclete 06]: Loucas sobem malas, malinhas e barrigões... tudo pra dentro do ônibus de novo!
[Caclete 07]: Ônibus anda... loucas aflitas.
[Caclete 08]: Ônibus pára... loucas saem correndo com malas, malinhas e barrigões. ALGUÉM PODE ME DIZER ONDE É A PO%%A DO TERMINAL 1?
[Caclete 09]: Ali... e apontam com o dedo; bem atrás de onde começamos tudo.

Enfim... e nem me lembro mesmo muito o como e nem mais o porquê, mas chegamos. Grupo dos Homens estavam ficando nervosinhos... mas depois que viram o que era ficar "nervosas de verdade", baixaram a guarda.
A questão toda foi tão traumatizante que sumiu de minha mente. Onde estou?
Última notícia do nosso vôo: Estava atrasado.

03 maio, 2012

Vivendo (sempre) Perigosamente !!!


"Armindolinha... tu vais servir a Deus: vais virar padre!"
Toda a família que se prezasse haveria de ter um padre para encomendar as almas mais rapidamente para o céu... e assim decretou Madrinharmindolinha (descobri que os planos dela também não dão certo) a toda a freguesia: investiria em seu expresso para o paraíso.
Para o meu pai ser padre, só havia UM empecilho: não era nunca poder se casar ou ter filhos, nem ficar rezando um monte de missa; não era, sequer, o joelho deformado de tanto ficar rezando o dia inteiro ali, quietinho, como todo bom padre há de fazer até hoje (oi?)... o maior empecilho para a sua vida de devoção eram as saias que o padre ficava arrastando por toda parte. Podiam-lhe chamar de padre, mas de 'mulherzinha'? Nunca!
"Estuda, Armindolinha... e muito!... porque padre estuda toda a vida, e deves se formar na escola para poderes ir ao seminário."
Armindolinha levou ao pé da letra... em cada série do fundamental repetiu duas vezes; ou seja, chegou à terceira série nove anos depois de iniciar a primeira... :P... sua lógica: "Se alguém me perguntar, digo que estou estudando tanto que repeti as séries só pra entender tudo direitinho", mas a verdade era que ele estava sabotar a vontade da madrinha (ninguém pode ser tão obtuso assim).
No dia que passamos pela fonte que os moleques se refrescavam na volta das aulas, também fomos à escola. De início, meu pai só sabia a direção... fomos a pé (Marcos, Maurício, meu pai e eu)... qual não foi sua supresa, no final de uma tarde fresca, ver uma escola nova bem onde se encontrava a dele.
Os estudantes já estavam saindo... eram todos já adolescentes ou jovenzinhos. Acho que era por causa do horário.
Entramos no contra-fluxo.
A escola era toda gradeada e o portão era no lado oposto do original, mas igualmente grande, com uma escadaria generosa. As instalações ficavam logo nesse platô, com muito vidro, cortinas e se viam pessoas lá dentro... pela teoria traciana (qualquer dia explico), eles podiam nos ver também, e isso me preocupava um pouco. Estva vendo a hora que nos mandariam embora.
[Em abril de 2011, um ex-aluno-maluco-carioca invadiu uma escola no Realengo e matou 12 adolescentes, em nome de Alá... idiota... deve estar queimando no mármore do inferno agora. E enquanto subíamos as escadas, eu reclamei que seríamos expulsos, o Marcos (aquela candura de pessoa) disse: "É só falar que a gente veio dar um curso"... essa foi a desculpa do matador para poder entrar... sem comentários, né, seu bobão!]
Nem rodamos muito... fomos direto para os fundos da escola e aí, sim... se o meu pai não tinha freio, agora é que o homem desembestou a andar: ELE AVISTOU, INTACTA, SUA ANTIGA ESCOLA! Ela estava no patamar de terreno acima da atual. Subimos outros tantos de degraus.
A noite já estava escura... víamos pouco... e eu (fatídica) logo pensei: "Ai, cumcaraito (eu não falo pelavrão, mas penso) que deve ter um rotweiler pra destroçar uma destroçar os abelhudos... no caso, todos nós"
Ainda bem que não tinha, porque chegamos por dentro, pelo que seria o pátio.
Uma avalanche de histórias surgiram na cabeça do meu pai e, mesmo na escuridão, seus olhos de gato brilhavam.
Voltaríamos no dia seguinte.

