RSS
Mostrando postagens com marcador eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eu. Mostrar todas as postagens

28 novembro, 2022

Limpeza profunda



Dias passados na casa dos nossos amigos, e eu ainda não tinha desentalado o meu inglês... foi difícil pra mim porque eu me sentia muito cobrada, além de sentir vergonha. É aquela coisa da vergonha alheia, mas eu sou a alheia também. 
A gente só ia até o Green Kitchen comer salada ceaser, então faltava interação. Pra resolver isso, a Patrícia sugeriu algo bem pontual: pegar lixo na pracinha! Pode parecer estranho mas é a vizinhança que mantém os arredores limpos.
Elá fui eu pra frente da Green Kitchen (sempre ela). Eu me indentifiquei, mostrei minha casa (do Gabriel) e disse que queria ajudar; eles ficaram super contentes de terem uma brasileira mas também não me esperaram muito, não. Foi cada um pro seu lado e eu fiquei com a organizadora, a Siobhán. Ela foi super gentil, entregou um saco azul gigante, um par de luvinhas e um bastão. Lá fui eu, com o saco mais leve que a minha consciência.
Se eu tivesse um grilo falante, ele provavelmente diria: "Minina, volta pra casa, teus rebentos precisam de ti, Cacá está maluca, Bibi está sozinho e Vituim... bom, ele deve ser o único feliz, porque nem nossos anfitriões estavam"
Na verdade, eu só fiquei mesmo rodando em volta da pracinha e da igreja (* tem que entender que eu não sabia onde era o limite da operação, porque eles falaram que era daqui até ali, e de lá até o outro lado, senão a gente entraria na jurisdição do lixo alheio); numa outra ocasião, eu tinha entrado pra ver, e era igual como qualquer outra. Só que eu percebi que o povo chegava, deixava o saco bem cheio de sujeira, dava aquela risadinha de comemoração e saia de novo, e o meu saco vazio de tudo. Como eu não queria 'perder' o jogo do lixo, resolvi dar uma roubadinha: primeiro, comecei a colocar algo mais vultuoso que só os saquinhos que eu encontrava, e comecei a por algumas pedras; só que aí eu percebi que eu ia ficar carregando peso. Bom, o que foi, foi, mas tinha que mudar de estratégia. Não pensei duas vezes: fui até em casa e pedi algum lixinho pra colocar no meu saco. E que saco, a Patrícia não me deixou roubar muito, e o Lemão ficou do lado dela.
Apesar de usar indevidamente a minha inteligência, fui a que tinha o saco mais vazio no final.
Por outro lado, a Siobhán tirou minha foto, publicou no facebook do grupo e ainda me passou seu número de telefone. Disse que eu era a mais animada da turma (por que será, ne?)
As duas meninas que sairam na foto comigo deram o maior trabalho pra Siobhán.
Uma delas era moradora do bairro, com certeza, a outra não tenho certeza; mas deve existir uma lei moral de ajudar na faxina do bairro, e a mãe obrigou as duas a irem catar lixo. 
Que programão. 
Elas não estavam nada felizes e, por isso, sumiram. Mas, às vezes, o destino dá uma rasteira em nós, os pais dessas crias sem coração, e uma emergência fez com que as meninas tivessem que voltar pra casa com urgência.Caláro que o desespero ficou só com a minha nova amiga irlandesa porque ela ficou na maior gastura, rodando feito peão de rodeio pra ver se a energia das bichinhas atraiam ela pra algum lugar; mas elas apareceram, com a paz dos anjos que não se descabelam nem no juizo final. Elas foram tranquilas pra casa, e a Siobhán voltou a catar lixo.
Aborrescente é a mesma coisinha em qualquer lugar do mundo.
Eu ter ficado ali feito uma boba rodando e matutando em como arrumar mais lixo, só pra não ter aquela sensação de não estar usando todo o potencial do saco azul (o desperdício aqui é tido como uma grande infelicidade humana), fez eu ter a certeza que meu lugar não era ali: em algum momento teríamos mesmo que partir. 
Partimos aquela tarde em busca de casa, aluguel, sala de home office, qualquer coisa.

12 julho, 2016

Como os anjos nascem




O sentimento era de total desespero, um fogo que comia o peito e que, apesar de todo preenchido pelas chamas, ainda ardia com num vazio desolador. Certamente ele fora um covarde; é claro que ele poderia ter tirado aquela criança de lá, se não tivesse sido covarde daquele jeito. O touro já não importava mais... uma vida tinha ido. E a culpa era dele... ele não chegou a tempo... eu não cheguei a tempo.
Retrocedendo um pouco a cena, é possível ver uma casa numa parte mais elevada de um terreno quase plano. Ela era toda em madeira, desde as paredes até o telhado, toda muito rústica, e com uma grande varanda na frente. A porta se abre e o homem, de uns 38 anos, sai de dentro dela. É um entardecer, mas ele parece estar sorrindo, e olha para frente, na minha direção.
Ele vê a menina, uns 4 anos, novinha e inocente, e ela vai entrar na baia onde o touro esta. Esta baia não é grande, é estreita e comprida, feita por toras de pinheiro.
É como se eu estivesse no epicentro de um furação porque ele olhava na minha direção, com uma expressão muito diferente de quando saiu da casa, ele abana e grita, então sai correndo, em disparada para algum lugar bem à minha esquerda. Ele não me vê; eu não me viro de novo para ver a cena, e todo o mal segue seu curso, como antes.
Avançando para uma hora depois de tudo que aconteceu, ele ainda está lá, largado no chão da sua casa, inconformado, tentando entender e querendo que aquilo nunca tivesse acontecido. Agora ele carregaria aquilo para sempre.
Seu rosto já não chorava, ele estava em estado de choque, o tempo não passava.
Eu fui até ele, e eu sentia tudo que ele estava sentindo porque ele era eu também. Fiquei bem na sua frente, e tentei falar que ele não tivera culpa, que ele poderia superar tudo aquilo... tentei falar muitas coisas, mas nem as palavras saiam. Ele me olhava mas não me via, não me sentia, era como se eu não estivesse ali; mas eu, ao contrário, sabia e sentia tudo que passava dentro dele.
Num acesso imenso de amor que eu tive por aquele ser em profundo sofrimento, e sabendo que nada do que eu falasse seria possível confortá-lo, eu o abracei por cima de suas costas e disse, com convicção: "Eu vou cuidar de você".
Nessa hora, eu já não era o homem e nem a pessoa disposta a ajudá-lo, mas um observador externo e a cena que eu vi era de uma anjo abraçando alguém.
Eu entendi o 'SOMOS UM', e presenciei o nascimento de um anjo.
Ainda que não fique conectada àquele ser o tempo todo, sei que uma parte de mim ficou com ele, e que ele cuidará do outro.

