Dia de Maratona familiar........ só mais um, dentre todos os que a gente não tem descansado muito.
Minha mãe conta que meu avô sempre gostava de passear no zoológico porque ele entrava de graça (pobre é uma meleca mesmo... até trem de graça pra Xexênia), e entrava assim, gratuitamente, porque tinha nome de bicho. Devia ser naquelas épocas de vacas magras, quando os administradores desesperados faziam qualquer coisa pra botar um público, por mais estranho que fosse, pra dentro do zoo. Tor, parece ser o nome de um pássaro... minha mã que disse; era esse o passaporte dele. Esta certo, viu, Cacá... é mã mesmo, não mãe... ainda que, embora o contrário pudesse ser, acaba sendo a mesma coisa.
E num daqueles repentes, bem guardados, estava o animal preferido dele: um filhote de elefante. Meu avô ficou tão apaixonado por aquele bichinho, que aqui, no Brasil, o maior sonho dele era ter um filhote do paquiderme. Esse era um sonho bem grande e impossível... ainda bem que ele não ficou encantado por uma píton, ou talvez acabaríamos tendo uma lá em casa; já que seria mais acessível.
Não fomos até o zoológico e não entramos também no Clube do Barça, para o desespero do Marcos e que o meu primo falava com todo orgulho que tem mais visitas/dia do que a Sagrada Família. Também não fomos à Casa de Mies van der Rohe, mal vimos o Bairro Novo das Olimpíadas e passamos numa carrera pelo Bairro Gótic, onde minha yaya morou. Fora isso, tudo que o que podíamos, vimos. E foi tudo muito rápido.
O ônibus era daqueles turísticos, de dois andares e com fone de ouvido azul... tinha até tradução para o português... quanto avanço. Pegamos na Praça de Catalunya e fomos direto até a Sagrada Família.
Gaudí era fogo, viu? Cantou, em pedras, o maior hino em homenagem à sua Terra: uma catedral que fosse mágica, em luzes filtradas naturalmente em dourado e azul, com a presença do branco, a mais pura das cores... ainda que na sua ingenuidade, ela some todas as outras, sejam elas claras ou sujas. Alta o suficiente para não ser maior que as montanhas que a circundam, pois sua obra divina não poderia se sobrepujar à obra natural de Deus.
As imagens retorcidas mostram uma dualidade da fragilidade de meninos angolanos e a rudeza dos nazistas sem coração... ou seja, algo universal, humano e atual. Nada de modismos, algo de eterno. Ricamente genial.
Quando fomos a Barcelona, na época que o Jurassic Park ainda estava nas suas primeiras páginas, subimos uma das torres altas.
Fomos o João e eu. Cerca de 700 degraus.
Claro que passamos, e fomos passados, por outras pessoas que faziam o mesmo: alcançar o topo. Sempre para o alto e avante. Claro que a gente cansava, mas não tinha muitas rotas a tomar; foi só num momento, quando as duas torres se juntam num corredor em comum, que dá pra escolher o caminho a seguir: a torre da direita ou a da esquerda. Nem me lembro qual escolhemos, mas fomos juntos.
Posso visualizar ainda algumas janelinhas na escadaria, que se via os andaimes e os eternos trabalhadores do Santuário da Cidade. Conforme íamos chegando ao topo, o espaço ia diminuindo... parecia um caminho da Alice no País das Maravilhas, que se estreita até não se poder mais passar.
Chegamos, enfim.
Lá, pessoas que escreviam seus nomes, do tipo: Estive Aqui! E foi o que fizemos.
Depois fiquei sabendo que isso era uma profanação e me senti envergonhada, mas nossos nomes já estavam lá.
Pensei em voltar lá em cima, mas além da probabilidade de ter que subir as duas torres (porque, certamente, seria somente na outra que estaria nossos nomes) a chance de encontrar dois nominhos numa sujeira de outros rabiscos... bom, nem tentei. Desisti.
A Rose queria muito subir de elevador para ver a cidade lá de cima. Outro arrependimento meu que, ao ver a fila da dita cuja, disse que não, nem parecia tão legal assim. Mentira... devia ser a coisa mais linda.
De lá fomos andar de ônibus com fone azul. Subimos até o Parque Mont Juic e descemos até a praia. Vimos prédios modernos, antena de TV famosa, parque aquático, parque terrestre, lojinhas, Avenida Diagonal... mas foi quando passamos pelo Bairro da Gràcia, que tive vontade de pular de lá. Parecia que aquele lugar me chamava.
Um dia volto e ando tudo aquilo até sentir o lugar de uma forma carinhosa, saudosa.
Saudades.
Sinto saudades de uma vida que nunca foi minha.





0 comentários:
Postar um comentário
Comente aqui... mas só pra dizer que adorou. :)