A águia, poderia viver até os 70 anos, mas para chegar a essa idade, ela teria que tomar uma série e difícil decisão por volta dos 40 anos. Nessa idade, ela está com as unhas compridas e flexíveis, impossibilitando caçar suas presas para se alimentar; seu bico alongado e pontiagudo, já se torna curvo; suas asas estão apontando contra o peito, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar está se tornando uma tarefa difícil.
Então, a águia só teria duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar cerca de 150 dias.
Esse processo consistiria em voar até o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão. Após encontrar esse lugar, a águia começaria a bater o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Esperaria, então, nascer um novo bico, com o qual arrancaria suas unhas.
Quando as novas unhas começassem a nascer, ela passaria a arrancar as penas velhas; e somente depois de cinco meses, ela sairia para o voo da sua nova fase.
E poderia viver, então, por mais 30 anos...
Mas pra que se contentar com uma miséria de 70 anos?
A lenda da fênix que ressurgia das cinzas foi inspirada, provavelmente, na lenda primeira da renovação premeditada da própria ave que é ela: a águia.
Este animal mágico viveria por até 97.200 anos e, diziam as más línguas, que uma única lágrima sua poderia curar qualquer enfermidade ou doença... diziam mais: que as cinzas, nas quais ela renascia, tinham o poder de ressuscitar até morto! Vai ver que é por isso que o imperador romano Heliogábalo (203-222 d.C) decidiu comer carne de fênix a fim de alcançar a imortalidade... tem italiano pra tudo... como ele não achou carne de fênix (dã), comeu carne de ave-do-paraíso mesmo.
Não funcionou... e foi assassinado pouco depois.
Aliás este episódio marcou não só a inocência, como também o 'jeitinho' italiano (e isso foi bem antes do 'jeitinho' brasileiro).
A 23° edição da Bienal o Humor em Tolentino, bem na panturrilha do mapa em formato de bota, disse que os italianos mentem todos os dias; e mais... deu números: 25 mentiras por dia, em média. (Mentirinha... são somente 5 por dia!). Tem dia que mais, tem dia que menos. Vai ver que é por isso que eles já caíram em tanta lorota.
Roma é uma dessas cidades fascinantes, com muito menos glamour do que eu esperava e muito mais italianos... gentis, bobões... de tudo um pouco.
No dia seguinte ao batizado, estávamos livres para irmos por aí.
Eu já sabia de uma lanchonetezinha, andando uns 3 quarteirões por trás do Maledetotel, e comprava nosso breakfast ali mesmo, defronte uma praça aberta no meio do quarteirão. Entrava falando 'Ciao', e saia falando 'take away'.
Decidimos, caláro, ver o Coliseu Romano.
A ida já foi uma festa, tinha monumentos,igrejas, lojinhas e bares antigos, junto a lojas de grife; meu ponto máximo foi o lugar que a Diane Lane, interpretando o papel da apaixonante Frances ('Sob o Sol da Toscana') parou, deu uma voltinha e seguiu seu caminho, bem na frente do Monumento a Vittorio Emanuelle II. Eu me senti, profundamente, naquele momento, em algum lugar considerável, no velho mundo.
Andamos uns 5 quilômetros (mentira... acho que foram só 2) até chegar ao nosso destino e me pareceu que o Coliseu era bem mais pequenininho que eu pensava... achei que toda aquela pompa romana caberia lá dentro. Devo ser megalomaníaca, porque quando falam que em tal espaço cabem 20 campos de futebol, eu imagino uma aquele descampado da savana africana, só que com grama verdinha; tipo a perder de vista. Quando falavam do tamanho do Coliseu, era a mesma coisa...
Qual não foi nossa surpresa ao chegarmos ao dito Coliseu, que não era grande, mas que tinha a maior fila de todos os tempos!!!
S'Ormindo já queria desistir, nem que a vaca tossisse ele ia enfrentar aquilo tudo (cof, cof). Até que descobrimos que, se pagássemos para um guia turístico poderíamos furar a fila, ter umas aulinhas do que acontecia ali, e ainda nem precisava pagar a entrada (oi? tá louca?), tudo por uma ninharia... era só penhorar os molares do fundo; mas quem precisa de dentes ali? Fomos lá com a nossa guia oriunda italiana que sabia falar grego (mentira... ela falava espanhol com o grupo).
Ela contou tudo o que eu pesquisei depois e vi que estava certa.
O ruim é que eu queria o lugar pra mim, não queria dividir com aquele monte de gente que fica fazendo pose e não deixava eu tirar as minhas fotos, era um saculejo, um empurrão de cotovelos... aff... nem dava pra sentir a energia do lugar. Pensando bem, talvez tenha sido melhor assim... já penso demais em leão, acho que não preciso de mais inspiração.
