RSS

13 outubro, 2010

Logo vi que não seria nada fácil.


Na verdade, a entradinha da rua de terra da fazenda ficava meio escondida (Mor... pra nunca mais esquecer: km 30),e gerou um certo stress. Calma, Maridum... só porque está escurecendo... só porque a poeira está entrando nos alvéolos pulmonares... só porque as crianças estão atacadas no banco de trás... só porque a gente pode parar em Osasco (toda vez que ele se perde, ele acaba parando lá)... só porque estou escutando corujas... só porque uma tarântula pode cair de um galho retorcido??? Aiiiiii... tá bom... tô ficando com medo. [pausa]
Chegamos [Aleluia]
Quem nos recebe? Um monte de cachorros ferozes, babando morte.
'Menos, né, Carminha?' Meu marido se dignou a dizer... tá bom... eu estava um pouco assustada. Passou. Eram somente 5 cachorros enormes, tipo pastor alemão e labradores, e 1 pequeno (que, aliás, era o que mais latia).
Meus filhos? Nem deu tempo de dizer pra não pôr a mão neles... eles desceram correndo e abraçaram um por um. Ai, coração de mãe é forte. Dali a pouco não se viam nem os cães, nem os filhos. Bom... fomos pro chalé. As refeições eram sempre na casa da sede, numa mesa grande, jantamos e fomos dormir.
No dia seguinte, a surpresa: tinha uma gambá-mamãe morta e um filhinho vivo perto dela. Eu sabia que aqueles cães eram do mal. A dona achou ótimo porque aquelas pestes ficavam andando no foro da casa dela. (?) Credo... sem coração. Meus fios tiraram fotos de tudo que foi ângulo do presunto, mas vou poupá-los da cena. Na verdade eles estavam muito preocupados com o filhinho-gambá. Eu estava vendo a hora deles me pedirem pra trazer o mal cheiroso pra casa pra virar da família... bom... lá em casa já tenho dois cascões mesmo... um a mais, um a menos... mas a preparação do meu discurso de NÃO DE JEITO NENHUM não precisou chegar ao fim: um casal que chegou de carro passou por cima da cabeça dele. Cruel... mas dei graças a Deus... o bichinho não ia sobreviver sem a mãe, era ainda muito pequenininho.
Antes do almoço, teve o passeio a cavalo. Daí chegou uma excursão que veio pro almoço. A sobrinha da dona falou: "Quem quiser fazer o passeio a cavalo, por favor, deem o seus nomes aqui". Quem foram? Só meus filhos. Aí veio o dilema: deixo eles sozinhos com o Gustavo ou vou junto? (Maridum reclamou da rampa assassina, dos ossos da padaria dele e dos solavancos do passeio anterior). [Pensa, pensa, pensa... ]Quer saber? Também vou... não tive coragem de deixá-los sozinhos.
No mínimo ia ser mais uma pra dar trabalho pro Gustavo.
Dessa vez peguei a Frida, uma éguona branca. "Ela tem personalidade, disse o monitor, mas você pode controlá-la. Além do mais, a montaria dela é mais macia". Mais macia? Tá achando o quê, hein? Sou machona. A Cacá pegou o Escravo, tadinha; o Bi, o Zorro; e o Tico ficou mesmo com o Anel. Ele até queria experimentar outro cavalo, mas time que está ganhando, melhor não mexer, né?
Percebi que eles (cavalos e filhos) estavam agitados (ou seria eu?). Começamos o passeio na santa paz. De repente, uma disputa entre filhos pra ver quem andaria na frente (Eita, Deus.) Soltei meia dúzia de palavras, que durou uns vinte minutos de obediência. Aí, começava tudo de novo. O cavalo da Cacá era muito forte pra ela. O Bi dizia que era o Zorro que não queria ficar pra trás, o Tico dizia o mesmo do dele. Acho que este clima de competição passou pros animais, e o cavalo do Nº 3 MORDEU o do Bi. [Pasma]. O bicho abriu a boca e mordeu. A louca aqui abriu a boca e gritou: ELES ESTÃO COM FOME... VAMOS PARAR!. Tá bom, é mentira... eu abri a boca e não gritei, só falei com entusiasmo que eles estavam se matando. Gustavo deu um jeito. (O jeito: empurrou a cabeçona com o pé e disse pra um ficar longe do outro). Bom, eu tenho um jeito também [como dizer???] um tanto quanto repetitivo de ser. Eu acho que redundância gera informação, então (como toda boa mãe que se preze) falo dez milhões de vezes a mesma coisa; e do "Vai devagar aí na frente", "Abaixa a cabeça... olha a árvore", juntou-se um "Fica longe vocês dois" Afff. A natureza perdoa todas as mães, né?
Pra ajudar, o Gustavo fez uma trilha do cão: passamos perto de touros, ao lado de cercas com arame farpados e os animais de 4 patas (isso foi um xingamento) nada de querer andar fora da trilha que beirava as pontinhas pontiagudas. Eu pensava: Ai, Jisuis, se um deles encosta e se fura, danou-se. Aí passamos pela ribanceira dos urubus, o cemitério, lembra?... e, pra ter ribanceira, precisa de um caminho que faça seu perímetro, né? Pois, é. Passamos por ele também. Tivemos que subir morro, depois descer (era gostoso, mas dava um medinho), passar por baixo de uma mangueira (eu não sabia, mas cavalo gosta de comer manga... por aí, você já vai vendo o tamanho da emoção)... de repente, eles começaram a andar mais rapidinho: estávamos perto de casa. Nessa hora, meu conselho é: Esquece. Eles ficam com pressa mesmo, nem adianta brecar. Pra ajudar tinha um ônibus ligado no meio do caminho... só pra finalizar a minha adrenalina. "Passem longe do ônibus pra eles não se assustarem." Ah, tá!
O jeito é deixar os grandões descansarem e a gente também... eu estava moída.


Na concentração, preparando os ânimos





Tropa organizada (gorda é a vovozinha!)



No fim, só forrando o estômago mesmo porque ele (o estômago) era a única parte do corpo que ainda dava pra fazer alguma coisa
Por nada, não... mas olha só a cara do povo: Cacá descabelada, filhos e mãe se apoiando uns nos outros só pra escorar. Mama mia... que fim de carreira!


pra terminar, uma foto artística do papai.

13 de Outubro de 2.010

0 comentários:

Postar um comentário

Comente aqui... mas só pra dizer que adorou. :)