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27 abril, 2011

Quanto chororô!


Estou lá eu, meio que de pé mesmo quase indo embora, quando o meu celulóidico toca. Número estranho. Acho que não vou atender, não... começava com um monte de zeros... só podia ser clonagem. Não vou atender, não... mas quem será, né? Pode não ser clonagem... quem será? Quem não será? Vou atender.
"Alô?"
"Oi, Cá. Sou eu... o Mauvício" caláro que ele não falou assim, mas é como meu cumpadi o chama.
"Nossa, que surpresa! Tudo bem por aí?" Uma pontada de surpresa!
"Dá pra você ligar o skype?" que irmão é chique mas não é burro.
"Claro... vou ligar" ... bom, essa era a minha intenção, mas não é que essa m@#&%@! do windows resolveu, por conta própria, numa hora imprópria, fazer atualização?
E espera que espera... o suor já corria pela face... Bill Gates deve ter ficado com a orelha esquerda pegando fogo nessa hora. Ainda pra ajudar, fiquei pendurada no telefone com uma curadora de arte... ai, Jisuis, não dava pra desligar mas eu mal consegui falar com ela.
Como estava tudo dando errado mesmo, ele ligou de volta... não que eu seja muquirana, não (tá bom, eu sou... mas não nessa hora, eu juro) queria ligar de volta só que o telefone dele estava no meu email, preso no meu computador.
"Aconteceu alguma coisa?" nessa hora era melhor ser logo direta.
"Pois, é, Cá..." , sentei.
"Não... sabe o que é..." , tomei fôlego... a coisa parecia feia.
"... é que a Manu e eu..." , ai, Jisius... vou desmaiar.
"... nós ficamos vendo uns blogues aí...",  eu: Cumã???
" e descobrimos umas passagens baratinhas de avião..." , não, Cinho, acho que só ano que vem mesmo, ia dizer...
" que a gente queria te dar de presente de aniversário adiantado pra você vir pra cá com o pai e com a mãe".
Graças a Deus que ele falou tudo de uma vez, mas acho que ele falou rápido demais... eu processava umas quinze vezes cada palavra... só tentando entender. Devo ter demorado alguns anos-luz pra responder.
Tomei coragem e perguntei: "O quê ??!!" Pois, é... falei tudo isso.
Ele repetiu, mas não sei quantas vezes foram.
Enquanto ele falava, levantei e fui pra outra sala. Antes de chegar na outra sala, fui até a cozinha, dei uma voltinha nos computadores, devo ter sentado de novo porque me lembro de levantar, aí eu cheguei na outra sala. Como sou muito discreta, acho que o Papa Chico Bento nem percebeu...
Eu não sabia se ria ou chorava... acho que eu mais chorava que ria, mas mantinha a pose, que eu sou chique, né?
"Peraí que a Manu tá aqui do meu lado e ela vai falar com você"
Só que o telefone ficou mudo... só conseguia mesmo ouvir as lágrimas que caiam por dentro dos meus olhos e batia lá no fundo da minha barriga.
"Oi, Cá... eu não vou conseguir falar muito porque eu tô chorando, mas a viagem não ia ser a mesma coisa sem você"
Aí é que foi o maior choro... só consegui mesmo falar: "Ai, Manu... obrigada"
Depois disso, ele pegou o telefone e disse que assim não dava, né? Duas choronas!
"Ai, Cinho... obrigada, viu?"
Sei que ele falou do passaporte, de datas, mas depois a gente conversava... eu estava mortamente feliz da vida.
Depois eu fiquei pensando: A Manu não deve ser tão chorona assim... mas ela está grávida, tadinha... e quando a gente fica grávida, é claro que fica mais sensível também.
Oops!!!
Ela tem a desculpa de ter um nenezinho, mas e eu?
Vou ter que ficar com a fama de chorona mesmo!
Se a viagem vai dar certo mesmo ou não, eu ainda não sei... mas o mais legal é esse lance de família. Um se preocupar com o outro.
Obrigada aos dois, viu?
Dureza foi depois, que eu saí da sala... desliguei o dito computador rapidinho, que não foi rapidinho porque tinha uma verificação da ruela do parafuso da BIOS-que-o-parta e deu tempo do cliente que estava na sala do Lemão me pegar com o narigão todo vermelho.
"Oi, Carminha...", aí ele levou um sustão, "...tem água, né? Posso ir na cozinha?"
"Claro, fica à vontade", eu disse... acho que ele queria é pegar água pra mim... mas foi ele que acabou bebendo.

