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07 novembro, 2016

Um dia de Realeza



A história deste grande dia começou, na verdade, na noite anterior.
Na tarde do dia anterior, fomos até a Piazza di Spagna. Devia ter me informado melhor na época porque não sei o porquê da famosidade: É um largo com uma escadaria imponente, bem bonita, com gente jogada em seus degraus.
O que me marcou lá foi um lazarento de um vendedor de traquitanas, tipo tio Félix, só que ambulante. Já estava escurecendo e ele queria porque queria vender um chaveirinho pro Vitor, que oboviamente, ficava torrando as paciências porque queria, né?
Eu não sabia de fato o que era tão fascinante naquela porcaria e a peste do vendedor resolveu fazer um test-drive gratuito comigo mandando apertar um botãozinho e .......... BZZZZZZ ....... levei um choque da chapuleta. Ai, que ódio mortal. Queria mandar o chaveiro, o vendedor, meu pai que ficava rindo e o tranqueira do Vitor praquele lugar. Eu me recusei a comprar, mas meu pai comprou.
Sai de perto de mim com essa coisa, senão vou jogar lá no meio da Fontana di Trevi... e isso não era brincadeira.
Voltamos andando vagarosamente, porque nessa altura não dava nem pra levantar as mãos se alguém dissesse: "Assalto, mano in alto" (Perceba que assalto é igual em tudo que é lugar) porque não ia dar certo.
Fomos pegar as chaves na recepção. Fui só eu e o Vitor, porque meus pais foram economizando andadas e já me esperavam no alto da outra escada. Sim, tinha todo o percurso do Fusilli: sobe e desce e nunca aparece.
Quando cheguei na recepção, o italiano filho-de-uma-italiana estava numa dificuldade revigorada, tentando falar com uma mulher do Equador, que não falava italiano nem inglês.
Eu, como uma pessoa maravilhosa, vitaminada, linguisticamente desenvolta, respondi que "sí... io parlo spagnol".
Foi a alegria do ano novo. Mandei a chave pelo Vitor e peguei o telefone.
Aí foi aquela tradução simultânea: ela me falava em espanhol, eu passava pro italiano em inglês, que me respondia num outro idioma, pra eu reportar pra mulher em latim. Afff... uma confusão. Ela queria um quarto pra fevereiro, e quase que eu falei pra ela tinha que fazer pilates antes de vir pras pernas ficarem boas.
Só que não acabou por aí, o lazarento chechelento do italiano queria saber o nome do outro brasileiro que veio na comitiva canarinho.
Acho que foi a mão divina, porque não lembrei de jeito nenhum. Lembrei do S. Nilo, D. Gil, meu pai, da Rafa, mas nada do Rodrigo. Depois fiquei sabendo que ele estava armando uma cama de gato pra ele.
Bom... o Grande Dia chegou.
Toma lanchinho take away rápido, toma banho, passa perfume e espera o povo de Aracaju. Nada. Espera mais um pouquinho... já está ficando em cima da hora, e nada. Vambora, moçada porque agora a gente já vai ter que sair correndo.
A igrejinha, uma belezinha de igreja de não sei que século, era pequena, aconchegante ainda que bastante escura; tudo lindo, mas meus pés pareciam uma sardinha deformada naquele salto... pensa num passeio na parte antiga de Paraty de salto, só que com o agravante que aqueles paralelipípedos viram Júlio César.
Chegamos na dita cuja da igrejinha. Manuelita, Cinho, Lilóvsky, Imperador, Imperatriz e até o padre brasileiro estava lá... esperando a nós. Para meu espanto, não éramos os últimos e continuamos esperando por um tempão.
D. Gil e S. Nilo chegaram atrasados com a irmã e sobrinha de D. Gil. Reza a lenda que elas correram naquela peste de paralelepípedo com os salto na mão. Acredito, porque eu faria o mesmo.




Bom, correu o batizado conforme o manuscrito, e fomos pra casa imperial pro almoço.
Realmente sou uma pessoa chique, mas humilde de alma, porque me senti feito peixe fora d'água naquele lugar. A imperatriz pode até ser boa pessoa (quem sabe?) mas me senti engessada... sei lá, não era eu. Não éramos ninguém... duvido que alguém tenha sido si mesmo ali, acho que nem a própria realeza. 
A casa era boa, nada magnífica; mas o quintal... esse sim: deslumbrante. TINHA UM PEDAÇO DA MURALHA DE ADRIANO NO QUINTAL.
Pasmem, podem cair durinhos de inveja, mas eu passei a mão nas pedrinhas que algum escravo muito maltratado assentou sem amor algum. De qualquer forma, era um marco histórico, um divisor social e velho pra chuchu.
Tinha se ar melancólico, aquele musguinho verde bonito e podia-se sentir alguma energia antiga se tivesse tempo a perder com um pouco mais de calma... não era esse o caso.
Comemos uma comida boa e simples: O chef, brasileiro e novinho, quis nos homenagear fazendo comida tradicionalmente brasileira... ??? (imagina minha cara de 'será que eu entendi direito?'). Tudo bem, estava mesmo uma delícia.
Nesse mundo existe protocolo pra tudo, e todos tentamos fazer tudo certinho. Até demais.



Ficamos sabendo que, quando os anfitriãos servissem o licor, era pra levantar acampamento. O licor, ma-ra-vi-lho-sís-si-mo de laranja foi servido lá pelas 4 da tarde, e às 4 e meia acho que já estava todo mundo no táxi. Foi muito rápido.
O Henrique ficou triste em saber que a fêmea do labrador, que ele conhecera no Equador, morrera. Sobrou só o macho, que o Vítor ficou brincando.




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