Ir a Portugal e não sair com alguma história verídica de português, não poderia acontecer!
Reuni poucas... mesmo porque tive pouco contato direto com o povo nativo.
Quando chegamos a Barcelos, meu pai ainda estava calmo... acho que ele fica meio nervoso no meio de tanto português.
Lembro que, no dia do meu casamento (será que já contei isso antes?), contei uma piada de português pra ele, que era assim:
"Pai, sabe por que aqueles ônibus de dois andares não deram certo em Portugal?"
"Não"
E como ele não perguntou o porquê, eu disse: "Porque a turma subia no poste pra dar sinal". hahahahahaha. Ele também não riu.
Bom, mas em Barcelos, existiam os portais das freguesias todos enfeitados por causa da quaresma e como estávamos meus irmãos, meu pai e eu juntos resolvemos que tirar uma foto do pai com os filhos embaixo do portal da Pousa (a freguesia dele) seria uma grande recordação daquele dia.
O Marcos, então, ficou escolhendo, dentre os transeuntes que passavam (caraca... será que isso é pleonasmo? Transeunte já é um passante, né?), quem poderia bater uma foto para nós.
"Vixe... aquele tiozinho não vai conseguir", realmente era um ser bem encurvadinho... devia tremer tudo.
"Vamos deixar passar esse também", porque a gente tinha medo de alguns com cara de suspeito... Eis, que, de repente...
"Ah, olha aquelas duas moças... vou pedir pra elas". E foi.
Elas estavam do outro lado da rua e eu via o quanto ele gesticulava e mostrava a gente e o portal da Pousa. Elas, universitárias provavelmente, pareciam entender tudinho. Sorriam e prestaram bastante atenção no botão que tinham que apertar.
Primeira foto: ela desligou a máquina, ao invés de tirar a foto... toca o Marcos ir lá explicar de novo... agora elas entenderam.
Primeira foto, pela segunda vez: fizemos pose e esperamos. Esperamos... um bucado; mas parece que deu certo. Outra! Elas queriam tirar outra só pra garantir. Tá bom.
Segunda foto: foi a outra.
O Marcos foi lá e viu: elas esqueceram do portal. Ele explicou de novo, e gesticulou de novo. Pelo que nós pudemos entender, de onde estávamos, a foto não tinha sido boa, ficamos paradinhos.
"E aí, Marcos? Não ficou legal?"
"Ai, a coisa ali tá difícil!"
Terceira foto: Elas deram zoom pra enquadrar bem a gente. Não era assim exatamente que o Marcos pediu... e, pra ajudar, ainda passou um carro.
Lá foi o Marcos de novo. Nem nos mexemos dessa vez.
"Agora, vai!", acho que ele jurava isso pra si mesmo. Um dos dois da ponta ainda convenceu o outro a abrir os braços, para uma pose nova: a foto merecia, né?
Quarta foto: SAIU A POUSA!!! Aleluia.
Mas o Marcos, perfeccionista... queria que pegasse o portal todo.
Os braços já doiam, o sorriso já amarelava... e será que a foto deu certo? Pela cara do Marcos, não.
Quinta foto: Elas bateram e nós saímos correndo... atravessamos a rua e agradecemos muito. Vimos só depois que elas não pegaram o portal inteiro de novo... mas tudo bem, né? Tá bom assim.
Quando encontramos o resto da família, fomos contar a dificuldade de entendimento entre os povos de língua portuguesa... eita, povo que não sabe falar português, credo!
Foi aí que deu fome (!!! de novo?) nas grávidas e Rafa [Jisuis... parece que tem um saco sem fundo dentro daquela barriguinha. :( Que inveja!] e foram comprar sorvete na lojinha do lado da nossa lanchonete. Dali a pouco, vieram as três soltando os bofes pra fora de tanto rir... ai, minha urticária: conta logo!
