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09 julho, 2016

Acabe-ei, acabe-ei ...



Por que tanta felicidade por acabar de escrever uma viagem? Porque ela aconteceu a QUATRO ANOS ATRÁS!!!
Já aconteceram tantas outras: Peru, Chile, outra pra Espanha, Suíça e Itália; e, por fim, esta está no fim.
Eis o motivo da alegria. É como o fim de uma era: a Era do Atrasado.
Vou escrever rapidinho todas as outras e aí, sim... a liberdade sonhada.

Meu Bãrids toca 'O Pato' no violão, o Bibi toca 'Fantasma da Ópera' no piano, a Kátia Flávia pinta a óleo, a natureza morta; e o Vituim faz decalque de papel em madeira, dentre tantas outras habilidades... Uma família de artistas, como se fosse possível não ser, afinal temos algum sanguinho de Josep Carreras, Monstserrat Caballé, Gaudí, Miró, Dalí, Picasso... esse último tem que falar bem baixinho porque o filho-da-mãe não é catalão, descobri só hoje. Afff. Aliás, antes que alguém fale, o meu Marids não tem sanguinho catalão, mas a convivência comigo foi uma benção pra ele, virou artista: dança o dia inteiro (hihihi).  Descobri, hoje, também que o meu outro querido, o Calatrava usava demais o arco parabólico quaternário, assim como Gaudí, uma forma muito comum na natureza, pois usa o desenho das forças da gravidade para sua própria formulação. Já me sinto uma gênia por saber tudo isso.
Tentei entender Gaudí: de família meio pobre, não morreu rico; morreu, sim, atropelado e solteiro, casquinha de ferida por ser politicamente um verdadeiro catalão, e corre o risco de ser beatificado pelo Papa. Nada mal... mas fiquei pensando o que a sua mãe sofria por ele.
Fomos ao Parc Güell, no nosso último dia de Espanha... meu, pelo menos.
Naquela época de quando a gente era pequeno, lá em Barbacena do Norte, também viemos a este parque, e quer saber? Não mudou nadica de nada e, pelo que eu me lembro, nem o entorno.
Quando a minha mãe era pequena, porque mães já foram pequenas por mais estranho que possa parecer, ela ia para a escola OU pelo caminho da favelinha de Cambaru, que tinha gente boa e uma escadaria da Penha; [pausa - afinal, como toda boa lei de Murphy, ela morava num lado do Mont Carmel (Carrer Montserrat de Casanovas, 215) e, é claro que o Col.legi N. S. das Graças, ficava no pé do outro lado do morro,numa pracinha que só existe na cabeça da minha mãe, a praça Sanllehy, que eu acho que era o Parc de les Aigües - despausa]; OU cortando caminho pelo Parc Güell, que era o caminho mais comprido... então não sei como uma pessoa pode cortar caminho por ali. E, o Parc Güell era um parque do povo local, o povo pobre que morava por ali, e se reuniam de domingo naquele lugar meio bizarro, a la Gaudí, para dançar Sardana e fazer piquenique.
Nós fomos de metro e andamos até as tripas sairem pelo umbigo, num terreno íngreme, cheio de matinhos parecidos com a vegetação do nosso cerrado, e uma terra arenosa da chapuleta que nos deixava com o suor grudado no corpo pela poeira. Uma verdadeira delícia de óleo de fígado de bacalhau. Agora, se é assim em tempos atuais, com vendedor ambulante vendendo garrafinha a torto e a direito, imagina na época dos piqueniques... Pois é.
A D. Mont conta que a casa do Carmel era linda pois quem construiu era o dono de uma marmoraria, então tinha muito mármore pela casa toda. Claro que tinha mármore também no sótão, onde eles moravam, mas hoje tem um predinho muito do sem graça.
Eu adoraria ver aquela casa, mas imagino que para as pessoas da redondeza era só uma casa velha que deu oportunidade a mais pessoas morarem lá. E quem vendeu a propriedade foi a Magda, herdeira da Justa, a tia dona da dessa casa.
As fotos, fico devendo: perderam-se no tempo. Isso que dá demorar tanto. Snif.
Dalí, fomos direto pra casa da Pilar pra uma despedida regada a vinho e tapas... e quando digo direto, é porque foi mesmo: saímos atrasados e nem deu tempo de tomar um banhinho no nosso hostal (sabe aquele abraço meio de longe? foi o que rolou lá).





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