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01 maio, 2013

O Sertão vai virar Mar?


E o grande dia da viagem pra Aracaju chegou! 
Foi a primeira vez que Marids e eu viajamos de avião juntos.
Em Salvador, compramos um CD de música onde vários amadores cantavam uma mesma música ao redor do mundo e, por sorte, escutamos Ivete Sangalo até o fiofó fazer bico... pelo menos não era a Não-Sei-Que-Lá da Mata (até esqueci o nome da bichinha).
O Hotel que ficamos , graças ao meu Marids que encontrou na internet, foi esplendoroso... maravilhoso... encantador. O café da manhã era tão bom, que S.N fez questão de nos acompanhar numa segunda oportunidade. A primeira nós convidamos; na segunda, ele mesmo se convidou... :) ... e não acho ruim, não... sinal somente do bom tratamento que tivemos.
Foi esse aqui, ó: www.hotelpousadadosol.com.br
D.G, que eu sempre gostei porque a achava divertida, era agora a minha ídala. Depois de saber que ela simplesmente descobriu a Igreja de uma santa que ela queria ir, em plena Paris, sem falar francês e gesticulando, apaixonadamente, para duas freiras... Merece todo o meu respeito. Ela colocou em prática a minha máxima: "Quando você quer algo de verdade, nem Napoleão pode te impedir"; tudo bem que ele já morreu, e não conseguiria me impedir de nada mesmo.
A praia que ficamos foi a da Atalaia, e foi ótimo porque era perto do aeroporto, tinha a orla limpa e muito turística... estava praticamente deserta, e as comidas eram  uma delícia.
Na segunda feirinha depois do oceanário do Projeto Tamar (que não fomos porque eu fiquei comprando por mais tempo as minhas lembrancinhas que o esperado), eram muitas barraquinhas de comida, e pedimos 'Escondidinho de Macaxeira com 4 Queijos' de lamber os beiços.
Outra coisa que eu gostei muito foi a 'Umbuzada', que D.G me ensinou a fazer: o segredo é cozinhar a frutinha de umbu com leite e depois bater tudo no liquidificador. A fruta é esquisitinha, parece eternamente verde (não sei se ela fica amarela, mas se ficar, já deve ter passado do ponto). É uma bebida refrescante, doce e azedinha e que eu vou fazer pros meus bichinhos de casa... assim que eu conseguir a fruta. Porque por aqui, ela simplesmente não existe.
O umbu é a fruta do sertão.
Vi a árvore dela. Frondosa, resistente, que dá frutos e sombra, num lugar carente de tudo isso. O calor parece até o daqui da minha cidade; mas é melhor: Aracaju tem praia!
Que inveja!
As pessoas são muito receptivas e nos trataram super bem. 
Pedalamos a cidade por toda a ciclovia. Fomos ao centro, ao Mercado Municipal que nos impressionou demais: tinha uma variedade grande de frutas e, muitas delas, desconhecidas pra mim, e também tinha o açougue (esse tinha um cheiro muito característico porque era tudo ali, exposto e ao ar livre, sem refrigeração e com muita mosca... eca) que passamos depressa. No dia seguinte, estava tramitando um lei pelo noticiário que o açougue seria fechado até se adequar às exigências sanitárias... mas ninguém ali estava muito preocupado com isso: não era a primeira vez que tentavam regularizar e já não tinham conseguido antes, não seria diferente agora.
Comprei um sapo tão bonito de uns 25cm de altura, com olhos vítreos, e as cabeças dos cangaceiros também. Comprei camisetas pra família do Lemonits e uma maria fofoqueira pequenininha de cerâmica pro meu pai. Uma bolsa pra minha mãe, imãs de geladeira pras minhas amigas e um monte de bobagenzinhas pros meus filhos... fora duas colchas de cama, e uma mala a mais pra levar tudo isso. Engraçado que só na hora que comecei a colocar as coisas na mala que percebi que o sapo era um tanto grande (sorte que meu marido não me deixou trazer um outro de uns 40cm).
