Existem situações em que a gente acaba se expondo a perigos repetitivos... sabe, tipo daqueles recorrentes desde crianças, e que parece que se propagam geneticamente? Digo isso porque sempre tive uma quedinha por bicicletas, mas não sei se aprendi a andar direito até hoje... bom, dizer que tenho quedinha, talvez, seja até aliteração minha... tenho verdadeiros 'body-jumps' com essa máquina mortífera de duas rodas.
O meu primeiro grande acidente aconteceu no dia que a minha “enveneada” acordou de guidão virado. Aquele ser animado pelas minhas pernas tinha vontade própria, e sempre diferente da minha... às vezes eu queria virar pra um lado mas se ela encasquetasse de ir reto... a gente acabava indo pra onde ela escolhia (por causa da ‘folga’ na roda da frente), e toda vez que eu tinha pressa, era um tormento... eu tinha que fazer uma força do cão, porque ela prendia o breque, de propósito, que eu sei (e eu que me desse por feliz quando isso acontecia só no de trás) mas, naquele dia fatídico, aconteceu exatamente o contrário: ela fingiu que esse mísero aparato de frenagem fora abduzido... fiquei SEM BREQUE NA DESCIDA.
Isso realmente não me apavoraria se não fosse o fato de que a rua em que nos encontrávamos (a Fátima e eu) não fosse uma armadilha para pessoas distraídas: a outra que cruzava a nossa (a rua da casa da Cristina) era super pacata... mas, quando dava de passar carro, era em altíssima velocidade; logo, ou eu brecava de alguma forma, ou poderia virar um ovo frito estrelado no asfalto. Quando a gente se sente em perigo mortal, a imaginação aflora que é uma beleza, e um plano infalível logo se desenhou em minha mente: aquele poste que eu nunca reparara antes, seria minha salvação!
O plano infalível:
1- Subo na calçada;
2- Passo bem pertinho, quase arrancando a tinta (que tinta?) da marvada-sem-coração;
3- Seguro, rapidamente, o poste com as duas mãos; e,
4- Deixo a bicicleta-possuída morrer sozinha (vá de retro, sua besta).
É isso aí... não tinha como falhar... seria o plano perfeito.
Subi a calçada, mirei o poste... até agora tudo bem... cuidado, Carminha... sem trombar... só mais um pouquinho... Aqui! Ele... o post........ PLOF PLAF ZUM!!!
[pausa terrível... pelo menos estou viva ainda]
Eu segurei, sim, no poste... só que a peste da bicicleta, já prenunciando seu fim, e como última esperança (pra ela), não me largou... pelo contrário, ainda se enganchou no meu pé e, se vingou, me arremessando contra o poste semi-iluminado (ainda bem que ele é redondo senão teria me partido ao meio). Fiquei lá... estatelada... grudada... amorfa... eu fazia, já, parte integrante daquele poste, enquanto minha prima ia resmungando (achando que eu tinha feito uma grande burrada) e ia me desgrudando dele (quase foi buscar uma espátula pra isso). Fui pra casa empurrando a maledeta (filha-da-mãe, você tem sorte de eu ter bom coração e não ter te largado lá), com o ouvido direito zunindo (nunca mais ele voltou a ser o mesmo) e com uma baita baixa-estima como dificilmente se veria novamente em mim.