[Pausa para a noite... e no dia seguinte...]

Já entramos com carro, família, lanchinho e a já lustrada cara-de-pau. Não sei como o Marcos conseguiu, mas foi por cima que entramos... nem lembro de portão nenhum, mas devia ter.
Do alto, víamos a subida em chão batido, bem à nossa esquerda, que era por onde eles (meu pai e o resto da trempa toda) chegavam à escola.
A fachada tinha duas imensas portas em verde escuro com umbrais trabalhados em cimento, terminando num pequeno ornamento que lembrava uma folha, no centro (QUANDO O MEU IRMÃO MARCOS ME DER AS FOTOS DO LUGAR, EU PUBLICO). A edificação era de dois pavimentos, com salas de aulas; um pequeno anexo era onde ficava a diretoria, provavelmente.
De lá, vimos a casa (que não era cor-de-rosa) da Professora Rosinha.
Estávamos lá, perdidos em nossas divagações quando aparecem duas figuras estranhas. Um homem gordo e barbudo e uma mulher (também com barba). Ele era o diretor da escola e queriam saber o que fazíamos ali. Toca a contar o terço! Meu pai já estava quase mandando plantar batatas, quando descobriu que ela era filha do amigo dele, o Rato.
Quase fomos visitá-lo... pena que não deu.
Esse amigo Rato era deficiente físico desde sempre, pelo que eu sei. Mas o que meu pai disse é que ele vinha de uma família de ferreiros e, na época da ditadura com Salazar, eles eram obrigados a pregar tachinhas embaixo das botas dos soldados. O calor do fogo, por causa daquele trabalho castigante e ininterrupto, o deixou assim: torto. Sempre pensei que pudese ter sido por doença. Meu pai contava que ajudava o Rato a subir a entrada da escola. Ele, o Rato, tinha uma espécie de skate que ficava sentado e que o levava para todos os lugares... mas a subida ninguém merecia, né? Quando chegavam na porta, meu pai apanhava porque chegava atrasado... e não tinha esse lero-lero de estar ajudando o amigo. Parece que agora ele já estava muito enfermo, direto na cama. E Rato era o sobrenome da família, não um apelido pejorativo...
Por falar em chegar na escola atrasado e apanhar, tinha também as vezes que meu pai ajudava o Quico.
Este era já um homem feito, trabalhador e muito bom. Órfão de pai e mãe (que morreram, possivelmente da peste), tinha uma irmã surda e muda. Ele trabalhava a anos para uma família, na lavoura. Mas eis que lhe deram a incumbência de fazer um serviço brutal... sei lá, tipo, colher todo o feno de um campo... e aí o bichinho ficou suado e foi tomar banho no rio. Só que era outono, ou primavera, e as águas estavam muito frias. O choque térmico o deixou assim: tisío.
Gente mais má... depois que ele já não servia muito bem, mandaram-no embora (eita, portuguesa sem coração). Depois disso só queria saber de ficar bêbado pelas tavernas e meu pai o levava para casa, já que o achava beijando a sarjeta. Ele dizia que, quando fingia que não o via, para não chegar atrasado na escola, o Quico o chamava: "Armindo.... óh, Armindo... me leva pra casa, Arminso...." lá ia meu pai... sabendo que apanharia na volta. A casa de Quico era suja, escura, muito pobre, e a cama que meu pai deitava o amigo era, na verdade, uns paus atravessados com capim no meio.
Em meios a tantas lembranças, fomos embora de Portugal... não vimos sua casa em Póvoa de Varzim, que era a que eles moraram quando já eram maiores, e a última antes de virem ao Brasil.

