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01 julho, 2022

Como Iviana era besta!



Nas palavras do sábio Gilberto Gil: "Marmelada de banana, bananada de goibada, goiabada de marmelo..." e o Quarteto Fantástico virou o Sítio do Quebra-Pau Amarelo.
Por um lado, temos o Senhor Fantástico e do outro, O Coisa. Um não gostou nadica das declarações que o outro deu e resolveram que era melhor peruca voando pra um lado, cílio postiço voando pra outro! É, minina, pancadaria que ainda não aconteceu!
Mas e Iviana nessa história? 
Pois é, você não sabe, e nem eu...
De Iviana só se podia esperar assuntos sem interesse, aquela lenga-lenga, algumas vezes até mesmo desconcertantes, e certamente numa dessas mordidas de línguas que ela foi largada de vez. 

Tocha Humana
O quanto é grandioso pensar que uma chama de uma velinha pode virar um incêndio arrebatador por onde passa! Assim era ela: dona de uma beleza clara, acalentadora e enigmática. Parecia que precisava de ajuda, e foi aí que Iviana apareceu em sua vida: queria ajudar, dar conselhos, mas ela se intrometia mais do que ajudava; acho que ela queria ser notada.

Senhor Fantástico
Ele não era fantástico somente no nome, era também na inteligência, na astúcida, era o desbravador-mor. Foi em torno dele que todos do grupo se aglomeravam e obedeciam.
Era somente ele gritar, e até Tocha Humana apagava.
Iviana gostava dele, desde pequenininho, desde de lá de Barbacena do Norte quando ele chorava no bercinho do quarto dos pais, e ela chegava antes que qualquer um dos dois tivesse ainda levantado, só pra colocar a chupetinha na boca.

A Mulher Invisível
Com toda a certeza, essa era a mais temível do grupo. Ela era claramente uma mulher maravilha porque não havia nada que não pudesse fazer bem feito... e bem feito foi o que fez com Iviana. 
Bem feito que ela é uma faxineira.
Bem feito que Tochinha era somente uma velinha que podia ser apagada e acendida a seu bel prazer.
Bem feito que ela tinha a coisa do Coisa em suas mãos, porque assim ela teria predicativos que outros jamais teriam.
Bem feito que o Senhor Fantástico é tão senhor de si, crente na força do poder das palavras e tudo no universo que possa ser moldável, porque assim seria fácil manipular para que ele se tornasse seu aliado. E assim foi feito. Bem feito pra ele... sofre e não enxerga um palmo na frente do nariz.

O Coisa
Este sempre foi estranho, sempre foi rude, nunca media suas palavras; pelo contrário, o que nunca deixou de medir, na verdade, foi o dinheiro. Ele era bom nisso e conquistou tanto que acreditou que era mais que Iviana, esquecendo de perdoar apesar de Iviana ter ido ao pelourinho, quando ele era ainda só um rebento, apanhar no lugar dele. E foram muitas vezes.

Tantas lembranças...

Tochinha e a Mulher Invisível se tornaram inseparáveis, e formou um trio com a chegada da Medusa... um trio estranho... parecia que tinha algo no ar... Mas foi somente depois que Iviana entendeu que de toda a família de Medusa, ela era a mais autêntica: apesar de não dizer nada, seus olhos mostravam o frio cultivado em seu coração enquanto todas as outras somente fofocavam a maldade em suas costas. Hoje eu agradeceria Medusa e pediria desculpas por ter ido em suas bodas, uma vez que ela destilada desprezo ao longe.
A que doeu mais para Iviana foi Tochinha... essa queimou mesmo porque Iviana acreditou nela.
Da Mulher Maravilha, o que ela quer, ela consegue. Conseguiu fazer a própria mãe de Iviana gostar mais dela que da filha; e gostava tanto do que fazia, que quando a mãe escolhia a Invisível, ela ria de felicidade verdadeira vendo a tristeza estampada no rosto de Iviana.

Mudanças...

Como Iviana era besta! 
Mas tudo muda, talvez mais devagar do que Iviana gostasse... era melhor parar logo de pensar no grupo devil, mas Iviana continua besta... espero que por pouco tempo. 

Somente agradeço imensamente, muito, muito, terem permitido que eu ficasse perto dos filhos.

26 outubro, 2012

Mas o que é que ela tem que eu não tenho?



Quem quer saber de Tereza Cristina, a Rainha da alface,
que junto com o chef internacional foram para o enlace?
Ficou mais rica, mais fina, mais feliz... dormia num ofurô
e nunca mais se lembrou do Zoiudim e do Crô.

