RSS
Mostrando postagens com marcador bike. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bike. Mostrar todas as postagens

03 setembro, 2014

... e tinha uma pedra no caminho



Nós ainda morávamos na casa da árvore... sim, nós damos números para os filhos e nomes para as casas. 

[Pausa da história inicial]
A genética de casa deve ter dado alguns mal-contatos porque desde quando eu era pequena, meu pai errava os nomes dos filhos... e pior, minha própria mãe também. Por aí se vê que, se puxar de um lado ou de outro da família, o caos está instaurado; e comigo não foi diferente, também erro o nome dos rebentos.
Quero chamar a Cacá, sai Bibi... vou chamar o Tico, vem o nome da Cacá... berro o nome da Shakira quando quero o Bi... um verdadeiro sapato largo. 
A solução genial não é minha, devo confessar, vem do Mc Donald´s: você pode chamar por nome ou número.
A Cacá é a Número 1; o Bibi, o Número 2; e o Tico, o 3.
Temos um amigo que sempre foi meio doido e que adorava ficar chamando meus filhos pelos números, quando eles respondiam ou olhavam, ele dizia: "Não é nada, não!". Puro prazer de comprovar o que eu chamo de Nomenclatura McDonaldiana.
E as casas? 
Como vou explicar pros meus filhos pequenos (cof, cof) de qual casa estamos falando? (e cigano é a vovozinha, antes que eu me esqueça).
Por isso já moramos na 'Casa da Travessinha', vizinha do nosso excelentíssimo ex-vizinho cabelereiro Alberto Roberto. Quando ele, sozinho, se trancava pra fora, ele escalava o meu muro e pulava pra casa dele. Sem pedir ordem e sem saber como a matriarca estava resplancendentemente vestida.
Moramos também na "Casa das Águas'. Um nome bucólico para uma casa dosinferno: toda vez que chovia, caiu um dilúvio dentro de casa. Juro! Chovia mais dentro que fora.
A molecada gostava porque tinha um jardinzinho na frente de casa sem jardim; logo, o barro que formava virava pista de patinação de pobre.
Uma alegria, e o pior que era mesmo: quando não chovia, eu mesma jogava água.
Aquela frase de 'somos tudo pobre e limpinhos' não se aplicava muito em alguns dias. A gente era pobre, mas bem sujinhos.
A Shakira e o Bi nasceram na Casa Travessinha; o Tico, no nosso único apartamento... e só por isso, não ganhou nome.
Foi lá que ganhamos o nosso primeiro canarinho.
Ele era bem amarelinho-canário, quase branco, e era canária, porque quando levei na faculdade de veterinária de Jaboticabal, descobri que a doença dela era câncer em alguma parte feminina... nem sei como chama.
Nesse predinho tinha um povo estranho. A turma do fundo era meio louca, mas gostava da gente; em cima deles, uma japonesada completamente oriental,e, em cima da gente, um casal de bib's, calmíssimos. Por outro lado, na frente do predinho, tinha um bar!
Ai, como eu já xinguei aquele povo: era música sertaneja o fim de semana inteiro.
O que eu podia fazer? Grávida e histérica por silêncio? Mandava o marids.
Quando a gente saiu de lá, eles me adoravam e achavam o Lemonito um chato...... maldade, né?
Nossa última casa de aluguel foi a Casa da Árvore.
Fomos muito felizes lá.
Era naquela casa que eu colocava a batedeira no chão para fazer bolo e biscoitinhos de Páscoa com a mulecada, e eram os 3 enfiando as colheres de pau no meio das pás.
A batedeira durou muito. Ganhei de casório da Amélia, viúva do Jorge, que queria casar primeiro com a minha mãe, mas ela não deu bola. Ele era irmão da Tia Iva... outra malukinha familiar.
A yaya foi enterrada no túmulo emprestado da família deles, e fui eu que levei os seus restinhos pro cemitério perto de casa, depois de 5 anos de falecimento, eu acho, pra ficar perto do Vô.
Eu tinha uns 19 anos e estava morrendo de medo, depois de ver os poucos pedaços do vestido azul e do xale rosa que ela tinha sido enterrada, com palpitação na garganta... mas eu pensei assim: 'Caramba... é a minha yaya... que mal ela ia querer me fazer?'
Foi assim que vim o caminho todo.
Tenho tantas saudades deles.
Adoro sonhar com quem já se foi, porque é um jeito de matar as saudades... eu já rezei pra sonhar assim.
Bom, foi daquela casa que a Dibutuca fugiu, e pra onde a Chiquinha veio, num presente de Papai Noel.
A copa-cozinha tinha azulejos lindos. Era toda branca com uma faixa de azulejo de paisagem azul. Naquelas paredes eu colava figuras bonitinhas com o nome em inglês, tipo uma bruxa e 'witch' embaixo.
Eles aprenderam bastante, mas já devem ter esquecido tudo.
Foi lá que a Shakira ganhou seu primeiro quarto sozinha, e os meninos ganharam suas primeiras metades de quarto: Pintei a primeira metade de verde, e ficou pro Tico; a segunda metade era azul, do Bi.
Foi marcante porque o Bi só quer azul, e o Tico, verde.
Falando em bruxa, o Chaves tinha a Bruxa do 71, mas nós tínhamos a Bruxa da casa de cima.
Aff, ô mulher chata.
A Casa da Árvore se chama assim por tinha uma Sete Copas, bem da mequetrefe, na calçada fazendo nada de sombra e indo até a altura da fiação elétrica.
Naquela época a gente fazia churrasco no quintalzinho da frente, que era murado, não se via da rua mas abria inteiramente pra dentro da sala.
O problema era o sol.
A solução foi deixar a árvore crescer.
Ela, realmente, cresceu, cresceu, mas cresceu tanto que a vizinhança queria me matar. A danada solta todas as folhas no inverno, e são umas baitas folhonas que vira o maior tapete.
Não entendo o porquê de tanta irritação, afinal a casa da mulher só tinha um portãozinho e um portão de carros num muro gigantemente alto.
A cabelereira, da outra esquina, tinha só a lateral da casa pra árvore; mas as duas não suportavam aquelas folhas... mais ainda: a velha de cima reclamava que a árvore fazia sombra na piscina dela.
Meus filhos queriam saber porquê ela fez a piscina dela ali se já tinha a árvore.
Era uma boa pergunta pra quem nem sabia perguntar muitas coisas.
A Dunivi e eu varríamos todos os dias as calçadas das duas, mas nem assim elas se davam por satisfeitas.
Quando fui embora, de mudança, vi um pedaço de papel escrito assim:
'Você esqueceu de levar a sua árvore'.
Fiquei tão brava que quis fazer boletim de ocorrência, mas o guardinha não deixou porque o tiro podia sair pela culatra, se eu não tivesse provas.
Deixa pra lá... antes de cortarem a árvore mudou pra lá um esotérico que não cortava árvore (kkkkkkkkk)
Elas si fu.
Ficaram com mais 4 anos aturando a Sete Copas e suas folhas, porque ele não era como nós que varríamos. 
Um dia eu lembro que eu cheguei da escola, com as crianças no carro, e vi uma escada na árvore e galhos no chão.
Briguei tanto com um negão que ficava lá pendurado, que se ele quisesse me bater, seria até covardia: foi a bruxa de cima que queria cortar 'a parte dela da árvore'. Louca. A árvore estava todinha na minha calçada, ela só queria deixar a árvore capenga... perigoso ela até cair.
Quando o inquilino saiu, elas cortaram tanto a árvore que parecia um toquinho, mas fizeram isso antes de entrar outro inquilino.
Mandei o guarda do Meio Ambiente lá e alguém pagou uma multa.
[Despausa]