12 julho, 2014

As surpresas de uma vida



A Chiquinha deve ter algum parentesco, ainda que ínfimo e subjetivo, com o imperador romano Dioclesiano. Ela tem algo de dálmata em sua linhagem e ele nasceu dálmata nato, em Dalmácia, atual Croácia.
Ele não foi um louco, como muitos dos seus pares, mas foi um pragmático. Dividiu o império em dois e, por isso, acabou dando uma sobrevida ao domínio de Roma; também foi quem implementou a mais sangrenta perseguição ao cristianismo, e não só destruiu a ascendente comunidade cristã, como ainda a deixou mais fortalecida. É o tiro de espingarda acertando o dedão do pé. Dioclesiano também foi conterrâneo, de séculos tardios, com Nikola Tesla. Este sim, um maluco como Einstein, famoso como Thomas Edison e de uma genialidade ímpar, como Houdini.
Tesla também teve seu momento surpreendentemente bobeira, e acho que muito ajudou aos irmãos Wright em 'não faça isso em casa'.
A mente brilhante de Tesla sabia que o homem voaria e tentou, sem cerimônia, vencer a lei da gravidade. Armado de um guarda-chuva, o cientista subiu ao telhado de um celeiro e se deixou hiperventilar até ficar meio tonto. O passo seguinte não honrou sua inteligência, mas sim... ele pulou.
A sensação desse pulo foi a mesma que tive em meu aniversário de 2.014!
Se você pensar que todos nós, seres mortais, já cometemos algum 'deslize' na vida, você vai ver que este dia foi um dia eficazmente especial, que vai ficar marcado nos alemães; porque os brasileiros vão se esquecer, certamente.
Começamos a cantar parabéns lá pelas 5 horas da tarde, bem na hora que o jogo começou: Brasil X Alemanha.
Como a festinha estava animada, com somente meu marido e eu cantando, e meus filhos, econômicos, batendo palmas... isso sem falar da minha mãe que filmava sem apertar o botão ON (eita, tecnologia.... :P); não percebemos que a Alemanha tinha feito um gol.
"Nossa... Já? Então vamos cortar logo o bolo que esse jogo vai ser bom."
Meu marido foi ver o jogo... Estavam represando o gol, que fora da Alemanha.
O que aconteceu, verdadeiramente, não vi ... eu estava entretida com o bolo... só sei que, quando acabei de distribuir pra todo mundo, ainda estavam passando os gols.
"Tudo bem que foi difícil engolir esse golzinho besta, mas o jogo não vai continuar, não?", perguntei. 
"Pois é, Marida... mas não foi reprise, não ... o Brasil já levou 3 gols", respondeu tristonho o meu marido. Foi quando fizeram o quarto gol.
Eu só sei que, antes de começar a cortar a segunda rodada dos esfomeados, a Alemanha já ganhava de 5 a 0 !!!
Não me abalei, achei melhor não demonstrar a minha raiva desesperadora e comecei a torcer pros ganhadores... Foi aí que o Brasil resolveu fazer o gol da vergonha.
Nossa, senti até uma pontada de remorso... devia ter torcido pra eles há mais tempo... mas não contei pra ninguém que a culpa era, em parte, porque eu costumo ser pé frio mesmo.
Por exemplo, eu tenho 100% de erro em matéria de acerto se vai ser menino ou menina, ao olhar para uma grávida. No caso da Dunivi, minha fiel escudeira, eu... conhecendo minha pré-disposição ao erro... resolvi que ia inverter essa intuição e disse que era menina, mas na certeza que era menino. Qual não foi minha surpresa quando, depois de um ultrassom, ela disse que era menina... ou seja, eu erro até quando acerto.
Desmascarando-me assim,da forma como estou sendo revelada, poderia trazer uma concepção errada de que sou quase uma azarada, mas quem levou os 7 a 1 não fui eu.

25 setembro, 2012

Uma pessoa... chique.



Eu poderia dizer que sou uma pessoa refinada, cheinha de predicativos, talentosa, emancipada para meu tempo (onde?). Alguém assim... como diria... chique; sim, sou uma pessoa chique.
Já apareci em revista especializada... nem sei quantos milhões de tiragens, mas a cidade só gritava um nome: Carminha Sig Bergamin... tá bom... o dito cujo TINHA que aparecer na mesma revista que eu... afff. Isso foi na primeira, na segunda, na terceira revista... até que eu reparei que nunca viria nenhum projeto dali porque aquilo era somente um cutucador de ego: Só quem era do meio (ou seja, MEUS CONCORRENTES) viam a meleca da revista.
Mas tudo bem... inflou muito meu ego e esvaziou o meu bolso (meu, nada... esvaziou do Marids)
Agora... depois que eu saí na televisão................. gente, pára tudo: ninguém mais podia comigo e eu virei a Senhora Carminha, a Magnânima... porque continuei muito humilde (cof, cof... ai, esse pigarro na garganta...).
Era um programa de socialite, lançando um bar na cidade.
Muito holofote, câmeras, minha bota nova e um cinto que eu nunca mais usei na vida (ainda tá lá no guarda-roupa... difícil mandar embora uma peça que você usou só uma vez na vida. A impressão que eu tenho é que o próximo evento que eu vou usar esse cinto vai ser no dia seguinte que eu mandá-lo embora. Devia mandar logo pra sair na TV de novo, né?), as pessoas me cercando... ai, que vida de glamour!
Falei no microfone, olhando para o entrevistador... contei da chopeira, do espaço do salão pras 500 mesas, do telão, do espaço vip, espaço kids... de repente, eu percebi, no olhar do entrevistador, que eu falei demais e pronto! Acabou tudo que eu tinha pra falar numa só piscada e me dei conta que eu não tinha feito um preâmbulo à altura da minha baixeza para finalizar a matéria. Não sei como ficou.
Sim, ó súditos de Carminha, a Magnânina... eu mesma não me assisti: estava trabalhando.
Pensei assim: "Tudo bem... depois assisto no horário alternativo". Não tinha horário alternativo praquele programa de socialite.
Pensei depois assim: "Tudo bem... depois pego a fita (sou da época de chamar CDs de fita, e velha é a vovozinha) com os proprietários". Pois é... fiquei com vergonha de pedir, e não pedi.
Águas passadas não movem moinhos.
Não vou remexer o passado................. (ai, que eu queria ver aquela fita)
Deixa pra lá.
O auge mesmo foi quando nos entrevistaram pra uma revista (dessas que são distribuídas gratuitamente nos consultórios e condomínios) e EU NEM PAGUEI! Não é o máximo?
Pois é... fui reconhecida. Vieram me nos entrevistar (sim, o meu Marids também) acerca do Aquífero Guarani. Coisa chique!
Um dia eu estava na sala de espera de um consultório e vi um velhinho que pegou, displicentemente no início, a revista que eu sabia que tinha a minha matéria lá dentro.
Pensei: "Será que vou ser reconhecida ou o médico vai me chamar antes dele chegar na página 31?"
Dito e feito: Dali um tempinho só vi o homem subir o olhar da revista PARA MIM. E ele olhava como quem olha uma Lady Di.
Dei uma risadinha, tipo: "Vai querer autógrafo também?". Tentei ser bem discreta, como sempre, mas senti uma palpitação... por sorte eu ia fazer esteira no cardiologista.
Foi aí que me dei conta que nunca mais eu poderia andar novamente com o vestido da foto. Imagina se alguém me vê com o mesmo vestido? Vão pensar que eu sou uma pé-rapada!
Vestido, pulseiras, salto alto e perfume (o meu de dia é o Tommy Girl, de noite um Dior)... afinal uma mulher que não use perfume é, praticamente, uma mulher pelada. Inconcebível.
Até mesmo quando eu levo meus pequenos tombos, só faço isso em locais chiques.
Essa história de cair em calçada no centro da cidade acabou no dia que eu queria impressionar uns garotos bonitinhos que estavam dentro de uma loja pra se proteger da chuva e eu,  toda bela e formosa de guarda-chuva, tropecei num elefante e fui parar estatelada no chão molhado feito um ovo frito. Gentesinha insignificante que, ao invés de me acudir, ficaram dando gargalhada.
Isso foi lá nos idos de Barbacena do Norte... faz tempo.
Mas também teve aquela vez, quando eu já morava na Casa da Árvore (não em cima de uma, é só porque a vizinha odiava a Sete Copas que eu amava... ela fazia sombra na piscina dela, lembra?) Pois é... estava eu com um vestido esvoaçante cor de rosa com preto e branco (baiano é o acarajé) quando, num soprar de uma ventania ... coisa raríssima por aqui ...  eu fui pro chão. Primeiro mirei no vestido na altura do joelho pra ver se não tinha feito nenhum furinho, depois sacudi a poeira e vi, do outro lado da outra calçada, um cara falando comigo... não entendi, não entendi... quando ele já estava a uns 20 metros é que eu fiquei sabendo o que ele queria: se eu queria ajuda pra levantar. Que fófis, né? (Surda é a senhora mãe do seu pai).
Tudo bem... foi na calçada, mas eu estava de longo e salto alto!
Também estatelei no shopping quando estava indo comprar brinquedo na Rihappy com o Nº 3... mas também... quando que eu imaginei que ia ter os alpes suiços embaixo de uma lona amarela que encapava o piso arrancado? Tem dó. (O barulho foi tão grande que metade do shopping parou e uma mulher veio me dizer que um monte de nós , mulheres, claro, caiam feito plumas em nuvens de algodão. Concordei, que uma diva só pode concordar com outra, né?). Tadinho... o Tiquinho tentava me animar, e depois desse dia ele atravessava as ruas segurando minha mãe, dizendo assim: "Mamãe, segura em mim. Todo mundo vai achar que você está tomando conta de mim, mas é que é só pra você não cair, tá?" ... ai, Jisuis... que bonzinho... sempre me dando apoio moral.
Foi assim também, aliás, exatamente, que eu caí no aeroporto de Schinpol, na Holanda, que sou chique.
A maior discussão era: comprar ou não Mc Donald's.
"Ai, mamãe, quero ver se tem o mesmo sabor..." e como a gente ia morrer ali umas 8 horas (depois conto da viagem), achei que eu podia aliviar a parte dele e deixei.
Nessa hora, acho que recebi uma mensagem dos-além: tropecei numa vaca branquinha cheia de manchas pretas com um chapeuzinho de holandeza, e fui beijar o chão do Papa João Paulo II.
Sorte que eu segurava só 3 malas na mão. Imagina se fez barulho? Nem vou responder.
Pra não dizer que só falei das flores, esse fim de semana fui de gazela urulante para bigorna do coiote em segundos... mas foi no shopping. O mesmo, por sinal, e na parte velha que tinha o piso novo.
Interessante que eu olhava o piso, agora de madeira encerada, e pensei: "Ficou bonito. Agora, pelo menos, não caio mais." , e mais rápido eu tivesse pensado isso, mais rápido teria ido pro chão.
Que sacola!
Estatelei legal. Eu fui indo, indo, o chão se aproximava devagar e a bolsa de couro azul da minha mão voava displicentemente para bem longe de mim. O sentimento foi de Mifu.
Quando dei por mim, estava de joelhos e mal conseguia andar.
Fred, meu fiinho mais velho Nº2 e minha mãe me acudiram.
Deu um ataque de riso em nós duas (nem ela bate bem da cachola, tadinha) e meu filho, nervoso só porque o mundo me viu em posição de napoleão (não me lembro, mas pra ter parado de joelhos... sei lá) e queria ir embora rapidinho. O problema é que, normalmente, eu não sinto dor nas minhas quedas mas desta vez vi estrelinhas e não podia andar.
Meio manquetolamente fui embora, mas sem perder a pose, é caláro, né?