Esta não seria a última vez, infelizmente, que meu joelho ficaria em carne viva e nem meus ossos quase que moídos... já entrei com o pé na roda enquanto estava na garupa do meu irmão João (sempre nós dois... pisa fundo aí), já brequei muito com o da frente achando que era o de trás, já lambi muito chão; mas também já andei de pé na bichinha, já fugi muito de cachorro a toda velocidade e já imaginei que eu estava no avião invisível da Mulher-Maravilha (tudo bem se somente os dinos lembrarem dela!). Acho que minha primeira lembrança (e frustrada) de bike foi o carrinho vermelho que eu e meu irmão ganhamos do meu avô Enrique. Ele era carrinho, mas só por fora, porque sua alma era de magrela (além de seus pedais). Ainda posso me lembrar do quintal da minha casa quando éramos somente o João, a Lu, a Fá e eu. [A Lu, Maria de Lourdes; a Fá, Maria de Fátima; e eu (confesso) sou Maria do Carmo... as Três Marias. Como eu era a do meio (pela idade), brigávamos muito porque, no desenho da constelação de mesmo nome, eu dizia que era, legitimamente, a do meio... posição que as outras duas irmãs, e minhas primas, reinvidicavam insistentemente]. Sei que eu não conseguia pedalar o raio do carrinho... caramba... tinha que fazer movimentos sincronizados com as duas pernas e ainda alcançar os pedais!!! Muita coisa! O que me sobrava era (sempre, né?) ir na garupa dele... deve ter causado em mim algum trauma, esse sentimento de inferioridade. Dessa época, a minha mãe conta que numa das brigas com minha prima Lourdes, fui empurrada no corregozinho que passava do outro lado da rua... quase morri afogada. Fui socorrida por algum bom samaritano de ótima visão e pouco olfato que passava... ela disse que eu cheguei fedidésima... Ugh! [Nesse corregozinho tinha um túnel enoooorme, pelo menos pra mim (isso eu lembro), onde a gente caçava sapinhos.rsrsrs Eita coisa nojenta... será que vem daí a fixação do Tiquinho por esses répteis? Ai, anta... não seriam anfíbios??? Tô na dúvida. Não, são anfíbios, sim... Né?
[Volta, Carminha]
Outro dia recordei todos esses sentimentos dúbios que uma bicicleta pode nos trazer. Pedálavamos em meia-família (Bibi, Lemão e eu, somente) aqui mesmo no condomínio. Agora já sei me virar muito bem e ando feito meu marido... praticamente uma profissional... o ventinho no rosto, o maior pau nas descidas (nas subidas ainda vou acabar me acostumando... mas tudo bem: ou é isso ou é a dieta da sopa). Uh-hu... largo o guidão, abro os braços e grito de satisfação... (tá, tá bom... só o Lemão consegue fazer isso). Pra que tanta limitação se a gente pode ter o mundo? Fomos pedalar nas ruas próximas, fora do condomínio (ai, que perigo... sai da frente aí). Bibi estava feliz da vida porque ia me ensinar um caminho de terra... numa situação muito "maneira" e, pra isso, ele não limitou manobras arriscadas e descidas em alta velocidade... mas a magrela dele devia ser parente próxima daquela minha “envenenada” de antigamente: foi só ele entrar na ruinha de terra e a bicha foi direto pra cima da ÚNICA pedra solta e, deu a maior rasteira no ego do meu filhinho querido... e o pior: eu vinha atrás e assisti a tudo. Meu coração de mãe ficou em frangalhos pelos gritos que ele dava (durante a queda!). Ele caiu em câmera lenta aos meus olhos... vi cada movimento seu: uma perninha subindo quase acima da cabeça, a outra saindo da bike, e uma roda por cima de tudo... foi um balé de movimentos imprevisíveis. O que eu fiz? A única coisa que cabia a mim: acelerei! (quem sabe eu não chegasse primeiro, antes dele ir ao chão de uma vez, e o pegasse no colo ainda?) [coisas de mãe... não tenta entender, não!]. Só que, quando eu cheguei, ele já estava no chão, choramingando. Eu? A outra única coisa que poderia: brequei! O problema é que eu parei, mas a filha-da-mãe-daquela-outra-sem-coração não! (desgramada... deve estar rindo de mim até agora) e lá fui eu pro chão, que nem quando criança, arrastando a padaria e sujando toda a calça. O Lemão assistiu às duas quedas e disse que não sabia em qual ele não acreditava mais... se na minha ou na do Bibi.
Levei o meu dodóizinho pra tomar banho, cuidei do cotovelo cheinho de sangue e terra e, ôh dó, deixei que faltasse na escola, no dia seguinte. No dia seguinte, ele não foi mesmo na aula, ficou até que muito bem... eu acordei com dor nas costas e dois roxos na coxa: um maior, do guidão, e um roxinho menor um pouco acima, da alavanca do breque. :) Caba não, mundão!
