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04 novembro, 2016

Para Roma, com amor



É difícil ficar na casa dos outros, parece que a gente está sempre incomodando... ainda mais quando não se tem nenhuma tanta intimidade com a dona da casa.
Fomos até a casa da Magda, Montse e Lola para tomar um chazinho da tarde e jogar dominó.
Lola é a mãe da Montse, companheira da Magda.
Tivemos uma afeição gratuita logo de início. A Magda me contou que eu fui a primeira pessoa que a tratou não como sendo a vovozinha de todos, mas como pessoa. Na verdade, eu dei atenção a ela, e o que eu recebi em troca, além da afeição para sempre, foi a sua história: 
Ela teve duas filhas, a Montse e uma outra filha (que agora já não lembro o nome), mas que morreu novinha. Foi a abertura de um poço de desespero e angústia que todos nós já conhecemos e, como ela estava a beira de um abismo, o médico propôs que ela fosse fazer algo como remédio, tipo caminhada. Sim, que ela fizesse caminhadas.
Ela disse que começou a caminhar e nunca mais parara. Teve trekkings que duraram dias nas montanhas, e foi isso que a curou da sua dor.
Isso tudo ela me contou nessa última viagem à Espanha que eu ganhei do Cinho e da Manu, e ela estava toda emocionada, contando, só que os outros que estavam em outra conversa queriam fazer um brinde; não ia cortar a velhinha, né? Levei bronca do meu pai.
E não nos demoramos em Barcelona... larga os milhões de goiabada aí no apê da anfitriã e s'imbora que Roma nos aguarda.
Quando se abriram as portas da esperança do desembarque em Roma foi uma alegria. Todo mundo lá, menos quem eu conhecia.
O motorista do táxi, muito solícito, perguntou de onde éramos, se já conhecíamos a cidade. "Não. É a nossa primeira vez... Filho, olha lá o Coliseu!!!"
Realmente, ele ficava lá meio longinho, e o nosso guia-motorista se prontificou em dar uma voltinha para vermos melhor. Topei.
Devo confessar que fiquei um tantinho decepcionada porque achei que ele seria algo colossal ... afinal, tinha que ser um espaço que coubesse todas as atrocidades que são do seu escopo. Pensando bem, devia ser grande para a época.
Pega as trouxas e vamos fazer check-in no nosso hotel maravilhoso chamado Residenza Montecitorio, que D. Gil conseguiu por um precinho camarada bem no coração da velha Roma.
O hotel não tinha anúncio da sua existência em lugar algum, tínhamos o endereço e, pelo interfone, dissemos que tínhamos reserva, no mais alto estilo italiano macarrônico.
Bom, abriram.
Um corredor escuro, depois um pátio interno, não muito grande, e duas opções: esquerda ou direita?
Pra esquerda, parecia mais hotel do que pra direita, que dava num corredorzinho menor ainda que pro outro lado. Fomos pra direita. Pegamos o elevador...... minúsculo: cabia 3 pessoas magras e espremidas. O Vitor até que cabia apertadinho também, junto com meu pai, minha mãe e eu. Como tinham as malas, meu pai foi depois.
No ápice de onde poderíamos chegar, uma porta de vidro trancada, e um interfone.
Novamente, com o meu excelentíssimo italiano, disse que éramos nós, os hóspedes.
"Sì, sì, claro... ma è il otro lato" .................. ??? ...................
Toca descer tudo de novo e ir pelo corredorzinho macabro, depois de passar por uma porta aberta que parecia de uma casa de pessoas morantes, e não hospedadas. Que vontade de pedir desculpas pelo incômodo.
Uma coisa bem interessante que acontecia nesse lugar é que os andares pares tinham parada de elevador, mas os ímpares, não! Se seu objetico era o 3 (tipo o nosso), ou você descia no 2 e subia de escada meio lance, ou descia no 4, e descia meia lance. Meio lance de quinhentos degraus, diga-se de passagem.
Chegamos no 2 e subimos: pai, mãe, Tico, eu e as malas... muitas malas grandes, gordas e pesadas.
O animal detrás do balcão, acostumado com todo esse transtorno, fingia que nem sabia que tinha gente chegando, então nem precisava ajudar também.
Fizemos o check-in. Bom e o quarto?
"Sì, sì, claro... ma è il otro lato" .................. ??? ................... O QUÊ?????
Depois falam dos portugas......... Affff. 
Toca fazer o retorno: Agora descemos meio lance (COM AS MALAS), pegamos o elevador, andamos pelo corredorzinho macabro, passamos pelo morante, atravessamos o patio, subimos no elevador, espremidos. Uma parte das pessoas e das malas ficaram pro segundo turno; descemos no 6 e andamos, MALAS ABAIXO, meio lance de quinhentos degraus. Tivemos ainda que tocar o interfone para que ele tivesse certeza que, depois de uma meia hora, tínhamos chegado ao destino, aí ele abriu, achamos nosso quarto comunitário e entramos.
Que louco!
Um pedaço do Renascimento no quarto. Michelangelo deve ter dormido naquele quarto porque o cheiro era daquela época mesmo.



Claro que foi reformado, mas o mal gosto e cheiro continuou.
Vamos comer que a minha Linguine aqui estava morta... minha lombriga ganhou nome.
Eram umas ruinhas, calçadinhas, lojinhas, pizzinha... se tudo for pequenininho por aqui, os japoneses vão até revidar que a fama caia sobre os romanos. Hihihi
A pizza gigante era pequena, o precinho camarada era gigante... uma terra de disparates.
Dia seguinte, vamos nos adaptar. Fui comprar 'capuccino e snacks takeaway'.
Deu certo.
Andamos por ali, vimos cada lugar bonito, mas não podíamos esquecer o motivo da vinda: o batizado; e as comemorações já começavam: Fomos direto para um restaurante onde o imperador, que ia ser o padrinho, oferecia um almoço para os convidados. Éramos seis (mentira... hihihi. Esse era o nome da novela da minha yaya). Éramos um monte: Cinho, Manu, e a estrela do evento Lilóvsky, meu pai, minha mãe, S. Nilo, D. Gil, Rafa e Rodrigo. Além do malacabado e eu, e acho que mais um casal.
Pena que não me lembro do nome do restaurante. Belíssimo, chiqérrimo, de comida boa mas nada farto.
Lembro que nossa mesa foi no fundo do bar, onde tinha uma enorme mesa decorada, e separada do resto do restaurante por uma cortina de veludo vermelha. Bem ao estilo Al Capone. Certeza que algum mafioso comeu lá... espero que nenhum tenha morrido lá.
Vai saber... italiano é tudo doido.




Todos conhecidos: Imperador e Imperatriz, Manu com Lilóvsky, meu pai, minha mãe, um casal legal de brasileiros (ele trabalhava numa missão permanente da OMC, na Suiça), uma prima da Manu, uma tia da Manu, euzinha e meu malacabado sem o boné de lata, Rodrigo, Rafaella, D. Gil e S. Nilo. Quem tirava a foto foi o Cinho, e ele ficava de blefô pra pcortina de veludo vermelho sangue.
Quando chegamos no Maledetotel, fomos bater perna... a eternidade é grande pra descansar, né?
A imperatriz até que deu uma boa dica: " Peça desculpas porque você não fala italiano, mas que precisa de uma informação. Faça isso em italiano e depois pergunte em inglês mesmo". Fácil, não? O duro é quando o inglês está pior que o italiano.



Nas ruas de Roma, e o bunitim já com o boné de lata que o V'Ormindo comprou.

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