Saimos da propriedade pela rua que deveríamos ter entrado, ou seja, saímos pela frente mas que, para nós, parecia ser os fundos e seguimos, uns tantos metros, para virar numa ruinha de terra batida... e não é que, no meio do caminho (ou mato), encontramos isso:
UMA PLACA SUPER BONITINHA NO MEIO DO NADA!
Deve ser bom ser carteiro lá.
Pegamos todo mundo de surpresa, ainda assim nos ofereceram o que tinham de melhor: pão e vinho.
Lembro da primeira e mais longíncua vez que fui a Portugal, e que eu comia uma broa de milho... não sei se acabei me acostumando, mas a lembrança que eu tinha era que era uma delícia. Não comi novamente daquela broa, mas a que nos foi oferecida foi ótima... além do vinho, produzido (orgulhosamente) pelo próprio dono do lugar. Não vou entrar em detalhes da sua produção... afinal, todo mundo deve saber como os vinhos são feitos artesanalmente. Nem vou falar nada.
[pausa]
Tá bom, ó inúmeros leitores que eu tenho, vou contar: são esmagados com os pés. Eca!
Prefiro acreditar que os mesmos sempre são limpos com água sanitária e bombril... mas também, nunca perguntei nada.
Não sei com quem eu conversava sobre a China e suas comidas exóticas, e sei que eu disse que o meu irmão rico, quando foi lá, contou que viu uma menininha... dessas bem novinhas, com uniforme de escola de saia e maria-chiquinha no cabelo, parar numa barraquinha tipo cachorro-quente de calçada. Quando ela se virou é que ele pode ver o que ela segurava: um espetinho de escorpião frito, e era daqueles enormes e pretos.
Aff, que se sou eu fazia ela largar aquilo na base do tapa e voltar pra casa direto da próxima vez.
Essa outra pessoa que não quer se identificar (mentira, não me lembro mesmo), disse que um amigo nunca passou fome lá, mas também nunca perguntava o que era.
[Ahhh, lembrei: era a minha dentista Lígia]
Então, é como o meu pai sempre fala: "Se o cozinheiro comer primeiro, eu como também".
Em suma, algumas vezes na vida, melhor ficar na ignorância mesmo.
[Do que é que eu falava mesmo? Ah, a esmagação do vinho]
Então... eu cheguei a pensar em qual a sensação de ficar esmagando as uvas com os pés, mas isso só quando eu era pequena, agora nem pensava mais, e eu acho que eu achei que era meio que pisar na lama bem mole... só que tinha o agravante de ser bolinhas... então devia ser como pisar em cocô mole de cabrito. Não que eu tenha já pisado em cocô de qualquer coisa que seja (bom, exclua-se daí o cocô de cachorro e de cavalo, que nem é tão pequeno assim, mas às vezes a gente anda distraída, né?). Mas devo dizer (e dar a mão à palmatória) de como era bom aquele vinho! Tão bom que minha própria mãe bebeu...tudo bem que eu não sei se foi a emoção do momento, ou o calor dos infernos, mas que ela tomou... ah, isso ela fez, e não foi um golinho só, não.
A Rosa, esposa do Antonio (já falei que eu tenho um tio chamado Antonio e que a professora do meu pai era Rosinha? Pois é...), ela parecia muito brava, mas com certeza não era porque nem parecia se importar em ceder sua sombra ao seu cãozinho: ia lá ela pra cá, e ele a seguia (por trás, danadinho) e parava na sombra dela... ia lá ela para o outro lado, e o espertinho de quatro patas ia lá se ajeitar de novo na sombra da boa mulher. Acha que eu ia perder a oportunidade? Tirei foto pra documentar.
Mas quem eu mais me identifiquei, entretanto, foi uma 'agregada' da família: a viúva de um filho. Agora não me lembro o nome dela... mas era totalmente doidinha. Era ela que subia e descia as escadas conforme as ordens da matriarca e era quem fazia as melhores poses pras fotos... nem ligava muito para a aparência... dava uma esticada nos cabelos e já punha as mãos na cintura, esticava uma perna, ou empinava o pescoço. E qualquer motivo era motivo para uma foto também: o boi dela, os filhos dele (do boi), a pastagem, a videira... fosse o que fosse. Uma figura!
A sensação que eu tive daquele lugar foram de pessoas simples, um pouco rude, mas com uma vontade enorme de agradar. Acho que fomos assunto deles por muito tempo. Gostaria de ter sentido melhor todo aquele lugar par tentar me reportar aos tempos que meu pai vivia lá. Era até mais perto da casa do 'paizinho' do que eu imaginava, e dava mesmo pra correr lá e se safar de uma boa surra... mas do jeito que meu pai falava, parecia que ele corria quilometros.
Meu pai conta que, quando era pequeno, não se lembra da mãe dele dando um beijo... tempos difíceis... ainda bem que a realidade mudou. E bastante.
:)