27 de Novembro de 2.009
O meu primeiro grande acidente aconteceu no dia que a minha “enveneada” acordou de guidão virado. Aquele ser animado pelas minhas pernas tinha vontade própria, e sempre diferente da minha... às vezes eu queria virar pra um lado mas se ela encasquetasse de ir reto... a gente acabava indo pra onde ela escolhia (por causa da ‘folga’ na roda da frente), e toda vez que eu tinha pressa, era um tormento... eu tinha que fazer uma força do cão, porque ela prendia o breque, de propósito, que eu sei (e eu que me desse por feliz quando isso acontecia só no de trás) mas, naquele dia fatídico, aconteceu exatamente o contrário: ela fingiu que esse mísero aparato de frenagem fora abduzido... fiquei SEM BREQUE NA DESCIDA.
Isso realmente não me apavoraria se não fosse o fato de que a rua em que nos encontrávamos (a Fátima e eu) não fosse uma armadilha para pessoas distraídas: a outra que cruzava a nossa (a rua da casa da Cristina) era super pacata... mas, quando dava de passar carro, era em altíssima velocidade; logo, ou eu brecava de alguma forma, ou poderia virar um ovo frito estrelado no asfalto. Quando a gente se sente em perigo mortal, a imaginação aflora que é uma beleza, e um plano infalível logo se desenhou em minha mente: aquele poste que eu nunca reparara antes, seria minha salvação!
O plano infalível:
1- Subo na calçada;
2- Passo bem pertinho, quase arrancando a tinta (que tinta?) da marvada-sem-coração;
3- Seguro, rapidamente, o poste com as duas mãos; e,
4- Deixo a bicicleta-possuída morrer sozinha (vá de retro, sua besta).
É isso aí... não tinha como falhar... seria o plano perfeito.
Subi a calçada, mirei o poste... até agora tudo bem... cuidado, Carminha... sem trombar... só mais um pouquinho... Aqui! Ele... o post........ PLOF PLAF ZUM!!!
[pausa terrível... pelo menos estou viva ainda]
Eu segurei, sim, no poste... só que a peste da bicicleta, já prenunciando seu fim, e como última esperança (pra ela), não me largou... pelo contrário, ainda se enganchou no meu pé e, se vingou, me arremessando contra o poste semi-iluminado (ainda bem que ele é redondo senão teria me partido ao meio). Fiquei lá... estatelada... grudada... amorfa... eu fazia, já, parte integrante daquele poste, enquanto minha prima ia resmungando (achando que eu tinha feito uma grande burrada) e ia me desgrudando dele (quase foi buscar uma espátula pra isso). Fui pra casa empurrando a maledeta (filha-da-mãe, você tem sorte de eu ter bom coração e não ter te largado lá), com o ouvido direito zunindo (nunca mais ele voltou a ser o mesmo) e com uma baita baixa-estima como dificilmente se veria novamente em mim.
Esta não seria a última vez, infelizmente, que meu joelho ficaria em carne viva e nem meus ossos quase que moídos... já entrei com o pé na roda enquanto estava na garupa do meu irmão João (sempre nós dois... pisa fundo aí), já brequei muito com o da frente achando que era o de trás, já lambi muito chão; mas também já andei de pé na bichinha, já fugi muito de cachorro a toda velocidade e já imaginei que eu estava no avião invisível da Mulher-Maravilha (tudo bem se somente os dinos lembrarem dela!). Acho que minha primeira lembrança (e frustrada) de bike foi o carrinho vermelho que eu e meu irmão ganhamos do meu avô Enrique. Ele era carrinho, mas só por fora, porque sua alma era de magrela (além de seus pedais). Ainda posso me lembrar do quintal da minha casa quando éramos somente o João, a Lu, a Fá e eu. [A Lu, Maria de Lourdes; a Fá, Maria de Fátima; e eu (confesso) sou Maria do Carmo... as Três Marias. Como eu era a do meio (pela idade), brigávamos muito porque, no desenho da constelação de mesmo nome, eu dizia que era, legitimamente, a do meio... posição que as outras duas irmãs, e minhas primas, reinvidicavam insistentemente]. Sei que eu não conseguia pedalar o raio do carrinho... caramba... tinha que fazer movimentos sincronizados com as duas pernas e ainda alcançar os pedais!!! Muita coisa! O que me sobrava era (sempre, né?) ir na garupa dele... deve ter causado em mim algum trauma, esse sentimento de inferioridade. Dessa época, a minha mãe conta que numa das brigas com minha prima Lourdes, fui empurrada no corregozinho que passava do outro lado da rua... quase morri afogada. Fui socorrida por algum bom samaritano de ótima visão e pouco olfato que passava... ela disse que eu cheguei fedidésima... Ugh! [Nesse corregozinho tinha um túnel enoooorme, pelo menos pra mim (isso eu lembro), onde a gente caçava sapinhos.rsrsrs Eita coisa nojenta... será que vem daí a fixação do Tiquinho por esses répteis? Ai, anta... não seriam anfíbios??? Tô na dúvida. Não, são anfíbios, sim... Né?
