Meu bisavô, Felip e minha bisavó ..., tiveram três filhos: Pere, Josep e Enric, o meu avô materno. Eles viviam em Gysclareny, num dos pontos mais altos das montanhas dos Pirineus, divisa com a França... consequentemente, muito fria também.
Pere teve dois filhos: Lluis e Jordi.
Jordi se casou com Lolin, uma espanhola do sul da França que trabalhava numa loja de departamentos como caixa, era tipo um "El Corte Inglès", mas tinha outro nome. Não era à toa que minha yaya tanto gostava de lá; nessa época, em São Paulo, acho só que tinha o Mappim e a Mesbla.
Ela era quase tudo de bom: falante, engraçada, loira, jovem, lindíssima... mas não era catalana. Jordi mandou, então, tudo às favas e eles se casaram, mas não tiveram filhos.
Pere teve dois filhos: Lluis e Jordi.
Jordi se casou com Lolin, uma espanhola do sul da França que trabalhava numa loja de departamentos como caixa, era tipo um "El Corte Inglès", mas tinha outro nome. Não era à toa que minha yaya tanto gostava de lá; nessa época, em São Paulo, acho só que tinha o Mappim e a Mesbla.
Ela era quase tudo de bom: falante, engraçada, loira, jovem, lindíssima... mas não era catalana. Jordi mandou, então, tudo às favas e eles se casaram, mas não tiveram filhos.
Não é por nada, não, mas eu acho que foi praga do tio Pere, que não queria casamento fora da Catalunya...
A primeira impressão que tive dela não foi das melhores... ela tinha uma voz grave e lembrava muito a tia Iva (meu Deus... essa é outra tortinha) e parecia que estava constantemente embriagada... Na última vez que a vi foi a primeira da última vez que estive lá, vai fazendo cálculo ai, e ela continuava falando alto, com sua voz grossa, mas com uma amargura que a idade trás juntos com as rugas: ela estava doente, meio esclerosada e quase surda.
Morreu anos depois de seu marido Jordi, poucos dias antes do ano de 2013.
Ela começou a apresentar esclerose e ficava vegetativa por alguns períodos, como se ligando e desligando da tomada. De repente, falava e se movia, para depois voltar ao mesmo estado de antes.
Na última viagem, não pude ver Lolin porque ela se acidentou com a enfermeira. (Não pergunta porque também não entendi).
Ela foi pro hospital porque ela se engasgou num jantar e acabou ficando sem ar por algum tempo até que o socorro chegou e a levou para lá. Sua debilidade física e mental não suportou tamanha falta de vida, e ela se foi.
Jordi, seu marido, morrera de AVC. Pelo que sei foi tranquilo, pois quando se programava para ir visitar seu irmão doente LLuís, ele disse que não poderia ir aquele dia pois acordara vendo tudo dobrado: iria a um médico. Era o derrame, que o levou dois meses depois de sua manifestação. Jordi, meu primo, filho de Lluís, prometeu ao tio que cuidaria dela, da Lolin, até o fim... e assim o fez.
Lluís morreu de alzeimer, eu acho.
A primeira impressão que tive dela não foi das melhores... ela tinha uma voz grave e lembrava muito a tia Iva (meu Deus... essa é outra tortinha) e parecia que estava constantemente embriagada... Na última vez que a vi foi a primeira da última vez que estive lá, vai fazendo cálculo ai, e ela continuava falando alto, com sua voz grossa, mas com uma amargura que a idade trás juntos com as rugas: ela estava doente, meio esclerosada e quase surda.
Morreu anos depois de seu marido Jordi, poucos dias antes do ano de 2013.
Ela começou a apresentar esclerose e ficava vegetativa por alguns períodos, como se ligando e desligando da tomada. De repente, falava e se movia, para depois voltar ao mesmo estado de antes.
Na última viagem, não pude ver Lolin porque ela se acidentou com a enfermeira. (Não pergunta porque também não entendi).
Ela foi pro hospital porque ela se engasgou num jantar e acabou ficando sem ar por algum tempo até que o socorro chegou e a levou para lá. Sua debilidade física e mental não suportou tamanha falta de vida, e ela se foi.