20 abril, 2011

O Meu Homem das Cavernas


"SEGURA ESSE GARFO DIREITO, MENINO!", gritei disse eu, pela miliocentésima vez para o Bi.
Já existe um protocolo (de anos) para eu 'lembrá-lo' de segurar a melecs do talher:
1- Pegá-lo de surpresa _ isso é essencial. A surpresa gera palpitações; logo o coração manda mais sangue pro cérebro e, assim, é mais fácil (?) de memorizar. Tá certo que ATÉ HOJE isso ainda não funcionou... mas como a Roti, uma professora doida de faculdade, dizia: "Redundância gera informação". Ela resumiu a vida de uma mãe.
2- Dar um pequeno berro aviso _ e tem que ser daqueles que saem do fundo da garganta e caem nos ouvidos alheios, e de todos, com um impacto ímpar.
3- Dar um murro na mesa _ mas não um murro como nas 'batatas ao murro', tem que ser com o intuito de causar comoção geral... no começo, isso levava os outros às lágrimas (e os talheres ao vento... de susto)... hoje em dia... já não se fazem mais sustos como antigamente. Igual quando eles ficavam com soluço: Eu gritava "UMA BARATA!"; o soluço passava enquanto eles procuravam a marvada, mas depois da terceira vez, nunca mais surtiu efeito. Ai... filhos.
Acho que o fluxo sanguíneo no cérebro, do item 1, deve ter ido pra alguma cavidade pouco usada, porque o Bi desatou a falar de uma tal "Caverna do Platão".
Seres humanos que nasceram e cresceram dentro de uma caverna viviam acorrentados de costas à entrada da mesma, vendo somente as sombras que vinham de foram. Ouviam também sons e, muito provavelmente, eles deviam associar aqueles sons às sombras... e essa era a realidade deles. Um dia, porém, um só homem conseguiu escapar e, com muita dificuldade, saiu da caverna. Aí vinha o dilema: ele poderia contar a verdade aos outros, o que poderia lhe trazer sérias complicações... poderia até morrer ou ser dado como louco por dizer aquelas baboseiras; ou largava todo mundo na ignorância mesmo.
"Mãe, tudo neste mundo é ilusão. Isto que você está vendo (ou seja, ele segurando o garfo errado) é ilusão"
Fiquei orgulhosa e confusa ao mesmo tempo: caramba, com 13 anos falando sobre Platão! O que dão pra beber nessa escola? Por outro lado, ele estava me enrolando... e ainda me chamou de 'mãe'. O certo é Mamãe. Uai, não tô certa? Carrega nove meses na barriga, dá os peitos pra virar chiclete nos dentinhos deles, troca, dá banho e, carinho... pra ser chamada só de mãe??! Que nada. Nem atendo quando me chamam assim.
E como o meu Número 3 não perde tempo, aproveitou a deixa do irmão pra dizer que isso também (o fato dele não estar sentado na hora de comer... ai, que vontade de torcer o pescocinho) era só ilusão! Posso?
Eita nós! MUs inteligentes... é fogo!

13 abril, 2011

Uma curva estranha.


Existem coisas que uma mãe faz, mas só porque é mãe... e só por isso, já é perdoável.
Sei que parece frase do Reader's Digest, mas fui eu mesma que fiz (ou será que eu escutei em algum lugar? Bah, deixa pra lá)
O professor do Tico marcou uma terapia reunião para os pais poderem ouvir coisas boas dos seus rebentos... lá fui eu, que não perco uma (não que meus bichinhos precisem ser paparicados, eu já faço isso, mas é mais pra marcar presença na escola mesmo. Aprendam isso, ó pais frescos. hihihi Essa é a melhor parte de saber que vem MUlecada nova por aí: dá pra tirar o maior sarro, e todo mundo fica feliz).
Pois é... cheguei primeiro até que o 'fessor' e fiquei lá fazendo hora. Tomei cafezinho (tenho uma cunhada que não pode tomar café depois das 4 da tarde _ afff _ que ela diz que não dorme mais a noite inteira. Tadinha. Do jeito que eu gosto de café, ia ficar maluca. Às vezes, bebo antes de ir dormir... e durmo mesmo... sou daquelas boa de cama. Eita piadinha batida, né?)

[O que eu estava mesmo falando... ah, é... o cafezinho da terapia reunião...]