[Volta, Carminha]
Outro dia recordei todos esses sentimentos dúbios que uma bicicleta pode nos trazer. Pedálavamos em meia-família (Bibi, Lemão e eu, somente) aqui mesmo no condomínio. Agora já sei me virar muito bem e ando feito meu marido... praticamente uma profissional... o ventinho no rosto, o maior pau nas descidas (nas subidas ainda vou acabar me acostumando... mas tudo bem: ou é isso ou é a dieta da sopa). Uh-hu... largo o guidão, abro os braços e grito de satisfação... (tá, tá bom... só o Lemão consegue fazer isso). Pra que tanta limitação se a gente pode ter o mundo? Fomos pedalar nas ruas próximas, fora do condomínio (ai, que perigo... sai da frente aí). Bibi estava feliz da vida porque ia me ensinar um caminho de terra... numa situação muito "maneira" e, pra isso, ele não limitou manobras arriscadas e descidas em alta velocidade... mas a magrela dele devia ser parente próxima daquela minha “envenenada” de antigamente: foi só ele entrar na ruinha de terra e a bicha foi direto pra cima da ÚNICA pedra solta e, deu a maior rasteira no ego do meu filhinho querido... e o pior: eu vinha atrás e assisti a tudo. Meu coração de mãe ficou em frangalhos pelos gritos que ele dava (durante a queda!). Ele caiu em câmera lenta aos meus olhos... vi cada movimento seu: uma perninha subindo quase acima da cabeça, a outra saindo da bike, e uma roda por cima de tudo... foi um balé de movimentos imprevisíveis. O que eu fiz? A única coisa que cabia a mim: acelerei! (quem sabe eu não chegasse primeiro, antes dele ir ao chão de uma vez, e o pegasse no colo ainda?) [coisas de mãe... não tenta entender, não!]. Só que, quando eu cheguei, ele já estava no chão, choramingando. Eu? A outra única coisa que poderia: brequei! O problema é que eu parei, mas a filha-da-mãe-daquela-outra-sem-coração não! (desgramada... deve estar rindo de mim até agora) e lá fui eu pro chão, que nem quando criança, arrastando a padaria e sujando toda a calça. O Lemão assistiu às duas quedas e disse que não sabia em qual ele não acreditava mais... se na minha ou na do Bibi.
Levei o meu dodóizinho pra tomar banho, cuidei do cotovelo cheinho de sangue e terra e, ôh dó, deixei que faltasse na escola, no dia seguinte. No dia seguinte, ele não foi mesmo na aula, ficou até que muito bem... eu acordei com dor nas costas e dois roxos na coxa: um maior, do guidão, e um roxinho menor um pouco acima, da alavanca do breque. :) Caba não, mundão!
27 de Novembro de 2.009



6 comentários:
Ui! Fiquei com o coração na mão pelos dois... Mas sei que vocês são corajosos e não se darão por vencidos!
Boa semana
PS. a cara nova do blog está linda...
Derrotados, talvez... vencidos, NUNCA! kkkkk
Obrigada, Manuelita, embora algumas coisas no blog não funcionem (Home/ About/ etc, porque não sei como. rs), ainda assim gostei muito do visual e fico feliz da vida que você tenha gostado também.
Boa semana pra vocês, e que continuem sendo sempre muito felizes.
Beijos,
Cá
recebeu?
Sim, anônima Dona Mãe (se não me engano, né?).
Copiando e desligo.
he he he... tenho notado que muitas vezes o que passanos em nossa história pessoal se repete nas dos nossos rebentos... haja bandeide! Pobres coitados!
O bom é que eles caem, ralam pra caramba, vira pus o machucado (credo!) mas começam tudo de novo. kkkkk
Já falei que band-aid (sou fina.... rs) é milagroso?
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