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16 maio, 2013

A Pérola do Nordeste


Eu não estou é me aguentando de vontade de falar (e comer de novo) as ostras de S.N.
Lembro de ter sido apresentada a elas, as ostras, na praia quando criança. Normalmente as pessoas tinham um certo receio daquela coisinha meio gosmenta, que nem dava pra mastigar porque ela escorregava pro outro lado do dente, e cheinha de limão... mas eu não! Eu adorava. Só tinha comido crua até essa viagem a Aracaju.
Tudo começou com nossos anfitriãos nos levando agora apara o lado baiano de Sergipe.
Visitamos, primeiro, o laranjal. Uma cultura rentosa que exige muitos cuidados, mas que tem mercado certo, principalmente quando a Flórida entra pelo cano.
D.G. contou que a família ia todo fim de semana lá e, quando esfriava, ela montava casinha de lençol, como um dossel, para as meninas dormirem quentinhas. 
Lembro que, quando eu era criança e estudava lá no Sesi de Barbacema do Norte, ninguém ia banheiro porque tinha a loira do banheiro. Eu mesma dizia que ela não existia, mas não saia da sala de aula nem amarrada... esperava o intervalo quando sempre tinha um milhão de gente na fila pra fazer xixi. Percebi que, como eu, muita gente também não acreditava na dita cuja.
Mas naquele dia, no laranjal, vi que estava enganada. Não que eu tenha visto a loira, mas vi a sua perereca.
Antes que vocês, ó leitores bobagentos, pensem alguma bobagem, vou logo explicando que a perereca dela tinha uns 10 cm, tinha perninhas e ficava engasgando 'Ooodet, ooodet', quando estava de bom humor. Aquele dia ela não estava porque o silêncio imperava. Era tão forte o silêncio que eu quase fiz xixi em cima dela: metade do corpinho estava pra fora da água dentro do vaso sanitário.
Que situation!
"D.G., a senhora tem uma perereca de estimação no banheiro?", perguntei quando saí do banheiro quase segurando a roupa no colo, de tanto susto. Ela riu e disse que não, mas a danadinha visitava a casa de vez em quando.
Tudo bem, fui num outro banheiro, e alguém se livrou da bichinha... acho que deram descarga. Tadinha, dessa vez acho que desencarnou.
Andamos pela propriedade, vimos a lichia que meu pai dera a elas, mas... vamos pra casa de praia? LÓGICO!!!!
Até mais, casa do campo... agora é a vez do mar. Uai, cadê o Marids?
"Fui no banheiro", ele disse...
"... mas não foi no da pererecadosinfernos, foi?"
"Foi"
"E ela tava lá?"
"Tava" 
[suspense]
"E aí?"
"Aí, o quê?"
[Agora a pergunta que não quer calar]
"Você fez xixi em cima dela?"
"Fiz"
"E daí?"
"Daí, o quê?"
[Essa conversa já estava ficando monótona]
"Você deu descarga?"
"Dei!"
[Melhor não perguntar mais nada ... se ela não morreu antes, não ia ser agora, né?]
O resto da viagem fiquei pensando se aquela perereca não era uma assombração daquele banheiro.
Antes de chegarmos à casa da praia paramos pra almoçar num lugar muito divertido: o nome era 'Pode Chamar'. Era, inicialmente, um restaurante que, fosse a hora que fosse, era só chamar, que a cozinheira se levantava e preparava a comida... por isso o nome.
"Então eu posso vir aqui de madrugada chamar que vai ter comida?", perguntou meu marido Oscarito.
"Ah, pode chamar, sim...", disse a garçonete baiana e bem-humorada "... mas pode morrer de chamar, viu? Porque não vai ter ninguém aqui pra lhe servir, não"
A casa da praia, não sei o nome da praia, era um verdadeiro encanto: rústica, aconchegante, delicada... é daquelas casas onde as janelas parecem terem sido pintadas com lápis de cor, tamanho o carinho de cada detalhe. e a vista, então? Uma coisa encantadora.
Infelizmente, e nisso eu fico torcendo para que já tenha parado, o mar estava engolindo a praia. Vimos só uns 10% do que antes fora uma faixa de areia de uns 300m até a beira da água. D.G. contava que as meninas ficavam com preguiça de ir caminhando pra um banho de mar, e elas usavam um buguinho pra isso. Ao menos a casa parece estar em solo mais firme... e a essa esperança nos apegamos todos.
Foi numa linda mesa no meio do quintal, com uma louça escolhida com esmero, que comemos as ostras gratinadas com limão que o caseiro preparou sob supervisão de S.N., que trouxe e alterou a receita de outra pessoa. Não, não pode ter coisa melhor.
Só quando voltávamos para a cidade, no dia seguinte, é que vi S.N. pagando as bichinhas... e foram 150 OSTRAS.
Comemos tudinho.
Muito obrigada por tudo... vamos trabalhar, aposentar e mudar pra lá.

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