Ela era frágil, e completamente desprovida de defesa. Se ela era boa gente? Não sei. Provavelmente não... mas ainda era uma menininha. Apesar de deitada no chão, com aquele bruta-montes segurando sua nuca e com o dedo da outra mão quase encostando no seu nariz, em nítido gesto de dominância e violência... ainda assim, ela tinha uma força! Devia já estar acostumada a ser tratada assim. Ela não chorava, nem gritava, só discutia com ele... ou se desculpava. E ele, no alto de sua completa arrogância e superioridade, agia com o orgulho de ser poderoso.
Por quantas violências como aquela ela não devia passar durante o seu dia?
Por que ele não se rebelava com quem a levava pra lá, pra ser pedinte? Ele era covarde.
Eu?
Eu só estava passando do outro lado da avenida... juro que a minha vontade foi gritar... foi descer do carro e segurá-lo, mas eu não fiz nada... como o cara do carro de trás do agressor... também olhava incrédulo, mas só olhava... assim como toda a fila de carro atrás deles, esperando o sinal abrir.
Eu me senti conivente com aquela situação... não fiz nada.
15 de Março de 2.010



2 comentários:
O mundo está mesmo cheio de injustiças que gostaríamos de sanar. Às vezes, essas situações nos pega desprevenidos e não há como reagir. Também já senti muita culpa de ter me omitido. Mas me consolo dizendo que faço o melhor que posso!
beijos
Agradeço, Manu... não somente pelas suas palavras, mas também pela sinceridade... Não consigo esquecer.
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