Voltando aos finalmentes, foi lá, na Casa da Árvore que o Bãrids ensinou meus filhos andarem de bicicleta.
Essa casa era de esquina, então na rua de baixo que era mais reta, lá iam eles... um filho encima da bicicleta e o marido segurando o banquinho atrás. Uma vez a Cacá e outra, o Bi.
A bichinha até que pegou rápido, o Bibi é que demorou um pouquinho mais... mas foram.
E segunda-feira passada, foi a primeira vez que o Bi foi pra escola de bike.
Eu fiquei emocionada, de verdade.
O Vitor vem de ônibus da escola, na parte da tarde... e a Cacá já até se perdeu no centro de tão desmiolada descolada que ela anda de busão (bom, o Bi também já fez isso em ocasião diferente).
Isso acabou me fazendo lembrar de um causo do Lemão.
Ele era muleque mesmo e acabou que atropelou um carro na descida e numa curva. Ainda saiu correndo, sem prestar socorro ao motorista... que deve ter ficado durinho, morto de susto.
Mas isso é mais velho que o lago em Bauru, com formato de homem...quem faz isso no meio de um nada pra ser visto de avião? Bom, talvez fosse parente do Niemeyer.
Lá estava ele, o rebento de Barbacena do Norte de Ribeirão Preto: Muleke magrelo, loirinho, o menor de uma gangue de uns 8 mulekes. E o barato era andar de bicicleta, como quem foge da polícia.
Lá foram eles, destemidos e sem breque (pelo menos, o meu marido... todo mundo já andou de bicicleta sem breque uma vez na vida) numa descida aterrorizante que culminava numa curva. E vinha um carro!
Fico chateada pensando na alma amiga que estava naquele carro. Estava, porque não deve estar mais entre nós desde aquela época. Imagina você vindo de um supermercado, pensando na morte da bezerra, em como se controlar para não torcer o pescocinho dos filhos porque a louça do almoço ainda vai estar lá, esperando a bronca santa de todo dia, quando... não mais que de repente, um animal sem rabo e de 2 rodas voa por cima do seu capô, com tudo, cai atrás do carro, e .................. sai correndo, lógico, senão ainda vai ter que dizer onde moram os pais, e estes vão ter que consertar todos os amassados e arranhões causados na lataria.
Pois é... esse é o meu Bãrids.
Sempre disse ao meu Oscarito: "Se os nossos filhos puxarem pra você, ou pra mim, estaremos perdidos". Não sei pra quem puxaram... acho  que pra algum primo mais certinho de Barbacena do Sul.