08 dezembro, 2011

Eu posso explicar.


O que a gente faz quando fica de bode?. Convida a cabra.
Ainda tô pra descobrir porque é que eu quero ficar mais bela (mais??? Num tem espelho, não?) Oras, bolas... não me irrita, não, que eu tô com o dente lascado.
Quer dizer, não é bem o meu dente... é um remendo-sem-necessidade que minha dentista colocou porque eu achava ele feinho. Já nem sei se eu contei essa história ou não, mas quando eu era pequena, lá em Barbacena do Norte (e viva o pai da Glória Pires), eu usava aparelho nos dentes... fiquei só uns milhões de anos com ele. Quem aguentava menos? Eu, com aquela cara de robocop-japa-miniatura (japa por causa dos meus cabelos lisinhos que nem vento desarrumava), ou a minha mãe que tinha que pagar pelo IGPM e a cada mês ela levava o dim-dim numa sacola de gangster maior ainda? Pois então... no último aparelho (juro que eu acho que já contei isso) que era só pra segurar os dentes no lugar (os malacabados não iam ficar quietos por conta própria), eu quebrei o dito cujo dos infernos. Como na última quebra de aparelho minha mãe disse assim: "Se você quebrar DE NOVO o aparelho, eu quebro a sua cabeça!" (Tá bom, mãe, é mentira... só exagerei pra dar dramaticidade ao fato). Pois é, aí eu fiquei bem muda e calada... só tinha quebrado um pouquinho... bem em UM DOS DENTES DA FRENTE!!! Ia falar pra quê, né?
Mês seguinte pra receber alta, minha mãe e eu, levamos o maior tapa na cara do tipo: pra arrumar agora, vai ter que fazer outro aparelho e usar mais um tempo.
(Tá louca???)
Fingimos que nem escutamos... fomos embora rapidinho.
Isso não me abalou até eu precisar ficar mais linda e maravilhosa. O resumo da ópera é que, embora saudáveis, um ficou pra frente, uns dois milímetros, do outro. Pouquinho, né? Mas põe massa lá que você vai ver só.
Aí eu fui comer um simples e ingênuo pessego e não é que eu tasquei o dente no caroço? E amanhã é a formatura da Maria Quitéria... (minha filha, pra quem não sabe).
O recado que me chega da dentista é Beijomeliga. Blé. Tá certo que não é a primeira vez que eu lasco o danado (a primeira vez foi com uma costelinha de porco ma-ra-vi-lho-sa... aí ela me disse: "Bom, vamos ver quanto tempo dura". Não foi muito).
Se isso não bastasse, ainda perdi minha carteira cheia de dinheiro documentos e cartão de créditos já estourados no limite (Graças  a Deus porque assim ninguém pode gastar).
Marido: "Vai comprar um bolo que é aniversário da Keila."
Eu: "Ai, não vou não... tô com prigui..."
Marido: "Se você não for, não compro a passagem de volta de São Luiz... você nunca mais vai ver teus fios"
(Verdade, gente... por causa das milhas que tinha, só deu pra comprar a ida pra nós dois... a volta tinha que disponibilizar mais.)
Eu: "Tá bom... já volto, então".
Fui numa padaria, não tinha nenhum bolo (isso já te ocorreu?), fui na outra... gastei uma fortuna em pão de queijo (porque o Quindim, meu Fio Número 2, veio comigo) e tive que comprar um bolo de cenoura pra cantar parabéns porque não tinha outro.
Cheguei bufando porque ela tinha horário pra ir e, como todo ano, ela só estava esperando a festinha surpresa... não podia atrasar. Surpresa foi a minha que não teve nem Parabéns. Ela cortou, comeu e foi embora. (Cara de tacho!), e ainda perdi a carteira na padaria.
Toca fazer boletim de ocorrência pela internet (adoro a tecnologia), mas vou ter que ir no banco pra sustar as parcas folhas de cheque que meu marido vai soltando em conta-gotas pra mim (eita, homi muquirana).
Acho melhor ir dormir logo. Amanhã deve ser outro dia... melhor!

17 outubro, 2011

Que sakito!



