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29 junho, 2016

Nada é impossível!



Superei muitas coisas nessas viagens que fiz: o banco apertado, por horas, do avião (nada de glamour como eu pensava quando era pequena), o inglês arretado (o meu, claro), os tombos (fica quieto,Vitor!), as comidas boas, as pessoas estranhas (mas interessantíssimas) que esbarramos pelo caminho, as histórias... Viajar é bom, mas voltar pra contar é melhor.
Quando me vi, estava lá eu em Barcelona, com aquele sotaquinho familiar e um monte de coisas, fora do meu controle, acontecendo. Eu era uma turista! Enfim, uma definição de mim mesma para chamar de minha.




Vi uma moça tirando foto na frente da loja de vestidos tipicamente flamencos (nada a ver com Catalunya, mas que se dane... turista, pode!), quando íamos tomar café da manhã, ou o 'esmozar'.




Algumas pessoas me marcaram de uma forma impressionante, e uma delas foi o meu irmão Cinho. Affffff..... quando você tem a oportunidade de ver a irmã gêmea do Mister Bean? EU VI !!! Ela era atendente de uma lojinha de bugigangas que ninguém compra (tipo bússula velha numa loja empoeirada para turistas), bem na esquina da Plaza de Catalunya, onde tudo acontece, com o começo das Ramblas, onde tudo acontecia segundo a minha yaya. Lá era o point. Mas o meu irmão não quis fazer uma pose dentro da loja para eu tirar uma foto dela por trás. Que chato ele, não?
Por outro lado, tirei a foto da costureira d'Os Incríveis, a Edna:






Ao vivo, parecia até mais.
Mas nessas viagens nem tudo são emoções felizes. Na mesma esquina da loja de quinquilharias da irmã do Mr. Bean, na calçada, estavam dois imigrantes que poderiam ser árabes ou turcos, algemados ao lado de policiais esperando para serem deportados.
Nessas situações, não há despedidas de quem fica, não se pega pertences escondidos em algum casebre no fundo da periferia. Só se perde uma vida.
De início, tanto meu irmão e eu não havíamos percebido e ficamos esperando o resto da família até bem perto deles. Quando vi, um deles nos olhava com aquela sensação de que nós éramos bem quistos lá, ainda que não oriundos de lá (falávamos em português), mas éramos felizes e com uma vida boa. Diferente da dele.
Outro episódio muito triste foi na despedida do nosso primo Josép, nas ramblas também, quando estávamos somente o Vitor e eu.
Vínhamos conversando todos nós, mais a Pilar, que nos acompanhava.
Estava frio e já escuro, com uma quase garoa fina e, no chão, encolhido com a cabeça no meio das pernas, um garoto que devia ter uns 20 anos, chorando copiosamente. Provavelmente ele era pedinte mal-sucedido, por ser um turista-mochileiro-sem-grana... essa foi a impressão que eu tive. E fiquei de coração apertado. Será que a família dele sabia o que ele estava passando? Parecia um choro de 'o que eu vim fazer aqui e por quê?'.



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