Bom, falei com a orientadora nova, com o professor que chegou logo depois, com os pais que iam vindo... um deles até eram os pais do meu vizinho Maluquinho. Chamo o dito cujo de Maluquinho por causa do Ziraldo... acho ambos muito parecidos. (Não ele e o Ziraldo, ainda que ambos tenham o cabelo enroladinho, mas os dois MUleques são iguaizinhos... de gênio).
"Oi, Carmem, tudo bem?", e aí seguiram-se aqueles papinhos bem-educados, até falarmos do tempo.
"Nossa, acho que vai chover", a mãe do amiguinho disse; e foi só aí que eu percebi que não ia chover, não... ia mesmo era cair o mundo.
Eu costumo deixar meus bichinhos sozinhos em casa por até umas duas horas seguidas, mas fico sempre ligando (e antes de sair de casa, eu canto a ladainha inteira, né, Dona Mãe? Ela sabe bem do que eu estou falando: não é por mal, mas eu PRECISO falar tudo, todas as vezes... me faz bem; mas faz bem só pra mim, porque os outros querem me matar por ter que escutar a mesma coisa pela milionésima vez. Não tô nem aí, falo sempre e sempre é a mesma coisa mesmo). Mas eis que nesse dia da terapia reunião, estava escurecendo... e as chuvas estavam vindo muito fortes... e podia acabar a luz... e eles iam ficar na escuridão... e aí eles iam ficar com medo... e iam ficar se atroplelando pela casa, enquanto fugiam dos fantasmas (???) que estava em todos os lugares (ai, tá bom.. acho que exagerei), mas foi me dando uma coisa, que foi crescendo e tomando conta de mim... estava me sentindo acuada, e a mãe e o pai do Maluquinho falando, e eu já nem ia escutando mais, até que o 'fessor' chamou.
"Vamos começar?"
"Olha, Stéfano, se eu sair correndo, não liga, não, tá? É que eu deixei meus filhos sozinhos em casa, e acho que o céu vai cair. Talvez eu acabe fugindo pra lá... pra ver o mundo se acabar juntinho deles." Será que alguém duvidou?
Lembro da incredulidade dos meus vizinhos, que tentavam me acalmar dizendo que o filho deles estava também sozinho em casa. [Acho que são os fins dos tempos mesmo]. A minha cara não deve ter sido das melhores porque, dias mais tarde, ele me disse que acabou indo pra casa também, ver como o filho estava.
Depois que eu falei aquilo, caiu um raio que, se minha yaya estivesse por aqui, acho que ela teria feito xixi nas calças (um dia eu conto esse medo insano dela... ela, sim, que era exagerada... depois dizem que sou eu... tenho uma raiva disso).
Acho que nem me despedi. (Tá bom... não me despedi mesmo: saí correndo).
No meio do caminho (e olha que a escola fica a 5 minutos de carro da minha casa), começou a Grande Tormenta. Era tanta chuva, mas tanta chuva, que liguei o parabrisa no máximo e tive que vir bem devarinho, apesar de toda a minha pressa.
Enfim, o condomínio... e aí: espera abrir o portão, passar pelas mil tartarugas, rodar na rotatória e, afff, consigo entrar na minha ilha.
Outro dia, quase atropelei uma mulher na curvinha da entrada da ilha... claro que eu não atropelo ninguém, mas agora posso ver como eu quase fiz aquilo... que curva mais fechada e que mulher mais doida de andar no meio da rua. Mas sabe que eu nunca tinha reparado em como essa curva tinha esse traçado estranho? Engraçado...
Uai, eu entrava e, no total, tinha 3 curvas antes de chegar na minha casa... agora parece que aumentou!
Gente, o que é que eles misturaram naquele café?
Ah, claro! Errei de ilha. Apesar de toda a minha pressa, tendo que dar a volta no quarteirão, eu ainda entro na ilha errada? Ai, tem dó, né, Carminha.
Toca fazer o contorno da minha ilha agora. Antes de chegar em casa, vejo que o irmão do Maluquinho estava chegando também. Ufa. (Eu já tinha um plano de ir buscá-lo lá na casa dele).
Entro soltando os bofes pela boca, coração acelerado, pulmão arfando descompassado... vejo a casa, tudo tranquilo. Vejo os filhos, sossegados. Olho pra fora pra ver o Dilúvio... e a chuva...!!?
Cadê a miserável? Pois é. Acabou.
Volto pra escola ou não? ô, dúvida cruel... quinze minutos tentando decidir... 
Acho melhor sim. Arrumo as velas e os fósforos no jeito em cima da pia, dou o maior sermão de como velas podem botar fogo numa casa, dou um beijo em cada um, entro no carro e saiu do condomínio.
Acho melhor não. Parece que vai piorar de novo, só falta eu ter que pagar o maior micão de sair correndo de novo. Entro de novo no condomínio, dou outra volta na rotatória e depois no quarteirão da minha ilha e, então, chego em casa de novo.
Melhor comer pipoca, porque já fiquei até cansada pra fazer bolinho de chuva.
:)