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01 março, 2010

O anjo do pau carunchento...


Este ser tão sublime que hoje é um bem-sucedido homem de negócios já aprontou tanto... mas tanto, quando era pequeno, que agora já pode se dedicar a ser gente grande de verdade. Teve uma fasesinha brava que ele resolvia fazer de tudo que era errado nessa vida, uma atrás da outra. Um dia, enquanto minha mãe dava mamadeira pro Cinho, ele resolveu brincar com isqueiro bem atrás de onde ela estava sentada... tudo bem, mãe... dá pra entender seu stress... tudo começou com aquele cheirinho de que tem alguma coisa queimando, aí veio uma fumacinha, até que meu pai levanta mulher e filho com um único braço, e vira herói apagando a poltrona com o outro. Ele? Vixe... já tava looonge. Deve ter apanhado! Teve uma outra vez que o vizinho veio correndo dizer que o fusquinha do meu pai tinha batido, de ré e sozinho (aff...) num tronco de árvore. “Puxa, que sorte que o senhor teve, hein? Parou na árvore antes de descer a rua...” tipo, rumo ao infinito e além. Meu pai chegou com os bofes pra fora... com certeza foi uma tentativa de assalt... ops!... era ele, o ser inclemente, ao volante... tão pequeno que ninguém viu quem era o motorista. Deve ter apanhado nessa também! Isso sem contar as inúmeras vezes que meus pais foram chamados pra passar carão na escola: ele fez xixi num copo (embora o réu tenha jurado inocência) e deu pra uma amiguinha beber (oh, muito amiga, né?)... ou porque trancaram (ele e sua pequena gang) o bedéu num quartinho embaixo da escada... ou talvez por causa de guerra no banheiro. Um verdadeiro anjo...
Se tudo isso não bastasse, tinha eu. Por que ele não me esquecia? Lembro de uma época em que TODOS os dias que eu voltava da escola, lá estavam as coisas do meu guarda-roupa em cima da minha cama... ele já tinha até decorado o que tinha lá dentro... e mesmo assim, não parava. Oh, moleque capeta... Fora isso tinha um pequeno detalhe: eu estudava de manhã e ele, à tarde. Minha mãe o levava pra escola, mas quem ia buscar???? Eu, né?! Todo santo dia, duas vezes por dia, pegando quase uma hora de ônibus pra ir e mais o mesmo tanto pra voltar (eu vou pro céu definitivamente) e o desgramado reclamava que tinha fome... sempre a mesma coisa. Ele levava dinheiro pro lanche que, normalmente, era um enroladinho ou coxinha com refrigerante (tudo saudável nessa vida) e... tudo bem que o terminal do ônibus era inundado por cheiro de comida que vinha daquele monte de lanchonetes suspeitíssimas e barraquinhas de churrasquinho de cachorro, ainda mais no finalzinho da tarde... hum!!! até eu ficava com vontade... mas não tinha dinheiro, né? Que eu fazia? Simples:
“Marcos, segura essa bolacha que nem sanduíche e fecha os olhos... não vale ver... sente o cheiro do hamburguer...[pausa] tá sentindo?”
“Tô!”
“Agora, sem abrir os olhos, morde essa bolacha e sente o gosto do hamburguer...[pausa] tá sentindo?”
“Tô!”
kkkkkkkkkkkk A isto se chama o poder da mente e da persuasão... já peguei outros passageiros de boca aberta (de tanto rir), mas funciona. Fala, aí, irmão... não funcionava?
Bom, tinha o caso da vizinha também... ele com uns 4 e ela com uns 7 anos... e resolveram se perder no mundo atrás de muita aventura, bala e brinquedos. Como tudo custava dinheiro (turquinhos esses dois, né?) eles atravessaram, sozinhos, a maior avenida da cidade... e nem morreram atropelados! Foram ao banco, mas o caixa não quis dar dinheiro (ué... por que será, né? E NEM PERGUNTA CADA TUA MÃE??? Ai, se fosse comigo...). Cada uma das duas mães achando que os rebentos estavam na casa da outra... até que começou a escurecer. Foi um auê. Pais se dividiram em buscas nada programadas, mães enfartaram: uma corria pelas ruas com as mãos puxando os cabelos , e a outra tentando descascar o reboco das paredes com os dentes... e o resto do povo, ou xingava os dois, ou rezava... ou ambas as coisas. Apanharam! Alguma dúvida?
Mas tudo bem... passou. Ele já apanhou tanto que eu acho que deve ter colocado os parafusos no lugar (hehehe, trio de casa... preparem-se!!!)

Parabéns pra você e que tudo dê muito certo porque é o que eu mais desejo: amor, saúde e sucesso.
Beijos, Marcos - Martelo.


01 de Março de 2.010

2 comentários:

Manu disse...

Realmente, essa foi uma infência feliz! E cheia de tantas histórias engraçadas para contar...
Marcos, desejo que você continue um admirável marido, filho, irmão, cunhado e homem de negócios!
Você é un ente indispensável nessa família!
Felicidades,
Manu

eu mesminha... disse...

... e bota infância feliz, né? :)

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