Tiramos um dia inteiro pra ir até o outro lado do Estado, na divisa com Alagoas, para conhecer o Canyon do Xingó. Fiquei feliz porque S.N. já conhecia, mas D. G. não... seria a primeira vez dela e nossa também!!!
Na verdade aquilo tudo era a água represada do Velho Chico por causa da Usina de Xingó, e como eram vales, as cumeeiras ficaram apontadas pra fora. Muito bonito mesmo... muita rusticidade nas pedras e na vegetação ainda escassa, embora às margens.
A viagem de ida durou 3 horas (consequentemente a volta também) e ainda ficamos um tempão no catamarã até chegar num ponto do rio onde tem um puçá gigante pra turma nadar e, mesmo os que não sabiam, não conseguiriam morrer. Caso de D. G. que, valentemente, se agarrou a dois espaguetes e, junto ao seu colete salva-vidas, se atirou nas águas refrescantes e ainda ficou sentada em mais um espaguete.... Na verdade tinha tanto equipamento de segurança que quase não sobrava espaço pra ela lá dentro... por fim, deu tudo certo e rimos demais. 
Eles ofereciam, também, um passeio de barco à bagatela de R$5,00 por pessoa. O passeio só ficou caro quando vimos o percurso, e isso só aconteceu quando viramos a primeira curvinha... porque não tinha mais nada além dela. 
O nosso guia turístico, um bibs de nome Clodoaldo colocou alguns vídeos pra gente ir assistindo no caminho. Vimos a vida de Lampião e Maria Bonita (ele, um cabra nada macho e ela, uma 'boca de cabelo', como nosso guia acabou revelando, mesmo a contragosto).
Lampião é visto como um herói, mas um desembargador, amigo de S.N., estava pesquisando outras coisas da época e achou tanta evidência que Lampião era gay, mesmo depois de tanto tempo após sua morte, que acabou escrevendo um livro. Este foi proibido judicialmente de ser comercializado porque a neta dos cangaceiros disse ser um injúria contra a honra de sua família.
Cada um julga ser honra o quinhão que lhe cabe, né? 
Nosso guia fez algumas enquetes no nosso trajeto de ônibus. Um era pra saber se queríamos visitar a cidade de Piranhas, onde as cabeças de Lampião, de Maria Bonita e de outros tantos de seu bando capturado, ficaram expostas na escadaria da prefeitura. Agradeci demais quando todos quiseram.
Na verdade todos tiveram que querer, porque somente a unanimidade nos levaria até lá. Tá certo que um casal quase foi rechaçado quando sugeriu que, talvez, preferissem não ir.
O mesmo aconteceu quando S.N. foi o único a se opor a almoçar num restaurante, sugerido por ele, onde 'o lugar é mais simples, tem menos variedade, mas o sabor, com certeza, é muito melhor.'
Logo que saímos do catamarã, vimos uma mesa sem fim, cheia de pratos bem variados e caprichados. Esperávamos isso no outro. Que decepção! 
Uma meia dúzia de pratos, mal servidos, muito temperados e num lugar que não parecia muito limpo. Certeza que Clodoaldo estava faturando em cima da nossa ignorância e confiança nele.
Mas o pior de Clodô ainda não foi isso, para mim. O pior foi ter passado em Piranhas, um lugar tão bacana, e ter saído correndo de lá sem sequer dar uma paradinha nas escadarias famosas. Que bronca eu fiquei dele aquele dia.
Aquele dia vi o sertão de verdade.
Vi a caatinga (que significa mato de tronco branco), vi tudo meio verdinho até, porque tinha chovido a pouco... e no sertão, não é necessário muita chuva pra uma recuperação espantosa.. Vi o umbuzeiro, vi casinhas paupérrimas, mas vi também as camionetes reluzentes de grandes e que fediam ser novinhas do povo dos sem-terra. As únicas lavouras com irrigação aérea, que eu vi, eram as deles. Subsídio, né? Vi o Rio São Francisco... e como ele é grande! 
Foi uma ótima viagem. 
Agradeço muito aos nossos amigos a companhia e o passeio.

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