Roma Antiga foi erguida sobre 7 morros de diferentes alturas; e, por pior que seja ter que acreditar, e isso não é mentira, o monte Velio, um prolongamento do monte Palatino ao monte Esquilino, foi completamente aniquilado. Diz-se que esse monte dava a todo o lugar o clima de 'sagrado' e foi desmantelado para a passagem da Via dei Imperio, do Duce (alcunha de Mussolini).
Aquela situação, realmente, pegou minha surpresa e arremessou na parede: fiquei pensando o que mais poderia ter acontecido, e veio a resposta: para abrir a grande avenida por onde poderiam passar toda a sua demonstração de força militar, existia uma fonte, que só não era mais antiga que a maçã que Eva deu pro Adão; parece que ela era linda, só que estava no lugar errado, porque era por onde o ego dele passaria arrancando tudo. Parece mentira de italiano, mas é verdade.
Esses italianos já tiveram a Era da 'aquila romana', na antiguidade; da aquila do Duce (MaleDuce...hihihi), na modernidade e, para fechar com chave de ouro das malandragens políticas, a Era Berlusconi... tudo bem que esse não levava águia em insígnia alguma, mas suas garras eram tão fortes que podiam agarrar piranhas, gazelas e até vacas (blé)... mas, depois de uma deputada como Cicciolina, um presidente como Berlusconi não é nada.
PAUSA para Momento Mea Culpa
[O que é que eu estou dizendo??? Depois do Tiririca ter se desiludido como deputado (alguém acredita em palhaço triste?), a dupla Lula e Dilma pode surpreender ainda?]
DESPAUSA para Des Culpa
Bom, deixa pra lá... depois de rodar feito peão e se encantar com tudo, o que faríamos, o que farofa? Nossa guia-nada-boba engatou um pacote com outro guia, italianíssimo oriundo da Venezuela, que nos levaria aos arredores. Esse guia era uma piada... toda hora, ele parava de mostrar para atender o telefone com chamada internacional (da Venezuela, onde ficara sua mãe e filha) até que, numa determinada hora, parou de tocar. Caiu o sinal de Hugo Chávez e as nossas esperas por atenção.
Só andamos mais uns 300 quilômetros dentro da Via Sacra, passando pelas ruínas do Forum Romano, adentrando entre os palácios de nem sei quem morou lá; eram ruínas, passagens subterrâneas (agora desenterradas), mostrando toda a mentalidade de auto-preservação do poder a qualquer custo. Jardins, com toda simetria e prédios adjacentes, saunas, banheiros, salões, corredores por onde passaram escravos com comidas e todas as outras extravagâncias que os poderosos exigiam.
Numa dessas passagens subterrâneas, o guia nos mostrou o lugar onde Júlio César teria sido emboscado, esfaqueado e proclamado sua frase tão emblemática: "Até tu, Brutus?", e foi num corredor de serviçais. Mas depois que o ex-prefeito de Ferraz, o Dr. Jorge, foi pego junto com o irmão fugindo por um dos canos de infraestrutura de pluvial, vestidos de mulher... isso mostra o quanto o ser humano pode se rebaixar; e o quanto as pessoas podem emburrar, porque ele foi eleito prefeito numa outra ocasião novamente.
Mas, continuando... em Roma, nosso guia estacou, num determinado instante e perguntou: "Existem duas coisas aqui que não combinam como lugar, o que seria?"
Todo mundo parecia um grupo escolar em aflição, ficamos olhando em volta, mas ninguém falou nada.
Aí, ele comentou sobre uma arvorezinha, encima de um morrinho nada-a-ver de terra, e um pequeno palacete bem moderno, no meio daquele lugar.
A arvorinha no morrinho indicava um ponto geográfico onde arqueólogos destacavam um lugar a ser explorado no futuro, quando houvesse tecnologia que não agredisse o local; e a construção, era uma casa das casas do MaleDuce (não sei se moradia ou pra despachos), que protagonizou uma foto famosa, e se via mesmo, na portada, a águia nazista; seu subsolo pode conter restos de um mundo muito mais distante que a antiguidade, a Era paleozóica. Hoje em dia, funciona o Museo Palatino lá.
Mussolini queria entrar pra prosperidade, e o carcamano conseguiu.
Voltamos a pé, praticamente mortinhos da silva para o nosso Maledetotel... no dia seguinte, bem cedinho, meus pais voltariam pra Suiça; o Vitor e eu, ficaríamos um dia mais, para então, partirmos para a maior de nossas aventuras: o Trem para Milão!








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