08 dezembro, 2009

Muita calma nessa hora...



Não tem como negar: existe uma revolução entre nós... tipo aquelas invasões alienígenas que somente algumas pessoas privilegiadas como EU e a Xuxa... (bom, acho que o caso dela era o Pelé ...não, não! Quis dizer duendes! O Pelé tá mais pra gnomo-ciclope. rs) podem ver e compreender a grande dimensão do movimento que atormenta o mundo. O segredo é que eles vieram transvertidos de máquinas assassinas: as indecentes inocentes bicicletas. Quem já não levou uma rasteira delas? Eu mesmo já presenciei e peguei vários depoimentos. A mais recente foi eu mesma... de novo!

Ela se aproveitou de uma pequena distração minha e, MESMO PARADA E NA SUBIDA consegui um roxo quilométrico na panturrilha. A artimanha dela foi incrível: depois de dar uma empurradinha ajudinha no Tiquinho, só pra pegar embalo, já subi na difamada e acelerei... só que a camiseta que eu usava (enooorme do Lemão) enroscou no banquinho, e eu fiquei naquela situação... nem subi na bike, nem consegui pedalar (fiquei sem equilíbrio...). Aa bicha levantou a dianteira, que nem cavalo chucro sendo domado (sabe que falando agora acho que ela até relinchou que nem o Silver ... para os muito novinhos, Silver era o cavalo do Zorro... e ele, o Zorro, era o meu amor de criança. Queria até mudar meu nome pra Rosa, que era a namoradinha dele) [volta, Rosinha, quero dizer, Carminha] ... onde eu estava mesmo? Ah, é... ela relinchou, empinou e, se não fosse a minha destreza de amazonas, eu teria ido pro chão... mas não saí ilesa... sobrou uma cicatriz de guerra. Mas já estou melhor, obrigada!

Agora, muito pior foi minha cunhada, a Rose. Ela quebrou o braço quando andava tranquilamente pelas ruas de Sampa (e era nos Jardins! ... Num tô falando... só gente chique nessa família. Rsrsrs) mas tinha um bueiro mal tampado no seu caminho, meu irmão pisou num canto (bueiro tem canto???) e a tampa levantou. Ele disse que iam conversando, de repente, ela sumiu... pronto... já estava lá, estatelada no chão. (Ele pensou que ela tinha sido abduzida... Ôh dó) , mas sarou e aí (eita que essa menina parece ligada no 220, não pára nunca!!!) foi andar de bike, acho que só pra dar uma relaxadinha... na volta (atenção momento-suspense) o raio da magrela dela devia ter depressão profunda e resolveu se suicidar embaixo de um ônibus... E QUERIA LEVÁ-LA JUNTO! Ainda bem que ônibus não sobe na calçada (bom... normalmente, né?) e que pena que ela não era de grama... lá foi minha cunhadinha virar outra vítima desses seres encasquetados a acabar com a raça humana. Ela quebrou de novo, no mesmo lugar ... acho que descolou. (Liga não, Rose... o Lemão aqui tem uma fita adesiva aqui que é uma ma-ra-vi-lha... kkkkk) [Contei que minha cortina descolou de novo?]

