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20 fevereiro, 2010

...ele gritou: "Tubarão" ??? (!!!)



Minha Minha primeira reação foi dizer que não iríamos... o deslizamento sobre aquela pousada em Angra quase nos fizeram me fez mudar de planos (que tragédia!), mas o sol estava tão quente e o mar estava tão bonito que fiquei até feliz em não ter desistido.
A lancha do Marcos e da Rose é dessas grandes (30 pés??? Sei lá... uns 12 metros) e, caláro, coube toda a família... pai, mãe, filhos, marido, eu e eles (dããã... lógico). Estávamos ainda todos encantados com tudo; putz... que beleza estonteante e o melhor é que o lugar que iríamos ficar parecia mais super-hiper-mega-blaster-legal. Que mais querer, né?
Estava tudo às mil maravilhas... nem chegamos a pegar mar aberto, foi meia hora num caminho “costeante” mesmo. De repente, e não mais que de repente... [stop]... [play]... não foi uma, nem duas, mas QUATRO bestas marinhas vinham em nossa direção. Junto com sua baforada mal-criada, aquelas quatro embarcações-montros, que andavam em fila (tipo uma pegando o vácuo da outra _ eita, mal de brasileiro que acha que é corredor de kart até no mar) traziam uma onda marolisticamente grande. Mas qual o problema afinal??? Nenhum... se eles estivessem em local que não tivessem outras embarcações menores e tão próximas.
Meu irmão até fez sinal (fora a cara de c... olhando pra eles) que ali não poderiam navegar assim. Claro que eles nem se dignaram a ficar envergonhados... dali, com certeza, eram os que tinham mais dinheiro... e menos educação; mas foi nessa hora que me deu uma vontade de chorar... (Dá licença??? Sou sensível)... o Marcos é um cara legal. Ele herdou um comércio pequeno e humilde, e transformou em referência... o que ele se predispõe a fazer, dá certo... e isso por mérito dele. Enquanto eu estava na faculdade, ele já ralava muito... mas empreendedor é assim, eu acho... e todo mundo sabe que a estrela dele sempre foi maior que a lua... e apesar de tudo que ele conseguiu, ele continua sendo muito família. Ele se preocupou realmente com os outros, com os que têm menos condições de se defender; afinal, a onda gerada por aqueles imbecis nos balançou, mas com certeza muito menos que a quase todos os outros que também foram atingidos. Fazer o quê??? Sou assim... mas fala sério... quem, em sã consciência, poderia chorar naquele lugar? Somente uma idiota (se alguém concordar... morre!). Se bem que eu confesso: já chorei até em comercial de televisão!!! (Mas ele era bem triste). Acho que alguém deve lembrar: um cachorrinho ficava no portão latindo pra um homem que passava na calçada, querendo chamar sua atenção, e o cara... nada! Na verdade, o homem tinha recebido o coração transplantado do verdadeiro dono do cãozinho e somente o animal conseguia sentir isso... então ele ficava todo desolado, voltava quietinho pro sofá e ficava lá... olhando a foto dele com o dono já morto. :( ... vou chorar de novo. (Sou emotiva... não tem jeito).


[Muda de assunto, manteiga derretida... daqui a pouco vai chorar de saudades do Bibi...] ... [Verdade!]

