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25 junho, 2011

O dia que eu quase fui presa.


Quando eu pisei em terra firme, gritei: "Descobri Portugaile"... ai, deixa eu ver... se eu não gritei isso, eu devo ter pensado.
Que sensação incrível Pedro Álvares Cabral deve ter tido quando tacou o pé na lama depois de tamanha aventura marítima... eu já estava quase enfiando o pé na jaca depois de tantas emoções sorumbásticas.
Bom, mas deixa o que passou pra trás... vou aproveitar cada minuto da minha viagem. Nada vai estragar o meu dia.
Eu andei... passei por grandes paredes envidraçadas onde se avistava todo o pátio dos aviões...

...andei mais um pouquinho... e lá bem adiante era onde se pegava a bagabem. Caramba... será que chegaram as minhas duas malas?
Chegaram! As duas. Ai, que coisa mais boa... as duas na esteira.
Peguei a grande... depois a menorzinha, onde coloquei o meu ultra-power-tirator-de-cara-de-panda (vulgo demaquilador)... peraí... AI... SOCORRO... ALGUÉM ABRIU A MINHA MALINHA, que aliás, não era minha... era emprestada da minha mãe. Cada um dos meus MUs (MUleks) me emprestou um cadeado, da mochila de escola deles, pra fechar as marditas e agora uma estava arrombada... e o cadeado do Tico SUMIU... e as alcinhas do zíper estavam QUEBRADAS!!! Fui roubada. Tenho que tomar providências... vou botar a boca no trombone... preciso achar o restaurador de dignidade dos passageiros (vulgo setor de reclamações)... mas pra quem eu pergunto?
Ah, tem um cara ali, paradinho feito um poste... é pra ele que eu vou perguntar.
Mas foi só olhar para o gaijo que ele me mandou entrar numa salinha: ele era o olheiro da polícia federal deles. Pronto... vão me revistar.
Eu acho que foi a minha cara que me denunciou. Imagina uma mãe de família comportadinha (cof, cof... ôh, tosse) com cara de desespero olhando pra ele tipo: pergunto ou não pergunto?, com a maior cara de 'Help... I need somebody. Help!" Mas eu acho que ele pensou assim: "Ó carvalho (que eu não falo palavrão).. ela está com cara suspeita... está fingindo que é uma mãe de família, mas deve ter muita muamba naquelas malas... maquiagem é que não é... olha a cara de acabada dela... deve estar desesperada pra sair daqui". Bom, desesperada pra sair eu estava mesma... mas 'acabada' é a mamãezinha.
Logo que entrei na sala, um outro policial me ajudou a colocar a mala na mesa.
"Estas malas são suas?"
Hesitei... a pequena era da minha mãe; a maior da minha cumadi Elisa... mas era muita história pra contar.
"É, sim"
"A senhora pode abri-las, por favor?"
Abri, né? Ele era educadinho e simpático, tentei melhorar minha cara... e já fui esclarecendo:
"Eu queria saber onde posso reclamar, porque minha mala foi danificada."
Mostrei pra ele... ele ficou chocado! Mas mais ainda fiquei eu, quando ele abriu a maior... porque ele não só abriu a dita cuja, como abriu o zíper que esconde a estrutura da mala, e qual não foi a minha surpresa quando eu vi três rachaduras imensas escondidas por trás do pano. Estressei!
"Mas que meleks... quebraram essa também. Afinal o que eles trouxeram no avião? Um elefante?" O homem riu, eu não.
Depois de passar a mão por tudo que era lado, que eu nem queria pensar onde ela passeou antes de mexer nas minhas roupinhas cheirosas (cheirosas mesmo... um frasco de alguma coisa abriu)... ele me deixou ir.
Sabe que eu não faço coisa errada (pelo menos, não tão errada assim) mas senti um alívio quando ele me liberou... sabe... tipo filho que apanha, e nem sabe bem o porquê, mas sabe que merece... dessa vez eu me senti o filho que não apanhou porque não tinha mesmo feito nada, mas que estava com o maior medão. :P
Bom, ele me acompanhou até a sala da dignidade. Enquanto saíamos da salinha maldita, ele falou pro outro com cara de dor de barriga que me mandou pra ele: "Ela vai ali, reclamar pela mala danificada". Uai... por que tantas explicações? Ele tinha cara de subalterno.
Lá no muro das lamentações, eu lamentei minha falta de sorte... e a filha-duma-égua-ó-pá me orientou a escrever um email para a TAP-na-cara porque essa companhia não fazia com que a rebimboca da parfuzeta funcionasse por ali. Ah, tá bom... mocinha simpática... e filha duma p$#@. Pobre é uma desgraça... mas a ignorância é pior ainda: ela tinha que ter aberto um processo porque sem aquele número eu poderia ir falar com o Papa Chico Bento que não ia adiantar nada. Como eu não sabia... comprei depois uma mala pra cumadi.
Mas, Carminha... está tudo bem: você está viva ainda, não é? Suas coisas estão aí, não estão? Então... curte. Ah... quer saber? Vou curtir.
Faço o caminho de volta e passo de novo pelo policial-poste. Nem ele estragaria meu dia.
Ameaço dar uma risadinha, tipo: viu, seu bobão... não sou muambeira, não. Mas como brasileira não tem lá uma fama muito boa, e a cara dele era de quem estava com o salário atrasado... deixei pra lá.
Andei mais um pouquinho... e saí!
AI, QUE COISA MAIS BOA!!! EXISTE MESMO UM MUNDO LIVRE E DEMOCRÁTICO E SIMPÁTICO E OS MEUS PAIS ESTÃO ALI... ME ESPERANDO.
Eu soube também como os participantes do BBB se sentem ao serem eliminados do avião da casa... saí correndo, joguei as malas pro alto, abracei minha família quase em prantos, e procurei o Pedro Bial na multidão.


Enfim... cheguei em Portugal.

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