Jordi, seu marido, morrera de AVC. Pelo que sei foi tranquilo, pois quando se programava para ir visitar seu irmão doente LLuís, ele disse que não poderia ir aquele dia pois acordara vendo tudo dobrado: iria a um médico. Era o derrame, que o levou dois meses depois de sua manifestação. Jordi, meu primo, filho de Lluís, prometeu ao tio que cuidaria dela, da Lolin, até o fim... e assim o fez.
Lluís morreu de alzeimer, eu acho.
Nesse meio tempo, as desgraças aconteceram a rodo.
As vacas do marido de Maria Pilar se revezavam em morrer, cada dia, uma. Ela se casou e foi morar em Bellver porque a família do marido era da pecuária, e a mãe Pilar (esposa do Lluís, filho de Pere e Antonia, e pai de Maria Pilar e Jordi) me confidenciou que ela não achava que esse casamento ia durar... afinal, nunca imaginara a filha morando no interior e cuidando de vaca. Já Jordi e Esther, esses sim, tinham chances de serem felizes e ser o casamento perfeito, de tanto que combinavam. Pois é, esse não deu certo.
Esther me contou que ela e Jordi moravam próximos e faziam faculdade juntos, então ele dava carona para ela, e ela pagava pela carona; até o dia que ele disse que não precisava mais pagar pelas caronas. Casaram na Iglesia Santa Maria del Mar, da série da Netflix que eu assisti inteirinha.
É estranho como acabamos sabendo das coisas, mas um passarinho me contou que era porque ela era frígida, ainda assim, tiveram duas meninas: Alba e Mar. As duas outras netas da Pilar, filhas de Maria Pilar com o vaqueiro, não me lembro nem como chamavam.
Mar teve um problema seríssimo no cérebro, quando bebezinha, fez cirurgias por causa de tumor e chamaram até um padre pra dar extrema-unção, mas ela viveu por milagre, e até foi capa de revista da época, contando sua saga. Foi triste, e hoje eu imagino que ela leve uma vida normal, ou bem próxima disso.
Pere era o filho do meu bisavô Felip mais covarde.
Ele engravidou Antonia e se casou porque foi ameaçado pelos irmãos dela, e Pilar contou que ela era uma mulher triste, sempre fora, porque sabia que o marido não a queria.
Ele é tão covarde, que os filhos compraram uma loja num local muito bom e colocaram no nome do pai, como uma homenagem. Pois ele se mostrou com muita raiva porque tinha medo que o fisco viesse atrás dele, e encarou isso como uma afronta dos filhos que queriam ganhar dinheiro a custas dele.
O negócio do tio Pere e filhos, e do meu primo Jordi, sempre foi loja de roupas. Tiveram 3: D'acord , Avui e Tor's. Essa última, e o pomo da discórdia, em frente à Boqueria.
Josep, era o filho do meio, e o mais moderado. Ele foi o pai da Magda e tiveram uma boa vida.
Sei que, quando ele morreu, ela herdou uma pousada, mas ela tinha instrução e se deu bem na vida. Só que ela ficou órfã cedo também.
Hoje ela vive com Montse, e um dia ela me confidenciou que já tivera um namorado que quase se casou, mas ficou tão desolada e decepcionada, que nunca mais arrumou um outro amor. Eu sempre pensava que ela era lésbica, mas ela deu a entender que não.
Sei que, quando fui visitá-la, na época do batizado da Lily, eu fiquei conversando muito com a mãe da Montse, a Lola.
Depois Montse me escreveu dizendo que a mãe agradecia ter me conhecido, porque todos a tratavam como uma 'yaya em série' e eu escutei ela de verdade, perguntando da vida dela, e dando atenção. Ela nunca esqueceu. Mas já morreu.
Elame contou que tinha tido uma outra filha que morreu, não sei por qual infortúnio, e o médico com receio dela entrar em depressão profunda e enlouquecer, sugeriu que fosse fazer caminhadas nas montanhas. Ela disse que foi por todos os Pirineus e outras montanhas ainda, que nunca mais parou e descobriu uma paixão. Mas, depois, ela ficou velhinha, e não pode mais andar.
Que saudades de Lola, gostaria de ter conversado mais com ela.
E o último filho de Felip, Enric, era tido por todos como o mais valente, o meu avô.
Ele teve dois filhos com a minha yaya, Angela.............. ai, que saudades doloridas dela: o meu tio Enric e a minha mãe Montserrat. Toda família catalana que se prezasse tinha que ter um Jordi e uma Montserrat.