02 maio, 2012

A verdadeira história de Tereza Cristina


Tereza Cristina vivia em seu mundo... quieta e só. Que dó!
De tudo que possuia não existia nada que lhe desse mais prazer que a sua plantação de alface... ela adorava o que comia... e o que ela comia era alface.
Ela viva só (que dó) mas era feliz; nem era tão só pois existia o seu vizinho, um trépido chef de cozinha super famoso (como é que era mesmo o nome dele?) que fazia paella como ninguém, e vivia querendo comer a sua salada.
A sua Pequena Empresa virou um Grande Negócio (atenção para o merchandising) pois todos que comiam a sua alface ficavam maravilhados... essa verdura era verde, porém diferente de tudo... quem comia, não esquecia.
De repente, num rompante, ela contratou um motorista para fazer as entregas das suas encomendas.
Era um sujeito um pouco gordo, um pouco baixo e muito sisudo... seu nome: Zoiudo.
Zoiudo, muito calorosamente chamado de Zoiudim por sua mulher Norminha era chifrado toda noite, quando ela o colocava pra dormir com um copo de leite regado a sossega-leão; mas ele, inconformado com sua dor de cabeça descia o porrete na mulher, que era uma cozinheira muito da boa, e esta se defendia chamando por Pereirão (outra mulher... mas muito da feia).
E assim, dando surra numa e apanhando da outra, sua vida era feliz e ele ia entregando as alfaces aos vegetarianos alucinados, e cada vez mais sedentos por aquele tesouro verde.
A vida de Tereza Cristina mudou completamente... começou a ser requisitada para matérias em revistas e chegou a ir, uma vez, para a televisão. Levada pela ganância do verde (e agora eu falo de dim-dim porque, além do seu latifúndio, também ficou conhecida por sua avareza... e só cobrava em dólares) resolveu que deveria crescer, mudar conceitos, se reciclar... contratou um personal-puxa-saqueition-meio-crodovil para que ficasse dizendo o quanto maravilhosa ela era e o quanto de dinheiro ela estava ganhando. Nada mais mesquinho e humano; mas Crô nasceu pra isso.Talvez tenha nascido pra mais do que isso... era alto, culto e só falava com sotaque francês, mas com um cancro de burrice que não lhe largava.
Zoiudo e Crô não se bicavam... se estranhavam. Se um estava, o outro sumia...e ambos muito se mal-queriam.
O que ninguém nem desconfiava é que, pelas costas de Tereza Cristina, eles eram amigos... a amizade que nascera da adversidade física e cultural, agora estava com seus olhos voltados para o manancial de alfaces: ELES AS QUERIAM! Queriam o poder, a recompensa, o reconhecimento e tudo o mais que elas lhes pudessem fornecer.
E pensaram! Esse foi o grande erro da dupla.
Sorrateiramente, e por trás de todos os escrúpulos e maldades, leram gibis e mais gibis da turma da Mônica para que, enfim, arquitetassem seu plano cebolóidico... desestruturariam a dentuça, gorda e com cabelo de banana: Tereza Cristina.
"... mas Terrreza Crrristina... non é ansim, minha querrrida", dizia Crô fazendo bico.... "que se plantam alfaces. Vitamiona C só si dam prrra crrrianç com grrripe, oui..."
"Mas de ON-DE você tirou a idéia que plantar alface de cabeça pra baixo dá produtividade?", replicava o outro.
"Gente, pelamordideus... entendam: a vitamina C fixa a vitamina D do complexo B que o chuchu traz detrás da horta. Tipo assim: vocês podem não entender, mas tem que ser assim, captaram?", explicava Tereza Cristina, " além do mais, plantar de cabeça pra baixo aumenta, oui, a produtividade porque não tem que tirar a terra da raiz. É só arrancar o pé e por no saquinho rosa-choque das entregas."
Mas tanto que os dois fizeram que Tereza Cristina começou a aplicar NOPK 10-10-10 e a plantar as alfaces do jeito certo.
Deu tudo errado... seu império começou a declinar, afundar, titanicquear... o bom é que, quando se chega ao fundo do poço, a única solução é dar um impulso pra cima. Foi o que fez Tereza Cristina... deu um pé na bunda dos dois e sua vida voltou ao normal... mas isso somente depois de descobrir o que eles lhe falavam pelas costas... o que a magoou demais! Doeu... mas não a matou!
Por fim se casou com o chef de cozinha, seu vizinho, e foram fazer a lua-de-mel em Santos mesmo porque seu tio morava lá perto... e viveram felizes para sempre!!!