Descansar? Pra quê? Afinal a ida até a cachoeira somente nos deu mais ânimo pra continuarmos (mentira: amanhã vamos embora, quero aproveitar tudinho). Filhos pra um lado, maridum e eu de caiaque pro outro.
Vamos passar lá na vilinha dos pescadores pra perguntar sobre quem aplica injeção? (O Bibi tinha que tomar uma medicação, por causa de um tratamento, e tinha que ser no dia seguinte, então nada melhor do que já deixar tudo certinho, né?). Fomos. Era fim de tarde, mas ia demorar pra escurecer... tínhamos tempo. O que não é a ignorância do ser humano... ano passado, ali naquela mesma travessia do Saco, um a alemão (glup!), atravessavando a nado, foi atropelado por uma embarcação. Parece que a hélice do motor
A vilinha era pequena... de um lado, um apinhamento total de casas sem quintal nem muros, e do outro ficava o postinho de saúde; no meio, a igrejinha dava um clima pueril. Fomos direto a uma mulher que nos olhava meio desconfiada (esqueci o nome dela... ôh, traste de memória). Pois é, ele tem que tomar a injeção e blá, blá, blá... ah, é a senhora que aplica? Que sorte, né? Então ficou tudo combinado. Ela disse que iria até Paraty receber um dinheiro de tarde, mas devia chegar pras 18h, então estava tudo certo. Ahhh... eu só não podia esquecer a receita, claro! Claro, né? Uma das primeiras coisas que coloquei na mala foram a caixinha do remédio e a receita da médica. Tudo certo. "Ai, D. Fulana, poderia arrumar um copo d' água pra gente?" "Só um instantinho..." ela foi super gentil e, enquanto pegava a água, pude ver a casa dela, toda arrumadinha e sem uma poerinha sequer de areia no chão de piso frio. De repente... quem saiu da casa? A mocinha do casalzinho do morro do Pão-de-Açúcar e da cachoeira... ??? "Ai, ela salvou minha vida...", foi logo dizendo ao sair da casa da caiçara: ela tinha ido ao banheiro. rsrsrs Eita, Saco pequeno. Enquanto bebíamos a água perguntei como era morar ali, na vila, com todas aquelas casas tão próximas... não tinha problemas com a vizinhança? "Não, oxe... é tudo parenti... aqui é meu cunhado e logo lá é minha sogra, intão num tem briga, não" Ela respondeu com perplexidade por causa da minha pergunta... e eu fiquei perplexa com a sua resposta.
Voltamos ao barquinho a remo, à nossa cena romântica no Saco. Subo, sento e viro pra frente, sentindo todo o ar fresco da tardinha chegando, estava curtindo o meu momento Ava Gardner quando... de repente... o barco tem um solavanco... forte, impreciso, mexe muito, balança... AAAAiii, vou cair... segura, agarra e... escuto o TCHUÁÁÁ: Marido ao mar.
Mas que diabos aconteceu? Ele foi empurar o barco (o solavanco), ele tenta subir no barco (forte, impreciso), engata o pé sei lá onde (mexe muito, balança...) e o final é só um: mico geral... fiquei aliviada e ofendida. Um garotinho estava bem perto do barco, observando tudo feito um jacaré (porque só tinha os olhinhos pra fora d' água), pra quebrar o clima, virei pra ele e falei: "Que mico, né?" Pude perceber as bochechas inchando numa gargalhada contida... aí ele afundou tudo e foi rir lá embaixo. Vambora, Maridum... falta só o Chupa-cabra pra terminar o dia.
07 de Abril de 2.010



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