O dia de San Jordi é espcial na Catalunya porque os homens dão flores às mulheres, e estas dão livros aos homens... gente desconhecida recebendo presentes, bancos com flores para alguma mulher levar, é desse jeito. Lindo, ne?
Um dia assistindo a novela da Globo "Salomé", apareceu uma mocinha com o cabelo comprido, mas com umas ondinhas achatadas no cabelo, tipo a image, e ele falou, todo saudoso, que ele conheceu a minha yaya com o cabelo todo assim. Ela sempre passava em frente à loja que ele trabalhava.
Ele fez de tudo um pouco, e chegou a ganhar dinheiro, mas o sogro dele costumava dizer abrindo uma das mãos com a palma pra cima, que todo o dinheiro que entrava por um lado, saia pelo outro; ou seja, não sabia gerenciar, só gastava.
Meu primo me contou que numa ocasião, quando Barcelona estava sitiada pelos inimigos franquistas, e já faltava alimento. Pois ele e os amigos doidos pegaram um trem, não sei de onde, com comida que os rebeldes haviam preparado, e passaram pela barreira de soldados embaixo de tiros. Foram recebidos como heróis.
Num outro feito, estavam ele e os amigos, não sei se os mesmos, mas certamente tão malucos como, que descobriram que do outro lado do muro tinham soldados. Como eram poucos, começou a negociação: desse meu lado tem x soldados, do meu tem y e uma granada, mas do meu tem mais não sei o quê e, de conversa em conversa,seguiram os dois grupos em paz; provavelmente, ambos ficaram blefando.
Esse era o meu avô herói, mas tinha sempre o avô meio malandro na jogada.
Ele dizia que, pra arrumar uns poucos trocados, quando era cobrador de ônibus, ele fingia que esquecia de dar o troco, ou dava pela metade; se a pessoa reclamava, ele pedia desculpas, dizia que se enganara e dava o troco certo. Ele foi também avaliador de antiguidades, e nessa época foi que ele mais ganhou dinheiro.
Ele tinha uma técnica: enquanto os outros avaliadores davam o preço de mercado pelos móveis de pessoas que se mudavam e não levariam nada, ele olhava bem a casa, e se visse alguma coisa que interessasse a ele (um quadro, uma louça, ou outra coisa), ele não levantava a atenção para o que ele queria, ele começava a pagar mais pelos móveis.
As pessoas não costumam pensar direito numa negociação, e achavam que saiam ganhando com ele,mas foi assimque ele conseguiu um autêntico Picasso da primeira fase.
Picasso esse que era uma mulher pelada. A gravura ficou com meu tio que colocou num quadro, mas a tia Iva (sempre ela) ficou com ciúmes e rasgou a perereca da mocinha... ficou amputada. Nem sei onde anda a gravura... acho que a yaya disse que o vovô escondeu num pedaço da estante da sala dela.
Mas se desgraça pouca é bobagem, ainda tem mais: Pilar.
Descobri que ela vem de uma família de mulheres fortes e solitárias.
A avó dela casou com um homem queeu nem sei se ela gostava ou não, porque naquela época era assim. No começo, ele a tratava bem mas isso foi mudando com o tempo, e quando a filha dela nasceu, ela tomou uma decisão: nunca mais ter outro filho; na verdade, elateve uma filha, a mãe da Pilar.
O pai estava no bar, bebendo porque acho que era alcólatra, e mesmo sabendo que a filha nasceu, e por ser filha, voltou pra casa três dias depois.
A mãe da Pilar também não teve muita sorte, porque dizia que não teria a vida que a mãe teve, e jamais se casaria se fosse praficar sozinha. Conheceu o pai da Pilar, ficaram apaixonados e se casaram mas ele, apesar de ser um homem bom e trabalhador, gostava muito de jogo e assistia a todos. Num deles,caiu uma chuva torrencial, mas ele não desistiu de ver o jogo e depois disso, pegou uma pneumonia e morreu. Apesar de serem muito apaixonados e companheiros, ela ficou só.
Pilar se casou com Lluís e ele morreu de algum tipo de demência, porque ele esquecia quem ele mesmo era e se tornava violento, batendo em todo mundo com o que estivesse na mão. Um dia, nessas crises, ela disse que se não se lembrasse de tudo o que eles tinham passado, que batesse nela. Ele nunca bateu.




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