Dia do Horário Verão!
Todo ano é a mesma coisa: pra sair dele é uma beleza, eu sei que vou ter uma hora a mais de vida, mas pra começar... acho que dá um pequeno curto nos neurófitos e as sinapses entram em pânico, fugindo, e segurando seus vestidinhos rodados nas pontas dos dedos por sobre o mar congelado do raciocínio nada lógico.
Acordamos no sábado achando que estávamos atrasados pra aula de desenho da molecada... corremos pra dedéu... engole logo esse copo de pão com um pedaço de nescau, e toca ir pro carro (antes tem que olhar pra ver se não tem nenhuma tartaruga embaixo das rodas). Saimos em altíssima velocidade, tipo sempre-vinte, sempre-trinta; aí a Dona Carolina fala:
"Nossa, mas agora são dez horas! Não é o horário-verão?" Esse probleminha neurofítico é de família.
"Ai... pede desculpas lá pro seu professor e diz que teu pai e tua mãe se atrapalharam tudo com esse horário novo, tá?", eu disse.
Marids driblando dirigindo entre os carros. Finalmente (depois de um atalho, que durou mais do que se tivesse só ido reto), chegamos.
"Desce, logo, macacada!", fui gentilmente botando todo mundo pra fora do carro.
BUT
A escola estava fechada... esse negócio de semana do saco cheio deve ter se estendido também pras aulas alternativas.
Já que estamos aqui no centro, vamos ver o colchão que o Lemão comprou (sempre que ele compra alguma coisa sozinho pra casa, eu dou um sorrisinho e digo que é 'nitim'). GRAÇASADEUSQUEEUVIANTES... ele comprou um colchão branco com a base cinza. Fala sério... nem na cama da madrasta da Cinderela, né? Não... dessa vez não deu pra passar a mão na cabeça e dizer que estava tudo bem: PODE DAR UM JEITO DE TROCAR ISSO, MARIDO!
Lá foi ele conversar com o vendedor. Acho que deu certo.
Bom, o jeito é voltar pra casa, e depois ir voando pro escritório. Sabe como é... profissional liberal... quanto mais trabalho, mais dim-dim. Vamos trabalhar, Marids.
Largamos os remelentos em casa e fomos tabalhar.
"Olha, filhinhos, vai vir aqui um lobo-mau entregar um colchão. Mamãe vai levar uns doces pra vovozinha, mas vocês me liguem... não deixem o lobo-mau entrar, tá? Ele que espere que eu não demoro nadinha", recomendei antes de sair.
Cheguei no escritório e liguei o computador, e o dito-cujo: 'O sistema está programado para acertar seu horário às 24h de hoje'... eita computador burro, mas nem vou mexer em nada porque tenho um probleminha com essas máquinas... é eu mexer e elas morrerem. Tá bom... acerta o horário só amanhã, desde que segunda-feira esteja certo.
Aí... o telefone toca: estavam entregando o colchão.
Ai, ai, ai... sai correndo e vai rapidinho receber o cara, o colchão e dar um beijo nos 'fios'.
Depois, saí correndo de novo.
Trabalha, trabalha, trabalha.
Já está chegando perto do meio dia... já está passando das 13h... caramba... essa reunião não vai acabar, não?
Mama mia... eram duas horas da tarde quando o outro engenheiro saiu!
Pronto... o restaurante que a gente gosta de ir, um vegetariano, já não ia ter comida nessa hora. São uns taiwaneses e eles não estão muito preocupados com o horário brasileiro: Hora de comer, é hora de comer... se você chega tarde, pega resto.
Que nós vamos fazer, Marids?
"Vamos pegar um frango assado... isso se tiver ainda.", MQ falou.
"Não se preocupa... deve ter um bucado de gente atrapalhado com o horário hoje, que nem a gente."
Depois de reclamar bastante do atraso da reunião, damos de cara com o engenheiro comprando frango também "Hihihi... não disse? Até ele apelou também", pensei.
Comemos, Lemão voltou pro trabalho, eu fiquei de papo pro ar.
Quando deu 18h30, quase tive um troço.
Fiquei de ver a nova namorada do Cherry, às 17h30. Liguei pra mulher:
"Olha, você me desculpa, viu? Com essa história de horário-verão, estou feito maluca... confundi tudo. Você ainda vai ficar por aí?"
"Ah, Carmem, mas o horário verão só começa amanhã, no domingo"
Segura... segura que o sangue ferveu. Corri o dia inteiro, xinguei computador, engenheiro, marido... e vou ter que passar por isso tudo amanhã de novo?
"Olha, pode vir, sim... acabei de chegar do hospital que minha irmã estava internada"
Mas eu só faço bobagem... agora a mulher voltou do hospital, só pra me vender a Cherreca... e o mundo vai acabar se a chuva que está prometendo, cair de vedade. E meus filhos vão ficar sozinhos, com chuva, em casa ???!
Vai eu e Cacá ver o animal. Liiindinho, ai que vontade de trazer pra casa... mas só vou fazer isso quando tiver certeza que é fêmea. Só falta  ser macho, daí ao invés de comprar uma fêmea, vou ter que comprar duas e arrumar um cafofo pra mim (porque meu marido é bom, mas ele tem suas limitações animalísticas... ele disse que se entrar outro bicho, eu saio... já foi um custo convencer de pegar a bichinha... imagina arrumar outros 3!)
Sei que cheguei ensopada, mas o apagão anunciado pelas nuvens não veio. Graças a Deus.
No final do dia, falando com a minha mãe no telefone...
"Bom, se vai entrar o horário-verão, que horas vai ser lá no Cinho (esse é o irmão chique que mora nas Oropas) vai ser +6h, ou só +4h?", perguntei... estou cansada de fazer conta de mais um, e depois menos um.
"Mais 6 horas, né?", minha mãe falando.
"Ah, tá... é mesmo... só quando é horário de verão lá é que fica bom aqui, né?", eu com o meu pensamento de terceiro mundo.
"É, sim" ...
Pois é... essa coisa de horário afeta a família toda. Depois, fazendo as contas direito e com a ajuda da internet, descobri que soma-se somente 4 horas... não as 6h.

Domingo.
Passei o dia todo com dor de barriga.
Pra expelir uma pedra (se é que eu tivesse) da vesícula, ou fígado, tive que tomar 1 litro de suco natural de maçã durante uma semana inteirinha. Eu fiquei tão enjoada e aquela coisa enchia tanto a minha barriga, que até emagreci... o que foi bom. Mas no final (segundo a nossa amiga Neusa), era a hora do vamos-ver (literalmente): um laxante e os diamantes saem (Ri, não, cabra-dos-infernos... que deu tudo errado). O raio do laxante ao invés de soltar, prendeu (!!!! Eu também fiquei pasma!!!!) E aí a coisa não ia, mas as lombrigas se contorciam lá dentro... uma coisa de louco... em compensação, nem vi a hora passar.

25 junho, 2011

O dia que eu quase fui presa.


Quando eu pisei em terra firme, gritei: "Descobri Portugaile"... ai, deixa eu ver... se eu não gritei isso, eu devo ter pensado.
Que sensação incrível Pedro Álvares Cabral deve ter tido quando tacou o pé na lama depois de tamanha aventura marítima... eu já estava quase enfiando o pé na jaca depois de tantas emoções sorumbásticas.
Bom, mas deixa o que passou pra trás... vou aproveitar cada minuto da minha viagem. Nada vai estragar o meu dia.
Eu andei... passei por grandes paredes envidraçadas onde se avistava todo o pátio dos aviões...