08 de Dezembro de 2.009

27 novembro, 2009

Acho que eu já vi esse filme antes...


Existem situações em que a gente acaba se expondo a perigos repetitivos... sabe, tipo daqueles recorrentes desde crianças, e que parece que se propagam geneticamente? Digo isso porque sempre tive uma quedinha por bicicletas, mas não sei se aprendi a andar direito até hoje... bom, dizer que tenho quedinha, talvez, seja até aliteração minha... tenho verdadeiros 'body-jumps' com essa máquina mortífera de duas rodas.

O meu primeiro grande acidente aconteceu no dia que a minha “enveneada” acordou de guidão virado. Aquele ser animado pelas minhas pernas tinha vontade própria, e sempre diferente da minha... às vezes eu queria virar pra um lado mas se ela encasquetasse de ir reto... a gente acabava indo pra onde ela escolhia (por causa da ‘folga’ na roda da frente), e toda vez que eu tinha pressa, era um tormento... eu tinha que fazer uma força do cão, porque ela prendia o breque, de propósito, que eu sei (e eu que me desse por feliz quando isso acontecia só no de trás) mas, naquele dia fatídico, aconteceu exatamente o contrário: ela fingiu que esse mísero aparato de frenagem fora abduzido... fiquei SEM BREQUE NA DESCIDA.

Isso realmente não me apavoraria se não fosse o fato de que a rua em que nos encontrávamos (a Fátima e eu) não fosse uma armadilha para pessoas distraídas: a outra que cruzava a nossa (a rua da casa da Cristina) era super pacata... mas, quando dava de passar carro, era em altíssima velocidade; logo, ou eu brecava de alguma forma, ou poderia virar um ovo frito estrelado no asfalto. Quando a gente se sente em perigo mortal, a imaginação aflora que é uma beleza, e um plano infalível logo se desenhou em minha mente: aquele poste que eu nunca reparara antes, seria minha salvação!

O plano infalível:

1- Subo na calçada;

2- Passo bem pertinho, quase arrancando a tinta (que tinta?) da marvada-sem-coração;

3- Seguro, rapidamente, o poste com as duas mãos; e,

4- Deixo a bicicleta-possuída morrer sozinha (vá de retro, sua besta).

É isso aí... não tinha como falhar... seria o plano perfeito.


Subi a calçada, mirei o poste... até agora tudo bem... cuidado, Carminha... sem trombar... só mais um pouquinho... Aqui! Ele... o post........ PLOF PLAF ZUM!!!

[pausa terrível... pelo menos estou viva ainda]

Eu segurei, sim, no poste... só que a peste da bicicleta, já prenunciando seu fim, e como última esperança (pra ela), não me largou... pelo contrário, ainda se enganchou no meu pé e, se vingou, me arremessando contra o poste semi-iluminado (ainda bem que ele é redondo senão teria me partido ao meio). Fiquei lá... estatelada... grudada... amorfa... eu fazia, já, parte integrante daquele poste, enquanto minha prima ia resmungando (achando que eu tinha feito uma grande burrada) e ia me desgrudando dele (quase foi buscar uma espátula pra isso). Fui pra casa empurrando a maledeta (filha-da-mãe, você tem sorte de eu ter bom coração e não ter te largado lá), com o ouvido direito zunindo (nunca mais ele voltou a ser o mesmo) e com uma baita baixa-estima como dificilmente se veria novamente em mim.