Eita, dupla!

Entretanto, Zoiudim tinha pra si que era um vencedor
e algo de Tereza Cristina ele se achava merecedor.
Revirou seus armários, e encontrou seus gibis velhos e empoeirados
Faria algo, com certeza... pois a ganância era um de seus pecados.

Foi o Supla?

Não. Zoiudim resolveu chamar outro amigo do peito
que, assim como ele, tinha muito defeito.
O nome do dito cujo era Cascão
não me perguntem se ele tomava banho, ou não.

E o Crô?
 
Crô, cada vez mais mesquinho e humano
resolveu se enrolar num pano
Seu sotaque francês era de mentirinha
"Me chama, que eu falo a maior ladainha!"
 
Por isso, por sua vez, aderiu ao plano infalível
(Ainda que pelo que pregava parecia inconcebível)
"Faço justiça a qualquer custo... (meu ego precisa de um cafuné!)"
mas quando falavam mal de Tereza Cristina, isso ele não lembrava, né?
 
Que horror!
 
Reuniram-se Zoiudim, Crô e Cascão
e resolveram por o plano em ação.
Numa emboscada, já por Tereza Cristina esperada,
reclamaram para o Papa, o Fantasminha Camarada.
 
Não adiantou Tereza Cristina dizer que tudo aquilo era um absurdo
... mesmo porque o Companheiro Camarada se fazia de surdo...
[Cá pra nós, não era tudo tão maluco... afinal, pobre do Zoiudim...
pelo tanto de alface que carregou, teria merecido até mais um pouquim.]
 
O que mais tranquilizava a latifundiária Tereza Cristina
era que agora poderia ir sossegada para a Argentina ou Palestina.
Provavelmente ela esqueceria deles mais rápido, do que eles... dela.
Tereza Cristina... seguia sua vida feliz de Cinderela.

O Zoiudo voltava para sua vidinha de sempre
achando que tinha ganho um grande presente.
 
Crô, coitado, era o mais perdido dos três
pensando ser um bispo de jogo xadrez.
 
Do Cascão, acho melhor não falar nada, não...
a vida já se incumbiu de lhe dar um sopetão.
 
E quanto ao chef internacional?
Ele se mostrou uma pessoa sensacional.
Pois mesmo tendo como tirar do Zoiudim a sua primaridade
não deixou que a ingratidão do sisudo estragasse sua caridade.
(Mal uso do seguro-desemprego dá cadeia de verdade
não adianta culpar um ou outro, ou toda a humanidade)
 

15 março, 2010

Cai fora, garota.


... ele abriu a porta do carro, enquanto ela dava alguns passos pra trás. Não sei dizer o que passava na cabeça daquele idiota, mas a raiva já não era mais contida. Os cabelos dela eram curtos, sem movimentos, de um loiro que parecia tingido por um balde de água oxigenada, porque os que estavam mais abaixo eram mais amarronzados... eram cabelos de água e sabão... e olhe lá... mas foram eles, perto da nuca, que foram puxados com força pela mão bruta do rapaz... e ela acabou caindo na calçada. Provavelmente a pelezinha curtida do sol deve ter doído com a arranhada no cimento... ela devia ter a idade do Tiquinho, e pedia dinheiro no semáforo.
Ela era frágil, e completamente desprovida de defesa. Se ela era boa gente? Não sei. Provavelmente não... mas ainda era uma menininha. Apesar de deitada no chão, com aquele bruta-montes segurando sua nuca e com o dedo da outra mão quase encostando no seu nariz, em nítido gesto de dominância e violência... ainda assim, ela tinha uma força! Devia já estar acostumada a ser tratada assim. Ela não chorava, nem gritava, só discutia com ele... ou se desculpava. E ele, no alto de sua completa arrogância e superioridade, agia com o orgulho de ser poderoso.
Por quantas violências como aquela ela não devia passar durante o seu dia?
Por que ele não se rebelava com quem a levava pra lá, pra ser pedinte? Ele era covarde.
Eu?
Eu só estava passando do outro lado da avenida... juro que a minha vontade foi gritar... foi descer do carro e segurá-lo, mas eu não fiz nada... como o cara do carro de trás do agressor... também olhava incrédulo, mas só olhava... assim como toda a fila de carro atrás deles, esperando o sinal abrir.
Eu me senti conivente com aquela situação... não fiz nada.

15 de Março de 2.010