...andei mais um pouquinho... e lá bem adiante era onde se pegava a bagabem. Caramba... será que chegaram as minhas duas malas?
Chegaram! As duas. Ai, que coisa mais boa... as duas na esteira.
Peguei a grande... depois a menorzinha, onde coloquei o meu ultra-power-tirator-de-cara-de-panda (vulgo demaquilador)... peraí... AI... SOCORRO... ALGUÉM ABRIU A MINHA MALINHA, que aliás, não era minha... era emprestada da minha mãe. Cada um dos meus MUs (MUleks) me emprestou um cadeado, da mochila de escola deles, pra fechar as marditas e agora uma estava arrombada... e o cadeado do Tico SUMIU... e as alcinhas do zíper estavam QUEBRADAS!!! Fui roubada. Tenho que tomar providências... vou botar a boca no trombone... preciso achar o restaurador de dignidade dos passageiros (vulgo setor de reclamações)... mas pra quem eu pergunto?
Ah, tem um cara ali, paradinho feito um poste... é pra ele que eu vou perguntar.
Mas foi só olhar para o gaijo que ele me mandou entrar numa salinha: ele era o olheiro da polícia federal deles. Pronto... vão me revistar.
Eu acho que foi a minha cara que me denunciou. Imagina uma mãe de família comportadinha (cof, cof... ôh, tosse) com cara de desespero olhando pra ele tipo: pergunto ou não pergunto?, com a maior cara de 'Help... I need somebody. Help!" Mas eu acho que ele pensou assim: "Ó carvalho (que eu não falo palavrão).. ela está com cara suspeita... está fingindo que é uma mãe de família, mas deve ter muita muamba naquelas malas... maquiagem é que não é... olha a cara de acabada dela... deve estar desesperada pra sair daqui". Bom, desesperada pra sair eu estava mesma... mas 'acabada' é a mamãezinha.
Logo que entrei na sala, um outro policial me ajudou a colocar a mala na mesa.
"Estas malas são suas?"
Hesitei... a pequena era da minha mãe; a maior da minha cumadi Elisa... mas era muita história pra contar.
"É, sim"
"A senhora pode abri-las, por favor?"
Abri, né? Ele era educadinho e simpático, tentei melhorar minha cara... e já fui esclarecendo:
"Eu queria saber onde posso reclamar, porque minha mala foi danificada."
Mostrei pra ele... ele ficou chocado! Mas mais ainda fiquei eu, quando ele abriu a maior... porque ele não só abriu a dita cuja, como abriu o zíper que esconde a estrutura da mala, e qual não foi a minha surpresa quando eu vi três rachaduras imensas escondidas por trás do pano. Estressei!
"Mas que meleks... quebraram essa também. Afinal o que eles trouxeram no avião? Um elefante?" O homem riu, eu não.
Depois de passar a mão por tudo que era lado, que eu nem queria pensar onde ela passeou antes de mexer nas minhas roupinhas cheirosas (cheirosas mesmo... um frasco de alguma coisa abriu)... ele me deixou ir.
Sabe que eu não faço coisa errada (pelo menos, não tão errada assim) mas senti um alívio quando ele me liberou... sabe... tipo filho que apanha, e nem sabe bem o porquê, mas sabe que merece... dessa vez eu me senti o filho que não apanhou porque não tinha mesmo feito nada, mas que estava com o maior medão. :P
Bom, ele me acompanhou até a sala da dignidade. Enquanto saíamos da salinha maldita, ele falou pro outro com cara de dor de barriga que me mandou pra ele: "Ela vai ali, reclamar pela mala danificada". Uai... por que tantas explicações? Ele tinha cara de subalterno.
Lá no muro das lamentações, eu lamentei minha falta de sorte... e a filha-duma-égua-ó-pá me orientou a escrever um email para a TAP-na-cara porque essa companhia não fazia com que a rebimboca da parfuzeta funcionasse por ali. Ah, tá bom... mocinha simpática... e filha duma p$#@. Pobre é uma desgraça... mas a ignorância é pior ainda: ela tinha que ter aberto um processo porque sem aquele número eu poderia ir falar com o Papa Chico Bento que não ia adiantar nada. Como eu não sabia... comprei depois uma mala pra cumadi.
Mas, Carminha... está tudo bem: você está viva ainda, não é? Suas coisas estão aí, não estão? Então... curte. Ah... quer saber? Vou curtir.
Faço o caminho de volta e passo de novo pelo policial-poste. Nem ele estragaria meu dia.
Ameaço dar uma risadinha, tipo: viu, seu bobão... não sou muambeira, não. Mas como brasileira não tem lá uma fama muito boa, e a cara dele era de quem estava com o salário atrasado... deixei pra lá.
Andei mais um pouquinho... e saí!
AI, QUE COISA MAIS BOA!!! EXISTE MESMO UM MUNDO LIVRE E DEMOCRÁTICO E SIMPÁTICO E OS MEUS PAIS ESTÃO ALI... ME ESPERANDO.
Eu soube também como os participantes do BBB se sentem ao serem eliminados do avião da casa... saí correndo, joguei as malas pro alto, abracei minha família quase em prantos, e procurei o Pedro Bial na multidão.


Enfim... cheguei em Portugal.

15 junho, 2011

Noite Sinistra


A comida demorou a bagatela de 2 horas pra chegar, e a opção era frango ou macarrão. Queria era comer os dois... só pra experimentar :P, mas como não dá, vou de frango mesmo já que o meu lanchinho foi de escarola. Por outro lado, estou sem o fio dental aqui... talvez o melhor fosse macarrão mesmo.
O que escolher? O que não escolher? Ôh, dúvida.
Nem precisava queimar tantos os miolos: o sonecão do meu lado pegou o último frango.
"Só tem massa agora, senhora. Aceita?" Falou a CBPS (Comissária de Bordo Portuguesa Sorridente, com sotaque e tudo). Só muito depois disso é que as luzes se apagaram.


(Já está tudo comido porque fiquei com medo de acabar a hora da janta com a CBPS dizer: "Ai, acho que a senhora não quer mais... passe-me aqui sua bandeja que eu já trago o café").
Tá certo que o cara do meu lado era muito maior que o lugar que ele ocupava... um joelho ficava no corredor e o outro, no meu espaço aéreo... tá certo também que a cadeira poltrona não era lá muito ergonométrica; tá certo também de novo que o dito cujo do lado roncava e soltava um bafão... mas dormindo o tempo passa mais rápido, né? Vou dormir.
Olha uma parte do cara do meu lado... (ele já estava babando)... eu tive que tirar a foto meio mocozada porque vai que o bagulhão se irritava com a foto e quebrava a minha máquina.


Encosta de um lado, vira pro outro... nenhuma posição é confortável... sardinha pelo menos sai inteira da latinha.Até que tenho a brilhante idéia, depois de uma hora pelo menos, de abrir o apoio de bandeja... lembrei do Mister Bean nessa hora: coloquei o meu travesseirinhozinho nele e... desliguei os motores ali mesmo. Tomara que não quebre essa porcaria!
Lá pelas tantas eu acordo com o coração na boca: TODOS os CBPS passaram correndo pelo corredor do lado do pancadão do meu lado.
O que, naturalmente, vem na sua cabeça ao ver essa cena?
" Se eles estão correndo, melhor começar a rezar, né?"
Na verdade o avião não estava caindo ... ainda... eles foram acudir alguém lá na frente. Com certeza é alguém que bebeu demais (na janta foi servido vinho tinto... com aquele bando de portugueses dentro do avião, alguém já devia ter entrado no clima da terrinha e não sabia que o efeito estufa dentro do avião deixava a gente mais inflamável... o cara só podia estar dando vexame. Afff.) A muvuva continuou um tempão (e o babão do meu lado nem ficou sabendo... como tem sono o rebento!!!). Voltei a dormir.
Dali a outro tanto de tempo, só escutei a vozinha da CMSS (Comissária-Mor Sempre Sorridente): "Se tiver algum médico a bordo, favor apresentar-se"... caraca!!! O cara bêbado lá da frente estava tendo um piripaque cardíaco por causa do marca-passo dele.
[Sessão Reprise do Vale-a-Pena-Ver-de-Novo:]
Depois da janta, eu fui no banheiro, e vi um casal muito suspeito na primeira fila do terceiro setor do avião... do mesmo lado da minha 'calçada'
Vou explicar: o avião era dividido em três partes: a primeira classe, a econômica, e a minha: a última. Cada setor tem seu apoio de serviços (vulgo, mocó da cozinha... tem também uma televisão pendurada para TODOS, e os banheiros.) [Caros amigos... além de tudo, só tinha mais uma fileira de cadeiras poltronas atrás de mim pra sair pela rabeta do distinto... os últimos serão os primeiros... só se a fila andasse ao contrário!]
Presta atenção nisso aqui:


Bom, mas quando fui ao banheiro, lembro de ter visto uma duplinha de quase-velhinhos cobertos até os dentes, com aquele cobertor-vermelho-horroroso-porém-funcionante que eles cederam a todos nós... da última classe...(o da primeira com certeza era de peles de foca branca). A mulher praticamente dormia e o homem parecia em transe... branco feito cera de vela... [ai, Carminha... você devia estar com o sonar danificado, porque do jeito que esta pessoa é quase uma sensitiva... como não perceber?]... Ôh, peso na consciência!
Depois disso, nem dormi... nem eu e nem muita gente (o babão não estava incluído nesse "muita gente").
O pior de tudo (e nisso imagino o desespero do cara cataplético) é que, quando chamaram "se tiver algum médico a bordo, pelamordideus vem socorrer o moribundo" (ou algo assim) e não veio nenhum médico... só uma enfermeira... que também não sei se adiantou muito...mas, ou o homem morreu ou a reza dele é boa mesmo porque deve ter saido andando (não vi nem ambulância, quando o avião estacionou).
O casal estava na primeira fileira da última classe. Por sorte era onde o corredor é mais largo (pra manobrar as ferraris de suco de manga); e foi onde acabaram deitando o homem, só que do outro lado da 'calçada' (onde até eu conseguia ver melhor porque ficava bem na minha diagonal). Os comissários pareciam loucos... eu via o que eles faziam: devem ter embebedado o homem só que de água... era tanta garrafa de 2 litros de água mineral que eles manuseavam que acho que deram o maior banho nele. Outra coisa que eu vi: um CBPS correndo com um desfribilador... foi horripilante. Olhei o mapa , e o avião estava exatamente no meio do Oceano Atlântico, no meio do maior breu do lado de fora e do lado de dentro também... [o avião estava às escuras pra quem quisesse (tipo o cara do meu lado) dormir... ] era a cena de um filme de terror, até parecia que a D. Morte estava à espreita aquela noite... podia se sentir o cheiro dela... Credo! Mas eu fiquei pensando na calma da mulher que acompanhava o doente... Imagina se fosse essa que vos fala escreve: eu ia gritar, acordar todo mundo, fazer vigília e, antes de chegar em qualquer lugar, já teríamos (o avião todo) rezado um terço inteirinho em latim. Que mulher calma... deu até bronca.
Dali a pouco eu vejo os CBPS sorrindo (mentira... eles estavam deformados com aquele rosto de cera) e se arrastando para o fundo da nave... arrastando pé mesmo... com as costas envergadas e sorrindo (?) pra quem quer que fosse que estivesse com a esperada cara das trevas, tipo: e aí? O homem morreu? Como eles não falavam mesmo nada e a muvuca diminuiu e o avião não foi parar na África ou ilha, acho que ele sobreviveu.
O meu corpo todo estava moído mas a minha mente estava destroçada... precisava dormir. Tomara que ele tenha mesmo saído dessa.
Arrumo o meu travesseirinhozinho e dormi.
Mal tinha amanhecido... outro susto... um monte de gente andando pelos corredores: Pronto! Agora, sim, minha vez chegou.
Parecia um pesadelo: um avião no meio do mar, lotado, às escuras e trepidando, um homem morrendo, eu toda apertada naquela cadeira poltrona, um monte de gente correndo... só faltava mesmo aquela m#$&@ cair...
Por fim pude ver mais claramente, apesar dos meus olhos arregalados, e percebi que era umas dez milhões de velhinhas andando. Que ódio mortal. Acho que era uma excursão porque todas elas pareciam se conhecer, eram todas velhinhas do cabelo branco e elas deviam ter rodinhas no pé também porque parecia que faziam caminhada pelos corredores... como andavam... e como falavam.
Eu acho que já acordei de mal-humor, mas o quase-morto deve ter dado graças aos céus que já estávamos chegando em algum lugar... pelo menos ele já estava no céu, por assim dizer. (Eita, piada infame, admito!).
O dia, pelo menos, estava lindo... o céu clarinho e cheio de nuvens branquinhas: hora do café da manhã.
Era omelete com tomate e UM champignon cortado em tiras, que era pra render...


Pra beber, ou suco de manga (não falei?) ou de laranja.
Ia pedir suco de manga... mas acabou antes de chegar em mim.
:(

13 junho, 2011

Tem gente que não nasceu pra voar...


Observação: esta postagem eu escrevi diretamente do avião São Paulo - Lisboa... e transcrevo agora aqui... em companhia dos meus 'fiinhos'...


...e Marids.

Afff...como primeiras impressões dessa viagem (sim, caros leitores... eu fui!) posso destacar: solidão e correria. Nem deu tempo de passar mal (pelo menos, por enquanto).
A pior coisa até agora foi a despedida da molecada BUT eu não chorei! Tá bom... isso é meia verdade, porque eu chorei só quando já estava no ônibus.
[Ai, Jisuis... o piloto acabou de avisa que a previsão é de mal tempo e que pode ter turbulência... pelo menos já sei onde está o saquinho do Hugo: adivinhem do que eu lembrei... caláro que foi dos destroços do vôo da Air France recentemente encontrado no mar... ai!]
Bom, chegando em São Paulo (que eu vim de ônibus... não valia a pena fazer os meus bichinhos virem até Sampa só pra ter aquela choradeira no embaque) peqguei um taxi-especial-expresso-caro que me largou às 19h30 no aeroporto.
[Decolamos e eu nem vomitei... mas que essa porcaria chacoalha, ah, isso chacoalha]
Fiz check-in, tranquilinha, comprei um lanchinho naturebs porque é melhor garantir e fui pro gate 23. Realmente eu vi umas dez milhões de pessoas numa fila, e pensei: " Credo! Isso aqui tá pior que rodoviária!"
"Pois, não... pra onde vai?"
"Vôo pra Lisboa", eu disse... o cara não tinha cara de bons amigos... acho que o salário dele devia ser ruim.
"Ah..." [o dito cujo fez suspense, antes de abrir a cordinha pra eu passar] "... vai ter que pegar aquela fila ali."
Olhei pra fila... era aquele mooonte de gente que eu vira antes. Ugh! Engoli seco e lá fui lá... bem pra lá mesmo... lá no finzinho dela. Sorte que, pelo menos, a anaconda andava.
Nada de mais acontecia por ali. Era uns falando em espanhol, um rabino com aquelas costeletas enormes e enroladinhas, e todo de preto, claro, um outro meio hippie com uma barbichinha de uns 60 cm de comprimento, umas desesperadas querendo cortar a fila (afff... porque não chegaram mais cedo, né? O que mais me deu raiva é que tinha uma outra passageira tentando tranquilizá-las dizendo que não se preocupassem que elas não perderiam o voo, e aí elas dizem que já perderam, sim, um voo em situação igual... ué, e não aprenderam?), uma família interinha chorando porque uma mocinha ia embarcar (ela devia ter vindo de ônibus também... olha o micão!), e eu lá no meio.
Encontrei até um engenheiro amigo e esposa... fui no casamento da filha deles e ela nem se lembrou de mim! Tudo bem, eu também não me lembraria dela.
"Eu vou num voo diferente do dela.", explicou ele " Não conseguimos ir juntos, mas vocês vão poder se encontrar lá dentro".
Ah, tá... não encontrei, não!
Quando passei por eles novamente (porque a anaconda ia, e voltava, e ia de novo, e depois voltava de novo) eu só escutei ele falando sobre paella pra ela. Olha aí, Maridum... estavam falando de você!
Cheguei nas esteiras, depois de uns sei lá quantos milhões de minutos.
"Vai ter que abrir essa mala"
"Ah, tá bom"
TRÊS frascos com mais de 100ml.
"E agora? Vou ter que deixar aqui?", perguntei.
"Você vai ter que voltar no balcão do check-in e despachar essa mala, senão vai ser tudo jogado fora."
Deixa ver... um creminho hidratante Vistoria's Secret, uma acetona e o meu DEMAQUILANTE PARA A ÁRAEA DOS OLHOS ??! Ah, não... os outros tudo bem, mas acordar feito panda não dá!
"Olha, moça, eu vou ter que pegar essa fila de novo?"
"Não, aí você pode entrar direto"
Corre, corre pelo aeroporto, chego no balcão... o carinha bonzinho que me atendeu já tinha ido pro portão de embarque, o despacho agora era em outro guichê, um casal que estava na minha frente não entregava a p#@@*&@ da mala, e o ser encarregado do despacho era uma lesma-tatarugolante (tudo bem... acho que os desesperos das desesperadas me contagiou... SOCORRO! EU TAMBÉM QUERO CORTAR FILA!)
Toca a espachar a outra mala.
Ai, o lesma-tatarugolante disse que essa é a última que vai pro avião... será que vai chegar? Pelo demaquilante vale a pena arriscar.
Corre, corre pelo aeroporto de novo, e chego de volta na fila das esteiras.
Ai, meu Deus!!! O homem meio troglodita que não me deixou passar antes está lá agora de novo (acho que eu saí bem na hora que ele foi fazer xixi). Ele não vai me deixar entrar e eu vou ter que dar um piti.
"Moço", já cheguei falando brava "eu já peguei essa fila aí antes, mas tive que voltar pra despachar. Eles falaram que eu podia entrar por aqui" acho que o final da frase já estava saindo um misto de grito com pelamordideus.
Pronto, falei. Agora era só esperar pelo segundo round.
"Tá bom... pode passar!"
Que fácil.
Fácil nada... tive que beber a água da garrafinha antes de pegar a outra fila, ou teria que jogar a água também. Que nada... paguei, vou beber.
Toca agora pegar outra fila... enoooooorme pra passar pela Polícia Federal.
Uma negona me chamou no guichê (ou afro-negra, sei lá como eu devo chamar), pegou meu passaporte, verificou e enquanto esperava sei lá o que, ela cantava algo estranho. Tudo bem, acho que ela consegue ser feliz naquela bagunça.
Por fim, a Paz!
Preciso ver as lojas do free-shop (que agora chamam 'duty-free') pra ver o preço da lente que O meu sobrinho quer que eu compre.
Quer saber? Vou no banheiro primeiro, que a garrafinha que eu bebi nas esteiras já começou a fazer efeito... dos quatro vasos sanitários disponíveis, dois estavam entupidos (é! tá pior que a rodoviária mesmo). Espera, espera, e chega a minha vez. Saio, vou direto pro portão. Fila de novo! Como tinham duas que iam pro mesmo lugar, pego a menor. O carinha que fez meu check-in está lá no balcão e chama uma tal de Verônica... descubro que a fila que eu estou é dos "premium". Como sou "econômica", mudo de fila de novo.
Como eu já fui pra Brasília antes, eu já sabia que não ia ter tapete vermelho com fogos de artifício na minha chegada e lá fui eu pro meu assento. Acho que fiquei quase na última fila porque andei lá dentro pra caramba.
Sentei do lado de um homem... pelo menos, estou na janelinha.
Quando decolamos pensei que fosse vomitar, mas afinal de contas... sou uma lady. Putz, o cara do meu lado já está roncando... e de boca aberta!
Afff... vou jantar.

