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11 julho, 2016

Eu? Jamais!



Um capítulo à parte para a nossa ida ao Guarujá.
Rebobinando...
Quinta-feira - Helena, a articuladora cuidadora do meu tio, liga e diz que o homem foi internado porque não fazia xixi: Inflamação dasbraba. 
Minha mãe aqui, em Ribs, pro meu niver da sexta.
Sexta - Helena, a desesperada amiga do meu tio, chora porque ele está com insuficiência renal.
" Também... O S'Enrique não toma água. Só bebe suco e come fruta, e diz que a fruta tem água." (Helena)
"Você acha melhor eu ir aí?" (Mãe)
"Não, Dona Montserrat, só dá mesmo pra dormir uma pessoa com ele no quarto, e tem que ter força pra levantar o homem. A senhora ia ficar sem fazer nada aqui" (Helena)
"Bom, vamos nos falando, então" (Mãe)
Sábado - Estamos meu Bãrids e eu na Neuzelaine quando a Carol me liga, e segue diálogo:
"Mãe, a yaya disse que a Helena ligou e disse que o tio pode morrer a qualquer hora e que era melhor ela ir lá ver o irmão" (Carol)
"Dãhhhh?" (oi?)
"Ela quer saber se você vai com ela" (Carol)
Pouco tempo depois, minha mã, meu Bãrids e eu estávamos indo pro litoral.
No caminho, já sabíamos que o estado não estava tão ruim assim. Meu irmão, que tinha ido no dia anterior com meu pai, disse que ele estava xingando bastante, então não estava tão ruim assim.
Pois é, a mulher que a Helena arrumou pra passar a noite com ele era a manicure que cuidava do pé dele e disse que ele foi uma crica do cão. Que não conseguiu dormir nada, que ele só resmungava, que não saia xixi, que ela era 'muy amiga' de arrumar essa casca de ferida pra ela, e outros 'quês' infinitos. Foi a manicure que achou que o meu tio estava tendo um surto xingatórico de morte-não-súbita e que, em vista desse quadro, só havia uma saída: abotoar o terno de madeira.
Ai, tem dó, né, doida? 
Só não foi pior porque ele ficou bem feliz de ver a gente, quero dizer, o Lemão e eu, porque a minha mãe ele nem olhava: a braveza veio porque a Helena, a estrategista, bota toda culpa na minha mãe pra ela se safar. "Mas foi a D. Montserrat que mandou isso..."
Enquanto estávamos lá, ela veio com uma história que revistaram as nossas bolsas pra não entrar cigarros no hospital.
Em minutos, o quarto virou uma farra. Era a Helena e minha mãe de um lado, meu marido no celular, e eu com meu tio de outro.
Quando já era hora de sair, perto das 20h, chega a Camila, sobrinha da Helena, trazendo a enfermeira da noite.
E ele pedindo cigarro pra ela, que fumava também.
Todo mundo dizendo que não podia, e blá, blá, blá. Eu fiquei com dó, porque o bichinho estava na abstinência desde quinta. Pra quem fumava um maço por dia...
No dia seguinte, soubemos da noite anterior.
A Camila tinha dado um cigarro escondido, que ele fumou no banheiro (provavelmente jogando a fumaça direto na janela, que ele é velhinho mas não é nada bobo). Mama nia, e a enfermeira? Ela resolveu acobertar a arte dele, porque não tinha jeito mesmo, e começou a borrifar perfume, que ela trazia na bolsa, pelo quarto todo.
Entrou uma enfermeira da enfermagem, torceu o nariz e perguntou se ela fumava.
"Claro que não! Eu também sou enfermeira, sei que não pode ..." acho que foi aí que ela conquistou ele, que devia estar naquela posição de velhinho indefeso e olhar inseguro de que a vida foi mal com ele. Que artista!
Dali um outro tanto de tempo, entraram dois seguranças reclamando que tinha cheiro de cigarro, e o único paciente que fumava naquele andar, era quem? O próprio.
Diz ela que, nessa hora, o cheiro já tinha sumido bem, então não deu pra afirmar que era dali.
Lembrei de uma história que o Josep, ou Papito, primo da minha mãe contou, de uma época que ele ficava na casa da minha yaya, em Barcelona: um dia meu avô Enric jogou um vaso com planta e tudo pra acertar o meu tio que estava mais abaixo do terraço porque ele voltava tarde da gandaia, e não adiantava mais brigar... aí ele tentou métodos novos. Sorte que não acertou a cabeça, e acho que nem o orgulho, porque ele continuou.
Com o meu tio razoavelmente bem, minha mãe foi na missa, e meu marido e eu fomos andar, antes de irmos ao hospital de novo.
Saímos de uma ponta da Praia de Pitangueiras e fomos ao final da Praia de Astúrias. 
O problema não foi nem a puxada de um milhão de quilometros que fizemos, mas eu não fui preparada para caminhadas, e eu tinha uma botinha maior que meu pé e com salto anabela.
Pensa numa pessoa torta que não entrega a pose. Ai, meus calos.
Quando chegamos no hospital, ele dormia como um bebê.
Não tinha dormido até as 4 da madrugada, e ficou contando toda a sua história de vida pra enfermeira que encobriu a arte dele do dia anterior.



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