Elas tentaram, mas não entendi nadica de nada... só que homem que cuida da loja do sorvete é um senhor assim... não muito velho, nem novo... mas com certeza, um tanto desinformado; foi aí que a Rose assumiu o controle e falou:
"Nós fomos lá comprar sorvete, e aí a gente estava escolhendo o sabor. Não tem aqueles cartazes que ficam pregados na parede? Então, a gente estava lá escolhendo. A Manu disse que queria de limão, mas na dúvida, Rafa completou dizendo que tinha de todos os sabores... até que ela mesmo viu, no cartaz da marca de sorvete, que tinha até endereço no facebook: 'Olha tem até facebook!', ela disse. O homem que nunca ouviu falar desse sabor soltou rapidinho: 'Não, desse daí não tem... facebook não tem, não!'.
Mas o pior ainda estava por vir: todas se entreolharam, mas se contiveram; entretanto a Manu, que é sempre tão discreta, olhou bem pra cara do homem, encarou mesmo, tentou segurar mas não se aguentou e soltou uma risada gargalhada que podia se ouvir do outro lado do Atlântico. Daí... quem segurou, né?"
Ah, suas malvadas... tadinho do homem... [kkkkkkkkkkkkk]

Depois dessa pérola, outras histórias me afloraram... como não poderia deixar de ser.
Como aquela que aconteceu com a Manu na Feira de Barcelos.
Ela, já cansada de tanto andar por entre as barracas escolhendo roupinha de bebê, foi perguntada por uma vendedora muito gentil:
"Olhe, sente-se um pouco para descansar a barriga", mostrando uma cadeira.
Antes mesmo que ela pudesse agradecer, a outra portuguesa, com certeza, já foi se intrometendo:
"... e lá alguém pode tirar a barriga pra descansar?", incrédula, "Pois que se sente ela toda! Aí é que resulta!" Esse 'aí é que resulta' foi o golpe de misericórdia. Depois esse povo vê a gente rindo e acha que os brasileiros riem à toa...
Ah, tá bom... pode não ter tido tanta graça agora, mas na hora, eu não conseguia me conter. Acho que era o clima.
Por sinal, por falar em clima, acho que ele fez mal pra Manu (já reparou que tudo era ela?)
Estávamos almoçando no Restaurante do Arantes, e de lá eu olhava uma reportagem na televisão: era a irmã Lúcia.
"Mas quem é essa?", Manuelita curiosamente perguntou.
"A irmã Lúcia.", vendo sua cara assim, como dizer? Continuando sem saber quem era a irmã Lúcia, complementei: "... é uma daquelas crianças que viu a Nossa Senhora de Fátima."
"Ah, é verdade", minha mãe explicando, "era a Lúcia, o Jacinto e Francisco"
"Ué... mas ela não era criança, não?"
"É, Manu... mas ela cresceu, né?"
Pior do que a pergunta foi a cara dela: com comida na boca, tentando segurar a risada, e um tanto encabulada. Tudo ao mesmo tempo. Por sorte, ela não engasgou.
Ai, Manu. Tudo bem, tudo bem... perdoamos você.
:P
Foi aí que ela contou uma boa de uma amiga dela, conversando com o motorista do carro em que estava:
"O senhor pode parar aqui?"
"Posso", só que ele não parou.
"... mas o senhor não parou!"
"Mas a senhora não me pediu pra parar, só me perguntou se eu podia parar ali".
Ai, Jisuis.
Mas não pense que somente a Manu passou por poucas e boas em terras lusitanas: o Marcos também foi alvo preferencial.
No duty-free de Lisboa, ele viu um livro de receitas típicas portuguesas, e tinha em vários idiomas... só não tinha em português mesmo... mas como eu não me aguentei e já contei essa história, não vou contar de novo,né?
Ou, então, quando ele estava no hotel super legal Suave-Mar (pra ver que é em todo lugar mesmo que essas coisas podem nos acometer).
Marcos e o garçon do bar de lá.
"Se eu quiser pedir alguma coisa daqui do bar lá no quarto [olha as lombrigas do rapaz], qual o número que eu ligo?"
E a resposta do dito:
"Ora, como eu sei? Nunca tive que ligar pra mim mesmo!"
[???!!!]
Pai... você sabe que a gente gosta muito de você, né?
Não liga, não, pra esse povo que conta as histórias da Terrinha... mas parece que os portugueses fazem de propósito!!! hihihi
:P