O Saco do Mamanguá é liiiiindo. Tem aldeia de pescadores, pousada, montanhas por todos os lados e aquele bração de mar... e a Casa Laranja estava ali, bem no alto do morrinho (bem alto aquele morrinho pra subir com as malas, né?); mas a sorte não nos abandonara nem nesse momento crucial da viagem e, na Casa Azul, tinha uma família linda: pai, mãe, dois filhos adolescentes e um outro menorzinho. Ai, nada como a camaradagem, e os meninos nos ajudaram a subir tudo (a casa deles ficava no meio do nosso caminho).
Chegamos, que amor! Casinha de boneca... quartos com janelinhas de madeira (que nem precisava mesmo fechar muito bem), telhas de barro vermelhinha, dossel nas camas, beliches, outras camas, cozinha com fogão já velhinho, a geladeira parece funcionar bem. A sala com enormes janelas que davam pra uma varandinha sombreada por cobertura de palha... olha só... duas redes na varanda. Deitar ali... olhando o mar...
Chegamos... mas já saímos. Praia!!!
Esse primeiro dia foi também o primeiro dia que eu mergulhei em águas salgadas (antes disso só na piscina do S’Ormindo). Bestiamente MÁGICO... o Marcos foi o culpado de tudo... e agradeço a ele imensamente. Acho que o meu professor de mergulho não poderia ser outro mesmo... ele falou que fomos a primeira melhor turma dele.
Demorou mais tempo colocando cilindro, pé de pato, máscara... ufa!... do que mergulhando BUT ... EU PEGUEI UMA CONCHINHA DO FUNDO DO MAR... e com 7m de água sobre mim. Tive batismo de areia na cabeça e até guardei um pouquinho dentro do biquini pra posteridade... o mar é assim, tipo que nem abismo que a gente não pode olhar pra baixo, só que aqui o problema é não olhar pra cima.
Amigos e família... momento sério agora: é uma parafernalha só, dá um trabalho da chapuleta guardar e limpar os equipamentos, é o ouvido entupindo por causa da pressão da água, é o coração querendo fugir pelo regulador (de medo), é aquele frio constante que vai fazendo a gente tremer devagarinho até a mão resolver enformigar de vez, é a sensação de que, se a gente fechar os olhos, tanto ia fazer estar de barriga pra cima ou pra baixo (e às vezes a gente virava mesmo sem querer... oh coisinha complicada)... mas é a melhor coisa do mundo! Dá pra entender??? Não? Então vai mergulhar... não dá pra explicar.
Quando mergulhei (mais de verdade um pouquinho, no dia seguinte: 11m), a primeira coisa que vi foi uma cobra. Na verdade, uma cobrinha bem bonitinha... amarela com bolinhas marrom... lindinha mesmo... e eu ia afundando na direção da bichinha... [pausa]... é... bonitinha... [pausa]... mas meu corpo terrestre está indo pra ela... é... e quando a gente se encontrar, hein??? ... PÂNICO!... acho que respirei muito e rápido (no susto), enchi tanto os pulmões de ar que eu não conseguia mais controlar minha subida... nem quando eu quis. Pra ser beeeem sincera, maior que o medo da cobrinha foi o desespero de ver a bordinha do mar na máscara... eu subira sozinha! Quero dizer, sem querer... e acho que foi bem rápido... sabia que eu podia ter morrido??? (A Rose bem que falou: “menos, né? Você já soube de alguém que morreu por causa disso”... [pensa, pensa] Nunca, né? Relaxei) Mas subir rápido é sempre um perigo... sorte que eu não morri... nem sei como.
Depois disso não conseguia descer, nem com reza-brava, e meu irmão colocou pedras dentro do meu colete. Lembro que, quando eu o vi pegando pedras lá no fundo, eu pensei: “...mas que raio de hora pra ele pegar pedras pro aquário dele...” (Imagina minha cara-de-tacho-marinha depois que ele foi enfiando elas no meu bolsinho). Bom... vi peixe-papagaio, vi uma estrela do tamanho de uma roda de bicicleta... amarelona, gorda e viva, vi cardumes de peixinhos, vi “sargentos” e até uma tartaruga-marinha. Adorei ver os “construtores”... dezenas deles... trabalhando numa pedra submersa. Que mundo grande lá embaixo e eu sei que nem cheguei perto de saber o quanto.

Olhe aqui algumas fotos:
1. Lugar do primeiro mergulho da minha vidaaa 2. Lugar lindo 3. Lugar lindo 4. Lugar lindo
4. Marina 5.Putz... olha que marido!

Obrigada, Marcos... foi um presente de Natal maravilhoso. Muito obrigada... de coração!
Nossa aventura estava somente no começo... perto de escurecer era o sinal: melhor voltarmos pra casinha lindinha!

20 de Fevereiro de 2.010

2 comentários:

Manu disse...

Que linda aventura! Estou na expectativa de ouvir mais...
beijos e boa semana

eu mesminha... disse...

Mas fala sério, hein??? Com foto e tudo!
Eu me supero às vezes (e não vai falar que é baba, não... tudo exige tecnologia). :)

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