Eu fui toda feliz buscar minha 'irmãzinha' na maternidade... sim, porque depois de um homem (o Jú), uma mulher (eu), outro homem (o Marcos)... pela sequência seria uma mulher... nada mais justo; mas eis que, não mais que de repente para meu espanto... era um MENINO ???!!! Impossível !!! Acho que fiquei quase uns 10 dias sem olhar pra cara daquele ser intruso dos meus sonhos.
Meus pais, caláro, ficaram preocupados e, só pra me fazerem feliz, me deixaram brincar de boneca com ele, e consegui até que colocassem aquele bebezinho pra dormir no meu quarto... lembro do dia que ele foi transferido pro quartos dos moleques: era um tal de empurrar a cama e enxugar as lágrimas. Aff.
Bom, eu dava comidinha, contava historinha, mas às vezes (e somente às vezes) eu era um pouquinho má... rá-rá-rá-rá [esfregando as mãozinhas aqui, com aquele olhar maquiavélico]. Teve a odisséia da lancheira, quando eu estava indo de carro pra Mogi, fazer não-se-o-quê e ele queria uma carona pro inglês dele... só que o bichinho estava atrasadaço, né? O que eu fiz? Pisei fundo e teria ganho do Barrichelo numa competição de rua aquele dia... a gente nem conversava, tamanha a minha concentração. O trajeto que, normalmente, gastaríamos uns 45 minutos, fiz em 20! Chegamos!!! Claro que ele não estava mais atrasado... somente eu estava meio fora de prumo.
"Tchau, Cá... e obrigado." E ele foi descendo do carro feito um lorde, como se um trem em desalinho não tivesse passado a um palmo de nossas cabeças (tá bom... sou um pouco exagerada também).
"Hãã ??!" (eu, desnorteada) "... ahhh, tá... tchau... NÃO ESQUECE A LANCHEIRA!", gritei.
Neste terrível momento-de-alguns-segundos, o seu olhar de adolescente foi tão incerto... tinha algo de não-acredito-que-você-fez-isso-na-frente-das-meninas (tinha umas meninas ali... acho que rindo) misturado com espera-só-eu-te-encontrar-de-novo. Fui embora sem deixar ele me responder.
Afora isso sempre foi um menino estudioso... credo... até mais que eu! E o S'Ormindo diz até hoje: "O Marinho me enchia tanto a cabeça que ele não ia conseguir, que eu resolvi perguntar pra ele: 'Ó, Mar-Maurício (hehehe) mas vamos dizer que, se você não passar pra diplomata... o que você vai querer ser?"
A dúvida pairou em sua mente por alguns nano-segundos...
"Ó, pai... ou eu vou ser diplomata... [pausa] ou diplomata." :-)
Pois, é... agora não adianta fazer essa cara de surpreso aí de cima (na foto, Mané)... descobrimos sua verdadeira identidade... sei que tudo que depender de você, o bem sempre prevalecerá...
Parabéns, e continue assim, porque é assim que gostamos de você... feliz.
30 de Maio de 2.010