Nem eu tô me aguentando!



Era Dia das Mães... dia sagrado pra ficar com os filhos, mas eu? Eu ia pra bem longe. Não acredito que eu marquei o dia da viagem bem nesse domingo.
Acordamos tarde, malas arrumadas, fomos pra casa da sogra. Fazer o quê? Comemorar o Dia das Mães.... ai,ai.
O almoço desceu meio no solavanco, pelo menos o começo, depois peguei gosto e mandei ver. A molecada estava brincando, envolvidos nas brincadeiras com os primos. Parecia tudo bem.
Depois do almoço... hora de ir embora... Lemão e filhos me levaram na mini-rodoviária.
O ônibus chegou.
Falei tchau, tchauzinho, dei minhas recomendações (e ainda ficaram faltando algumas que não deu tempo de falar), falei tchau de novo, beijos de novo, abraços...
Entrei... sentei na janelinha.
Só nessa hora, os olhinhos dos meus bichinhos pareciam estranhos... tristinhos...
Não chorei... fiquei fazendo coração com as mãos, e fiquei mandando beijinhos e dizendo que eu ia sentira falta deles e que os amava muito.
Eles esperaram o ônibus sair... pra ir embora.
E ele saiu mesmo.
Foi bem embora... minha família já parecia longe demais.
Chorei... chorei... chorei... de saudades, de solidão, de vontade de não ir.

No caminho, peguei a foto da família e as coisinhas que cada um me deu pra que eu me lembrasse de cada um deles: A Cacá me deu uma pulseirinha com um olho grego e umas pimentinhas de vidro; O Bi, um agarradinho em formato de leão; e o Tico, um jacaré da coleção de lego.




Eles me fizeram companhia a viagem inteira (e paguei muito mico por causa deles depois... mas que seja... eram os meus filhinhos que eu carregava na bolsa.)

10 junho, 2011

Alguma coisa parecia errada!


Eu tive quinze dias pra comprar o que precisasse e pra me preparar psicologicamente pra viagem. Sei que vai parecer estranho, mas eu cheguei a pensar em não ir... na verdade, entrei praticamente em depressão por causa disso.
Eu precisava levar alguém comigo: o Tico... era o único dos filhos que ainda não tinha feito uma viagem internacional. Sim... vou levá-lo.
Passaporte meu? Ok
Dele? Ai, Jisuis...

QUAL POSTO DA POLÍCIA FEDERAL TÁ ABERTO PRA TIRAR O RAIO DO PASSAPORTE???

Minha peregrinação começou. O único posto disponível era em Presidente Prudente. Caraca, onde fica isso? Olhei no google maps: ficava lá na conchinchina, onde Judas perdeu mais do que as botas [Lemonito me disse depois de uns amigos nossos que moram láááá longe]: bom, uma bagatela de somente umas 5 HORAS, de carro, daqui.
Ai, o Tico não vai!
Continuei tentando que eu não sou de me abater [tá bom, é mentira... chorei, chorei.]. Um outro dia, abriu em Bauru. OBA! SÓ 3 HORAS daqui.
O Tico vai!
Lemão não deixou, ainda era muito longe... não valia a pena tanto desgaste.
Ai, o Tico não vai!
Continuei tentando que eu não sou de me abater [acho que já falei isso, né?]
ARARAQUARA... VIVA, VIVA,VIVA... 1 HORA DAQUI!!!!!
O Tico vai!
Como eu tinha que tabalhar além de só  me preocupar com a viagem (e depois de tanto tempo não me abatendo (?) e mostrando a força do meu 'eu' poderoso), o Lemão me chantageou convenceu que eu tinha que entregar um bilhão de projetos antes da viagem... tudo bem... obedeci... Snif...
Ai, o Tico não vai!

Aí, meu mundo caiu... chorei que nem uma maria-madalena, nem Maysa poderia cantar um fado mais chorado que o meu...
Ai, acho que eu não vou!
Foi um drama arrentino... mais um pouco e eu estava me enforcando nas cortinas da sala de alguém (mesmo porque eu não tenho cortina aqui em casa...todo mundo é alérgico)
Maridum: "Larga a mão de ser boba! Se você não for, não tem problema, não... ou eu coloco uma peruca e vou no teu lugar [ninguém ia perceber, né?], ou vou te dar um pontapé na hora que você vai parar lá no aeroporto num minuto. Escolhe!"
Bom... ele ainda me deu até uma opção!!?
Eu vou!

Foi assim que tudo começou efetivamente.

27 abril, 2011

Quanto chororô!


Estou lá eu, meio que de pé mesmo quase indo embora, quando o meu celulóidico toca. Número estranho. Acho que não vou atender, não... começava com um monte de zeros... só podia ser clonagem. Não vou atender, não... mas quem será, né? Pode não ser clonagem... quem será? Quem não será? Vou atender.
"Alô?"
"Oi, Cá. Sou eu... o Mauvício" caláro que ele não falou assim, mas é como meu cumpadi o chama.
"Nossa, que surpresa! Tudo bem por aí?" Uma pontada de surpresa!
"Dá pra você ligar o skype?" que irmão é chique mas não é burro.
"Claro... vou ligar" ... bom, essa era a minha intenção, mas não é que essa m@#&%@! do windows resolveu, por conta própria, numa hora imprópria, fazer atualização?
E espera que espera... o suor já corria pela face... Bill Gates deve ter ficado com a orelha esquerda pegando fogo nessa hora. Ainda pra ajudar, fiquei pendurada no telefone com uma curadora de arte... ai, Jisuis, não dava pra desligar mas eu mal consegui falar com ela.
Como estava tudo dando errado mesmo, ele ligou de volta... não que eu seja muquirana, não (tá bom, eu sou... mas não nessa hora, eu juro) queria ligar de volta só que o telefone dele estava no meu email, preso no meu computador.
"Aconteceu alguma coisa?" nessa hora era melhor ser logo direta.
"Pois, é, Cá..." , sentei.
"Não... sabe o que é..." , tomei fôlego... a coisa parecia feia.
"... é que a Manu e eu..." , ai, Jisius... vou desmaiar.
"... nós ficamos vendo uns blogues aí...",  eu: Cumã???
" e descobrimos umas passagens baratinhas de avião..." , não, Cinho, acho que só ano que vem mesmo, ia dizer...
" que a gente queria te dar de presente de aniversário adiantado pra você vir pra cá com o pai e com a mãe".
Graças a Deus que ele falou tudo de uma vez, mas acho que ele falou rápido demais... eu processava umas quinze vezes cada palavra... só tentando entender. Devo ter demorado alguns anos-luz pra responder.
Tomei coragem e perguntei: "O quê ??!!" Pois, é... falei tudo isso.
Ele repetiu, mas não sei quantas vezes foram.
Enquanto ele falava, levantei e fui pra outra sala. Antes de chegar na outra sala, fui até a cozinha, dei uma voltinha nos computadores, devo ter sentado de novo porque me lembro de levantar, aí eu cheguei na outra sala. Como sou muito discreta, acho que o Papa Chico Bento nem percebeu...
Eu não sabia se ria ou chorava... acho que eu mais chorava que ria, mas mantinha a pose, que eu sou chique, né?
"Peraí que a Manu tá aqui do meu lado e ela vai falar com você"
Só que o telefone ficou mudo... só conseguia mesmo ouvir as lágrimas que caiam por dentro dos meus olhos e batia lá no fundo da minha barriga.
"Oi, Cá... eu não vou conseguir falar muito porque eu tô chorando, mas a viagem não ia ser a mesma coisa sem você"
Aí é que foi o maior choro... só consegui mesmo falar: "Ai, Manu... obrigada"
Depois disso, ele pegou o telefone e disse que assim não dava, né? Duas choronas!
"Ai, Cinho... obrigada, viu?"
Sei que ele falou do passaporte, de datas, mas depois a gente conversava... eu estava mortamente feliz da vida.
Depois eu fiquei pensando: A Manu não deve ser tão chorona assim... mas ela está grávida, tadinha... e quando a gente fica grávida, é claro que fica mais sensível também.
Oops!!!
Ela tem a desculpa de ter um nenezinho, mas e eu?
Vou ter que ficar com a fama de chorona mesmo!
Se a viagem vai dar certo mesmo ou não, eu ainda não sei... mas o mais legal é esse lance de família. Um se preocupar com o outro.
Obrigada aos dois, viu?
Dureza foi depois, que eu saí da sala... desliguei o dito computador rapidinho, que não foi rapidinho porque tinha uma verificação da ruela do parafuso da BIOS-que-o-parta e deu tempo do cliente que estava na sala do Lemão me pegar com o narigão todo vermelho.
"Oi, Carminha...", aí ele levou um sustão, "...tem água, né? Posso ir na cozinha?"
"Claro, fica à vontade", eu disse... acho que ele queria é pegar água pra mim... mas foi ele que acabou bebendo.

