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07 abril, 2010

... é comigo ??? Não vi nada, não !!!


Apesar do que tudo indicava, não apareceu nenhum leão, nem nenhum outro bicho estranho (afora as A6, claro) pra nos atazanar... acho que aquela noite eu dormi de verdade. E hoje seria a nossa última noite daquelas férias parasidíacas (pra dizer a verdade, já tinha sido a última, a noite passada... mas tudo bem... vambora pra pousada do lado, que lá tem vaga. :)
Eita lugar liiiindo. Nada de broches na parede, nem de ficar tomando banho com a brisa notúrnica adentrando pela janela inexistente, e muito menos sem o Danado rondando nossas almas enquanto a gente dormia. Que nada... uma comida ma-ra-vi-lho-sa... com chef de cozinha e tudo... pousada 5 estrelas aquela.
Como eu sei dos meus leitores incrédulos, fiz um tour de 360° da porta da varandinha do quarto que ficaram meu marido e filhos... NÃO, EU NÃO FIQUEI NAQUELE QUARTO! (Explico depois... bateu uma deprê...)






Ai... melhor contar logo.
Fizemos a despedida na prainha do pastor-pescador... comidinha boa, gente bacana e um lugar pra gente descansar muito tranquilo. E aí veio a questão: ou a gente ficava na pousada do lado, ou voltava pra marina, e pra casa (snif!): a decisão foi a pousada vizinha. Perai... falta a injeção do Bibi. O Marcos nos levou até a vilinha e já eram mais de 18h... e a mulher não tinha voltado. Deve ter dado alguma coisa errada, com certeza... e agora? (Desespero de mãe) Agora a saída é ir até Paraty. Não lembro porquê o Marcos também queria ir até a marina, acho que pra abastecer, sei lá. Tudo bem... a gente vai até lá, abastece, dá a injeção e volta pra pousada. Beleza. Tchau, Família... voltamos logo, tá?
Fomos a Tia Rose, o Tio Marcos, o Bibi e eu.
No meio do caminho começou a chover (e eu a rezar o terço...), é uma sensação horrível de proa levantando (nós descemos pra cabine enquanto somente o Marcos se molhava lá em cima), o baque seco das ondas batendo no casco, por sorte eu não me lembrei de nenhum naufrágio naquela hora (só do raio do Titanic... a cena que mais me chocou foi a mãe botando os filhos pra dormir enquanto o navio ia a pique... que sentimento de amargura, credo!)... esquece o filme... não vai acontecer nada, vai dar tudo certo, a marina é logo ali... e afinal de contas, o capitão é o meu irmão... nada poderia dar errado. Graças a Deus, chegamos sãos e salvos. Bom, hora de limpar o barco. Ajudei no que pude, mas não deixei de dar minhas gafes... tipo jogar água salgada pra limpar o chão, e coisinhas assim (tem hora que é até bom não ter memória muito boa).
Depois de tudo, que pareceu interminável (o dia não acabava... "tenha cuidado ao pedir algo pra Deus... Ele pode te atender" hehe).
Fomos para o centro, o Marcos o Bibi e eu. O meu irmão não estava legal e também precisava comprar remédio. A farmácia de plantão era bem na entrada do Centro Histórico, compramos o remédio dele e ficamos sabendo que o cara  não aplicava injeção... mas perai... CADÊ A P&@%$$ QUE P%@@#!* DA RECEITA?. Ficou na outra bolsa... quando não consegui aplicar na vilinha, e só iríamos até Paraty e logo voltaríamos, deixei minha bolsa na pousada... AAAAAiiiii... e agora??? (Desespero de mãe) Meu irmão tentou me acalmar, dizendo que a gente daria um jeito... ele era a quem eu me agarrava naquele momento, e eu rezava pra que desse tudo certo. Quem, nessa cidade, pode aplicar uma injeção que é um medicamento controlado, numa criança, sem receita e sem documentos pra eu provar que eu era a mãe dele? Ninguém! Eu me sentia culpada. [Vai, maluca... puxa os cabelos, pula do viaduto, morde o dedo do pé] Bom... pensa... o hospital. Se alguém poderia me ajudar, seria lá. Fomos, então. Agora eu só teria que contar a história, esperar que alguém acreditasse em mim e implorar pedir que o médico aplicasse, ou autorizasse alguém a aplicar a injeção no Bi. Senta, espera... tem ainda bastante gente na frente. O Marcos? Ficou no carro. Estava falando com o sócio dele que, por um acaso, também estava em Paraty. Dali um tempo, o meu irmão me chama e disse que um dos amigos que estavam com o sócio dele era médico e ia aplicar a injeção. (Acho que vou chorar). O Marcos ficou no carro e nós dois fomos direto à Pizzaria da Cidade, procurar a mesa em que eles estavam. Achamos, era a última. Somente quando eu cheguei lá e que eu percebi o lastimável que me encontrava (sem perceber, eu acho, uma das mulheres me deu uma olhada de cima até embaixo, sabe... daquele jeito que até torce o nariz?), mas também... veja a cena: uma mãe desesperada, quase chorando, com uma saída de banho com o biquini (que estava desde cedo) ainda por baixo, um filho numa mão e uma caixinha de remédio na outra... afff! Ninguém merece! Fiquei me sentindo diminuída, tímida, não dizendo nada com nada, e esperando que alguém me apresentasse  logo o médico, pra sumir rapidinho dali. Por sua vez, o rapaz estava também numa situação nada confortável, afinal aplicar um medicamento, daquele jeito e sem conhecer a doida? Tudo ficou mais tranquilo quando fui apresentada como a irmã do Marquinhos... eles moram no mesmo prédio, e o médico é amigo do meu irmão também... Graças a Deus! Foi ali mesmo, sobre a mesa, que ele começou a preparar a solução... seringa, agulhas, frascos... todos os outros clientes olhavam desconfiados (e até mesmo os funcionários), tipo... nossa, parece droga... será que eles vão fazer isso aqui dentro, na cara de todo mundo... e outras coisas nada cristãs. O Bi se recusou a baixar as calças ali, no salão. Onde ir, então??? Banheiro masculino, é claro. Mãe paga cada mico... eu fui, é claro. 
O banheiro cheirava xixi! Que nojo! Ficamos na área das pias, logo na entrada; mas com o cuidado de não obstruir a porta... se alguém entrasse e desse um "pequeno" empurrão em nós, a agulha chegaria no cérebro do meu filho. Enfim, acabou... voltamos. Agradeci tanto que já estava até me sentindo uma retirante que recebe uma nota de cem mil réis sem saber direito o porquê. Fomos embora com a sensação que fui alvo de comentários a noite inteira.
Problema resolvido, voltamos ao barco... carácoles... não avisamos o resto da família que não poderemos voltar por causa do mal tempo, e porque o Marcos estava com asma, praticamente sem respirar (ele teve que voltar pra fazer inalação). Depois de muito tempo (celular que não pega, pousada sem número na lista telefônica) conseguimos contato. Paz, enfim.
Dormimos aquela noite no barco... balancinho gostoso, parecia aconchego de mãe. :)
Graças a Deus e ao meu irmão, o Bi tomou a injeção... agradeço aos dois... e ao sócio e ao médico também. Muito obrigada.

07de Abril de 2.010

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