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12 dezembro, 2011

A Última Sobrevivente.


A nossa próxima parada era muito esperada, principalmente pelo meu pai, mas pra mim... sei lá... era como uma mistura de sentimentos... não sabia o que esperar. O que eu sabia que tinha pressa era a nossa fome; então fomos encher o bucho antes da ir ver a Madrinha Maria.

[Batatinha fritas em euros... ai, ai... só nóis mesmo!]

A Madrinha Maria devia ser madrinha de alguém, mas não saberia dizer de quem... do mesmo jeito que lá todo mundo é meio parente do outro, ela é madrinha por título adquirido.
Ela é a última de toda uma geração... a última de sua espécie... a última irmã sobrevivente do pai do meu pai e, por isso, quando a encontramos, foi uma emoção incontida.
Não sei se quem começou a chorar primeiro, se foi o meu pai ou a Madrinha Maria _eu senti um nozinho na garganta, devo admitir... mas guentei firme_ depois vi minha mãe limpando as lágrimas por baixo dos óculos; o Marcos, ele só tem cara de carrancudo... no fundo, no fundo, é um emotivo também; o Maurício_ai, meu Jisuis, se ele está chorando, acho que vou chorar também_a ROSE CHORANDO???_nessa hora não teve como segurar... se até a RochadaRose pode, eu posso... BUÁÁÁÁ . A Manu, não conta... ela é como eu, então tá bom. Mas foi quando eu vi a Rafa, a irmã da Manu chorando que eu pensei: ""Vixe, se ela que nem faz parte da família tá chorando, é porque a coisa descandou de vez." _ aí praticamente soltei o berreiro. Até a turma de Portugaile estava enxugando as parcas lágrimas que insistiam em não cair pra dentro... :O



  

Pronto... o caos estava instalado.
"Mas, ó, xente, bichinha... até tu, Rafa?"
"Eu vi seu pai chorando, sua mãe, seus irmãos... ora, pois se estava todo mundo lá chorando... deu vontade também".
No auge da comoção, meu pai sacou-lhe um presente: uma estatuazinha que meu pai trouxera com todo amor e carinho da Sagrada Família, no maior cuidado para que não se quebrasse ou que se extraviasse. Não fez sucesso nenhum. Pronto! Acabou a choradeira.





Conversamos pra caramba... quero dizer, ouvimos pra caramba; aliás, nem era 'pra caramba' de verdade: um monte de coisa a gente nem entendia... eles tinham um dialeto próprio.
Falaram de todos que já morreram.
Dos sobreviventes, fomos visitar Severino; não o achamos mas encontramos amigos de infância do meu pai no caminho, na verdade, um primo casado com a Quinhas.
"Mari-Quinhas?", perguntei.
"É... o nome dela é Maria!", respondeu meu pai e eu descobri a América...
Fiquei sabendo que foi na casa da Quinhas que vivia o tio do meu pai, o Domingos... antigamente, né? Foi ele, junto com o outro Domingos (não o irmão, mas o tio do pai do meu pai _ entendeu? Não! Nem eu! Ô, gente econômica pra dar nome) quem ensinaram a arte de fazer vasos de barro pro meu pai.
Soube também que o tio Domingos (não o tio, do meu avô... só o tio do meu pai) era o pai da Eleonor, a prima do meu pai... cuja mãe morou na Quinta do Potigo, que era o atalho que meu pai pegava quando estava e fazia vasos na casa da Quinha.


Em destaque, o filho do primo, eu acho.


Aqui a Teresa, que cuida da Madrinha Maria, e a filha... esqueci o nome. 


Aqui a Quinhas. 


A casa da Quinhas.


A Quinta do Pontigo.

Conversamos ali mesmo, no meio da rua. Foi rápido mas deu vontade de ficar mais tempo... todos eram tão amáveis e gostavam da gente... nem nos conheciam, praticamente.
Olha só que lugar mais liiindo (Pai, clica na imagem que ele fica maior):


Na volta só nos sobrou o quê? Comer! E fomos direto pr'O Buraco... de hoje não passava.

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