13 abril, 2011

Uma curva estranha.


Existem coisas que uma mãe faz, mas só porque é mãe... e só por isso, já é perdoável.
Sei que parece frase do Reader's Digest, mas fui eu mesma que fiz (ou será que eu escutei em algum lugar? Bah, deixa pra lá)
O professor do Tico marcou uma terapia reunião para os pais poderem ouvir coisas boas dos seus rebentos... lá fui eu, que não perco uma (não que meus bichinhos precisem ser paparicados, eu já faço isso, mas é mais pra marcar presença na escola mesmo. Aprendam isso, ó pais frescos. hihihi Essa é a melhor parte de saber que vem MUlecada nova por aí: dá pra tirar o maior sarro, e todo mundo fica feliz).
Pois é... cheguei primeiro até que o 'fessor' e fiquei lá fazendo hora. Tomei cafezinho (tenho uma cunhada que não pode tomar café depois das 4 da tarde _ afff _ que ela diz que não dorme mais a noite inteira. Tadinha. Do jeito que eu gosto de café, ia ficar maluca. Às vezes, bebo antes de ir dormir... e durmo mesmo... sou daquelas boa de cama. Eita piadinha batida, né?)

[O que eu estava mesmo falando... ah, é... o cafezinho da terapia reunião...]

Bom, falei com a orientadora nova, com o professor que chegou logo depois, com os pais que iam vindo... um deles até eram os pais do meu vizinho Maluquinho. Chamo o dito cujo de Maluquinho por causa do Ziraldo... acho ambos muito parecidos. (Não ele e o Ziraldo, ainda que ambos tenham o cabelo enroladinho, mas os dois MUleques são iguaizinhos... de gênio).
"Oi, Carmem, tudo bem?", e aí seguiram-se aqueles papinhos bem-educados, até falarmos do tempo.
"Nossa, acho que vai chover", a mãe do amiguinho disse; e foi só aí que eu percebi que não ia chover, não... ia mesmo era cair o mundo.
Eu costumo deixar meus bichinhos sozinhos em casa por até umas duas horas seguidas, mas fico sempre ligando (e antes de sair de casa, eu canto a ladainha inteira, né, Dona Mãe? Ela sabe bem do que eu estou falando: não é por mal, mas eu PRECISO falar tudo, todas as vezes... me faz bem; mas faz bem só pra mim, porque os outros querem me matar por ter que escutar a mesma coisa pela milionésima vez. Não tô nem aí, falo sempre e sempre é a mesma coisa mesmo). Mas eis que nesse dia da terapia reunião, estava escurecendo... e as chuvas estavam vindo muito fortes... e podia acabar a luz... e eles iam ficar na escuridão... e aí eles iam ficar com medo... e iam ficar se atroplelando pela casa, enquanto fugiam dos fantasmas (???) que estava em todos os lugares (ai, tá bom.. acho que exagerei), mas foi me dando uma coisa, que foi crescendo e tomando conta de mim... estava me sentindo acuada, e a mãe e o pai do Maluquinho falando, e eu já nem ia escutando mais, até que o 'fessor' chamou.
"Vamos começar?"
"Olha, Stéfano, se eu sair correndo, não liga, não, tá? É que eu deixei meus filhos sozinhos em casa, e acho que o céu vai cair. Talvez eu acabe fugindo pra lá... pra ver o mundo se acabar juntinho deles." Será que alguém duvidou?
Lembro da incredulidade dos meus vizinhos, que tentavam me acalmar dizendo que o filho deles estava também sozinho em casa. [Acho que são os fins dos tempos mesmo]. A minha cara não deve ter sido das melhores porque, dias mais tarde, ele me disse que acabou indo pra casa também, ver como o filho estava.
Depois que eu falei aquilo, caiu um raio que, se minha yaya estivesse por aqui, acho que ela teria feito xixi nas calças (um dia eu conto esse medo insano dela... ela, sim, que era exagerada... depois dizem que sou eu... tenho uma raiva disso).
Acho que nem me despedi. (Tá bom... não me despedi mesmo: saí correndo).
No meio do caminho (e olha que a escola fica a 5 minutos de carro da minha casa), começou a Grande Tormenta. Era tanta chuva, mas tanta chuva, que liguei o parabrisa no máximo e tive que vir bem devarinho, apesar de toda a minha pressa.
Enfim, o condomínio... e aí: espera abrir o portão, passar pelas mil tartarugas, rodar na rotatória e, afff, consigo entrar na minha ilha.
Outro dia, quase atropelei uma mulher na curvinha da entrada da ilha... claro que eu não atropelo ninguém, mas agora posso ver como eu quase fiz aquilo... que curva mais fechada e que mulher mais doida de andar no meio da rua. Mas sabe que eu nunca tinha reparado em como essa curva tinha esse traçado estranho? Engraçado...
Uai, eu entrava e, no total, tinha 3 curvas antes de chegar na minha casa... agora parece que aumentou!
Gente, o que é que eles misturaram naquele café?
Ah, claro! Errei de ilha. Apesar de toda a minha pressa, tendo que dar a volta no quarteirão, eu ainda entro na ilha errada? Ai, tem dó, né, Carminha.
Toca fazer o contorno da minha ilha agora. Antes de chegar em casa, vejo que o irmão do Maluquinho estava chegando também. Ufa. (Eu já tinha um plano de ir buscá-lo lá na casa dele).
Entro soltando os bofes pela boca, coração acelerado, pulmão arfando descompassado... vejo a casa, tudo tranquilo. Vejo os filhos, sossegados. Olho pra fora pra ver o Dilúvio... e a chuva...!!?
Cadê a miserável? Pois é. Acabou.
Volto pra escola ou não? ô, dúvida cruel... quinze minutos tentando decidir... 
Acho melhor sim. Arrumo as velas e os fósforos no jeito em cima da pia, dou o maior sermão de como velas podem botar fogo numa casa, dou um beijo em cada um, entro no carro e saiu do condomínio.
Acho melhor não. Parece que vai piorar de novo, só falta eu ter que pagar o maior micão de sair correndo de novo. Entro de novo no condomínio, dou outra volta na rotatória e depois no quarteirão da minha ilha e, então, chego em casa de novo.
Melhor comer pipoca, porque já fiquei até cansada pra fazer bolinho de chuva.
:)