Esta não seria a última vez, infelizmente, que meu joelho ficaria em carne viva e nem meus ossos quase que moídos... já entrei com o pé na roda enquanto estava na garupa do meu irmão João (sempre nós dois... pisa fundo aí), já brequei muito com o da frente achando que era o de trás, já lambi muito chão; mas também já andei de pé na bichinha, já fugi muito de cachorro a toda velocidade e já imaginei que eu estava no avião invisível da Mulher-Maravilha (tudo bem se somente os dinos lembrarem dela!). Acho que minha primeira lembrança (e frustrada) de bike foi o carrinho vermelho que eu e meu irmão ganhamos do meu avô Enrique. Ele era carrinho, mas só por fora, porque sua alma era de magrela (além de seus pedais). Ainda posso me lembrar do quintal da minha casa quando éramos somente o João, a Lu, a Fá e eu. [A Lu, Maria de Lourdes; a Fá, Maria de Fátima; e eu (confesso) sou Maria do Carmo... as Três Marias. Como eu era a do meio (pela idade), brigávamos muito porque, no desenho da constelação de mesmo nome, eu dizia que era, legitimamente, a do meio... posição que as outras duas irmãs, e minhas primas, reinvidicavam insistentemente]. Sei que eu não conseguia pedalar o raio do carrinho... caramba... tinha que fazer movimentos sincronizados com as duas pernas e ainda alcançar os pedais!!! Muita coisa! O que me sobrava era (sempre, né?) ir na garupa dele... deve ter causado em mim algum trauma, esse sentimento de inferioridade. Dessa época, a minha mãe conta que numa das brigas com minha prima Lourdes, fui empurrada no corregozinho que passava do outro lado da rua... quase morri afogada. Fui socorrida por algum bom samaritano de ótima visão e pouco olfato que passava... ela disse que eu cheguei fedidésima... Ugh! [Nesse corregozinho tinha um túnel enoooorme, pelo menos pra mim (isso eu lembro), onde a gente caçava sapinhos.rsrsrs Eita coisa nojenta... será que vem daí a fixação do Tiquinho por esses répteis? Ai, anta... não seriam anfíbios??? Tô na dúvida. Não, são anfíbios, sim... Né?

[Volta, Carminha]

Outro dia recordei todos esses sentimentos dúbios que uma bicicleta pode nos trazer. Pedálavamos em meia-família (Bibi, Lemão e eu, somente) aqui mesmo no condomínio. Agora já sei me virar muito bem e ando feito meu marido... praticamente uma profissional... o ventinho no rosto, o maior pau nas descidas (nas subidas ainda vou acabar me acostumando... mas tudo bem: ou é isso ou é a dieta da sopa). Uh-hu... largo o guidão, abro os braços e grito de satisfação... (tá, tá bom... só o Lemão consegue fazer isso). Pra que tanta limitação se a gente pode ter o mundo? Fomos pedalar nas ruas próximas, fora do condomínio (ai, que perigo... sai da frente aí). Bibi estava feliz da vida porque ia me ensinar um caminho de terra... numa situação muito "maneira" e, pra isso, ele não limitou manobras arriscadas e descidas em alta velocidade... mas a magrela dele devia ser parente próxima daquela minha “envenenada” de antigamente: foi só ele entrar na ruinha de terra e a bicha foi direto pra cima da ÚNICA pedra solta e, deu a maior rasteira no ego do meu filhinho querido... e o pior: eu vinha atrás e assisti a tudo. Meu coração de mãe ficou em frangalhos pelos gritos que ele dava (durante a queda!). Ele caiu em câmera lenta aos meus olhos... vi cada movimento seu: uma perninha subindo quase acima da cabeça, a outra saindo da bike, e uma roda por cima de tudo... foi um balé de movimentos imprevisíveis. O que eu fiz? A única coisa que cabia a mim: acelerei! (quem sabe eu não chegasse primeiro, antes dele ir ao chão de uma vez, e o pegasse no colo ainda?) [coisas de mãe... não tenta entender, não!]. Só que, quando eu cheguei, ele já estava no chão, choramingando. Eu? A outra única coisa que poderia: brequei! O problema é que eu parei, mas a filha-da-mãe-daquela-outra-sem-coração não! (desgramada... deve estar rindo de mim até agora) e lá fui eu pro chão, que nem quando criança, arrastando a padaria e sujando toda a calça. O Lemão assistiu às duas quedas e disse que não sabia em qual ele não acreditava mais... se na minha ou na do Bibi.

Levei o meu dodóizinho pra tomar banho, cuidei do cotovelo cheinho de sangue e terra e, ôh dó, deixei que faltasse na escola, no dia seguinte. No dia seguinte, ele não foi mesmo na aula, ficou até que muito bem... eu acordei com dor nas costas e dois roxos na coxa: um maior, do guidão, e um roxinho menor um pouco acima, da alavanca do breque. :) Caba não, mundão!

27 de Novembro de 2.009